24 setembro, 2009

Anticristo

Posted in Filmes tagged , , às 1:34 pm por Deborah Sá

cannesnticrist

Anticristo é um filme misógino. Reitera as crenças do místico feminino como algo abominável, indomável, sádico e mortal. Dividido em capítulos, o prólogo em câmera lenta (em preto e branco) conta a morte do bebê do casal e o intercurso no chuveiro.

Esse foco “peniano” é incômodo, qual a relevância de mostrar um pênis entrando em uma vagina? Não há nada “chocante” nisso Von Trier. O mundo “real” já é heteronormativo: Publicidade, linguagem, anedotas…a gama de referências é abundante. Antes de me aprofundar na trama, posso adiantar que o filme é horrível.

*Spoiler daqui pra frente, se quiser pule tudo*

A mãe entra em profunda depressão, levada aos médicos se entorpece com remédios. O marido terapeuta preocupado (e salvador) leva a esposa novamente para casa e tenta tratá-la buscando a fonte de seus medos. Ela confessa ter medo da floresta (Eden).

Neste local há tempos atrás levou o bebê para esboçar páginas de sua tese sobre genocídio, mais especificamente sobre feminicídio. Em determinado dia, ela ouve um choro de bebê e ao segui-lo encontra o filho feliz, embora ainda ouça o choro. Era um chamado da “natureza”(!).

No trem a caminho do Éden, o marido pede que imagine andar nos arredores deitando na grama e fazendo parte do local. Este é o segundo contato com a “mãe natureza”. Ao chegarem,  o terapeuta insiste em rituais que ligue ela a esse mito, como andar na grama por exemplo.

No Éden a mulher pede por intercurso, ele tenta recusar acreditando que atrapalhará o “tratamento”. Não resiste, são constantes os closes da bunda do William Defoe contraindo por cima dela. Esta cena se repete com freqüência.

Não espere preliminares ou sexo oral na mulher -por que o cinema é tão relutante em mostrar a mulher gozando na boca de homem? – deita por baixo e o coelhinho em pouco tempo goza.

O contato sexual entre eles torna-se misógino:

Ela: – Me bate.
Ele: – Não farei isso.
Ela: – Então não me ama de verdade.
Ele: – Talvez não te ame
Ela: Corre para uma grande árvore, deita-se e se masturba.
Ele: Corre até ela, dá uns tapas na cara e ocorre o intercurso que ilustra a capa do filme.

Ela chega a conclusão: Se a maldade do ser humano é inata, a mulher como ser humano também é. Sendo má, ela merece ser punida.
Ele diz que a tese dela era provar que as mulheres mortas queimadas não o mereciam só por ser mulheres, para seu espanto “inverteu o jogo”.
O marido tem sonhos estranhos da natureza o amedrontando, a cena mais emblemática é uma raposa dizendo com voz gutural “O Caos Reina”. *Me segurei pra não rir*

Descobre na autópsia que os pés do bebê eram ligeiramente tortos. Ao olhar as fotos do Éden consta que o sapato esquerdo está no direito e vice-versa. Percebe que a esposa é “uma bruxa”.
Ela entra no cenário gritando e o acerta na cabeça o deixando desacordado, ainda com raiva bate no pau dele com uma madeira, tornando-se ereto. Bate punheta nele voando sangue. *Algo me diz que Lars Von Trier é fã de Ero-Guro*

Não satisfeita, usa uma furadeira manual abrindo um buraco na perna dele e coloca um peso de malhar (sabe aqueles “anéis” com peso?). Ainda com muita raiva corta o clitóris com uma tesoura.

Sai correndo, o marido tenta fugir mas é em vão: A floresta é a favor dela. Quando se esconde na toca da raposa (a mesma do sonho) encontra um corvo. Este corvo faz tanto barulho que a esposa o encontra e o soterra empurrando terra na parte superior do buraco.
Cansada, o remove e auxilia a tirar o peso da perna. Ele bate nela, amarra em um tronco de árvore e taca fogo.
A árvore ganha brilho e pisca. A bruxa voltou de onde veio: Da natureza sombria, onde tem de ser domada pelo homem. Com seu sobrenatural poder enfeitiça e cega os pobres homens reféns de seus desejos de cópula, dispostos a arriscar sua preciosa vida se for necessário.
Por fim, ele está na floresta (em preto e branco) enquanto uma multidão de mulheres sai das árvores e andam em sua direção.

Um filme que justifica a inquisição deve mesmo ser considerado uma obra-prima? Esse conceito existe há séculos e críticos chamam esse filme de inovador? Provocativo? Leiam a bíblia, vão se espantar.

6 Comentários

  1. B said,

    e ainda tem sujeito q me faz uma palestra dizendo q são inocentes as críticas de q o filme seja misógino e afirmando q na realidade ele é feminista.
    o nome da criatura bizarra é Luis Felipe Ponde. lixo!

  2. Raiza said,

    Eu fico abismada com esse tipo de coisa.Esse cara devia ser processado e preso,ou no mínimo ser internado num manicômio.

  3. asnalfa said,

    Na verdade esse filme é feminista sim!! Ainda nao assiti, mas verei em breve. Encontrei uma crítica defedendo o filme! Se quiser ver…..

    http://cineeeu.blogspot.com/2009/09/anticristo-nos-primordios-da-repressao.html

  4. Aa said,

    Putz, eu adorei o filme. Não vi a mesma coisa que você…

    P.S.: Paguei pau pra raposinha falante!

  5. Amapola said,

    Noooossa, clitóris cortado com uma tesoura, mulher querendo apanhar e homem incendiando mulher…..Uou, mais subversivo e feminista impossível :P
    No dia em que um BOLUDO vier me dizer o que é feminista, cortarei eu tbm meu clitóris com uma tesoura :P

  6. le. said,

    Acredito que tenha interpretado mal a real intenção do autor… sugiro esta leitura, vai te ajudar a entender:
    http://organizando-o-caos.blogspot.com/2009/10/anticristo-de-lars-von-trier.html


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