21 dezembro, 2009

Avatar

Posted in Filmes tagged , às 11:30 am por Deborah Sá

Os Na’vi são um povo guerreiro que sobrevivem da caça e respeitam as formas de vida: Fazem uma oração para cada animal que matam. Dormem em uma grande árvore e logo abaixo dela há uma grande quantidade de um minério precioso.

Os humano-americanos (quem mais?) percebem este potencial lucrativo e investem em pesquisa combinando o DNA humano com o dos nativos de Pandora.  Assim é um Avatar: Tem a aparência dos Na’vi, mas podem ser controlados por alguém que deitar em uma máquina que faz a “transferência dos corpos” (Matrix?).
Explicando de outro modo: Imagine que criam um corpo de índio parecido com o seu, você deita em uma cama especial e consegue entrar no corpo “oco” na cama ao lado. Agora é só levantar nesse novo corpo e interagir com a aldeia. Parece simples não? Mas os Na’vi têm razões de sobra para hostilizar os forasteiros e matá-los usando flechas com venenos de rápido efeito.

Aos poucos um ex-fuzileiro (Jake Sully) em corpo Na’vi ganha a confiança da “tribo” e é treinado em seus costumes para se tornar um deles. Isto só é possível graças a um sinal de Eywa (a Deusa deles).

Não pretendo contar o filme todo aqui, mas garanto que é bom e vale a pena ser visto.

Alguns dos pontos negativos:

* Não há humanos negros.**

* Embora tudo indique que a sociedade deles é matriarcal (as mulheres lutam ao lado dos homens e não são tratadas como inferiores), elas têm cargos de poder apenas na esfera religiosa. Os líderes guerreiros são todos homens.

* Isso pode dar margem para a Mística Feminina e a ligação da mulher com a natureza, que por sua vez pode ser problemática.

* É heteronormativo. Quando o protagonista finalmente termina seu ritual de iniciação, ele “tem o direito de escolher uma mulher para ele”. Então responde: “Mas a mulher que quero tem que me escolher também”. Ok, legal, mas não tira o caráter de que amar o mesmo sexo é considerado inexistente onde só o homem escolhe (mesmo em um local matriarcal).

* O protagonista só é pleno quando larga o corpo de humano cadeirante para ser um humanóide que anda sobre as duas pernas.

Pontos positivos:

* Todas as personagens femininas são fortes e tomam iniciativa, inclusive Neytiri (o par romântico) é quem salva o Jake Sully.

* É Deusa e não Deus.

* A mensagem de respeito a todos os seres vivos, até a menor forma de vida. Matam para sobreviver e comer, mas fazem uma oração antes (ao contrário do que praticamos hoje onde a maioria das pessoas com casa poderia ser vegan…).

* Embora seja um filme para as massas (assim como Star Wars é) com muitos efeitos especiais (idem), consegue trazer diversas questões interessantes: O conceito de colonizar alguma nação considerada “selvagem”, choque de culturas, valores morais, visão holística, viés feminino nas crenças… Uma ótima prova de que é possível investir em efeitos e ação sem abrir mão de um roteiro cativante. Sinceramente Star Wars caiu muito no meu conceito depois desse filme. Aprenda LucasArts.**

** E o George Lucas só colocou o Lando (personagem negro para quem não sabe) porque o movimento negro reclamou. E ainda arranjou pretexto pra colocar a Léia como escrava sexual.
**² Vi em uma edição em quadrinhos do Universo Expandido onde mostrava uma loira erotizada com roupa de Storm Trooper (só pra mostrar que os deslizes não se restringem aos filmes).

1 Comentário

  1. […] é uma mulher. A personagem feminina principal é uma guerreira e Deus é mulher. A Lola e a Deborah dissecam o filme muito […]


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: