15 junho, 2009

Humilhação Escolar

Posted in Corpo, Desabafos, Egotrip, Memórias tagged , , às 4:08 pm por Deborah Sá

Nunca fui de muitos amigos, tive alguns colegas de classe é verdade. Mas esse sentimento profundo de amizade é mais freqüente agora do que no meu passado.
É tão estranho que nas fotos dos álbuns do Orkut de quem estudei estamparem tantos sorrisos. Parece mesmo que vivi em um mundo separado deles. Quando encontro alguém “daqueles tempos”, costumam dizer: “Ah…bons tempos do colégio…”

Minha vontade é dizer: “Bons tempos pra quem cara pálida?”
Não culpo aqueles que pareciam se importar, a meia dúzia de gatos pingados que sentava pra conversar comigo. Eu não sabia como me abrir, era algo fora de questão, além do meu alcance.
Culpo principalmente a direção da escola. E esta escola é o Carlos Ayres.

Carlos Ayres – Final dos anos 90

Foi a escola onde as provocações tronaram-se maiores, gerando muita tensão. Sim, é verdade que as provocações, humilhações e apelidos vieram de outros lugares também: A minha rua, minha casa, a igreja…
Mas o Carlos Ayres é uma instituição e deveria zelar pelo bem-estar dos alunos. E falhou miseravelmente no meu caso. E isto tem de ser publicado:

Entrei nesta escola na 5ª série e saí na 8ª.
Praticamente todo ano tinha “um garoto perseguidor”, ele me seguia e também outras meninas até o ponto de ônibus fazendo provocações. Ocorria durante todo o ano letivo.

Na oitava série eu tive um dos piores anos da minha vida. Aos 15 anos.
Não era estimulada ao estudo, sempre sentia que aprendia mais fora da escola com minhas leituras do que dentro dela.
Em um dia comum, estávamos eu e a Ana Cláudia copiando o final da matéria da lousa e o sinal do intervalo foi acionado. Todos saíram da sala, com exceção de nós duas, em pouco tempo a porta da sala bate. Ouvimos risadas.

O Dênis e o Danilo nos trancaram na sala. Eles do lado de fora enquanto faziam provocações e riam da nossa cara. Ao lado da sala havia mato e a Merendeira tinha posto fogo ali há pouco tempo. Logo a sala estava cheia de fumaça, a Ana Cláudia bateu na porta e pedia pra sair, eu só abaixei a cabeça na carteira e senti vergonha.
Assim que o sinal foi acionado indicando o fim do intervalo, uma mulher da secretaria abriu a porta:
– O que vocês duas estão fazendo aqui? Vão ter que se explicar!
-Silêncio-
Ana Cláudia: – Foi o Dênis e o Danilo! Roubaram a chave da professora e trancaram a gente aqui!
Eu: -Balancei a cabeça concordando-

Os alunos entraram. As aulas continuaram e em poucos minutos o Dênis e o Danilo voltaram rodando os cadernos no indicador com pose de malandro e rindo. Nada aconteceu com eles.

Tempos depois estava estudando e senti algo no meu cabelo: -na época era comprido- chiclete babado. Corri chorando no banheiro, arranquei com raiva o tufo do meu cabelo. O ódio era maior que a dor do pedaço arrancado. Voltei correndo, deitei os braços na mesa e escondi meu rosto envergonhado. Em pouco tempo o Alex veio me perguntar quem tinha feito isso. Eu não sabia, ele impositivo fez questão de saber quem foi e “espremeu” o pessoal da sala.
O culpado era o Amaral. Um garoto que parecia o jogador de futebol e por isso tinha esse apelido. O Alex o levou até a minha mesa e fez ele se desculpar.
– Pede desculpas pra ela!
– …
– Pede desculpas pra ela!
– De…desculpa
– Meu, por que você fez isso comigo? Eu não mexo com a vida de ninguém! Fico quieta o tempo todo!
– Me mandaram…
– Ah! Mandaram? E você não tem personalidade não? Só faz o que te mandam?
A sala fez “Vixeeeeeeeeeeeeeeee” e aquela barulheira coletiva.

Outra vez saí no pátio e um monte de gente que nunca vi, me perseguiu com garrafinhas com “água” e me molharam. Ao chegar na secretaria e contar, a mulher riu da minha cara.

Outra vez uma “colega” desenhou isso na lousa:

Todos riram

Todos riram

Agradeço aos alunos que tentaram fazer o que a direção do Carlos Ayres mostrou-se negligente:

* Marcelo: Um rapaz alto, mais velho que segurava o Davi na saída, pra que eu ganhasse tempo e ir pro ponto de ônibus em paz.
* Alex: Um rapaz mais baixo que eu e com muito mais coragem.

[Depois da oitava série parei de estudar. Terminei anos depois o ensino médio com supletivo, em outra escola]

18 Comentários

  1. marina said,

    nossa, tenho calafrios só de começar a lembrar o que aconteceu comigo na escola… comentar, então…

    :/

  2. Oi.. gostei do blog.. gosto das reflexões…

    Tbm tive problemas no colégio… era o que recebia as bolinhas de papel na cabeça até a quinta série. Daí em diante, descobri que se eu jogasse papel, ngm jogaria em mim…Mas sempre me preocupei com o sentimento alheio… Tanto que nunca consegui devolver uma tiradinha, uma resposta mal educada. No fim das contas, os pais deveriam ensinar seus filhos a respeitarem os outros….

    Parabens pelo blog…

  3. Grivicich said,

    Poxa, esse post me fez lembrar de muita coisa… Eu culpo realmente o colégio, de todo mundo que debochou de mim eu não consigo perdoar são professores, inspetores e pessoal do S.O.E (Que deveria se chamar Serviço de DesOrientação Educacional). Das vezes que eu reclamava não fizeram nada e das vezes que eu reagia sempre me repreendiam. Realmente não tinha aglo a se fazer além de repeender, alguns pais eram impossíveis de achar, ou se achados os filhos poderiam receber uma reprimenda descabida, dar advertências era até uma paida para alguém que já tinha muitas na lista. Mesmo assim eles fizeram muito pouco. E olha que é considerado um dos melhores colégios da minha cidade, com uma disciplina mais rígida.

  4. Talita said,

    Deborah

    Ao contrário dos outros q comentaram, eu já me encontrei do lado dos que humilhavam os colegas. No primário, 1ª série, havia uma menina bem gordinha na minha sala. No intervalo “brincávamos” de xingá-la de gorda. Ela saía correndo atrás da gente, e nós nos escondíamos rindo no banheiro. Era uma espécie de pega-pega. Na época eu achava graça. Às vezes alguma das meninas nos impedia de fazer essa maldade, alegando q isso chateava a nossa colega. Aí a gente dava um tempo. Mas só as meninas. Os meninos não davam descanso não…
    Ai… Chato ter q contar uma história dessas, mas depois do seu texto eu precisava desabafar. Hj me arrependo profundamente de ter tirado sarro da minha colega. Por outro lado, fico feliz em saber q vc cultiva amizades melhor do q no passado. Pelo seu texto vc se mostra mto madura e inteligente. Espero q a minha colega tb tenha amadurecido como vc e superado de algum modo as maldades q eu e todos os meus colegas lhe infligimos.

    Abs

  5. Anônimo said,

    (texto provavelmente confuso, ainda é difícil pra mim pensar sobre isso, espero que entendam)

    Me identifiquei com o texto também… Sofri muito na escola já… Hoje estou no segundo ano, mas felizmente consegui me impor no que realmente incomodava e levar outras coisas mais na brincadeira. O período pior foi do final da 4ª até o final da 6ª série, embora até a 8ª série ainda tivesse algumas complicações.

    Não culpo meus colegas. A maioria não tem a menor idéia do que fez. Realmente achavam que era só uma brincadeirinha inofensiva. Na verdade, eu mesmo ajudei a tirar um cara da escola depois, também achando que era brincadeira. Um negócio meio complicado, desse outro cara… Ele era o que mais me zoava… Só que o mundo dá voltas, e acabou que começaram a zoar com ele muito mais do que comigo. Eu acabei resistindo no começo, não queria zoar, porque o que tinham feito comigo tava na minha cabeça ainda. Só que o tempo passou, e eu fui meio que esquecendo o quanto fora terrível o que fizeram comigo, e comecei a zuar o cara também (em parte por vingança mesmo, eu odiava ele por ter fodido com parte da minha vida, no fundo queria me vingar… mas em parte eu não tinha idéia da profundidade do que tava fazendo, tu entra nessa e perde a noção de o quanto machuca).
    Bem, o fato é que eu já estive do outro lado da coisa… De 4ª a 6ª série, fui o cara mais zuado da escola. Na 8ª, zuei muito mais que fui zoado.
    Num período eu gritei pros meus pais que ia me matar, no outro fiz um cara sair da minha escola…

    Enfim, o que eu tenho certeza é que meus colegas não tinham a menor noção da profundidade do que faziam comigo… E por isso não os culpo, sabe? Uma vez eu tava mais próximo de um deles, depois da fase de zuação, e acabei falando que eu realmente tinha pensado em me matar. A história acabou chegando aos meus outros colegas… O que eles fizeram? Vieram perguntar se era verdade, rindo da idéia… Simplesmente era impossível a eles pensar que aquelas brincadeirinhas deles realmente poderiam ter levado alguém até aquele ponto. Acabei dizendo que era óbvio que não era verdade, e até hoje ninguém sabe o quanto sofri pelo que fizeram (o cara a quem eu contei achou que tinha entendido errado então).
    A meus colegas não culpo. Sei que eram apenas crianças ignorantes, assim como eu fui depois, na 8ª série (talvez não mais bem criança, mas na 8ª eu tava com 13 anos, também ainda não muuuito maduro). Não tinha como exigir deles que soubessem todos os danos que causavam.

    Mas aos professores e a diretoria da escola? Ah, esses eu culpo… Embora saiba que tratar esses casos de bullying é algo complicadíssimo para qualquer um, o MÍNIMO que eu espero de uma equipe pedagógica de uma das escolas mais caras de uma cidade grande (capital de estado), que inclusive tem psicólogos que deveriam cuidar dessas coisas, é que eles tentem alguma coisa. O que passei com os professores/membros da equipe pedagógica da escola é pra acabar com qualquer um…
    Só pra citar alguns casos… 5ª série (portanto, 10 anos), frente da sala, antes da aula de inglês. Meus colegas começaram a me chutar e empurrar, com força, pra machucar mesmo… Eu já tava todo doído quando vi a professora e fui chorando falar com ela pra fazer algo. Adivinha o que ela disse quando viu o aluno dela (eu), de 10 anos, apanhando de pelo menos (nem lembro o número) 5 colegas? “Não, tu tem que aprender a te defender sozinho”. Sinceramente? Me arrependo de até hoje não ter mandado ela tomar no cu. Será que sou só eu que acho que uma criança (em depressão) de 10 anos não tem A MENOR CAPACIDADE de se defender sozinha de 5 outras?
    Outra coisa é a eficiência da diretoria… Eu apanhava dos meus colegas (sempre foi assim, em grupo… embora eu seja relativamente fraco eles precisavam humilhar, vinham em 5 ou 6, com 2 ou 3 segurando e o resto chutando e batendo) e ia na diretoria. O que acontecia? Eles chamavam os outros e perguntavam o que aconteceu. Aquele negócio de ouvir os dois lados da história sabe? Chamavam os 5 ou 6 juntos. E deixavam eles dar a versão deles. Um inventava qualquer coisa e os outros só concordavam com a versão. Aí o pessoal da diretoria chegava a conclusão de que se todos concordam com a versão é porque provavelmente o errado sou eu, e fica por isso mesmo… Resultado que eu não fui mais a direção, porque NENHUMA VEZ eles fizeram algo (tá, uma vez deram uma advertência, sendo que na época tu com umas 50 advertências corria o risco de ser expulso da escola, mas antes disso podia até matar alguém que não dava nada), e eu ainda era zoado ainda mais quando saía de lá.
    Outro caso que me lembrei foi quando passaram corretivo no meu cabelo. Eu chorei quando passei a mão e vi a turma toda rindo. O que a professora fez? Mandou o cara que sujou ir limpar… (até porque eu não conseguia direito sozinho). Resultado? Fui ouvindo xingamentos e zoações até o banheiro e na volta, e fui molhado “sem querer” da cabeça aos pés pelo cara… Mas ficou por isso mesmo…

    Enfim, não culpo meus colegas. “Não culpe-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem” (ou algo assim, com esse sentido… Apesar de agnóstico acho que a Bíblia tem coisas interessantes, e essa é uma passagem que diz exatamente o que penso de meus colegas)
    Mas culpo sim a escola. Se você vai fazer parte da equipe pedagógica de uma escola, ou da educação a crianças, então você tem que ter um mínimo de noção sobre esses casos. A eles eu não consigo perdoar.

    Considero que me tornei uma pessoa muito melhor depois de passar por tudo isso. Pode ser clichê, mas dificuldades realmente enobrecem a alma.
    Só que a história poderia ser diferente. É diferente. Quantos outros anônimos não conseguiram aceitar o que passou como parte do que lhes aconteceu na vida e que os tornou o que são. Quantos ainda sofrem por algo que já passou? Quantos não são os que levaram adiante as ameaças por mim várias vezes gritadas aos meus pais, dando fim ao seu sofrimento para aumentar os daqueles que gostavam deles?
    Sei que é impossível pedir as crianças que entendam isso. Mas eu realmente espero que um dia as escolas tenham gente minimamente capacitada, porque nenhuma criança tem a capacidade de passar sozinha por esse tipo de coisa. E em muitos casos os profissionais deveriam aparecer para trilhar o caminho ao lado da criança. A sorte da maioria dos que passam por esse tipo de coisa é ter apoio, seja da família ou de um grande amigo. Mas e nos outros casos? Está na hora de levar a questão a sério e começar a preparar esses profissionais direito.

    Não fosse por dois desses profissionais (de fora da escola, que fique claro) que, embora não estivessem idealmente preparados, tinham um pouco de capacidade, eu provavelmente não estaria aqui escrevendo esse texto.

    É, me empolguei… Escrevi acho que mais que a autora do blog, e deve ter ficado confuso e fugido do assunto (meu problema, não consigo reler o que escrevi sem foder tudo mais ainda, acabo deixando assim). Mas acho que o texto tem seu valor, se alguém se prestar a ler até o fim…

  6. Nathália said,

    Realmente foi dura sua fase escolar e óbvio que a escola tinha que saber tratar esses casos e não achar que é coisa normal de criança, e sinceramente não concordo com o comentário acima de “eles não sabem o que fazem” falando das crianças, para mim eles sabem muito bem o que fazem e o quanto é errado, mas só pra não fazer parte do lado humilhado, acabam se juntando com a maioria e comentendo bulling também.

    Os meus piores anos escolares sem sombra de dúvida foi todo no ensino fundamental, até conversava com um e outro, mas nunca tive aquela ligação de amizade também, eram só colegas e ponto. Sempe fui muito quieta e passava o recreio todo sozinha, me sentindo um lixo, era triste, mas pior foi qnd comecei a andar com umas gurias, nem sei porque, mas lembro que depois de um tempo elas começaram a me ridicularizar, me chamar de baratinha e coisas do tipo, eu sempre com a auto-estima baixa, comecei a ficar bem mal e refletir sobre o que estava acontecendo…

    Até que um dia eu estourei e percebi que não podia considerar pessoas que me tratavam assim, e simplesmente ignorei elas, não falei mais, não andei mais, não dei mais assunto nenhum e elas pararam, lembro que isso foi na 7ª série, e enquanto elas repetiram eu passei para 8ª série muito bem… Me senti orgulhosa por ter conseguido parar com aquelas provocações… e como sempre tive o rosto meio fechado(de brava como muitos dizem) talvez isso tenha ajudado a me afastar de mais gente idiota assim.

    Só sei que essa atitude me fez amadurecer e quando fui para o 2º grau em outra escola, percebi que tinha a chance de criar pela primeira vez laços de amizades, companheirismo e tudo mais que eu não tive no 1º grau.. e felizmente foi o que aconteceu… já fazem 6 anos que terminei o colégio e continuo considerando muitos como amigos.

    Recomendo o dorama(seriado) japonês “LIFE”, são 12 episódios se não me engano, e trata seriamente do bulling sofrido por uma menina em uma escola, é exagerado algumas vezes, mas lá no japão a coisa é mais grave do se imagina, já que as taxas de suícidio são enormes por causa do bulling.

  7. Nathália said,

    * escrevi bullying errado, sorry

  8. Lola said,

    Por que as pessoas têm que fazer a vida tão difícil pra todo mundo? Não entendo! Não tenho como perdoar a escola. Ela deve ser responsável pelo bem-estar dos alunos, ponto final. Eu não me lembro de grandes episódios de bullying, mas uma vez um menino pôs chiclete no meu cabelo, e foi traumático pra mim. Eu sei que era do tipo que, se visse algo assim, eu ia lá defender a vítima. Eu brigava mesmo. Mas não entendo por que a escola tem que ser esse microcosmo horroroso da sociedade!
    (quer dizer, é pior, né? Na nossa vida adulta a gente geralmente fica livre desses absurdos).

  9. Anônimo said,

    Eu acho que não sabem o que fazem mesmo. Tipo, claro que eles sabem que estão enxendo o saco, que aquilo incomoda a pessoa. Mas não tem idéia da profundidade do que fazem.
    Acho que é meio que uma soma das coisas… É divertido zoar, é fácil também, já que rebaixa o outro e tu só fica no grupo da maioria… E, pelo menos no meu caso foi assim, falta uma noção da gravidade disso. As crianças sabem que tão machucando, mas não sabem o quanto o bullying machuca. Fazem sim uma diferenciação entre a zoação que fazem todo dia com aquele um e a zoação de vez em quando aos outros, mas não colocam os dois tão distantes um do outro.
    Concordo que muitos só sigam a maioria, mas eu acho que se eles soubessem o quanto machucam com o que fazem, realmente soubessem, aí não fariam…

  10. Raiza said,

    Infelizmente,me identifiquei muito com seu post.Discordo do pessoal que diz que quem humilha não tem noção da gravidade do ato.Têm sim.E ainda que não tivesse tem que ser punidos.Eu fico com ódio mortal desses pedagogos e psicólogos que se preocupam mais com quem humilha do que com quem é humilhado.Essas “Brincadeiras” me deixaram em depressão por anos.Quando eu tinha que ir pra escola eu me sentia até mal.Faltava a beça.E a diretoria e os pedagogos não faziam porra nenhuma.Como alguém já disse acima ,eles fingiam ouvir as duas partes da história.Aí ia eu me queixar,e depois iam 5 ou 6 me desmentir,e como a maioria tem sempre razão…
    Isso só parou quando eu deu um basta e bati numa das minhas algozes.Aí,veja você,a diretora disse que EU estava errada.Nem liguei,disse que tinha batido e que bateria de novo.Resultado?ela me suspendeu e a garota não sofreu nada.Só a dor da garrafada que eu dei nela.Falei um pouco sobre isso no meu blog,não muito porque ainda não consigo ter tranquilidade pra falar sobre isso.Acho que essa é a primeira vez que falo desse assunto na internet.
    Se te interessar os desdobramentos dessa história no meu blog tem um post chamado “Deus está nas religiões?” no qual eu falo um pouco sobre bullying.
    De qualquer forma parabéns pela coragem de relatar isso tudo,espero um dia ter a sua paz de espírito pra fazer o mesmo.
    Obs:Você está linkada no meu blog.(já estava antes desse post)

  11. Lisa Wang said,

    Fico MUITO ressentida de ver que muitas pessoas, assim como você, eu e todos os que postaram corajusamente as perseguições que sofreram na escola não tiveram que arcar com o apoio da autoridade escolar.

    Por estes dias li um livro chamado Eliminando Provcações, da autora Judy Freeman. Indico a leitura por ensinar técnicas contra o bullying e demais problemas de provocação. As técnicas são simples e nós, ex-crianças provocadas, podemos utilizá-las para ensinar auto-proteção aos nossos filhos no futuro.

    TAmbém li um artigo no jornal e na Veja de um engenheiro de produção com doutorado em economia que analisou o ensino nas escolas brasileiras e afirmou que ele está aquém do ensino no resto do mundo. Idem para as condições administrativas! As coordenadoras pedagógicas não estão preparadas para lidar com esses problemas. E no entanto aceitam assumir o cargo para NÃO FAZER NADA.

    CADÊ O ESTADO BRASILIERO PARA CONSERTAR ESSE ERRO CRASSO?

    P.S.: Em eral os bullies crescem e têm problemas na vida adulta. A eles falta saber viver em sociedade, e isso traz inúmeras consequências ruins para a vida desses indivíduos.

    Em geral as vítimas do bullying ficam mais precavidas contra ataques futuros e conhecem métodos para evitar ser vítima novamente. Tornam-se pessoas mais solidárias com o problema do coletivo e v~eem melhor o que está por trás das aparências.

    De qualquer forma,cidadania se aprende desde lád ebaixo. Se a escola não a ensina, nem as famílias, então teremos uma geração lamentável de adultos no porvir.

    • Deborah Sá said,

      Sim, e é incrível que mesmo hoje eu tenho de me impor senão o bullying corre solto. Seja pela minha aparência (gordinha, cabelo curto, cara de lésbica/roqueira) ou minhas ideologias (vegetarianismo e ateísmo principalmente).

  12. Lisa Wang said,

    correção: não é arcar, é contar com.

  13. Deborah said,

    N escola tambem me chamavam de feia. Quando eu tinha uns 4, 5 anos, um menino e eu nos trancamos num banheiro, fazer o que, não lembro, não lembro se fui por livre e espontanea vontade ou por livre e espontanea pressão, mas nós ficamos presos e como eramos duas crianças, começamos a agredir um ao outro, eu e ele nós batemos, nos mordemos, porque ambos eramos crianças e estavamos assustados. Como naquela musica infantil, ele saiu ferido, porem eu mais ainda. rs,rs,rs,rs…perigoso ficar presa num banheiro com uma pessoa mais forte que a gente, uiiii…

    • Deborah Sá said,

      Quando somos pequenas não entendemos muito bem as coisas mesmo…

  14. julia said,

    parabens pelo blog eu só tenho 10 anos e a minha vida não é facil mais a sua foi muito pior

  15. alicewonders said,

    e eu q era vítima da minha melhor amiga? no meu primário a turma era bem pequena… basicamente 8 alunos, sendo q 3 eram mais velhas (oq faz mta diferença nessa idade), 2 eram meninos (cuja maior diversão era me chamar de gorda, baleia, saco de areia) e sobravam eu e 2 meninas, q eramos mais proximas

    essa menina era a loirinha lindinha riquinha q todos do colégio gostavam. era sempre a noiva na festa junina, foi a oradora do C.A., etc etc

    e era minha vizinha, entao era a pessoa com quem eu mais brincava. mas quando ela resolvia implicar, ninguém segurava.

    uma vez eu tava fazendo xixi e a porta do banheiro tava sem tranca (erro do colégio), daí ela chamou as outras pessoas e abriu a porta enquanto eu tava de calcinha arriada! foi humilhante, só lembro de levantar a bermuda e sair correndo atrás dela pra puxar o cabelo e bater. mas isso pq eu já tinha sido humilhada de graça várias vezes, dessa vez eu consegui reagir

    fora que todo gordo corre menos, né? geralmente os meus provocadores corriam e eu não conseguia alcançar… fazia parte da “graça” me ver tentar correr atrás deles! dessa vez do banheiro eu contei com o elemento surpresa pq ela achou q minha reação ia ser tentar fechar a porta de volta

    depois no outro colegio, da 5ª série ao 3º ano, até q eu tentei me enturmar, mas…

    na quinta serie, eu não me enturmei. era mto bobinha e passava a maior parte dos recreios sozinha (eventualmente eu tentava me incluir em algum grupinho, oq era patetico)

    na sexta, eu fiz umas poucas amigas, mas eu era avacalhada pelos garotos, q me comparavam a elas (pra pior, claro). inclusive o garoto de quem eu “gostava”, q vivia me chamando de gorda (eu pesava 60 e poucos kilos, com 1.68m, mas por causa da tristeza de ser rejeitada e xingada, acabei engordando mais ¬¬). passei a metade do ano triste, chorando por gente q n merecia.

    aí na sétima, eu consegui me enturmar, mais ou menos, e confesso q eu debochava das pessoas q o “grupo” debochava… não publicamente, mas entre a gente. era uma brincadeira (idiota) particular. ACHO (espero) q os alvos n ficaram cientes… mas mesmo assim me arrependo disso.

    no ano seguinte, eu me afastei do grupo e voltei a ser perseguida… foi ainda pior q na sexta serie. os garotos ficavam berrando pra sala toda ouvir vários apelidos (não só relacionados à gordura). sofri muito, mas me tornei uma pessoa melhor. com a auto-estima destruída até hoje, mas…

    • Deborah Sá said,

      Sinto muito Alicewonders!

      Tive uma amiga que também aproveitava as oportunidades que tinha para evidenciar o quanto eu era mais gorda que ela, por exemplo, ela abria o meu guarda roupa e escolhia qualquer roupa e dizia “Se quiser pode usar qualquer uma das minhas também”. Ela sabia que eu não “entrava” em nada dela, inclusive porque uma vez tentei e fiquei “entalada” (o que fez ela e minha tia rolarem no chão de tanto rir).

      Espero que aos poucos fortaleça sua auto-estima, em busca de informação descobri que não era um caso isolado, não era só comigo que ocorriam esses tipos de abuso e hoje posso dizer que me sinto linda (e o que não faltam são pessoas me lembrando que estou “errada”). Por isso acho tão importante nos aproximarmos de quem nos ama e respeita, pois dedo apontado e repreensão têm de sobra.

      Um abraço,


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