29 maio, 2009

Guerra

Posted in Desabafos tagged às 10:59 am por Deborah Sá

As palavras “guerra”, “tortura” e”ditadura”, me fazem pensar justamente nisso.

005

Clique aqui para ampliar

22 maio, 2009

Indício

Posted in Historietas às 2:08 pm por Deborah Sá

Josefina estava esfregando o chão na terça-feira. O pequeno passou de patins por entre a sala.

– Ô Jôse! Faz um chocolate pra o menino por favor?

Largando o esfregão lavou a mão e enxugou no vestido florido. Feito em amarelo e cor-de-rosa, o tecido era leve e dava mesmo pra notar a fisionomia corpulenta que se desenhava em tantas curvas arredondadas. Josefina contava 57 anos, seus cabelos eram brancos e compridos em um coque. Com seu andar que lembrava um pinguim,  via-se aquele corpo caminhando no corredor. Pés levemente arrastados e meias finas curtas, um pouco desfiadas nas laterais. O pouco que se via das suas batatas, eram as veias azuladas de varizes distribuídas de maneira espaçada.

– Jôse, você joga videogame?
– Menino, eu não sei dessas coisas não. São muito caras.
– Não são não, toda vez que eu quero um meu pai me dá, quer que eu peço pra ele? Aí você pode ter um também.
– Não, obrigada viu menino? Mas olha, lembra sempre que você tem muita sorte!
– O que você faz quando sai de manhã?
– Eu vou no mercado, faço feira. Essas coisas.
– Eu posso ir?
– Acho que não tem problema não.
– Eu posso levar o carrinho?

As rodinhas se arrastavam e o pequeno demonstrava alguma dificuldade em descer as calçadas com o carrinho. Josefina ficava contente em ter companhia. Aquele quartinho era mesmo solitário.

– Eu quero de pizza!
– E pra senhora?
– Eu quero os de vento mesmo. E um caldo de cana.

Sentaram cada um em um banco. O garoto olhava intrigado para o modo que ela comia: Segurava o pastel com as pontas dos dedos, mordia, recheava com a salada. Ao limpar os cantos da boca fazia um biquinho engraçado enquanto passava os dedinhos gordos pra limpar.

– Cuidado que está quente!
– Eu agüento!

Ele mordeu com cuidado e puxou a cabeça pra trás pra fazer aquela “liga” do queijo. Começou a abanar a boca em um gesto frenético.

– Tá -(assoprando com força o pastel) um pouco…fuuuuuu…quente.  Dizia com um sorriso e as bochechas rosadas. -Quer?

– Não menino, obrigado, é muito gorduroso pra mim, queijo tem muita gordura, não tenho idade pra isso.
– Olha Jôse! Que vestido bonito!
– É, mas é de menina.
– Claro, todo vestido é de menina! Mas é mesmo bonito…Jôse…(falando baixinho) você me dá uma boneca?
– Acho que não tem problema não.

Ele correu para o quarto e bateu a porta eufórico, suas mãozinhas suavam pra abrir a embalagem. Ele cheirou a cabeça da boneca e esse era um dos melhores cheiros adocicados que sentira. Sabia que era isso que ele queria. Por toda a sua vida, até o fim. Cães e gatos rolando no chão, giz de cera nas paredes e massinha incrustada nos tapetes, ele queria muitos bebês, ele queria ser mãe.

20 maio, 2009

Star Trek

Posted in Filmes, Papo Nerd tagged , , às 12:13 pm por Deborah Sá

Geralmente os filmes de ficção científica despertam em mim uma leve e/ou profunda sonolência, os de ação também. As grandes sequências de ação me fazem pensar: “Estão tentando me impressionar com estas explosões pra compensar o roteiro fraco que vem por aí”. As cenas de batalha de naves e seus “ziun ziun ziuuum” com músicas épicas empolgam a maioria das pessoas. Mas não me surpreende. Quase sempre parece “Yeah! Vamos despertar o sentimento de brincar de espadinha!!”. O Kirk será o personagem queridinho da maioria teen. Ele é loiro e tem olhos azuis, é garanhão e daquele tipo “pernalonga” que engana os outros e sempre se dá bem, mas que no fundo tem princípios como honrar o nome da família. A trama dele é muito centrada nestas questões de honra familiar. A cena inicial do filme é o pai dele salvando a mulher e o filho da morte, isso bem na hora que esposa estava em trabalho de parto (com direito a trilha sonora de violino). As mulheres são reservadas a esfera privada da nave. Elas não lutam, não são bravas, apoiam e aconselham ao longe, usando mini-saia (menos as mães). As únicas mulheres na trama são:

* A negra (par do Spock) que o apóia e demonstra personalidade forte, mas não entra em conflitos com ninguém. Usa chapinha e colocaram-na de calcinha e sutiã em uma cena absolutamente desnecessária.

* Uma moça verde que aparece de calcinha e sutiã dando uns amassos no Kirk

* A mãe do Kirk em uma aparição relâmpago no início do filme e a mãe do Spock que o apóia serenamente.

Mesmo Star Trek utilizando os artifícios clichês da ficção científica, me cativou. E qual o diferencial? O Spock. Ele é mega charmoso e o melhor personagem do filme. Filho de um Vulcano com uma humana e visto como impuro, precisa se esforçar em dobro pra ser reconhecido. Os Vulcanos sentem as emoções de forma mais intensa que humanos, são lógicos e extremamente racionais, evitando dar vazão aos sentimentos. Outro ponto positivo é o lado humano de Spock e Kirk. Spock mesmo racional, perde a cabeça e Kirk mesmo impulsivo e egoísta mantêm a cabeça fria em alguns momentos que exigem isto. Eu gosto de personagens que não são uma coisa só.

Nota 6,5 se analisar ele como filme, independente do gênero. Nota 9 se analisar ele como filme de ficção-científica.

12 maio, 2009

A Borracharia Hutt

Posted in Filmes, Gênero, Papo Nerd tagged , às 10:55 am por Deborah Sá

Eu gosto de Star Wars. Não me considero fã, mas vejo um potencial interessante no universo expandido. É primordial ter em mente que Star Wars não tem um viés revolucionário e libertador. É entretenimento, money, money… Ao contrário de muitas pessoas, o que eu gosto não são as lutas, os efeitos especiais ou as trilhas sonoras épicas das batalhas. Gosto da filosofia e dos poderes da força. É um retrato do tempo em que foi escrito. Portanto 99% dos personagens importantes são homens. Aí você diz: E a Leia? E a Padme? E a Aayla? E a convivência entre as raças?

Eu respondo:
1 – Se colocar em uma balança, há muito mais homens.
2 – Sim, as personagens femininas lutam, matam, mas nunca tem o mesmo peso na história que os personagens masculinos.

Abaixo, continuação da trilogia de posts sobre Star Wars :D

As Bruxas de Dathomir

Posted in Filmes, Gênero, Papo Nerd tagged , às 10:53 am por Deborah Sá

Aprenderam a usar a força e tratavam os homens como propriedade, mas quatro anos depois da Batalha de Endor, Han Solo ganhou o planeta Dathomir em um jogo de Sabacc do Warlord Omogg, descendente de Gethzerion. As aventuras subsequentes de Han no planeta resultaram na destruição das Nightsisters e das forças do Warlord Zsinj. Dezenove anos depois de Endor, uma nova ordem de Nightsisters, embasada no Grand Canyon, emergiu em Dathomir. Este clã, que se aliou ao Império, fundado pelo ex-aprendiz de Luke Skywalker, Brakiss, tratou os machos como iguais às fêmeas e enviou os seus melhores estudantes da Força para que fossem treinados na Academy Shadows Of The Empire.

Owwwwn que bonitinho *__*
Elas foram colonizadas! Mas ninguém fala de mulheres que lutaram contra a galáxia patriarcal para que homens e mulheres fossem tratados de maneira igualitária. Afinal, com tanta confusão acontecendo na galáxia, ninguém ia ter cabeça pra lutar contra isso ;)

Leia Slave

Posted in Filmes, Gênero, Papo Nerd tagged , , às 10:51 am por Deborah Sá

Não adianta. Não acredito que colocaram a Leia de biquíni pelo contexto Hutt, foi pra erotizar mesmo. E foda-se que ela mata o Jabba enforcado, ela fica de biquíni não porque quer, é uma vestimenta imposta, uma vestimenta de escrava. E se o propósito era “uma denúncia patriarcal com a vingança de uma mulher” não colou não. Porque até hoje, milhares de pessoas acham super sexy ela vestida de escrava. E se uma moça vai de Leia “escrava”, todos os homens fazem aquele barulho conjunto característico de assédio. Não importa o quanto a personagem tenha personalidade. Sempre encontram um modo de erotizar sua imagem (o mesmo não acontece com personagens masculinos, por que uma pose de heroína é com a bunda virada para a câmera?).

Já fui em dois eventos de Star Wars (o Jedicon), as réplicas são legais, algumas apresentações também. O que fode é o frenesi quando passa uma moça caracterizada como Leia Slave, os muitos chaveiros, imãs de geladeira e toda quinquilharia dela como escrava. E nisso os homens apontando: – Ahãããã, olha que legal, a Leia Slave ahãããããã *baba*

Na verdade esse vídeo me deixou tão brava que senti um aperto no peito. Hum, melhor descrever como ódio. Sim, me deixou com ódio. Porque pegam um sujeito calvo e barrigudo (tomando cerveja) e colocam duas gostosas pra brigarem por ele, com sabres de luz.  E dá-lhe cortar os pedacinhos da roupa pra deixarem elas só de calcinha. É uma ofensa ao modo Jedi de vida. Porque sinceramente, espero mais que um pinto no lugar do cérebro do Obi-Wan Kenobi  Help me Obi-Wan Kenobi, You’re My Only Hope!

São bundas, não importa se você tem a força woman! A construção dos gêneros é mais forte. A próxima vez que eu entrar em um recinto macho-nerd a sensação será de uma borracharia com posteres da Leia Slave, Tomb Raider e Rei Ayanami.

O vídeo que me inspirou os posts:

11 maio, 2009

Confissões de Mãe

Posted in Gênero, Só falam nisso tagged , , às 2:13 pm por Deborah Sá

Alguns blogs têm citado as declarações de Maria Mariana. Confissões de Adolescente, se não me engano, foi um dos primeiros livros “adultos” que li. E hoje as declarações mostram uma mulher que acredita em argumentos biológicos de superioridade masculina e das funções maternais. Triste. Defendo o direito de escolha,  isso inclui o de uma mulher ser dona de casa e gostar disso. Mas afirmar que “mulher que é mulher de verdade considera lavar cueca aprendizado, não faz cesárea, tem muitos filhos e não tem depressão pós parto” é de lascar. Fico pensando na educação que ela dará para suas filhas meninas: Roupinhas cor-de-rosa, panelinhas pra ser dona de casa e bonecas pra treinar a função biológica suprema: Parir.

5 maio, 2009

Alimentando o Capetalismo

Posted in Consumo às 10:26 am por Deborah Sá

É. Não resisti um impulso consumista. Estava a procura de um sapato que não machucasse meu amado pé. Isto é muito raro. Não uso saltos por menores que sejam, nem nada de bico fino ou que pegue no meu calcanhar, coisa muito comum em sapatos baixos com cara de sapato social. Então olhei uns que eram uma graça e pedi para experimentar, bonitos, mas apertaram atrás do meu pé só de colocá-los. Ao lado avistei uns bem confortáveis. E vesti. *Ohhhhh* uma luz iluminou meus pés, os anjos tocaram trombetas. Lá estavam os sapatos perfeitos. Andei e gentem! ALOKA!

Queria um de cada cor. Mas só peguei um. E achei mega caro R$ 70,00!
É uma mistura de sapato com meia, o que reduz a durabilidade. Mas eles são lindos e inacreditavelmente macios.

Um loosho.

O meu é assim *_*

4 maio, 2009

Baixio das Bestas

Posted in Filmes, Gênero tagged , , , às 11:27 am por Deborah Sá

Há cenas violentas e alguns diálogos interessantes, mas pelo modo como as cenas são postas o significado torna-se dúbio. Se a intenção é denunciar essa exploração patriarcal escancarada, qual é a razão em mostrar corpos de maneira sexualizada? Ainda mais quando não há o mínimo propósito com a trama? Estão lá as denúncias, mas sem o menor sentido invade a tela uma mocinha com corpo pré-púbere tomando banho no riacho, depois outra depilando a vagina. Ou ainda, grandes closes de bundas e peitos de putas que se animam pra orgias. Tem aquele aspecto “é violento e você vai ficar de pinto duro mesmo assim”. O Yuri reparou outro aspecto: O puteiro era composto basicamente de mulheres “gostosas”. Como em um puteiro “no meio do nada” tem mulheres assim? Nenhum segundo daquele filme me fez sentir excitada. Devo isso a minha formação como mulher, não engulo essa encenação de violência pornográfica como estimulante. Por minha história de vida. Em ouvir tantas histórias de violência com mulheres próximas a mim. Isso inclui as que são chamadas de “putas” e não representarem a moral exigida enquanto sua violência é silenciada.