10 julho, 2009

Eternas mães

Posted in Corpo, Gênero tagged , , , , às 4:37 pm por Deborah Sá

Mulheres preferem chocolate á fazer sexo

Não gosto destas generalizações de revistas femininas utilizadas em correntes de e-mail, usei este exemplo para tentar entender o motivo que talvez leve algumas mulheres a colocar o sexo em segundo plano.

Mulheres costumam assumir para si a responsabilidade pelo bem estar de todos que a cercam. Elas chegam em casa, fazem a comida, limpam a casa, cuidam dos filhos e prosseguem com sua tripla jornada. O que levam muitas delas á Síndrome de Amélie Poulain.: “Se ela cuida da bagunça dos outros, quem cuidará da sua bagunça?”

Centrando sua energia em outros, seu esforço não é reconhecido tornando até motivo de chacota “rá rá a mãe é mesmo paranóica com limpeza/saúde/estudos dos filhos”. Quem (geralmente) “corre” com os filhos para o hospital? Quem olha o caderno de lições? Quem se preocupa em convencer o filho a comer feijão senão o exame de sangue pode acusar anemia novamente? E em caso afirmativo, a culpa será toda dela, afinal, seu fracasso como mãe é refletido nos estudos/saúde do filho.
A estrutura familiar é posta em grande parte nos ombros das mães, estes seres que não são perfeitos nem maculados por parirem. Alguns defendem que uma mulher nunca será completa até gerar (ou no mínimo adotar) um bebê completando esta última etapa de sua vida, devotará sua energia para nutrir e guiar todo o desenvolvimento cronológico que a separa do cordão umbilical do feto. Um dia este filho parte e sobra apenas A Síndrome do Ninho Vazio.

Mulheres são neuróticas

Uma das características usadas em comédias é a mulher neurótica. Pintam nossos traços em caricaturas histéricas e voláteis que em um momento choram e no seguinte beijam, até mesmo comédias românticas mostram essa “faceta” feminina. Que mulher não se contradiz emocionalmente ao gritar com o namorado, se arrepender, correr para o chocolate e chorar? Essa “confusão mental” nos envergonha por fugir do padrão esperado da racionalidade e autocontrole. Sentimos-nos “loucas” e “paranóicas”.

O amor da mulher é suicida enquanto o do homem é homicida

Não nos ensinam a bater, gritar, xingar, falar palavrões. O que fazemos com a nossa raiva? Com nossa frustração? Desde pequenas aprendemos que não podemos “culpar ninguém além de nós mesmas”. E nestas condições resta o nosso já tão odiado corpo para extravasar.
Obviamente há homens que se matam por suas namoradas, mas estatisticamente a maior parte das pessoas que tentam suicídio são mulheres (proporção de 3 á 4 para 1), enquanto a taxa de homicídios mostra claramente que os autores são masculinos. É alto o índice das que flagelam o próprio corpo. Ao se desenvolver a criança precisa de estímulos que a encoraje e fortaleça a auto-estima. A criação sexista falha muito nesse aspecto.
Temos de provar o tempo todo que somos capazes, tanto (ou mais) quanto um homem. Uma mulher de tailleur tem de se esforçar mais que seu companheiro de trabalho que é visivelmente incompetente e nem precisa se preocupar com as olheiras ostentadas ás 8:00, ou ainda se o gel no cabelo o faz parecer garoto propaganda da Grecin 2000.
A maioria delas está insatisfeita com a própria aparência e dispostas a recorrer a processos cirúrgicos.

O que um homem não encontra em casa, busca fora.dela

Se antes as mulheres se sentiam culpadas por pensar em sexo, hoje somos obrigadas a cumprir metas sexuais. A “obrigação conjugal” é uma das muitas pressões exercidas como deveres de uma esposa/namorada/amante. Mais do que se perguntar por que as mulheres fingem orgasmos, seria justo perguntarmos por que tantas delas começam o ato sexual sem estarem molhadas e com tesão para isto.

Nossos passos são monitorados: Sejam os pneus que aparecem em uma roupa de trabalho, nossos filhos quando não tiram boas notas, nossa disposição física não se manifestando como nos comerciais de energéticos, nossa performance sexual, nossos pais envelhecendo precisando de dinheiro pra os remédios… Somos o tempo todo, as “mamães do mundo” com “crias” penduradas na barra de nossas saias.

Em meio a tantas frustrações podemos mascarar nossa carência afetiva com aqueles tabletinhos cheirosos de chocolate. E só por aquele instante você se entrega e “derrete” na boca todo o prazer que precisava naquele momento. Este prazer é rompido quando lembramos que nosso corpo não nos pertence e cogitamos não jantar para compensar tamanho deslize.

Queremos paz de espírito, para tanto é preciso fazer as pazes com o espelho. O desgaste de nossa energia no cotidiano de pressões, trás o abatimento que enfraquece nossa força. Quem consegue lutar quando se está exausta?

5 Comentários

  1. Andréia Freire said,

    Por isso que eu sou contra essa coisa de “cuidar do marido, dos filhos e da casa”. Que porra é essa de cuidar do marido? Você vê com frequencia homens falando que estão cansados.. e entre os motivos a obrigação de cuidar da esposa? Eu nunca vi isso. E porque tem que cuidar dele como se fosse uma criança? Quando eu penso no modelo clássico de família eu só consigo ver o homem como uma criança. Tem que fazer a comidinha, limpar a bagunça do pestinha, lavar o que ele suja, entre roupas e louça, porque parece que ele não é capaz de fazer isso sozinho. Arrumar a roupinha da criatura. Ah.. putaquepariu, né? E cuidar dos filhos? É impressionante como a carga disso ainda é despejada nas costas das mães… só porque elas pariram os filhos. O homem por não parir parecer ser aliviado de suas obrigações. Pra mim as obrigações são iguais. Tirou nota baixa? A culpa é do pai E da mãe. Caiu, não tinha ninguém olhando? A culpa é novamente dos dois. E as obrigações de dar banho, trocar fralda, alimentar e tudo isso deveria caber também ao pai. Me dá nojo ver mulher dizer “tenho que cuidar dos filhos”, quando eu nunca vejo um homem com a mesma responsabilidade nas costas dele.

  2. Andréia Freire said,

    E quanto as mulheres que dizem preferir chocolate a sexo… provavelmente porque o sexo que elas conhecem não é bom. Muito simples.

  3. Nisia said,

    Muito legal ler isto. Absolutamente verdadeiro.
    O melhor mesmo é descobrir que não estou sozinha.
    Esse negócio de fracassar na educação dos filhos é uma coisa bem séria.
    Nunca vi alguém lembrar da mãe quando vê uma criança bem resolvida, confiante, inteligente, boas notas, saudável, com os dentes em dia, coisa e tal.
    O contrário, porém é sempre culpa da mãe. E acrescento: a gente fica paranóica tentando acertar, e é claro que acaba incomodando. O marido acaba enchendo o saco e procura uma outra companhia mais leve, mais alegre, menos estressada. E a culpa é nossa de não sermos pessoas agradáveis e lindas o tempo todo.

    • Deborah Sá said,

      Exatamente Nísia. A culpa cai é em quem já devia saber trocar fraldas, afinal, brincou de casinha foi pra isso mesmo ¬¬’

  4. […] Ele pediu um lanche de 30 cm (eu comia um de 15 cm, pois não estava morrendo de fome), vestia roupas de lojas de surf (é mais fácil garotos usarem roupas da moda, porque eles já usam roupas mais folgadas normalmente) e falava com uma voz fininha e meiga. O achei fofo. Certamente deve sofrer muitas humilhações na escola por suas características físicas. Ele pediu o lanche com o dobro de queijo, salada só alface e azeitonas. Senti que muitos na loja o olhavam pensando “Olha só o tamanho desse menino, comendo um lanche cheio de queijo, culpa da mãe que não soube educar”. […]


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: