4 maio, 2009

Baixio das Bestas

Posted in Filmes, Gênero tagged , , , às 11:27 am por Deborah Sá

Há cenas violentas e alguns diálogos interessantes, mas pelo modo como as cenas são postas o significado torna-se dúbio. Se a intenção é denunciar essa exploração patriarcal escancarada, qual é a razão em mostrar corpos de maneira sexualizada? Ainda mais quando não há o mínimo propósito com a trama? Estão lá as denúncias, mas sem o menor sentido invade a tela uma mocinha com corpo pré-púbere tomando banho no riacho, depois outra depilando a vagina. Ou ainda, grandes closes de bundas e peitos de putas que se animam pra orgias. Tem aquele aspecto “é violento e você vai ficar de pinto duro mesmo assim”. O Yuri reparou outro aspecto: O puteiro era composto basicamente de mulheres “gostosas”. Como em um puteiro “no meio do nada” tem mulheres assim? Nenhum segundo daquele filme me fez sentir excitada. Devo isso a minha formação como mulher, não engulo essa encenação de violência pornográfica como estimulante. Por minha história de vida. Em ouvir tantas histórias de violência com mulheres próximas a mim. Isso inclui as que são chamadas de “putas” e não representarem a moral exigida enquanto sua violência é silenciada.

3 Comentários

  1. Que filme é esse? Já nem quero ver!

  2. Letícia Fonseca said,

    Então, mas será que o filme não tem um propósito.. veja isso:

    Um crítico na Holanda, um dos fundadores do Festival de Roterdã, me disse: “Quero te agradecer porque você me fez enxergar o quanto eu sou também filho da puta. Por alguns momentos desejei aquela garota de 15 anos que estava na tela. O filme, para mim, é bom também por isso, por me mostrar que eu tenho um lado podre” (palavras de Cláudio Assis)

    • Deborah Sá said,

      Letícia, não compreendi dessa forma, se fez alguém refletir, ótimo. Mas acredito que há outras formas de abordar o tema para se chegar nessa reflexão.


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