29 dezembro, 2009

2009

Posted in Egotrip, Memórias às 1:29 pm por Deborah Sá

Neste ano me dei conta que blogo há 5 anos, já tive outros blogs antes, mas os apaguei. Mudei muito de mentalidade nestes cinco anos, comia carne, acreditava em deus e outras coisas que não me orgulho como, por exemplo, rir de um filme do Cris Rock.
Meu senso de humor também, hoje eu não acho mais graça de filmes como American Pie e posso deduzir um enredo fraco como aquele e suas piadas. Já achei graça em Pânico na TV, dancei O Tchan e Carrapicho. Nunca gostei de Chaves.

Muitas das minhas mudanças vieram do enfrentamento do pensamento das pessoas “comuns” em conflito com o que eu considerava justo. Enfrentei familiares, rompi com o convívio de algumas pessoas, inclusive virtuais que por falta de argumentos apelavam para assombrosos preconceitos. Larguei as comunidades nerds, abracei as feministas.

Faz três anos e seis meses que namoro o Yuri, amadurecemos juntos. Sou vegetariana há dois anos, (destes, um ano Vegan).
Cortei o cabelo este ano do modo mais curto possível e pintei de vermelho. Prometi a mim não me pesar (a não ser quando for ao médico) para que dígitos não limitem o meu corpo em expressar e contemplar sua individualidade, por esta mesma razão comprei um short curto (lindo) tamanho 46: Meu real tamanho. Eu não usava short desde meus 10 anos.
Procuro vigiar minha auto-estima quando cogito não comer um pedaço da deliciosa torta de manga que o Yuri fez pra mim durante nosso caloroso debate ideológico ás 3:00 da manhã (ei, é sério, tanto é que só brigamos por motivos ideológicos, não de casal).

Este ano

Tive crise de pânico e fiz terapia. Assumi minhas cicatrizes emocionais de modo escancarado, para dar forças para as que se sentem como eu e para fortalecer minha luta.

Bandas boas como Mika, Gossip, Lacrosse, Paulo Sérgio (brega niilista dos bons) e Ting tings marcaram meus fones de ouvido.

Filmes como: Avatar, Thelma & Louise e Caramelo foram boas surpresas.

Livros como O Mito da Beleza, Memórias da Transgressão, Os dois volumes de O Segundo Sexo, Deus um Delírio e SCUM manifesto me deram novas perspectivas.

Margareth Rago me inspirou a cursar história. Obrigada :)

Agradeço pelos braços abertos da faculdade Unifesp quando estive lá, desconstruído a idéia que eu fazia de hostilidade por ter estudado a vida toda em escola pública e ter concluído o ensino médio com supletivo.

Agradeço aos familiares mais próximos que mesmo apresentando receio as minhas idéias inicialmente, se esforçam em preparar pratos vegetarianos.

Agradeço a minha irmã por confiar em mim.

Obrigada as blogueiras maravilhosas que me inspiram e a todas as minhas leitoras.

Vocês fazem parte da minha revolução.

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21 dezembro, 2009

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Posted in Filmes tagged , às 11:30 am por Deborah Sá

Os Na’vi são um povo guerreiro que sobrevivem da caça e respeitam as formas de vida: Fazem uma oração para cada animal que matam. Dormem em uma grande árvore e logo abaixo dela há uma grande quantidade de um minério precioso.

Os humano-americanos (quem mais?) percebem este potencial lucrativo e investem em pesquisa combinando o DNA humano com o dos nativos de Pandora.  Assim é um Avatar: Tem a aparência dos Na’vi, mas podem ser controlados por alguém que deitar em uma máquina que faz a “transferência dos corpos” (Matrix?).
Explicando de outro modo: Imagine que criam um corpo de índio parecido com o seu, você deita em uma cama especial e consegue entrar no corpo “oco” na cama ao lado. Agora é só levantar nesse novo corpo e interagir com a aldeia. Parece simples não? Mas os Na’vi têm razões de sobra para hostilizar os forasteiros e matá-los usando flechas com venenos de rápido efeito.

Aos poucos um ex-fuzileiro (Jake Sully) em corpo Na’vi ganha a confiança da “tribo” e é treinado em seus costumes para se tornar um deles. Isto só é possível graças a um sinal de Eywa (a Deusa deles).

Não pretendo contar o filme todo aqui, mas garanto que é bom e vale a pena ser visto.

Alguns dos pontos negativos:

* Não há humanos negros.**

* Embora tudo indique que a sociedade deles é matriarcal (as mulheres lutam ao lado dos homens e não são tratadas como inferiores), elas têm cargos de poder apenas na esfera religiosa. Os líderes guerreiros são todos homens.

* Isso pode dar margem para a Mística Feminina e a ligação da mulher com a natureza, que por sua vez pode ser problemática.

* É heteronormativo. Quando o protagonista finalmente termina seu ritual de iniciação, ele “tem o direito de escolher uma mulher para ele”. Então responde: “Mas a mulher que quero tem que me escolher também”. Ok, legal, mas não tira o caráter de que amar o mesmo sexo é considerado inexistente onde só o homem escolhe (mesmo em um local matriarcal).

* O protagonista só é pleno quando larga o corpo de humano cadeirante para ser um humanóide que anda sobre as duas pernas.

Pontos positivos:

* Todas as personagens femininas são fortes e tomam iniciativa, inclusive Neytiri (o par romântico) é quem salva o Jake Sully.

* É Deusa e não Deus.

* A mensagem de respeito a todos os seres vivos, até a menor forma de vida. Matam para sobreviver e comer, mas fazem uma oração antes (ao contrário do que praticamos hoje onde a maioria das pessoas com casa poderia ser vegan…).

* Embora seja um filme para as massas (assim como Star Wars é) com muitos efeitos especiais (idem), consegue trazer diversas questões interessantes: O conceito de colonizar alguma nação considerada “selvagem”, choque de culturas, valores morais, visão holística, viés feminino nas crenças… Uma ótima prova de que é possível investir em efeitos e ação sem abrir mão de um roteiro cativante. Sinceramente Star Wars caiu muito no meu conceito depois desse filme. Aprenda LucasArts.**

** E o George Lucas só colocou o Lando (personagem negro para quem não sabe) porque o movimento negro reclamou. E ainda arranjou pretexto pra colocar a Léia como escrava sexual.
**² Vi em uma edição em quadrinhos do Universo Expandido onde mostrava uma loira erotizada com roupa de Storm Trooper (só pra mostrar que os deslizes não se restringem aos filmes).

17 dezembro, 2009

Mais uma pessoa tenta me converter

Posted in Cotidiano, Crenças tagged às 10:45 am por Deborah Sá

Ontem resolvi cortar o cabelo, já que o dito cresce em uma velocidade impressionante. Enquanto esperava me divertia com o livro Deus um Delírio do Richard Dawkins (meu presente do Dia das Crianças), a mulher terminava de fazer chapinha em uma ruiva de farmácia, a moça foi acompanhada do namorado que tirava sarro dela, enquanto ficava visivelmente insegura.

Terminada a chapinha a mulher lavou meu cabelo (adoro massagem na cabeça), ouvi o rapaz rindo e a cabeleireira perguntou:
“Não gostou não?”. Sentei na cadeira e ela me disse:
– Não entendo! Uma moça bonita daquela, namorando um moleque que ri da cara dela.
– É, eu não agüento essas coisas não, tem que mandar se lascar
– Você descoloriu seu cabelo?
– Não, tingi várias vezes até pegar o tom que quero, aliás, preciso tingir novamente, tá amarelando… E você já usou muitas cores?
– Já, até raspei, a melhor coisa que já fiz na vida, mas não pode ligar para o que falam.
– E corta cabelo há muito tempo?
– Por que pergunta?
– Sempre pergunto para as pessoas como elas começaram na profissão, se gostam do que fazem…
– [Imaginem o máximo de tom místico pra contar a história] Ah, a história é muito confusa, é muito longa, você não vai entender…
– Desculpe. Se não quiser, não precisa contar.
– Eu era casada, e eu fui até uma pessoa… Falou que eu tinha que procurar uma profissão, ia passar por um período difícil e precisava me arranjar…
-… Economicamente
– Não, profissionalmente.
-…
-Então eu tinha passado em frente uma escola de cabeleireiros e perguntei pra pessoa: “Tipo o que?” e ela disse: “Cabeleireiro”. Aí fui crescendo na profissão. E ai, gostou? Tá bom (o corte)?
– Gostei sim, obrigada.
– Eu pensei que não ia ficar bom não, mas ficou. E essa sobrancelha aí? Não vai tirar não?
– Essa é de estimação. Sabe quando algo faz parte do que você é?
– *Faz careta* Mas é porque fica bonito.
– Não obrigada.
Júnior: – Ai que linda que você está, que diferente.
– Obrigada ^^

Me despedi e saí.
Quando estava a poucos metros de casa uma moça atrás de mim diz:

– Moça, moça.
– Oi
– Posso falar uma coisa rapidinha pra você? Qual seu nome?
– Claro. É Deborah e o seu? *pensei que era mais uma pessoa que ia perguntar a tinta que uso no cabelo, no domingo uma mulher me parou no Bazar Vegano pra perguntar isso*
– Bianca (acho que era esse o nome dela…), eu sou uma serva de Deus e queria saber se posso orar por você.
–  Pode sim *na sua casa né?*, sem problemas.
A moça colocou a mão no meu ombro: Repete depois de mim?
– Não, vou me sentir desconfortável.
– Oh senhor (cobrindo os olhos com uma mão enquanto outra colocava no meu ombro)! , abençoa a Deborah, a família dela. Tire do caminho todas as armadilhas de Satanás…

[Nisso minha mente viajou, o que será que ela viu em mim? Meu guarda-chuva? O porteiro achou estranho, se levantou…]

Arco íris :)

…Oh, senhor, guarda ela…

[Será o Deus um Delírio que me fez rir minutos atrás em minhas mãos?]

Será que ela só leu “Deus” na capa?

Tu sabes de tudo Senhor…

[Ou meu recém corte de cabelo?]

…derruba ele Senhor, entra na vida dela agora e para sempre. AMÉM. *Olhos de esperança aguardando ouvir “meu” amém*
– ….(sorriso amarelo)
– Fala “amém”!
– Não… Vou me sentir desconfortável.
– Você tem telefone? *A moça tinha olhinhos de piedade*
– Tenho, mas… Vou me sentir desconfortável. E ele é onipresente né? Sabe onde estou não precisa…
– Deixa só anotar seu nome no papel, é Deborah né? Vou orar por você, posso? Na minha casa? *_*
– Pode sim, sempre que quiser. E…
– Siiim *_*
– Boa sorte…na sua vida aí…
– Obrigada pra você também! *______*

Entrei no prédio:

Porteiro: Tudo bem (apreensivo)?
– Tudo, estão orando por mim.
Porteiro: Mas será mesmo? Se for tudo bem. Ela pegou algum dado seu?
– Meu nome.
Porteiro: É por que não sabe pra que vão usar (ele insinuou que a moça ia “por meu nome na macumba” ou algo do tipo).
– Eu não tenho medo dessas coisas não, tenho medo é de faca, coisas que cortam, físicas, reais…
Porteiro: Ah, mas se você é forte com Deus como você está falando, então nada te pega! Que bom que você acredita tanto assim.

Entrei absorta no elevador. Por que não falei pra ele que era filha de Iansã?*

*Parafraseando uma colega de faculdade do Yuri que respondeu isto a um garoto que perguntou se era de alguma igreja. Como negou, ele emendou “É da macumba então?”
**Confesso que simpatizo mais com os Orixás do que com os Santos católicos.

OBS: Lembram do gatinho preto? Tirei uma foto dele ontem:

Está vivo :)