5 junho, 2009

Memórias

Posted in Egotrip às 4:20 pm por Deborah Sá

Ao ler O Segundo Sexo – Segundo Volume, pude relembrar muitas memórias. E para que não se apaguem da memória, transcrevo aqui:

Lembro claramente de desejar um “eu adulto” aparecer para “eu criança”, bem semelhante aquele filme “Duas Vidas”, essa “Deborah” adulta era linda (magra), independente e tinha um namorado. Ela era imensa, me sentia pequena perto dela, se ajoelhava com seu terno preto perto de mim, colocava a mão na minha cabeça e dizia “Viu? Como tudo deu certo?”

Eu desejava toda essa coragem que sinto hoje.

Lembro de chorar muito no dia da minha primeira menstruação, achava que estava morrendo com uma hemorragia. Sim, eu sabia o que era menstruação, mas não que aconteceria em um dia sem avisar. Depois que minha tia me contou, morri de raiva. Senti MUITO nojo do meu corpo, um asco gigante. Isso não se deve ao fato do sangue, já odiava meu próprio corpo antes disso.

Aliás, quando foi que comecei a odiar meu corpo? Acho que foi logo que engordei aos 7, os apelidos e chacotas, as roupas que não entravam e pra finalizar o mais emblemático dos meus dias. Com meu avô.

Quando foi que me amei? Acho que aos 5 ou 6 quando meu coquetismo foi mais expressivo em fotos com óculos escuros engraçados. Achava-me linda e fazia caretas.

Quando foi que tive coragem? Certamente não foi quando as outras crianças brincavam de escalar e eu com medo não ia. E todo mundo me elogiava por eu ser quietinha “Ah! A Deborah sempre foi feminina/delicada”. Eu não sei andar de bicicleta, nunca escalei uma árvore. Desde que me lembro “criança”.

Já tentei adotar uma formiga, ela morreu quando eu dei um beijo nela. Chorei muito, idealizava seu crescimento em um pote de maionese que eu limparia com muito carinho para alimentá-la com folhinhas. Tudo muito rápido, tudo em vão. Aos 7 ou 8

Dois vizinhos me chamaram pra um aniversário, eram irmãos. Tinham uma prima também. Ao me chamarem para o quarto eu fui, a luz estava apagada, sei que um deles “pegou” a prima, outro me tentou “pegar”, todos faziam “qui qui qui” dando risada, eu fiquei apavorada, fugi dos braços dele, esmurrei a porta e fiz um escândalo. Os meninos abriram a porta desesperados dizendo “Não conta nada pra minha mãe”. Pois é, não contei. Aos 10.

1 Comentário

  1. Raiza said,

    Simone de Beauvoir é simplesmente magnífica!Estou lendo o segundo volume do segundo sexo.Quando li a parte da menstruação me identifiquei muito.Eu fiquei simplesmente revoltada quando menstruei pela primeira vez.Eu sabia o que era.Minha mãe já tinha contado.Mas me deu muita, muita raiva.Porque eu sabia que era aquilo que me tornava mulher.E eu não queria ser mulher,essa “coisa” que todos depreciavam.Eu queria simplesamente ser adulta.Mulher não.
    Hoje eu me arrependo de não ter sido mais “selvagem” na minha infância,devia ter subido mais em árvores,brigado mais.Essas coisas.Mas acho que ainda é tempo.Ainda me imagino subindo nas árvores,me sujando,sendo livre.
    Obs:Vi agora que você me linkou.E na parter do feminismo!Muito obrigada,fiquei muito honrada.


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