26 março, 2009

Os prejuízos em nascer bonita

Posted in Gênero tagged , às 3:25 pm por Deborah Sá

Não, o post não é autobiográfico :P

Você já reparou como as pessoas (em especial mulheres) são tratadas de maneira diferente quando são bonitas? Quando uma mulher bonita entra em um local as pessoas sorriem, é aquele “ô abre alas”. Mas essas mulheres não são ofendidas ao serem subestimadas? Pensando agora em mulheres loiras, que vestem rosa, usam maquiagem e todos os artifícios da feminilidade que desejam.  Seja pra a representação de patricinha ou a de femme-fatale:
Em especial as loiras carregam um estigma de estupidez e frivolidade. Este último é usado quase que exclusivamente a mulheres. Nunca vi ninguém xingar um homem de fútil. Na vida escolar o tratamento dispensado á meninas bonitas é discrepante. Talvez quem não me conheça pense: “Hum, foi zoada por ser baranga e tem inveja*”.

Muitos homens ficam “babões” sorriem de um modo estúpido e pelas costas falam coisas asquerosas como “Nossa! Espanhola hein?”. E isso não difere na classe social, cansei de ver homem barbado e engravatado falando merda como essa. Tem gente que poetiza esse espírito “punheteiril” e canta “Garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos” (pausa para gorfar).

Se formos maternais: Ganhamos presentes pra casa, menções honrosas de dotes culinários e reconhecimento como “uma mulher de valor”.  Mas nunca seremos “sexy”. Se formos sensuais: Somos provocantes. E dá-lhe método de coerção e constrangimento no assédio público. Seria muito pedir reconhecimento como indivíduo? Não, não seria. Mulher, faça sua voz ser ouvida. Escolha! Lute!

Mesmo que te chamem de histérica pelo tom de voz, de fútil por seus interesses estéticos (que hipocritamente adoram em outras), que duvidem de seu potencial intelectual. Não há gigante que resista a fúria.

5 Comentários

  1. avalhem said,

    Eu acho que é efeito de pensar em “homens” e “mulheres” e não em pessoas.

    Texto interessante, Deborah.

  2. whothehelliscely said,

    Ótimos posts como sempre. Eu concordo plenamente que as mulheres “bonitonas” são subestimadas, a começar pelo padrão que seguem para atingir o status estético. Outa coisa engraçada é o quão baixa é a auto-estima dessas mulheres, as pessoas imaginam o contrário mas na verdade elas sofrem uma pressão enorme e muitas vezes se detestam sem nem saber o porque. É muito complicado falar disso exatamente porque chove gente pra dizer que é inveja, isso é loucura mesmo, querem nos calar com um argumento infantil.
    Só um observação, a questão de só brigar com quem firmou o compromisso, na minha opinião eu também tenho como princípio nunca procurar um relacionamento com alguém quando isso custa a traição da confiança de uma outra pessoa, acho que é legal a gente fazer a nossa parte de respeitar o compromisso dos outros, e , porque não, ajudar as mulheres revelando a tentativa de traição do companheiro. Só depois de cientes é que elas adquirem o direito de escolha, que é meu objetivo para todas.

    Beijo, pequena!

  3. Características de uma sociedade do espetáculo. Valorização da imagem por relações (humanas e sociais) instantâneas. Como a aparência é o primeiro contato visual que temos sempre de alguem é muito mais confortável a identificação da beleza (nos padrões impostos pela época) com o que o individuo venha a ser, do que a preocupação com o que esse indivíduo é na realidade. Nesse aspecto, mulheres são as maiores vítimas, somado a diversos outros fatores fundamentados na cultura patriarcal. Imagem é tudo, atitude não é nada. Mas nem sempre vitrines convencem !!

  4. Valkiria said,

    Déborah!

    Olha eu aqui escrevendo outra vez! juro que nao estou obcecada! rsrs

    É mais ou menos a história do patinho feio que (infelizmente) virou cisne.

    E sou loira , tenho olhos azuis, 1,65m e sou magra. Não, não é um anuncio de “massagem”.

    Quando eu era criança eu realmente era muito desajeitada, pentear o cabelo era algo que nunca passou pela minha cabeça e pra contribuir eu era incrivelmetne magrinha e dentuça. Sem falar nas olheiras e no gosto por roupas ultra coloridas (na época não existia o Restart, roupas coloridas não eram cool)

    O colégio foi um pesadelo, dos apelidos o melhor era “Alien”.
    De repente dos 14 aos 15 tirei o aparelho ortodôntico (que usei por 5 anos) aprendi a me pentear e me vestir “de acordo”, a natureza ajudou um pouquinho e tudo mudou.
    Nada mais de chicletes colados no cabelo, nada mais de cabelos cortados durante a aula. Não que os meninos de fato falassem comigo, mas só por pararem com isso ja estava otimo.

    Aliás, este é outro ponto. Eu não dava a mínima para os meninos, até por que, desde os 6 anos eu sei que gosto de meninas, mas elas tbm nao me davam bola.

    Então imagina… loira, feminina e lésbica.
    Não é uma combinação muito popular no mundo gay. Já perdi as contas de quantos “nãos” ja levei por que as meninas simplesmente “não gostam de loiras”. Ou então: “Você nem parece gay”. (Ah tá, desculpa)
    Confesso que ja aderi a tinturas castanhas (inteligencia artificial, como falavam alguns), mas era muito trabalhoso repintar todo mês, então desisti e assumi minha despigmentação com orgulho.

    Sim, ser “bonita” (ou estar no padrão) ajuda um pouco.
    Sim as pessos sorriem mais pra vc. Só.

    Por outro lado vc tem que provar a todo momento que é capaz de pensar. Como se uma coisa excluisse a outra. E quando vc fala uma coisa inteligente as pessoas fazem algo como: Oh! Ela pensa!!!

    A todo momento tenho que mostrar que não sou frágil, que não sou burra, que não estou ao dispor e que ser a esposa de algum cara não é meu objetivo de vida.
    Há até aqueles que se surpreendem quando descobrem que eu sei dirigir (realmente uma mulher que dirige é algo impenssável).

    Enfim, gostei de encontrar esse seu texto por aqui, me senti de certa forma compreendida.

    * Nossa! Acabei escrevendo uma carta! Isso nem é mais um comentário, já esta parecendo uma redação! rsrsrs

    =)

    • Deborah Sá said,

      Sinta-se a vontade Valkiria =)

      Uma das partes mais bacanas de ter o blog é sentir esse retorno de quem me lê, aprendo muito nos comentários, são diversas vivências compartilhadas por pessoas com experiências diferentes, isso é enriquecedor!

      Quando as pessoas se juntam para analisar uma situação é possível encontrar outras interpretações, então agradeço seu comentário e sempre que quiser manifeste sua opinião (mesmo que discorde da abordagem, esse blog tem seu subtítulo por uma boa razão).

      Um abraço,


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