12 agosto, 2009

Diz o aviso que eu li

Posted in Só falam nisso tagged às 3:21 pm por Deborah Sá

Gosto de sair à noite para conversar com os amigos em um lugar onde um diálogo é possível no tom de voz normal.
As casas noturnas têm muitos fatores desagradáveis:

Bebidas alcoólicas: Uma das coisas que mais me irritam (na vida) é copo plástico com cerveja. Seja em shows ou casas noturnas sempre tem um maldito que passa me espremendo e derrubando cerveja ao som “crock” “chock” do plástico.

Cigarro: A fumaça atrapalha a visão e voltar pra casa cheirando defumado não é bacana. Minha renite e sinusite também não.

“Pegação” forçada: Colocam a mão na nossa cintura para abordagem.

Dança não é sinônimo de exibicionismo: Basta dançar que alguém se aproxima e “te avalia” como se você não pudesse querer dançar para SI.

Falta de espaço: Não dá pra dançar a vontade assim.

Preços abusivos: Pagar R$ 7,00 em um suco de laranja.

Músicas: Esperar a noite toda pra tocar UMA música dos Smiths é desestimulador. Aliás, quando eu ia em alguma casa noturna por mais de uma vez o DJ dizia ao me aproximar “Já sei, Smiths”.

Alternativas

Prefiro comer em casa, em uma padaria de esquina  ou em um restaurante vegetariano.

É perfeitamente possível falar besteiras e debater assuntos sem álcool, cerveja ou drogas.

Tenho um tio que teve câncer e fez traqueostomia graças ao tabaco. Não tenho raiva dos fumantes, um dos meus colegas de trabalho fuma e não o odeio por isso,  tenho amigos e familiares que bebem e 99% deles são onívoros.

Não posso controlar a renite e irritação dos meus olhos causados pela fumaça, não sou obrigada a gostar de cheiro de bebidas alcólicas (me enjoa) e não me peça para tocar ou preparar uma carne. Vou sentir nojo. Aliás, no caso da carne (e do leite) implica uma questão de (exploração) vida e morte. Do cigarro e da bebida (no máximo) a longo prazo.

Meu empenho é me manter sóbria

Vivemos em busca de sensações que nos entorpeçam, que nos tirem desta realidade, que nos “desliguem”.  Também não acredito nesta negação de sentimentos carnais plena onde a apatia é o ápice.

Os “Anti Fumo” defendem a saúde pública

Não é meu caso, defendo o direito de fumar, beber ou o uso de qualquer outro tipo de entorpecente. O corpo é da pessoa e não cabe a mim julgar o que ela faz.
Quando desço uma escada e a pessoa na minha frente solta fumaça que o ar leva na minha cara, meu espaço é invadido. É como um pum, com o diferencial de que o pum não gruda na roupa e no cabelo. Se fumar ou peidar, por favor, faça em um lugar aberto pra que o ar circule.

Não acredito que o estado realmente aprovou esta lei por questões de saúde pública, o propósito é eleitoral. Os fumantes são minoria e “valores saudáveis” são propagados diariamente. Uniram o útil ao agradável.

É lamentável que tenham excluído a imagem do cigarro no cartaz do filme da Coco Chanel. Nossas manifestações artísticas são fruto de nosso tempo, se o filme é a biografia de uma mulher que vivia em 1920 e fumava, não há sentido em excluir essa particularidade.

PS: Não gosto do José Serra nem do Kassab.

Os fumantes defendem a boemia. A transgressão contra a “Geração Saúde”

A indústria do tabaco (hoje nem tanto), da bebida e das drogas associa a idéia de excitação e sociabilidade aos seus produtos. Quem não consome ganha o rótulo de careta, chato e anti-social.
Como se existisse apenas sociabilidade entre indivíduos que compram os tais itens indispensáveis para uma conversa agradável.

Fiz amigos bebendo leite…de soja.

23 Comentários

  1. B said,

    parece impossível encontrar pessoas assim, q ñ precisem se entorpecer e possam curtir uma boa conversa. eu já achava q nem existiam e q eu precisaria me adaptar e até fui me adaptando.
    amigos para mim é algo difícil e do tipo q bebe leite de soja comigo ainda mais.
    ñ quero apatia mas caio nela, é bom ver e conhecer pessoas q resistam.
    fico mto feliz em ter te conhecido.
    bjs

    • Deborah Sá said,

      Be,

      Eu também fiquei muito feliz em te conhecer *abraça*
      Querendo tomar um leite de soja e conversar estou aqui ^^

  2. marjorierodrigues said,

    Nossa, existe mesmo muito disso. Da sociabilidade estar atrelada ao consumo de bebida e álcool. Mas eu acho que isso demonstra uma falta de maturidade. Quando entrei na faculdade, era assim mesmo que as pessoas agiam: quem não bebia ou bebia pouco era “careta”. E, nessas, era preciso ter muito peito para assumir: “oi, eu nao gosto dessa bebida”. Ou “oi, eu não quero beber mais”. Dizer isso exige uma maturidade que nem todo mundo tem nessa idade.

    Eu adoro drinks — mas só até ficar alegre. Depois disso, só a tontura. E aí não gosto de perder o controle sobre mim mesma e meus movimentos. Então, hoje que eu sou adulta e menos babaca, eu nunca mais passo desse limite. Porque EU não gosto. Eu só vou fazer o que me dá prazer. Ressaca nunca foi uma coisa legal, na boa. E aí tb rola uma consonância porque hoje, que meus amigos são todos adultos, não rola mais essa pressão. O cool versus o careta. Ou sei lá, vai ver fui eu que me cerquei de pessoas legais. Fato é que a gente consegue sair com pessoas e que bebem e que não bebem. Cerveja e suco de laranja, tudo na mesma mesa, numa boa. Cada um na sua.

    • Deborah Sá said,

      As minhas amigas em geral são vegetarianas e não curtem beber. Quando saio com os amigos dos meus familiares ou amigos do meu namorado eles bebem. Peço suco e batata frita e tá ótimo :D

      Se perguntam porque eu não bebo, não fumo e não como nada de origem animal eu explico. Simples assim. Não aponto para os bifes e digo “cadááááááver”.
      Respondo os questionamentos sinceros com argumentos sinceros, agora (o que acontece muito) quando um sujeito faz piadinha nada original e ofensiva eu respondo é na patada mesmo >:D

  3. marjorierodrigues said,

    Oops, apertei o “enviar” antes de terminar.

    Sobre a lei anti-fumo em si, eu acho o seguinte:

    1 – Lei eleitoreira do cacete.
    2 – Flerta com um fascismozinho, sim. Porque em vez de pensar em soluções, simplesmente vai lá e proíbe. Além de estimular o “dedo-durismo”, né? Péssimo. Vira uma perseguição paternalista do fumante. O cartaz da Coco Chanel é só a cerejinha do bolo.

    Algumas das soluções possíveis: que tal baladas com fumódromos? Ou deixar que cada estabelecimento determine se vai ser “smoke friendly” ou não? Quem não quiser sair defumado, não vai para a balada onde fumo é permitido, ué. E vice-versa. Também poderiam ser discutidas as questões trabalhistas dos funcionários dos estabelecimentos onde o fumo estaria liberado. Quem sabe um adicional de insalubridade? Ou só contratarem fumantes para este tipo de local?

    E a indústria tabagista em si, a que lucra com isso tudo? Não leva nada? Eu sempre acho que a gente tem que esbofetear a indústria, não o consumidor — que deve ter a liberdade de fumar, se quiser. Porque ele está arcando com os riscos da sua escolha. Mas a indústria, bem, ela está lucrando com o câncer alheio. Só meia dúzia de impostinhos e fotos chocantes nas embalagens não fazem nem cosquinha.

    • Deborah Sá said,

      Marjorie,

      Também acho que se a intenção fosse mesmo a saúde pública investiriam em programas de incentivo.
      É como eu costumo dizer, não é colocando grades de proteção em uma passarela que você impede o suicídio. O buraco é bem mais embaixo.
      Eu não olho os fumantes com intenções sádicas, me preocupo porque os imagino com um buraco na garganta. E me incomodo porque o cheiro é horrível.
      Eles tem todo o direito de fumar, isso é fato. Mas levar baforadas gratuitas em lugares fechados não é legal. O ideal seria criar espaços para fumantes nos locais, não apenas separar por mesas, já fui em restaurante que não adiantava nada porque as mesas eram próximas e o cheiro do cigarro (e fumaça) eram espalhados pelo vento.

      Mandar “fumar lá fora” é criar um grupo de resistência, eles formarão um elo onde se veêm excluídos e se fortalecerão. Na verdade só vai aumentar a richa. Não seria proibindo as pessoas de comer carne que o mundo seria vegetariano e feliz. Na verdade tudo o que podemos fazer é mostrar o que acontece na indústria, a exploração e os valores atribuidos no nosso consumo. Seja da pornografia, da carne, do cigarro…

      Baladas eu nem frequento mais, ir pra não me divertir melhor nem sair de casa.

      Quanto aos garçons: Ele(a)s precisam trabalhar, o patrão quer lucro. Então é lógico que quem ia se foder mais uma vez seria o proletário.
      Quem tem amigos fumantes iria com eles pra balada fumacenta, não ia mudar nada.

  4. asnalfa said,

    Essa lei existe há muito tempo no nosso código penal…. O estado de SP apenas a re-escreveu. Nao sei pq o bafafá. Acho digno denunciar sim! Nao tem nada de facismo ou dedo-duro. As vezes os comunistas exageram… E se a mulher do nosso vizinho estiver apanhando do proprio marido? Eu denuncio sim!
    Nem sequer chocolate com leite de vaca vc come??
    Bjos!

    • Deborah Sá said,

      Asnalfa,

      Apanhar é diferente de fumar né? Há construção do gênero, violência e muitos outros problemas atrelados.
      Eu não acredito que o estado é “bonzinho e se preocupa comigo”.

      Eu não como chocolate de leite de vaca e sou apaixonada por doces *_*
      Adoro chocolate! Se você morar em SP posso te indicar muitos locais bacanas :)

      Vendendo o meu peixe (que é só alga nori*) :
      http://www.escolhavegan.wordpress.com

      * Alga nori é aquela alga que envolve o sushi, usada na culinária vegetariana para imitar o sabor do peixe.

  5. Andréia Freire said,

    Não aponto para os bifes e digo “cadááááááver”.

    Hahahahaha, morri.

    Sou simpatizante da causa, mas não sou vegetariana (ainda?).

    Sushi vegetariano é bom? *sou viciada em sushi* ;~

    Esse negócio do pessoal achar que quem não bebe não sabe se divertir é dose. Não bebo, não fumo e adoro me divertir. Não preciso me transformar numa bocó (que não diz coisa com coisa e fica rindo do poste) pra isso. Agora, o consumo MODERADO de álcool eu não critico não. Nem tenho nada contra quem bebe a mais, cada um sabe o que faz.

    • Deborah Sá said,

      Eu curto sushi também, geralmente eu como aqueles que tem pepino e manga ;)
      Adoro guioza, tempurá e yakssoba…

  6. Haline said,

    Olha, eu amo beber, eu fumo qdo bebo, amo noite e amo picanha. Esse último gostaria de não amar. Queria muito me livrar de toda e qq carne. Tenho pensado muito nisso. Mas não pq acho mais saudável e sim por tudo que está envolvido com relação aos animais e tals. Não acho mesmo que quem não bebe e não fuma é um chato. Acho muito mais chato que alguém beba ou se drogue ou sei la o que e estrague a minha noite vomitando, se excedendo, ficando cansado cedo. Tenho mil amigos que curtem uma noite inteira dançando com muito mais disposição que eu, pq bebo. E até comentei lá na Mary W que acho sexy fumar. Eu acho sexy quando vejo alguém lendo em livraria. Acho sexy gente inteligente e consciente. Eu acho sexy um monte de coisas. Assim como um não fumante pode achar a maior merda do mundo me ver fumando. Já aconteceu. De desistir de ficar mesmo. Respeito. Alias, não fumo durante o trabalho por ex, acho o cheiro horrivel em quem faz isso, me incomoda muito mesmo. E não acho chato quem não bebe, acho que quem não bebe é que fica achando todo mundo chato depois de uma certa hora. Mas dai é opção.

    Por fim, tem alguns lugares aqui no rj que já aderiram ao “fumódromo”. E sabe que nem os fumantes aguentam? Tem uns que nem fumam pra não ter que ficar naquele espaço cheio de fumaça.

    • Deborah Sá said,

      Também acho que é opção. E eu ia morrer (acho) se fosse em um fumódromo :P

  7. whothehelliscely said,

    Lindo, Deborah. Você usou uma frase que eu amo, sobre o empenho de se manter sóbria. É isso que eu busco sabe, encarar bem de frente, ter controle sobre o meu corpo.

    Senti na pele o status social que é agregado à bebida em geral, e morri de nojo quando percebi que precisava de álcool para me divertir, que ficar “levinha”, eufemismo pra deixar uma droga depressora agir no meu cérebro, era tão bom que eu não queria abrir mão.

    O álcool deixava as coisas “melhores”, exatamente porque era artificial. Uma fuga, escapismo,covardia. Nunca mais.

    Já me entupi com todas as drogas imagináveis, e hoje sei muito bem que foi a coisa mais escrota que eu podia ter feito.

    • Deborah Sá said,

      Hoje você está ótima beibe (L)

      Um beijo =***

  8. astrocat said,

    Eu não consigo tomar leite de soja, super falhei na tentativa de ser vegan. Mas sou ovo-lacto e faço amigos bebendo suco!
    Eu acho problemático proibir cigarro na balada, porque eu entendo que é na balada que dá mais vontade de fumar. Quando eu bebia, tinha de fumar junto. Se eu ainda estivesse fumando, ia optar por ficar em casa e fazer festinhas com os amigos. E se tem outra coisa que ninguém entende, é que é MUITO difícil parar de fumar. Eu parei porque tive gastrite e não consigo mais fumar sem ficar enjoada. Mas eu ainda sonho que estou fumando, de vez em quando. Então às vezes “não fumar” não é uma opção. A gente tá falando de vício sério aqui.
    Vou fuçar o seu blog vegan agora. :D

    • Deborah Sá said,

      Astrocat,
      Experimente o Elegê, é o melhor ;)

      E o discurso de saúde pública do governo não me convence.

  9. Aa said,

    Sou careta, chato e anti-social com orgulho.

    Sei o que vc sente. Hoje é meu aniversário e me intimaram a ir a uma choperia para comemorar. Faz sentido isso? Claro, não posso recusar, afinal, o aniversário é meu mas a comemoração é deles.

    Se não ganhar presente terei vingança.

  10. Eu concordei tipo 800% com tudo o que li.

  11. Néia said,

    Olá Déborah…
    Bom… vou começar parabenizando tamanha eloquência de seus textos e não posso deixar de de agradecer por proporcionar o prazer da leitura, recheada de humor sarcástico (para os que a consideram chata), rsss, verdades cravadas na cara de todos que na maioria das vez é ignorada ou corrompida…
    Encontrei seu blog ao tentar pela enésima vez descobrir através de buscas na internet casos e relatos de pessoas que se descobriram muito além do que a cbb transmite. Faço isso constantemente procurando justificativas pela mentalidade tão insignificante de meus pais, o que me causa pena, pois eu vejo essa ignorância desde a infância e sei que eles nunca deixarão de frequentar essa religião.
    Parabéns por ter se descoberto, digo isso não pelo fato de não concordar com a cbb, mas por ter se encontrado realmente e ser um ser inteligente e que faz uso desta inteligência aqui na face da Terra.
    Um grande abraço de sua mais nova leitora!

    • Deborah Sá said,

      Seja bem vinda Néia!

      Você era da CCB também? Que bacana, qual era sua “comum”?? :p
      Seus pais se conheceram lá? Tem algum cargo? Que bom que está bem hoje!
      Um abraço

  12. Néia said,

    Perdoe-me os erros de digitação…não tem como apagar e postar de novo o comentário…isso me causa um certo desespero,mas tudo bem, é normal à pessoas portadoras de TOC…hausausuasuhas!

    • Deborah Sá said,

      Uhahahah, se quiser, copia e cola e posta novamente. Aí eu deleto o outro ;)

  13. Vegan_ said,

    Deborah, concordo muito com este posicionamento quanto às drogas lícitas [no caso, apenas álcool e cigarro mesmo] e à lei anti-fumo.
    Acho bastante desagradável ir a algum restaurante, e perder o apetite [ou até mesmo se incomodar] com o cheiro de cigarro, acho horrível.
    [E é muito provável que eu tenha alergia a cigarro].

    E quanto ao álcool, só bebo bem de vez em quando [só quando a bebida é doce, tipo piña colada – que eu amo – e cerveja malzibier, aquela escura].
    E lembro que na adolescência eu bebia cerveja [que odeio] só para sociabilizar, mesmo…
    Sempre me senti à margem das pessoas, e na época eu morava em uma cidade ‘provinciana’, todo mundo meio parecido, com idéias parecidas, gente que ama rodeio e coisas do tipo. Me sentia muito sozinha, aí me traía às vezes para não me sentir tão só.
    E a cerveja foi uma dessas traições.
    Mas minha sorte [?] é que eu não costumava sair muito com meus colegas, então não tinha porque eu beber. Só consumia cerveja em churrascos da sala, para ‘não ficar de fora’.

    E aqui em São Paulo, já um pouco mais madura, além de parar de consumir cerveja clara, ainda larguei outra droga: a carne. haha

    Se alguém estiver lendo esse comentário e estiver na mesma situação que eu estava – beber apenas para se integrar à turma -, om, digo que essa minha tentativa de sociabilização pelo álcool não levou a nada. As pessoas continuaram distantes de mim, eu me sentia cada vez pior, e só não virei alcóolatra nem nada porque algo em mim resistia àquilo tudo.
    Ou seja, no final a gente se entope de porcarias e só fazemos mal a nós mesmos/as.

    Bjs, Deborah, excelente texto


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