8 junho, 2009

Alex DeLarge, Tony Maneiro e Capitão Nascimento

Posted in Filmes tagged , , , às 11:52 am por Deborah Sá

Quando vi o filme há uns anos atrás gostei do debate sobre a violência e como “castrar” o indivíduo pode ser (talvez) a única saída para estes jovens ultra-violentos. Violência contra violência.

Hoje basta andar pela rua e ver como as pessoas adoram o Alex DeLarge. Vestem-se em sua memória e brincam de tomar Moloko como algo mega descolado. Ele é violento, misógino e adoram.

O Tony maneiro que já falei mais profundamente aqui, também virou ícone, suas roupas e sua dança são “símbolos de uma geração”. Era referência de homem bonito pra época. Ele é violento, misógino e adoram.

O Capitão Nascimento, vi no cinema. Gostei de criticarem a passeata para crianças/jovens classe média com camisetas escritas “Paz”. Escrevi sobre a Menina Isabela aqui

Mas e o endeusamento do Capitão Nascimento? Ele apóia a tortura e é estúpido com sua esposa. Muitos adoram a cena que ele briga com a mulher “frescurenta” porque ele, tadinho, tá na flor da pele!
Fala firme e grosso o “cidadão-de-bem”, defende os valores das famílias “de bem”. Porque pra ele, favelado pode ser queimado e ter cabo de vassoura enfiado no cu, mulher pode ser torturada e asfixiada se for esposa de traficante. Ele é violento, misógino e adoram.

Três gerações, três protagonistas machos e os mesmos preconceitos.

2 Comentários

  1. marina said,

    ótimo, deh!
    depois do insuportável falatório sobre o capitão nascimento e seu repertório (não sobre o filme, que fique claro – pois tecer considerações obre uma obra toda pareceu ser difícil demais), peguei birra e não assisti. é como o “dadinho, o caralho – meu nome agora é zé pequeno, porra”, que virou a frase-chave do outro nacional – este, eu assisti e gostei bastante.

    alex delarge é ícone dos modernosos. todo mundo ama o filme. acha cult ter camiseta com a capa do dvd. incrível como sempre fica o pior das obras, né?, não o que pode ser tirado de bom…
    eu tenho uma cópia do livro, com um dicionário nadsat. é doloroso de ler, é horripilante de assistir (no fundo fiquei toda orgulhosa do namorado, quando se recusou a continuar vendo o filme quando começou a cena de estupro do começo). mas foi feito assim por uma razão – que parecem não captar…
    sei que há diferenças entre o livro e o filme, mas como assisti uma vez só, não pude comparar novamente depois de ter lido… enfim… acho que uma das maiores pragas da nossa geração são os “modernos”… estes que só fazem pegar as mesmas coisas de décadas passadas e espalhar por aí com outra roupa.
    coloquem esses moderninhos em frente à cena de estupro anal e desfiguração de 9 minutos que há no “irreversível”. melhor: como trilha, além dos pedidos de socorro e gemidos nojentos, deixem suas músicas favoritas. e repitam a cena várias vezes. quem sabe funciona… vai ver burgess tinha alguma razão…

    tony manero, coitadinho… ele era o esquecido, o desconsiderado pela família. nunca era bom o bastante, o bode expiatório. depois de tão reprimido, ele tinha que achar uma maneira de ser reconhecido, né? *carinha triste*
    mais uma vez, só o medíocre fica da obra toda. o mais fácil de ser diagnosticado e deglutido: ele dança. ele dança bem, ele é o rei da pista. e pronto. o filme, que tem um bom enredo e motivos (já salientados por você) para ter virado alvo de grandes discussões – algo muito além da fraca viagem aos embalos de sábado à noite que persiste até hoje.

    lamentável.

  2. Roy Frenkiel said,

    Isso parece caracteristico da homogenia patriarcal, Deborah, mas gracas a mulheres como voce e pessoa, no geral, que estao mudando a mente devagar e sempre, as coisas ainda podem mudar.

    bjx

    Roy


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