11 fevereiro, 2009

O Matador

Posted in Filmes às 4:24 pm por Deborah Sá

Assisti ontem a noite o filme “O Matador” do Pedro Almodóvar. Achei alguns trechos com tiradas fantásticas e outros bem óbvios (o final é previsível demais, seria a intenção)?

Parece que o Almodóvar tem uma preocupação em incluir mulheres nas suas tramas, isso é ótimo, pois há aquela regra dos bons filmes:

* Ter mais de duas mulheres

* Que conversem entre si

* De um assunto que não sejam homens

Falo preocupação em “incluir” porque quase sempre os protagonistas ou vilões são homens e os papéis femininos são reduzidos em honra a feminilidade, ou “Prêmio Consolação”.

Mas nota-se em “O Matador” o fetiche da morte. Eu, em minha mentalidade ocidental tenho nojo de tripas, sangues e esperma. Mas tem muita gente por aí que é fã desse gênero, também conhecido no hentai como “Guro” (espécie de snuff movie, mas com traços de anime) . Não estou falando que “taras estranhas” devem ser tabu mas acredito que nossas preferências sexuais são o reflexo de como entendemos nosso universo particular.

Sinto-me ofendida quando ouço alguém que se excita com a violência, levando ainda em consideração, que a maioria das cenas de dominação envolve a mulher como o alvo. Lembro de sair da VON (comunidade nerd que participei por um longo tempo), pois li entre outras barbaridades: “Não sou tão contra o estupro assim”, “A mulher que se mostra, mostra tanto para um cidadão de bem (medo O_O) quanto para um maluco”, “Tesão na cena da Bellucci (se referindo a cena de estupro de Irreversível)”. É, fico ofendida mesmo, ao ponto de sair da comunidade que tinha meia dúzia de gente bacana por uma esmagadora maioria de garotinhos que berram: “Ah, sou tão Tr00! Coloquei esperma na válvula que dá descarga do shopping!”. Tem gente que adora os argumentos “biológicos” (testosterona é o preferido destes).

Mas voltando ao filme…é interessante como o assédio e o estupro são retratados. O Antônio Bandeiras tenta provar ao seu mestre toureiro que é macho, pra isso “tenta estuprar” a namorada do instrutor. Ele a arrasta para um beco e ameaça com uma faca, o instrutor vai até a polícia e denuncia o crime, mas a moça em questão resolve não prestar queixa:

Delegado:  Ele a estuprou?

Moça:  Não, tentou, gozou nas pernas.

Mãe da moça:  Isso não foi estupro, ela já teve outras tentativas de estupro outras vezes….três ou quatro?

Moça: Três.

E o interessante é que essa personagem é tão conformista que ela fala na maior naturalidade. Há momentos em que ele deixa claro que mulheres podem ser tão impulsionadas pelo tesão quanto os homens.

[SPOILER PULEEEEE]

O Antônio Banderas absorve sensações e “solta elas” em uma angústia profunda. É como se absorvesse as “culpas” do mundo e não tivesse controle sobre seu corpo. É óbvio que eu condenaria os atos dele com a moça. Nada de “peninha dele ” tem moças que tem sorte-trecho do filme-“)

[FIM DO SPOILER PODE CONTINUAR]

Outro ponto positivo nos filmes do Almodóvar é que ele despe os homens, não só as mulheres. As mulheres que retrata parecem muito com as histórias de nossas mães, tias e também com nossas próprias vidas.

1 Comentário

  1. Não cheguei a ver “O Matador”, de Almodovar conheço muitos outros que sempre valorizam a atuação da mulher no cinema. Alias é uma marca dele, sempre prestigiar personagens femininos, livre de preconceitos e regras pré-concebidas pela industria do entretenimento.

    Não vou comentar do filme porque quero vê-lo ainda. Mas sobre essa relação do estupro é uma ofensa social, um lapso mental e moral considerar em qualquer espécie uma violência dessa algo natural. Não posso conceber que existem pessoas em “sã consciencia” que defendem ou sentem tesão com isso.


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: