23 julho, 2009

E não sou prendada

Posted in Cotidiano, Egotrip, Gênero tagged , , às 11:56 am por Deborah Sá

Nunca gostei de arrumar a casa. Odiava quando a minha mãe me pedia pra ajudá-la a tirar o pó, enxugar a louça ou coisas assim. Meu pai nunca fez muito do serviço doméstico além de lavar a louça, consertar e outras tarefas de marceneiro, construiu portões de madeira, mesas, prateleiras e outra infinidade de objetos que não consigo recordar. A melhor parte em arrumar a casa era colocar música alta. No caso, dependia da fase que eu estava: Hanson, Beatles, Backstreet Boys, Spice Girls…
Cozinhar sempre foi mais divertido, afinal você aproveita de alguma maneira. Qual o proveito de limpar a casa? Ninguém reconhece, só repara quando está sujo e absolutamente ninguém sabe o quanto foi estafante tirar aquela maldita sujeira incrustada do azulejo. Lembro de um dia meu pai bravo procurar por pares de meia e não encontrar para trabalhar. Foi um basta, não ia passar porcaria de roupa nenhuma. Só jogar na máquina. Cada um que fosse até o cesto e pegasse as próprias roupas.
Lembro da primeira vez que o Yuri foi na minha casa e se deparou com uma pilha de roupas colossal. Eu não passo as minhas roupas.
Somente as camisetas sociais e as outras peças que realmente precisam do ferro. Hoje moro com a minha mãe, é bem mais prático pra ir ao trabalho. Minha mãe é MIL vezes mais prendada que eu. Não é uma costureira que faz até terno como a minha vó, mas sabe ao menos pregar um botão e fazer uma barra de calça.

Ontem uma amiga da minha mãe (costureira) esteve aqui:
– Eu costuro muito mal, mas se for esperar isso das minhas filhas você morre.
– Ah é? Você não sabe não, Deborah?
– Não
– Nem um botão, costurar um furo de uma meia?
– Não
– Mas precisa!
– Não preciso não :)
– Mas sabe por quê? Quando você tiver um bebê…
– Eu não vou ter bebê :D
– Nem um?
– Não…
– Mas imagina que mistura bonita, você e seu namorado, ele moreno, você branquinha…um de cada cor!
– É, na verdade vai ser bonito, vão ter três cores
– Três?
– É, uma vai ser rajadinha laranja, outro preto com branco, outra toda preta…

9 Comentários

  1. marina said,

    eu também pasto um pouco na hora de resolver as pendências caseiras. cozinho numa boa e até construo livros manualmente. mas pega pra ver o remendo de alguma parte descosturada de roupa… :B

    adoraria saber fazer móveis, como você comentou do seu pai. acho que seria mó feliz fazendo isso! ^^
    quem sabe um dia?

    e filhos? também não, obrigada.

  2. Iara said,

    É engraçado, né? Lá em casa, minha mãe sempre incentivou o meu irmão a fazer, e meu pai sempre fez serviços domésticos também. Uma vez meu irmão, reproduzindo o discurso que ouviu fora de casa, disse que não ia lavar louça porque era “coisa de mulher”. Levou um enquandro inesquecível.
    Daí que eu aprendi a fazer porque tinha que fazer, não por ser mulher, mas pra ser independente. E ser indepndente é ótimo, né? Hoje, adoro cozinhar, porque gosto de elogio, e cozinho bem. Simples assim, altruísmo zero. Mas não passo roupa nem amarrada. Escolho os tecidos e modelagens que não precisam ser passados, deixo secar esticadinho no cabide…

  3. Raiza said,

    Verdade seja dita:Eu não sei fazer porra nenhuma.meu pai também não.Minha mãe tentou me ensinar várias vezes,mas como ela não ia ensinar pro meu pai também então eu fugia de aprender.Ou ensina pros dois ou não ensina pra ninguém.Mas,como as circunstâncias exigem,eu ajudo em algumas coisas.Faço as camas,lavo a louça,vou comprar coisas na rua,na feira até sei escolher algumas coisas.Mas isso de costurar,cozinhar e outros c’s nem em sonho.Não sei fazer e não quero aprender.Quando casar vai ter que ser com um homem que saiba fazer isso tudo.A única coisa que sei cozinhar é miojo,e até aprender isso custou.Mas pelo menos não passo fone.E sei ligar pro disk pizza =]

    E filhos?Não obrigada.

  4. Tó Zé said,

    A Palmirinha, famosa senhora que tem um programa de TV na Gazeta, emissora cuja não sei até que pontos do território nacional os sinais chegam, disse que é um absurdo uma mulher não saber fazer as “coisas de casa” e que hoje, “a mulher casa e não sabe nem fazer uma costela”.

    Concordei plenamente.

    Palmirinha é uma senhora, nasceu na primeira metade do século passado, e viveu de maneira simples, sem caos, como era a vida naquela época, longe das barbáries que imperam nos tempos atuais, sobretudo nas malditas grandes cidades.
    Ou seja, a opinião dela é respeitável e correctíssima!!! A mulher DEVE fazer os serviços de casa e ao menos TENTAR ser prendada… era assim nos bons tempos, antigamente, quando as moléstias que ferem a dignidade do cidadão comum actualmente existiam em menor intensidade, hoje o mundo é um caos e essa libertinação e liberalização é um dos exemplos de porque tudo hoje está de cabeça para baixo.

    • Deborah Sá said,

      Tó Zé,

      Saia do PC que isso é muito moderno para um “cidadão de bem” como você, vá para a roça, plantar do que colhe e ganhe dinheiro com a venda de produtos orgânicos, dizem que dá dinheiro…
      Só um adendo: Violência sempre existiu, a bíblia está recheada delas.

  5. aiaiai said,

    Po, deborah…tudo bem que não precisa ser prendada…mas pregar botão não precisa nem ter dois neurônios, com um só vc consegue! QQ pessoa consegue. É como um quebra cabeça dqs fáceis…você olha pro troço e sente o que é preciso fazer, sacou!

    • Deborah Sá said,

      Eu imagino como seja, mas não consigo fazer aquele bendito “nó” na linha. E isso é relativo, fazer comida vegan (e suas adaptações) parece simples pra mim.

  6. Andréia Freire said,

    Sempre tem um idiota.

    É, nos bons tempos, em que as mulheres pensavam que deviam ser empregadas dos homens. Todo o mal no mundo surgiu da libertação feminina, ah, tá, o mundo não gira em torno do seu umbigo.

    • Deborah Sá said,

      Andréia,

      É engraçado como muitos cristãos dizem que “Deus é amor” sendo que as únicas palavras que saem de suas bocas é o ódio. Canso de apagar comentário super ofensivos que postam aqui.


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