27 julho, 2009

Lingerie Day

Posted in Corpo, Só falam nisso tagged às 10:56 am por Deborah Sá

E o primeiro round começa.
Embora a arena seja tradicional o que a difere é uma mesa redonda localizada no centro. A platéia está cheia, do lado direito estão as moças que participaram do Lingerie Day, reivindicando sua posição libertária em sua sexualidade.

Do lado esquerdo estão as feministas que não criticam as moças em si, mas o fato de ignorarem o sistema que estão inseridas, do quão machista é esta campanha que serviu para satisfazer a paleta de exposições femininas com cores de corpos-comuns.
Quem assiste do lado esquerdo? A platéia só tem cinco moças.

Quando as moças entram no lado esquerdo são chamadas de barangas, mal-comidas, gordas e feias.

As que optam pelo lado esquerdo, são chamadas de modernas, gostosas, “bifão” e “Ê lá em casa”.

Do lado direito da platéia estão uma multidão de homens e garotos de todas as idades, o que eles têm em comum? A Ruffles costelinha e a cerveja que dividem fraternamente.

Deixando claro que não tenho nada contra AS moças. O corpo é delas. E quisera eu, que as mulheres tivessem de fato uma sexualidade liberta e poder para mostrar como bem entendessem seus corpos. Elas só foram “ouvidas” por serem “gostosas”, eles querem dar a liberdade corporal pra quem atenda suas expectativas. Lembrando que há prejuízos em ser bonita.

Tratando-se da minha perspectiva, assino embaixo aqui, aqui, aqui e aqui.

15 Comentários

  1. Georgia said,

    Mil vezes o lado esquerdo.

  2. luci said,

    nossa! nunca pensei que esse assunto fosse render tanto. é o milesimo blog que fala sobre o assunto. e ainda bem!

    bom, acredito que cada mulher pode mostrar o clitoris onde bem entender e pra quem ela desejar. mas acho que as que participaram dessa brincadeira, principalmente as tidas como “feministas”, cairam na armadilha de achar que se exibir nesse momento era estar se utilizando dos seus direitos sobre seu corpo, dos dominios sobre ele. besteira. era de novo estar seguindo o que pede meia duzia de macho que tah pouco se fudendo pelo porquê daquela atitude. eles soh querem ver peitos. nem mesmo as caras! nao interessa. e esse eh o problema dessa brincadeirinha…

  3. Iara said,

    Débora, eu vi que você tá dialogando com a Lu. A Aline postou um outro texto, e eu tenho dialogado com ela sobre. Desculpe tomar essa liberdade :), mas convido a passar lá pra dar uma olhadinha. Agora que a poeira baixou um pouco, acho que a conversa tem se tornado mais interessante.

  4. Deborah Sá said,

    O que eu critico não é o fato de botar foto, ninguém “se transforma” em objeto porque gosta de tirar fotos eróticas, eu queria mesmo é que o conceito de erotismo fosse desconstruido sabe? Queria que mulheres “reais” pudessem compartilhar fotos nuas para exercício contemplativo, que pudéssemos andar peladas, não usar sutien só pra os peitos “não ficarem feios”, que mulheres mais velhas também fossem consideradas sexies com a aparência real da sua idade, etc, etc
    Mas esse é o (meu) mundo ideal, não a realidade. Eu nem participo do Twitter, mas se participasse, o meu avatar no tal dia seria uma lingerie pegando fogo he he he he.

    O problema não são os objetos, são os encaixes que nos dão a cada ação. Quer nos julguem feias demais ou bonitas demais, não dão ouvidos ao que temos a dizer.

    Quando vi o cartaz o que senti foi: Tem uma branca gostosa aí na foto, não querem “feias”, querem material pra punheta, não tem nada de libertário em pressionar as mulheres em tirar a roupa e posarem de modo que disfarcem “os defeitos” e aposto que terá uma onda de “uhú, isso que é modernidade, gente pra frentex”. É machista, “moderninho” e tem o padrão “Ruffles Costela de Qualidade”.

  5. Thiago Beleza said,

    Acho leviano dizer que as mulheres que participaram estão alienadas e não sabem do sistema em que estão inseridas.

    Há uma questão muito simples, que é a da total consciência do sistema machista e que explora a nudez feminina e mesmo assim, aceitar fazer parte de uma brincadeira. Os motivos pra isso são vários: Pq gosta de se exibir, pq gosta de ser elogiada, pq gosta do proprio corpo…

    É fato que a maior parte dos homens, querem ver a beleza padrão..

    O que mais gosto no #lingerieday é ver mulheres comuns, que fogem do padrão estético, exibindo-se e compartilhando o espaço com as [pseudo] gostosonas, mostrando que não tem vergonha de seus corpos e que a sensualidade tem mais ver com auto-estima do que com 30-60-90-120…

    É um fato o que você disse, sobre os organizadores e a maior parte dos homens, quererem ver as [pseudo] gostosas e estas de quererem se afirmar… OK, mas quem disse que não da pra subverter essa merda? Torcer o nariz e tratar o fato como coisa de biscate, gente fútil, gente alienada não vai ajudar. Muito pelo contário, vai gerar um clube da luluzinha feminista radical, determinando comportamentos pra mulheres feministas (afirmar que feministas q participam do lingerieday ñ são feministas.. li isso em algum lugar, não lembro onde)… Dos textos que li das moças que defendem, nenhuma disse ter participado do #lingerieday como forma de protesto ou de defesa da luta anti-machista… Fizeram pq sentiram vontade… Simples assim (pelo menos foi o q meu pseudo-intelecto captou…Enfim, como homem, sei qeu é pouco relevante e pra finalizar, afirmo que compreendo os dois laados da discussão. Entendo os motivos de cada um e, pessoalmente, curto o #lingerieday … (ok, estou pronto pra ser queimado…rsrs)…

    • Deborah Sá said,

      Não digo que são alienadas.

      Sabe como começou o Lingerie Day?

      Esse era o cartaz

      Um dos idealizadores (do primeiro Lingerie Day) postou isso aqui:
      Para o #lingerieday, se vc for FEIA E/OU GORDA, favor use foto fake. Ninguém quer ver vc de lingerie

      Se ler o finalzinho do meu post verá que não “ataco” nenhuma mulher, meu desejo é que todas pudessem andar sem camisa em dias de calor, ser livre. Não há nada de inovador em propor que mulheres usem lingerie, o Super Pop faz desfile uma vez por semana e arrematam com o programa “A Patroa é um avião”. Onde está a novidade?

      • Thiago Beleza said,

        Vc sabe que eu sempre concordo com vc. E ninguém disse que o lingerieday seria inovador… é apenas… divertido.. E não venha me dizer que são só os homens que se divertem…

    • Deborah Sá said,

      Você disse:
      um clube da luluzinha feminista radical, determinando comportamentos pra mulheres feministas

      Esta idéia de usar o nome do “feminismo radical” atribuído a algo maléfico e desprezível é resultado de uma apropriação da causa feminista, ridicularizando a luta por um mundo igualitário. Se alguém falasse (e juro que não acredito nisso): “Os “bandidos” da favela são rappers, que determinam quais são os verdadeiros comportamentos para quem mora no gueto”. Você ia ficar bravo, por quê? Há quem realmente se comprometa na desconstrução destes conceitos e naquela frase é possível sintetizar o preconceito de classe e racismo, tentando invalidar quem com muito esforço representa a periferia através de rimas.

      É preciso lutar por um mundo mais justo, inclusive nas esferas que não nos afetam “diretamente” não acha?

      • Thiago Beleza said,

        Aqui vc distorceu o que eu disse… Talvez meu erro tenha sido trazer a tona idéias que eu obtive com toda a polêmica em torno do do fato no ano passado. Me lembro de ter lido um zilhão de textos sobre o tema e haviam dois grupos em um debate forte: feministas contra, as feministas a favor… O principal argumento das que eram contra era de que era ridículo imaginar que era uma demonstração de feminismo posar de lingerie pra um monte de homens pervertidos. As feministas a favor argumentavam que nunca pensaram em participar do evento[?] como forma de protesto e requeriam o direito de mostrar seus corpos pra quem quisessem, a hora que quisessem e da forma que quisessem, fosse isso alienação, machismo, ou conra-feminista.. Simples assim.

        Elas (as favoraveis) eram atacadas em seus ideais e cheguei a ler em textos (ou comments) afirmaçoes que “elas não eram feministas coisa nenhuma, que nenhuma feminista faria isso”…
        Se qualquer pessoa chegasse pra mim e dissesse: olha, pra fazer parte da periferia vc tem que fazer isso, isso e isso… (descrevi no texto sobre a 1dasul essa msma problematica) então seria uma tentativa de pasteurizar o comportamento de um grupo. A criação de um clube do bolinha, não como uma coisa terrível e maléfica, mas como um grupo fechado, de poucos que se acham detentores do direito de tachar que é ou não é parte daquele grupo.

        É um fato que eu não li isso no seu texto, acabei levando em consideração idéias anteriores sobre o caso. Disse e repito, entendo todos os seus motivos, mas sou a favor da liberdade total. Só pq as pessoas não concordam conosco não significam que estejam erradas,…

  6. Maria Júlia said,

    Tem mulher que gosta de pornografia, tem mulher que defende a prostituição (mas nunca nem chegou perto de uma prostituta, né), isso não quer dizer que nenhum dos dois seja libertário.

    Além do mais, é uma “brincadeira”, mas é uma brincadeira de valores machistas. Então, não é brincadeira coisa alguma. O fato de mulheres aprovarem isso não faz dela algo libertador.

    É preciso lembrar uma coisa: 1) o lingerie day, mesmo que tenha homens no meio, é majoritariamente para as MULHERES mostrarem seus corpos. 2) como a Deborah já disse, duvido que achem “tudo bem” uma mulher acima do peso ficar só de cancinha e sutiã.

    “Requeriam o direito de mostrar seus corpos para quem quisessem”. É a falsa idéia da libertação sexual. Como se uma mulher tirar a roupa para vários homens fosse realmente libertação. Agora posar nua e ser atriz pornô é ser libertária, feminista?

    “Acho leviano dizer que as mulheres que participaram estão alienadas e não sabem do sistema em que estão inseridas.”. E todo trabalhador tem plena certeza de que é explorado, né?

    • Thiago Beleza said,

      Depois de um ano (exatamente um ano.. uia), idéias, valores e a visão sobre determinados assuntos se transformou de tal maneira que eu só posso dizer que concordo plenamente com o que vc disse…

      ;)

    • Thiago Beleza said,

      Nesses 12 meses, participei de vários debates conversei com várias feministas (inclusive com a Déborah, com quem eu tinha vários papos sobre o assunto e mesmo repetindo uma série de clichês, tinha uma puta paci~encia pra me explicar e explciar e explicar ) e tenho uma visão totalmente diferente de todo o assunto.. e eu me lembro que nessa época entre no twister por causa do lingerieday…

      Mas, ainda bem que as coisas mudam, tcherto?

      • Deborah Sá said,

        Tcherto! ;)

  7. fsalvaterra said,

    entrei aqui pelo link que o Thiago compartilhou no twitter e pude ver o quanto ele mudou de opinião. tenho muito esmero e orgulho por quem não tem pudor de declarar: eu mudei, reconheço que estava errado.

    agora sobre mim, me perdoem o que vou perguntar. creio que machismo não é uma característica absoluta, é um degrade e conforme o tempo passa, vou me tornando menos machista e é um processo.

    um ano atrás a Maria Júlia argumentou:

    ““Requeriam o direito de mostrar seus corpos para quem quisessem”. É a falsa idéia da libertação sexual. Como se uma mulher tirar a roupa para vários homens fosse realmente libertação. Agora posar nua e ser atriz pornô é ser libertária, feminista?”

    e eu pergunto:

    Posar nua e ser atriz pornô não é ser libertária nem feminista (ou pelo menos não significa isso diretamente, embora eu ache que uma feminista possa posar nua e ser atriz pornô). Mas ser feminista e libertária não é TAMBÉM garantir o direito a qualquer mulher posar nua e ser atriz pornô? A mulher que posou e que filmou, pode não ser feminista ou libertária, mas ela não se tornou alguém “libertada” se ela posou e filmou com a plena consciência de seus direitos?

    acabei de escrever a pergunta e me dei conta de outra coisa, a qual normalmente me faria excluir meu comentário:

    no post a Deborah garantiu que a labuta é com o sistema em si, não contra as mulheres que escolheram fazer o quem bem entenderem com seu corpo. então passei a entender que o problema estaria no sistema e no público que rodeia a mulher que posa nua e filma pornô. fica aqui meu comentário, talvez irrelevante, para eventual correção.

    Deixo outra pergunta: o que acham da Erika Lust?

    • Deborah Sá said,

      Fsalvaterra,

      Como qualquer grupo, as Feministas não são uma massa que pensa em uníssono. Posso falar tão somente por mim, então vamos lá: Respeito todas as mulheres, se uma mulher quer ser prostituta, escritora, dona de casa, caminhoneira, pastora, líder de partido, médica, é algo que não interfere em minha vida e um dos meus preceitos básicos é: As mulheres devem ter autonomia sobre seus corpos e não serem menosprezadas por suas escolhas.

      Se uma mulher resolve ser dona de casa, por exemplo, seu marido não deve encará-la como devedora de algo, exigindo práticas sexuais quando colocar os pés no lar, como se fosse um direito de “provedor”.

      Representações eróticas existem há muito tempo, o que muda é a forma como nos relacionamos com ela, a Pornografia ganha status de inquestionável se encarada como forma lúdica e desprovida de interesses comerciais, uma arte transcendente. Já que nesse campo imaginativo tudo é permitido, opressões que em outras esferas são de caráter duvidoso, na Pornografia podem ser enaltecidas, em exemplo, racismo explicito.

      Quem realmente se importa que a maioria das mulheres que hoje se prostituem não tiveram muitas oportunidades na vida? E as Travestis e Transexuais que são expulsas de casa e expostas a níveis absurdos de violência? Claro que existem mulheres que dizem ser felizes com essas profissões, mas devemos usar essa parte como um todo e esquecer que a maioria das mulheres nessas condições não tem metade dessa sorte?

      Especificamente sobre o Lingerie Day: Vá a qualquer blog que apóie essa campanha e repare nas candidatas, não seriam as mesmas garotas populares dos tempos de colégio? Parecem felizes? Certamente. São erradas ou alienadas por isso? Não.

      Mas alguém acredita ingenuamente que essa campanha auxilia a quebra de padrões para quem não se adéqua? Ou promove o respeito que essas mulheres merecem por vestirem-se de modo que desejam?

      Quero que mulheres vistam-se do modo que se sintam plenas e felizes, sem imposições ou regras e independentemente do que escolham, sejam respeitadas.

      Ainda não vi Erika Lust e confesso que tenho preguiça.


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