1 dezembro, 2008

Such a silly girl

Posted in Animais, Cotidiano, Desabafos tagged às 9:23 am por Deborah Sá

Hoje enquanto eu ouvia “Te First of the gang to die” o ônibus brecou bruscamente. Parei a música, muitos ficaram apreensivos dentro do ônibus, mas a grande maioria mostrou impaciência pois ao que tudo indicava, ocorrera um atropelamento. Eu fiquei apenas curiosa, já que não era a primeira vez que o ônibus que eu estava, batia em alguém…O ônibus acelerou lentamente, e eu que estava em um dos últimos bancos vi passar devagar um senhor que arrastava um Schnauzer preto pela coleira peitoral. Fiquei sem ação. O cão mexia a cabeça ainda, parecia bem assustado e suas patas dianteiras não mexiam. Os comentários que ouvi foram os mais variados possíveis:

– Só um cachorro

– É de madame não sabe andar.

– Se fosse pequeno ia voar…uahahha

– Tadinho…

E eu fiquei com a maior cara de tacho. Sabe aquela grande sensação de impotência? Merda de mundo…se fosse um humano, o motorista pararia, por obrigação…e os passageiros desceriam do ônibus. Mas um cão? Oras! Iam ficar completamente ultrajados de ter o percurso de sua viagem interrompido por um reles cão.

Para os animais, todos os humanos são nazistas.

Um pouco adiante, passei em frente ao memorial que construíram para as vítimas do acidente da TAM. Havia a seguinte faixa: “Queremos respeito com a vida humana”. Para continuarmos vivos só podemos ser duas coisas: Ou sádicos ou masoquistas. Mas creio que ambos. Dói-me o peito ver estas situações e me sinto frustrada por não mudá-las. Não tenho nome famoso, fama, dinheiro…o que me aproxima de fato da grande maioria das pessoas. Me sinto em plena era da escravidão, como se andasse por uma cidade em ruínas mas que maquia e vende sonhos para desesperados compradores.

Pés descalços e manchados, somados a miséria nos rostos debochados, na terra que não é minha, mas é território dos que calejados tentam me assaltar. Eu não quero carregar o mundo nas costas, queria livrar o mundo da dor. Mas talvez sejamos apenas animais carniceiros e cínicos. Todo mundo adora ver nos filmes aqueles que lutavam contra o nazismo, os que cospem na cara de seus algozes, ou ainda quando um legítimo filho de nazista, luta frente a frente com seus familiares. Todo mundo acha a coisa mais maravilhosa. E hoje é exagerado tacar farinha na madame que anda de casaco, quem sabe no futuro serão os heróis? Buzinas, confetes, megafones e amplificadores em minhas orelhas, claro que não posso me manifestar, sou autoritária se o faço. As minhas lutas são silenciosas, pois não me é dado o direito de gritar. Às vezes me revolta, e às vezes esta revolta me deixa sem ação, até quando agüentaremos a castração em massa, de quem vai contra a massa?

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