26 fevereiro, 2009

Amizade entre mulheres

Posted in Gênero tagged , às 1:42 pm por Deborah Sá

Que meninos são criados para não esboçar muito afeto, é perceptível a todos. Mas o que me fez pensar, foi a relação afetiva na amizade feminina. Os meninos quando vão se cumprimentar, batem uma mão contra a outra, dão tapas ligeiros nas costas e o contato logo pára. Agora meninas não, meninas dão longos abraços, beijos no rosto, andam de braços dados na rua, em alguns casos, tomam banho juntas. Por que o afeto não é temido por meninas?

Uma hipótese, seria a de que carícias femininas não representam nenhum tipo de ameaça as funções sociais, uma menina não engravida outra, nem pode violá-la, por não possuir pênis.

É comum que em relações lésbicas perguntem quem “é o homem”, não conseguem desvencilhar a idéia de poder e de “marcar propriedade”, que o membro genital masculino representa. Sendo assim, não há o que temer em carícias entre mulheres, pois elas nunca serão “completas”, sempre faltará algo. E este algo é o que só um homem pode proporcionar.

Será que se talvez os homens tivessem essa liberdade de trocarem afagos entre si, nossa sexualidade seria mais liberta? As relações não seriam majoritariamente monogâmicas? Penso que provavelmente por esta razão, os homens (em geral), não consigam separar o afago da carícia erótica, pois, todo o seu corpo é induzido a pensar que os carinhos que recebe além dos da sua mãe, são intencionados por motivações sexuais.

Já as meninas (em geral), buscam por afagos como um tranqüilizante, uma proteção, paz. São hipóteses, mas fazem sentido até certo ponto.

Sei que é errado tirar conclusões baseando-se em sua própria biografia, mas eu noto que meus pensamentos são muito similares com de outras mulheres que me cercam, há um parâmetro “comum”, é neste que me baseio.

4 Minutos

Posted in Filmes tagged , às 1:41 pm por Deborah Sá

Sinopse: Uma senhora dá aulas de piano na prisão feminina, e descobre em uma moça “problemática” um talento incrível.

Filme contagiante! Sabe o Billy Elliot que quando acaba te dá comichões pra que dance? Aquela energia que a música dá em entusiasmo? É essa a sensação do filme, além da moça que protagoniza o filme ser muito bonita *__*

Vermelho como o Céu

Posted in Filmes tagged , às 1:40 pm por Deborah Sá

Sinopse: Narrativa (verídica), de um garoto italiano que ficou cego quando criança em uma época onde crianças cegas eram enviadas a escolas próprias, impossibilitando que estudassem com crianças consideradas “normais”. Encontrando um gravador, ele narra histórias e incorpora elementos sonoros com as opções que a ocasião lhe proporciona, o chuveiro por exemplo é utilizado pra representar a chuva.

É lindo, chorei T_T

É daqueles filmes que falam sobre os sentidos, a poesia dos ventos e do sol que aquece devagar. Uma coisa meio Amélie.

16 fevereiro, 2009

Canibalismo

Posted in Animais, Só falam nisso tagged às 4:06 pm por Deborah Sá

Eu não me choco com notícias que ouço de antropofagia pro aí. Não na maioria deles. O complicado do caso noticiado é que não há como saber se houve acordo, aparentemente não houve, então, deve ser punido. Que mal faz comer outro humano se ele concorda? Se ele vê nisso um ritual religioso? Se os envolvidos concordam? Pior é pegar um bicho que provavelmente quer viver solto, matar e comer ou pagar pra isso.

Trotes violentos

Posted in Só falam nisso tagged às 4:03 pm por Deborah Sá

Essa aí é uma prática que eu vejo como imbecil. Ainda mais quando é carregada de violência. Já é estúpido raspar a cabeça, comer cocô ou qualquer outro ritual para aceitação em um clã, forçar esses ritos é grotesco.

Não tão fora do assunto assim… Vi na televisão que a moça acusada de jogar creolina em algumas pessoas era gordinha. E pensei imediatamente no alvo de ódio que ela se tornou e de como ele é refletido nos valores negativos que se tem pela aparência. Por exemplo: “Ah, tinha que ser uma gorda, bolufa invejosa, tem que ser morta, torturada, estuprada, currada….”

Se fosse um cara negro iam descer a lenha também, claro que dentro dos seus confortáveis apartamentos, longe da opinião pública, guardados por um dos privilégios do anonimato da massa: Todo mundo sabe o que muita gente pensa, mas finge que não.

PS: Lembrando que não tenho nada contra quem raspa a cabeça, só acho bobinho fazer isso pra entrar em um grupo.

Mais sobre neonazi

Posted in Gênero, Só falam nisso tagged às 4:02 pm por Deborah Sá

Há muitos boatos de que a jovem atacada na Suíça tenha forjado o ataque e não estava de fato grávida. Surgiram então algumas dúvidas:

1 – Alguém pensou na possibilidade da moça acreditar que estava grávida, crescer a barriga, sentir sintomas mas não fazer exames que comprovam a gravidez?

2 – Notei que muitos frisam ao descrevê-la que a moça “era de família”. Quer dizer que se ela não tivesse a conduta de boa moça merecia agressões ou estas seriam vistas como não tão graves?

3 – Será que se fosse um homem ele teria mais créditos em ser ouvido?

4 – E por último: Será que se fosse um estrangeiro aqui no Brasil, o nosso governo medroso pensaria em processá-lo por tentar enganar a nação e vender a idéia que ele é um país violento?

13 fevereiro, 2009

Ataque neonazista

Posted in Gênero, Só falam nisso às 10:12 am por Deborah Sá

A polícia de Zurique fez um apelo a testemunhas, nesta quinta-feira, para esclarecer as circunstâncias nas quais a advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, teria sido vítima de um ataque neonazista em uma estação de metrô do subúrbio da cidade.

A jovem contou à polícia ter sido atacada na segunda-feira por “três homens desconhecidos”, que a agrediram, antes de retalhar seu corpo, informou a polícia, em uma nota, acrescentando que as letras SVP foram inscritas com faca no corpo da vítima. Essas são as iniciais, em alemão, do partido da direita populista, o Schweizerische Volkspartei, notoriamente xenófobo.

“Na segunda-feira à noite, em 9 de fevereiro de 2009, a polícia de Zurique foi chamada à estação de Stettbach, onde uma jovem foi encontrada com talhos de faca no corpo”, explicou a polícia.

Fonte

É…eu ainda estou chocada! Soube pelo blog Escreva Lola Escreva. Imagina ter seu corpo marcado dessa forma? Li também no blog da Lola algo que nunca tinha pensado sobre: Já notou que os ataques as mulheres quase sempre são em partes que representam o feminino? Seios, barriga, coxas?

Estou pasma…

12 fevereiro, 2009

A Culpa

Posted in Desabafos às 10:52 am por Deborah Sá

(essa é uma reflexão depois do post que fiz ontem)

É de se pensar como algo se torna uma violação e como isto é relativo pra muitas pessoas. Eu condeno um homem que viola uma mulher não importa se é um distúrbio, uma “recaída da carne”, uma busca por provar que é macho ou qualquer outra “motivação”. Se ele não matou a moça, ela não se torna sortuda! “Ah, sorte sua que ele não te matou”. Duvidam muito que um homem bonito seja um estuprador já que há uma associação entre beleza e disponibilidade de pretendentes ávidas. Imagino o quão doloroso é para uma moça “feia” ser estuprada, há quem acredite que ela devia se envaidecer já que alguém demonstrou desejo por ela, ou simplesmente, não acreditam no relato (!).

É incrível como culpam a vítima, ao ponto de sentirem pena do agressor: “É coisa de amor”, “Ela que estava bêbada sabia do risco”, “A roupa era provocante”, “A ocasião faz o ladrão”.

Até que ponto somos inocentes? A culpa é nossa quando “cumprimos ordens”? De um superior? Dos nossos pais, chefes, líderes religiosos? É necessário quebrar certos elos hierárquicos em nome dos próprios princípios?

Em Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (filme lindo *-*), o personagem do Jim Carrey quando criança mata um passarinho graças a pressão de alguns colegas, chora.

E eu já passei por algumas situações difíceis também, cedi à pressão e fui contra meus princípios algumas vezes no passado. Seja em um altruísmo martirizante onde me entreguei para “salvar” outros que julgava em perigo, seja “cumprindo ordens”.

Hoje me sinto uma idiota por não ter revidado mais vezes, por ter tanto medo e covardia e não ter gritado, brigado, sido expulsa ou o que for. E o duro é que mesmo chorando, julgava ser destino, desígnio de Deus e assim me sujeitei aos desejos de outros.

Não me expressaram claramente ameaças, apenas o silêncio somado ao medo fazia com que eu imaginasse punições ainda mais graves á minha alma. As minhas grandes feridas nunca foram expostas, elas sempre estiveram na minha cabeça e talvez por isso há quem diga que são pequenas ou inexistentes. Não há marcas em meu corpo.

11 fevereiro, 2009

O Matador

Posted in Filmes às 4:24 pm por Deborah Sá

Assisti ontem a noite o filme “O Matador” do Pedro Almodóvar. Achei alguns trechos com tiradas fantásticas e outros bem óbvios (o final é previsível demais, seria a intenção)?

Parece que o Almodóvar tem uma preocupação em incluir mulheres nas suas tramas, isso é ótimo, pois há aquela regra dos bons filmes:

* Ter mais de duas mulheres

* Que conversem entre si

* De um assunto que não sejam homens

Falo preocupação em “incluir” porque quase sempre os protagonistas ou vilões são homens e os papéis femininos são reduzidos em honra a feminilidade, ou “Prêmio Consolação”.

Mas nota-se em “O Matador” o fetiche da morte. Eu, em minha mentalidade ocidental tenho nojo de tripas, sangues e esperma. Mas tem muita gente por aí que é fã desse gênero, também conhecido no hentai como “Guro” (espécie de snuff movie, mas com traços de anime) . Não estou falando que “taras estranhas” devem ser tabu mas acredito que nossas preferências sexuais são o reflexo de como entendemos nosso universo particular.

Sinto-me ofendida quando ouço alguém que se excita com a violência, levando ainda em consideração, que a maioria das cenas de dominação envolve a mulher como o alvo. Lembro de sair da VON (comunidade nerd que participei por um longo tempo), pois li entre outras barbaridades: “Não sou tão contra o estupro assim”, “A mulher que se mostra, mostra tanto para um cidadão de bem (medo O_O) quanto para um maluco”, “Tesão na cena da Bellucci (se referindo a cena de estupro de Irreversível)”. É, fico ofendida mesmo, ao ponto de sair da comunidade que tinha meia dúzia de gente bacana por uma esmagadora maioria de garotinhos que berram: “Ah, sou tão Tr00! Coloquei esperma na válvula que dá descarga do shopping!”. Tem gente que adora os argumentos “biológicos” (testosterona é o preferido destes).

Mas voltando ao filme…é interessante como o assédio e o estupro são retratados. O Antônio Bandeiras tenta provar ao seu mestre toureiro que é macho, pra isso “tenta estuprar” a namorada do instrutor. Ele a arrasta para um beco e ameaça com uma faca, o instrutor vai até a polícia e denuncia o crime, mas a moça em questão resolve não prestar queixa:

Delegado:  Ele a estuprou?

Moça:  Não, tentou, gozou nas pernas.

Mãe da moça:  Isso não foi estupro, ela já teve outras tentativas de estupro outras vezes….três ou quatro?

Moça: Três.

E o interessante é que essa personagem é tão conformista que ela fala na maior naturalidade. Há momentos em que ele deixa claro que mulheres podem ser tão impulsionadas pelo tesão quanto os homens.

[SPOILER PULEEEEE]

O Antônio Banderas absorve sensações e “solta elas” em uma angústia profunda. É como se absorvesse as “culpas” do mundo e não tivesse controle sobre seu corpo. É óbvio que eu condenaria os atos dele com a moça. Nada de “peninha dele ” tem moças que tem sorte-trecho do filme-“)

[FIM DO SPOILER PODE CONTINUAR]

Outro ponto positivo nos filmes do Almodóvar é que ele despe os homens, não só as mulheres. As mulheres que retrata parecem muito com as histórias de nossas mães, tias e também com nossas próprias vidas.