29 julho, 2009

Espaços Femininos

Posted in Consumo, Corpo, Gênero tagged , , às 12:27 pm por Deborah Sá

Não ter referenciais de beleza que retratem a diversidade de corpos faz mal a auto-estima feminina e deturpa a expectativa estética masculina.

Seriam necessários “Espaços Femininos”, onde mulheres pudessem conversar entre si sendo proporcionada uma “zona de conforto” onde trocassem experiências, nadassem, dançassem ou exercessem qualquer outra atividade corporal e intelectual desejada.

Há saunas, clubes, bares, estádios de futebol e outros locais onde homens convivem em “fraternidade” . Os “Espaços Femininos” disponíveis visam à manutenção da beleza e consumismo (clínicas estéticas e shoppings) ou celebração da maternidade (berçários e chás de bebê).

Não seria maravilhoso ter um espaço nosso? Uma cachoeira ou riacho onde pudéssemos nos banhar, a liberdade de estar com outras mulheres sem a preocupação de um intruso nos observar/filmar, julgando nossa capacidade atrativa?

Nisso também incluiria a possibilidade de ficarmos nuas em coletivo, de calcinha, de biquíni ou como bem quisermos.

Despir

Quase toda mulher vê suas familiares peladas (mães, tias, irmãs…) da mesma maneira que se vê no espelho de relance, reconhecendo alguns traços em si. Na contrapartida vemos corpos na mídia que parecem manequins surrealistas se comparados a estes referenciais. Se olharmos para os corpos de nossas amigas em um gesto contemplativo, a beleza da diversidade não nos pressionaria a mudar nosso corpo “defeituoso”.

“O valor das indulgências está realmente na despesa causada ao penitente. Seu significado psicológico básico reside no cálculo do quanto o penitente está disposto a sacrificar para obter o perdão. Também os vendedores ameaçam amaldiçoar uma mulher se ela não pagar. Nem é mesmo o inferno da feiúra o que ela teme, mas um limbo de culpa. Se ela envelhecer sem os cremes, dir-lhe-ão que a culpada é ela mesma por não ter se disposto a fazer o sacrifício financeiro adequado. Se ela de fato comprar os cremes e envelhecer — o que iria acontecer de qualquer jeito — pelo menos saberá o quanto pagou para evitar o sentimento de culpa. Uma conta de cem dólares é prova concreta de seus esforços. Ela realmente tentou. A força propulsora é o medo da culpa, não o medo da velhice.”

O Mito da Beleza – Página 159

As nossas “imperfeições” são vistas como um crime gravíssimo e um atentado Ao Mito da Beleza. Por que nossas rugas, nossos cabelos grisalhos, nossos peitos, nossa flacidez é considerada “mortal”? Nenhum homem se preocupa com o formato da própria bunda, com a inclinação do pau, a pele enrugada das bolas. Se as mulheres tivessem testículos, fariam lifting.

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27 julho, 2009

Lingerie Day

Posted in Corpo, Só falam nisso tagged às 10:56 am por Deborah Sá

E o primeiro round começa.
Embora a arena seja tradicional o que a difere é uma mesa redonda localizada no centro. A platéia está cheia, do lado direito estão as moças que participaram do Lingerie Day, reivindicando sua posição libertária em sua sexualidade.

Do lado esquerdo estão as feministas que não criticam as moças em si, mas o fato de ignorarem o sistema que estão inseridas, do quão machista é esta campanha que serviu para satisfazer a paleta de exposições femininas com cores de corpos-comuns.
Quem assiste do lado esquerdo? A platéia só tem cinco moças.

Quando as moças entram no lado esquerdo são chamadas de barangas, mal-comidas, gordas e feias.

As que optam pelo lado esquerdo, são chamadas de modernas, gostosas, “bifão” e “Ê lá em casa”.

Do lado direito da platéia estão uma multidão de homens e garotos de todas as idades, o que eles têm em comum? A Ruffles costelinha e a cerveja que dividem fraternamente.

Deixando claro que não tenho nada contra AS moças. O corpo é delas. E quisera eu, que as mulheres tivessem de fato uma sexualidade liberta e poder para mostrar como bem entendessem seus corpos. Elas só foram “ouvidas” por serem “gostosas”, eles querem dar a liberdade corporal pra quem atenda suas expectativas. Lembrando que há prejuízos em ser bonita.

Tratando-se da minha perspectiva, assino embaixo aqui, aqui, aqui e aqui.

23 julho, 2009

Eu não gosto de colorir

Posted in Egotrip tagged , às 12:04 pm por Deborah Sá

Um dia pensei em ti
Mas não queria
Penso em ti noite e dia
Luto contra isto
Mas és tu que eu preciso
Não vás embora um dia
Pois se tu não estás comigo
Minha vida é sem sentido
Minha primeira poesia – Na quinta série

Lembro de desenhar uma abelha na capa do trabalho. Não sei qual era o tema, nem que raios a abelha tinha relação com o meu poema, mas recordo que as meninas do meu grupo (como sempre, eu só colocava o nome nos trabalhos e deixava elas colorirem) acharam ótimo.

Eu nunca tive (grandes) problemas com notas nas matérias, sempre fui uma aluna disciplinada, embora algumas professoras (e minha mãe) me achassem um pouco “relaxada” com a minha caligrafia e a falta de dedicação em colorir.
Nunca levei “bilhetinhos pra casa”, mas meu caderno sempre trazia observações como “Por que você não colore os seus desenhos? Desenho sem cor é sem vida!”, “Tenha mais capricho”, “Melhore a caligrafia”, “Mais dedicação!”. Em sua maioria os professores me adoravam, em especial os de português, ciências, história e artes (com exceção dos que exigiam desenhos coloridos).
Lembro de uma situação muito engraçada: A professora distribuiu uma imagem de mimeografo com um Chico Bento montado em uma espiga (!), naquele dia eu pensei que seria o meu melhor desenho colorido ever! Dediquei-me, fiz devagar, não fiz nada fora do traço e levei na mesa da professora. C
– Mas por que professora? ._.
– Você não coloca força no lápis, pode refazer e eu te dou outra nota.

Eu fiquei muito brava! Levei pra mesa e caguei estraguei meu desenho, sério, ficou horrível, colori com força, tudo fora das linhas, misturei as cores. Ou seja ficou um lixo. As meninas todas ficaram abismadas:
– Não acredito que vai entregar assim!
– Não faz isso!
– Ai meu Deus!
– Vai tirar D!
– Dane-se, eu fiz o desenho bom e ela não gostou, agora vai ficar com esse mesmo.
– Mas vai tirar D!
– Eu tenho notas boas em outras matérias mesmo (dando de ombros)…

Sempre achei um porre colorir. Não se pode colorir em direções opostas, fazer rápido, borrar a linha…
Achava uma bobagem as meninas perderem tanto tempo em fazer letras redondas e bonitas pra serem as últimas a copiar a matéria da lousa. Tantas canetas de glitter, cheirosinhas e escambau e tiravam notas tão medíocres quanto o resto da sala.

Nunca fui a garota mais inteligente da sala (ok, só no supletivo), não me matava de estudar, embora meu caderno fosse um dos mais completos da sala (era aquela que todo mundo pedia caderno emprestado), sempre gostei de escrever e os professores adoravam minhas redações. A minha única “rebeldia” era não gostar que ninguém fosse humilhado*, colorir e não ser “caprichosa”. Meus cadernos quando pequena quase sempre, tinha orelhas nas pontas.
Minha desorganização nunca foi um problema, e é verdade que onde estou, sempre tem bagunça. Especialmente quando saio pra trabalhar deixando tênis no meio do caminho, alguma coisa muito nonsense pra trás.
Esses dias, minha mãe me disse:

“Ô Deborah, só não perde a cabeça, deixou a geléia em cima do sofá! Sorte que deixou fechada”. Também já derrubei um livro do Yuri na privada, me queimei no forninho do trabalho na hora de comer torrada, quebrei a pulseira que o Yuri me deu, dois celulares e inúmeros brincos. Também perdi o Fiforó, meu sapinho que ficava na mochila.

* No supletivo tinha auto-estima suficiente para defender alunos que eram humilhados na minha escola, como no dia em que um rapaz fez chacota de outro por ele ir ao psicólogo.

E não sou prendada

Posted in Cotidiano, Egotrip, Gênero tagged , , às 11:56 am por Deborah Sá

Nunca gostei de arrumar a casa. Odiava quando a minha mãe me pedia pra ajudá-la a tirar o pó, enxugar a louça ou coisas assim. Meu pai nunca fez muito do serviço doméstico além de lavar a louça, consertar e outras tarefas de marceneiro, construiu portões de madeira, mesas, prateleiras e outra infinidade de objetos que não consigo recordar. A melhor parte em arrumar a casa era colocar música alta. No caso, dependia da fase que eu estava: Hanson, Beatles, Backstreet Boys, Spice Girls…
Cozinhar sempre foi mais divertido, afinal você aproveita de alguma maneira. Qual o proveito de limpar a casa? Ninguém reconhece, só repara quando está sujo e absolutamente ninguém sabe o quanto foi estafante tirar aquela maldita sujeira incrustada do azulejo. Lembro de um dia meu pai bravo procurar por pares de meia e não encontrar para trabalhar. Foi um basta, não ia passar porcaria de roupa nenhuma. Só jogar na máquina. Cada um que fosse até o cesto e pegasse as próprias roupas.
Lembro da primeira vez que o Yuri foi na minha casa e se deparou com uma pilha de roupas colossal. Eu não passo as minhas roupas.
Somente as camisetas sociais e as outras peças que realmente precisam do ferro. Hoje moro com a minha mãe, é bem mais prático pra ir ao trabalho. Minha mãe é MIL vezes mais prendada que eu. Não é uma costureira que faz até terno como a minha vó, mas sabe ao menos pregar um botão e fazer uma barra de calça.

Ontem uma amiga da minha mãe (costureira) esteve aqui:
– Eu costuro muito mal, mas se for esperar isso das minhas filhas você morre.
– Ah é? Você não sabe não, Deborah?
– Não
– Nem um botão, costurar um furo de uma meia?
– Não
– Mas precisa!
– Não preciso não :)
– Mas sabe por quê? Quando você tiver um bebê…
– Eu não vou ter bebê :D
– Nem um?
– Não…
– Mas imagina que mistura bonita, você e seu namorado, ele moreno, você branquinha…um de cada cor!
– É, na verdade vai ser bonito, vão ter três cores
– Três?
– É, uma vai ser rajadinha laranja, outro preto com branco, outra toda preta…

20 julho, 2009

Cinema Buraco de Fechadura

Posted in Filmes, Gênero tagged , , às 1:58 pm por Deborah Sá

Algo que me incomoda em sua tentativa pueril é o que eu chamo de “Cinema Buraco de Fechadura”. Consiste em cenas de belas mulheres se despindo diante das câmeras enquanto observadas por um buraco de fechadura. O espectador compartilha a cena com o garotinho de trajes “italianos” de meias 3/4 brancas, boina, tons em marrom com bege sobreposto em suspensórios azuis.

Parece um esforço em resgatar o primeiro contato sexual masculino longe da pornografia impressa, embora em alguns filmes esta cena seja o compartilhamento de gravuras pornográficas. O maior ícone que vêm à memória é Malèna – nunca vi na íntegra, apenas trechos – onde ninguém comenta nada do enredo além da beleza da Monica Bellucci e da fotografia “buraco da fechadura”. No Brasil lembro de “O ano em que meus pais saíram de férias”.
Interessante lembrar que nestes parâmetros quase sempre a jovem observada é “uma mulher de valor”: Tomando banho no riacho, trocando-se em um quarto ou colocando uma meia-calça. É uma invasão do espaço privado onde a nudez seria só dela, sua liberdade seria despida de conteúdo erótico. Mas claro, sempre há um menininho disposto a fazer “a arte” de lançar sobre ela um sentido sexual. Quando a moça nota, sorri e tampa o buraco ou cobre os seios e solta uma exclamação que faz os meninos rirem e saírem em disparada.

É sexo quase cômico, quase pueril, quase a mesma coisa…

Quando o observador é um homem adulto, ele se cala diante da mística feminina, de suas curvas, de seu silêncio desavisado em banhar o próprio corpo. Há muitas cenas assim na novela “Pantanal” e uma no filme “Brincando nos campos do Senhor”. Quando um filme mostra uma garotinha olhando um rapaz pelo buraco da fechadura? Um torso masculino filmado lentamente? Quando a visão contemplativa é estendida ás mulheres lésbicas e héteros? Estas cenas não são mera contemplação, é um julgamento estético e uma reafirmação do homem hétero como juiz de nossa capacidade atrativa. Não importando se ele é um garotinho.

Quero ir para Bahamas!

Posted in Animais às 12:40 pm por Deborah Sá

Turistas e moradores de uma praia nas Bahamas têm uma companhia inusitada nos banhos de mar. Na ilha Big Major Spot, é comum ver porcos deitados na areia ou mergulhados na água cristalina, conforme reportagem do jornal britânico “Daily Mail”.

002O fotógrado Eric Cheng descobriu a presença dos suínos nadadores caribenhos durante uma expedição fotográfica de mergulho.

“Estávamos no sul das Bahamas para fotografar tubarões. Nosso comandante, Jim Abernethy, ouviu falar que havia porcos em Big Major e decidimos conferir. Ao se aproximar da praia, é possível ver os porcos, cor-de-rosa ou marrons, deitados na areia”, contou Cheng ao jornal.

O fotógrafo contou ainda que não sabe como os porcos domésticos passaram a viver na praia, mas que os locais estão acostumados com eles, alimentando-os por anos. Há até quem se anime a acompanhá-los em mergulhos.

ok

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mundo/conteudo.phtml?tl=1&id=906079&tit=Porcos-nadam-em-meio-a-turistas-em-praia-nas-Bahamas

16 julho, 2009

A humanidade me deprime

Posted in Animais às 2:07 pm por Deborah Sá

Jovem condenada por assassinar um gatinho vaiou agressivamente ativistas dos direitos animais nesta quarta-feira (15). Rindo excessivamente ela gritava que havia colocado o animal indefeso dentro de um forno a 500 °C. Protesto dos ativistas dos direitos animais “Já está morto, cadela!” berrava Cheyenne Cherry, mostrando a língua, logo após uma audiência no dia 6 de maio que a colocará na cadeia por um ano pela morte do animal.

Cheyenne  Cherry, de apenas 17 anos, foi acusada de crueldade animal e tentativa de roubo. O gatinho, chamado Tiger Lily, foi abandonado dentro do forno para morrer depois que Cherry e uma colega de 14 anos invadiram o apartamento de Valeria Hernandez, destruindo a mobília antes de roubar DVDs e alimentos. Após sua prisão, Cherry disse aos policiais que o assassinato do gato foi “só uma brincadeira”. Durante o julgamento, ela admitiu que não se importou com o fato da colega mais nova ter colocado o gato no forno. As garotas deixaram o apartamento porque não queria ouvir os gemidos do gato ou os arranhões desesperados, de acordo com as autoridades. A segunda garota está enfrentando o julgamento na Family Court por causa de sua idade. Tiger Lily, o gatinho assassinadoAssim que deixou a corte, Cherry se deparou com uma multidão de ativistas dos direitos animais chocados com seu crime. “Justiça para Tiger Lily”, diziam as placas. A jovem zombou dos ativistas e fez gestos obscenos. A garota já possui antecedentes em crimes contra animais. Ela foi detida ano passado por usar uma arma para roubar um Yorkshire com o intuito de vendê-lo para pesquisas médicas. Ela também foi presa por roubar o iPod de um homem. Os defensores dos animais que protestaram representam as mais de 20.000 pessoas que assinaram uma petição on-line exigindo uma punição mais severa para Cherry. A garota, atualmente em prisão preventiva, enfrenta a sentença formal no dia 31 de julho.

Essa era a gatinha

Essa era a gatinha

Fonte: http://www.anda.jor.br/?p=10594

Sério, tô quase chorando aqui

Quanto vale ou é por quilo?

Posted in Corpo, Gênero tagged , às 1:24 pm por Deborah Sá

Estou pasma. O “Metrô News” distribuído diariamente aos passageiros de SP publicou uma vaga de emprego absurda:
Imagem01
Sim, um homem busca por uma empregada-puta por R$ 1.395,00 trabalhando de segunda a sexta, que seja “liberal e faça massagens relaxantes” e com direito a carteira assinada!
Não dão condições a uma mulher concorrer ao mercado de trabalho com um salário igualitário, detonam a auto-estima dela através da mídia e oferecem empregos sexuais. É claro que surgirão muitas mulheres desesperadas para essa vaga de emprego.
002
Assisti ao Roda Viva com a Gabriela Leite fundadora da Da Vida, uma ONG que luta pelos direitos trabalhistas das prostitutas. Ela era de classe média baixa e deixou a faculdade pois estudava e trabalhava não restando tempo pra se divertir. Ao olhar as putas “se divertindo” em boates ela achou o máximo. Beber, jogar conversa fora e ganhar o dinheiro assim parecia menos estafante do que sua dupla jornada de trabalho. Nunca trabalhou “na rua”, apenas em “casas noturnas”. Segundo ela, as putas não trabalham de terça-feira e não beijam na boca, atualmente são Workaholics e não tem mais tempo de se divertir, trabalham de “sol a sol” e procuram “fazer um pé de meia” pra comprar uma casa longe do local de trabalho. Defende a legalização da prostituição conquistando respeito e libertando-as das “mãos” dos cafetões que as agenciam inescrupulosamente.
É grande o número de prostitutas que sofrem violência, afirmou que os piores locais que visitou são o Norte e Nordeste do Brasil, onde as meninas são acorrentadas e presas para que não fujam do local.
003
Os anúncios que li hoje (e a qualquer dia da semana neste mesmo jornal) oferecem uma hora de anal sem parar por R$ 20,00, beijo na boca e “tudo” inclusive drinks por R$ 30,00. O mercado da prostituição é direcionado ao público masculino, até os garotos de programa em sua maioria atendem homens.
004
Se o maravilhoso mundo da prostituição é mesmo tão estupendo, por que os homens são minoria nele? Por que a última opção de um homem é virar mendigo, enquanto uma mulher não pode ser mendiga sem correr o grande risco de ser estuprada?
005
Nós já nascemos putas. Não importa se somos largadas nas ruas aos 5 anos, se fugimos de estupros dentro de casa e acabamos na rua ganhando umas moedas pra isso, se temos diplomas acadêmicos e não conseguimos mais pagar as contas. Se colocarmos a roupa curta, o batom vermelho e as cores escandalosas, em cada esquina estarão homens dispostos a comprar nosso sexo.
006
Se perguntassem para cada puta do Brasil: O que quer? Deixar de ser puta ou ter outro emprego que lhe dê melhores condições de moradia, segurança e autonomia?
007
O que acham que responderiam? É muito hipócrita querer que as putas deixem de ser putas quando em um “emprego comum” elas ganhariam menos dinheiro. Eu por exemplo, sou secretária e ganho menos que “a puta-empregada” mencionada acima. Deixando claro que não estou defendendo “os bons costumes”. Se uma mulher QUER ser prostituta e se sente bem assim, deve ser respeitada e protegida por lei. Mas não é o que vejo em qualquer documentário/depoimento pessoal sobre prostituição.
A pornografia, o capitalismo, a heteronormatividade e a misoginia alimentam esta profissão.
008
O que é mais difícil? Oferecer a estas mulheres cursos de defesa pessoal, faculdades e cursos técnicos, prepararem a polícia para atendê-las com respeito e dando credibilidade aos seus relatos, inseri-las no debate público, se assim desejarem inseri-las no mercado de trabalho (convencional)?
Ou conscientizar os homens do que “eles consomem”, da violência contra a mulher, da mercantilização dos corpos femininos, da exploração sexual infantil que gera prostitutas adultas?

009

Sei que algumas delas se casam e formam uma “família” e que há homens que se apaixonam por putas e enfrentam todo o preconceito.
010
Mas quando leio estes anúncios, a última coisa que imagino é um homem (cliente) perguntar a uma prostituta qual sua história, quais seus sonhos e o que ela realmente quer pra si.

10 julho, 2009

Eternas mães

Posted in Corpo, Gênero tagged , , , , às 4:37 pm por Deborah Sá

Mulheres preferem chocolate á fazer sexo

Não gosto destas generalizações de revistas femininas utilizadas em correntes de e-mail, usei este exemplo para tentar entender o motivo que talvez leve algumas mulheres a colocar o sexo em segundo plano.

Mulheres costumam assumir para si a responsabilidade pelo bem estar de todos que a cercam. Elas chegam em casa, fazem a comida, limpam a casa, cuidam dos filhos e prosseguem com sua tripla jornada. O que levam muitas delas á Síndrome de Amélie Poulain.: “Se ela cuida da bagunça dos outros, quem cuidará da sua bagunça?”

Centrando sua energia em outros, seu esforço não é reconhecido tornando até motivo de chacota “rá rá a mãe é mesmo paranóica com limpeza/saúde/estudos dos filhos”. Quem (geralmente) “corre” com os filhos para o hospital? Quem olha o caderno de lições? Quem se preocupa em convencer o filho a comer feijão senão o exame de sangue pode acusar anemia novamente? E em caso afirmativo, a culpa será toda dela, afinal, seu fracasso como mãe é refletido nos estudos/saúde do filho.
A estrutura familiar é posta em grande parte nos ombros das mães, estes seres que não são perfeitos nem maculados por parirem. Alguns defendem que uma mulher nunca será completa até gerar (ou no mínimo adotar) um bebê completando esta última etapa de sua vida, devotará sua energia para nutrir e guiar todo o desenvolvimento cronológico que a separa do cordão umbilical do feto. Um dia este filho parte e sobra apenas A Síndrome do Ninho Vazio.

Mulheres são neuróticas

Uma das características usadas em comédias é a mulher neurótica. Pintam nossos traços em caricaturas histéricas e voláteis que em um momento choram e no seguinte beijam, até mesmo comédias românticas mostram essa “faceta” feminina. Que mulher não se contradiz emocionalmente ao gritar com o namorado, se arrepender, correr para o chocolate e chorar? Essa “confusão mental” nos envergonha por fugir do padrão esperado da racionalidade e autocontrole. Sentimos-nos “loucas” e “paranóicas”.

O amor da mulher é suicida enquanto o do homem é homicida

Não nos ensinam a bater, gritar, xingar, falar palavrões. O que fazemos com a nossa raiva? Com nossa frustração? Desde pequenas aprendemos que não podemos “culpar ninguém além de nós mesmas”. E nestas condições resta o nosso já tão odiado corpo para extravasar.
Obviamente há homens que se matam por suas namoradas, mas estatisticamente a maior parte das pessoas que tentam suicídio são mulheres (proporção de 3 á 4 para 1), enquanto a taxa de homicídios mostra claramente que os autores são masculinos. É alto o índice das que flagelam o próprio corpo. Ao se desenvolver a criança precisa de estímulos que a encoraje e fortaleça a auto-estima. A criação sexista falha muito nesse aspecto.
Temos de provar o tempo todo que somos capazes, tanto (ou mais) quanto um homem. Uma mulher de tailleur tem de se esforçar mais que seu companheiro de trabalho que é visivelmente incompetente e nem precisa se preocupar com as olheiras ostentadas ás 8:00, ou ainda se o gel no cabelo o faz parecer garoto propaganda da Grecin 2000.
A maioria delas está insatisfeita com a própria aparência e dispostas a recorrer a processos cirúrgicos.

O que um homem não encontra em casa, busca fora.dela

Se antes as mulheres se sentiam culpadas por pensar em sexo, hoje somos obrigadas a cumprir metas sexuais. A “obrigação conjugal” é uma das muitas pressões exercidas como deveres de uma esposa/namorada/amante. Mais do que se perguntar por que as mulheres fingem orgasmos, seria justo perguntarmos por que tantas delas começam o ato sexual sem estarem molhadas e com tesão para isto.

Nossos passos são monitorados: Sejam os pneus que aparecem em uma roupa de trabalho, nossos filhos quando não tiram boas notas, nossa disposição física não se manifestando como nos comerciais de energéticos, nossa performance sexual, nossos pais envelhecendo precisando de dinheiro pra os remédios… Somos o tempo todo, as “mamães do mundo” com “crias” penduradas na barra de nossas saias.

Em meio a tantas frustrações podemos mascarar nossa carência afetiva com aqueles tabletinhos cheirosos de chocolate. E só por aquele instante você se entrega e “derrete” na boca todo o prazer que precisava naquele momento. Este prazer é rompido quando lembramos que nosso corpo não nos pertence e cogitamos não jantar para compensar tamanho deslize.

Queremos paz de espírito, para tanto é preciso fazer as pazes com o espelho. O desgaste de nossa energia no cotidiano de pressões, trás o abatimento que enfraquece nossa força. Quem consegue lutar quando se está exausta?

8 julho, 2009

Você sem Deus não é nada

Posted in Crenças tagged , , às 5:28 pm por Deborah Sá

E se não acreditar mais nele, ele deixa de existir.

Nada acontece do dia pra noite. As idéias e as concepções de realidade se formam de maneira contínua e por uma série de acontecimentos com valores distintos para as pessoas.

Antes de descrever os motivos que me levaram ao ateísmo, é importante levar em consideração a minha história de vida relacionada à instituição religiosa que pertenci por muitos anos. A descrição mais detalhada está no Dossiê CCB parte I II e III.

Qual é o ateu que nunca questionou: Deus existe mesmo?
E qual cristão nunca pensou: É mesmo (só) imaginação?

Lembro de pedir auxílio em alguns momentos de minha infância e adolescência, ás vezes deu certo, em outros momentos não. Como qualquer desejo em probabilidade relativa.

Durante uma época concordei com a Reforma na CCB proposta por Ricardo Adam. Ele defende que mulheres deveriam tocar qualquer instrumento, sentar perto dos homens, pregarem, fazerem sexo (com prazer), usarem maquiagem e etc. Ele já sofreu ameaças de morte e perseguições.

Na CCB havia algo chamado “voto”, que é quando você promete pra Deus que ao atender seu pedido, dirá na frente da igreja “a graça alcançada”. Não é obrigatório descrever o que conseguiu, só se desejar. Na Reunião de Jovens era comum agradecerem por concluírem o ano letivo sem recuperação ou um novo emprego. Os cooperadores sempre frisavam a necessidade de se esforçar, se apenas pedíssemos para Deus pra “passarmos de ano” e não estudássemos as matérias, de nada adiantaria.

Achava justo. Até porque sempre pensei que Deus não tinha função de babá. E me fez pensar. Por que tudo que conseguia de “bom” era mérito de Deus? Por que tudo que não acontecia ou dava muito errado era erro humano? Quando humanos mal intencionados me humilharam ou me fizeram muito mal, o que Deus fez? Nada.  Muitos me diziam/dizem: A culpa não é de Deus, a culpa é do humano.

Qual o critério de preces de Deus? Ele ajuda uma menina a passar na prova, mas não a protege de ser molestada? As guerras acontecendo, pessoas passando fome e ele preocupado se estamos ou não “puxando o saco” dele? Contando pra todo mundo o quanto ele foi maravilhoso em ajudar a passar em um vestibular que nos matamos de estudar na madrugada?

É o tal livre-arbítrio? Até a lei terrena sabe: Você tem liberdade de ir e vir, contanto que não mate ou cause um grande dano a outros seres vivos. Mas pela lógica de “Deus” o correto é relativizar ao ponto da liberdade absoluta. Quanto ás punições, deixe que se passem décadas, meses ou anos até que o agressor bata o carro e fique paraplégico, seu filho/filha passe a mesma humilhação*, ou se nada disso acontecer, o inferno com seu tempo infinito o aguardará.

Não seria melhor impedir que a violência chegasse a “esse ponto”? Ou ainda realmente punir os agressores? Erro do humano, que se apliquem as leis dos humanos… Ou seja, Deus lavou as mãos

* É pavorosa essa idéia cristã de justiça, o que tem a ver a pobre criança filha de um pai agressor com os erros dele?

Qual a função de Deus? E por que devo adorá-lo por isso?

Sempre pensei na analogia do Frankenstein. Ele me deu a vida e daí? Eu pedi pra nascer? Vamos imaginar um relacionamento familiar. É justo que os filhos reconheçam o esforço dos pais em mantê-los vivos, mas isso não significa desconsiderar as falhas cometidas conosco e elevá-los a um status de Deus. Deus é assim, deve ser adorado por representar uma divindade.

Qual é a função dele? Pra que precisamos o adorar? Por que só ele precisa ser adorado? Por que tantos protestantes dão risada da crença católica de rezar e pedir auxílio a uma imagem de um santo? Dizem que essas imagens são mudas e não respondem, tem boca mais não falam. Defendem que o Deus protestante dá resposta “no coração”. É exatamente a resposta do santo: “No coração”. A credibilidade para o ato é a mesma, já que ambos não são experimentados no campo da razão e da lógica. Não se pode ver ou constatar fisicamente, já que se trata de uma crença baseada no sentimento.

Qualquer Deus tem a mesma credibilidade. E coincidentemente os Deuses  tem seus desejos sincronizados com os ideais dos seus fiéis. Antigamente diziam que Deus não aprovava divórcios. O discurso de algumas novas correntes de pensamento cristão é mais complacente neste aspecto. Notei que “acreditar em forças invisíveis” predispõe as pessoas a terem síndrome do pânico, apresentar paranóias e imagens destorcidas da realidade.

Assim, constatei que “Deus” era o reflexo da consciência coletiva.

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