29 dezembro, 2008

Estrada

Posted in Animais, Cotidiano às 8:55 am por Deborah Sá

Viajei neste natal, fui para uma cidade no litoral norte do Rio de Janeiro. Foi muito relaxante, embora os dois primeiros dias fez-se sol e os outros se fez chuva =P Houve momentos nos quais me senti deslocada, graças á minha ideologia vegana.

* Me recusei a andar de charrete, por duvidar do tratamento dos cavalos, não estavam visivelmente machucados, mas não pareciam “felizes” e quem ficaria? Levando sete, oito pessoas, pra cima e pra baixo? Eram dois cavalos por charrete e ás vezes usavam chicotinhos neles. Adiantava eu brigar?

* Charretes são comuns por lá.

* Passei por alguns açougues com o simpático nome de “abatedouro”.

* Mesmo avisando antecipadamente minha estadia para a ceia de natal, minha ceia foi: Arroz, batata palha, alface e frutas. Todas as outras saladas colocaram maionese e/ou carne. Desculparam-se quando expliquei minha situação na cozinha. Vi um leitãozinho sem maçã na boca, olhos fechados e o meio do corpo vazio, só com ossos da costela porque tinham comido a carne. A cabeça, as patas traseiras, o rosto e a bunda continuavam lá intactos. Pra mim foi triste e apavorante.

* Nos primeiros dias comi praticamente arroz e salada de almoço e janta. No café da manhã tinha pão francês e mamão. Para onívoros, muitas opções.

* Me recusei a ir pescar, e assim como na charrete não achavam que havia maltrato. Até porque, depois de ter as bocas perfuradas os peixes eram jogados de volta na água.

Houveram coisas muito positivas também ^^

* Quase todo dia eu tomei açaí.

* O Yuri também não foi pescar e me apoiou. No fim ninguém andou de charrete o/

* Uma garçonete fez amizade comigo e foi até a minha mesa perguntar se eu estava “encontrando o que comer” e perguntando por que não comia nada de nenhum bicho.

* Nos últimos dias eu tinha uma grande variedade de verduras e legumes, teve até um dia que teve batata smile *__*

* Nos últimos dias teve feijão marrom sem carne *___*²

* Comi um pé de moleque com amendoins gigantes.

* Na volta fizemos uma marmitex gigante com um tabule delicioso que serviam por lá. Comemos tudo no ônibus com bolachas =)

* Vi galos soltos.

* Os passarinhos entravam voando dentro do restaurante “numa boa” e ninguém se incomodava, era diário vê-los passando pertinho da gente.

* Um gatinho vaquinha de olhos verdes muitos carinhoso, que virava a barriga só de chegar perto.

* Eu vi um gambá lindo de morrer passando pela janela e fiquei descontrolada chamando o Yuri acenando freneticamente o/ \o/ /o

* Salvei um sapinho muito pequeno que entrou no quarto, colocamos ele em um copinho e levamos para fora, era tão pequeno! Coração batendo e mexendo o pescoço, uma graça.

* Fiz carinho em alguns cavalos de charrete, e eles eram muito mansos, embora só olhassem para frente quase sempre.

* Joguei fliperama com o Yuri e também aqueles discos de mesa o/

* Fui semi-crudívora =B

* O lugar era muito bonito.

* Ganhei mais livros!

* A família do Yuri foi muito legal comigo.

* Ninguém me deteve em lugar algum pelas minhas axilas. Temia que me expulsassem da piscina ou algo do tipo.

* Tomei um pouquinho de sol, passei fator 50 e não estou ardida.

Momentos memoráveis:

– O pai do Yuri falando BBG: Big Brother Gugu, porque uma dessas lojas de conveniência da estrada pertencia ao Gugu.

– Eu perguntando onde era o sanitário e o cara me falando: “Segue a praquinha meu amô”.

– Eu e o Yuri discutindo com o vendedor de picolé na praia, porque a embalagem estava escrita leite em pó e o vendedor teimava que não: “Essa embalagem aí não tá com nada, confia em mim”. Acabamos pelo óbvio, de limão.

– Cada um ganhou uma alcunha pra ser usada no walk talk do meu cunhado de 9 anos. Inclusive eu: A mulher tofu.

1 dezembro, 2008

Such a silly girl

Posted in Animais, Cotidiano, Desabafos tagged às 9:23 am por Deborah Sá

Hoje enquanto eu ouvia “Te First of the gang to die” o ônibus brecou bruscamente. Parei a música, muitos ficaram apreensivos dentro do ônibus, mas a grande maioria mostrou impaciência pois ao que tudo indicava, ocorrera um atropelamento. Eu fiquei apenas curiosa, já que não era a primeira vez que o ônibus que eu estava, batia em alguém…O ônibus acelerou lentamente, e eu que estava em um dos últimos bancos vi passar devagar um senhor que arrastava um Schnauzer preto pela coleira peitoral. Fiquei sem ação. O cão mexia a cabeça ainda, parecia bem assustado e suas patas dianteiras não mexiam. Os comentários que ouvi foram os mais variados possíveis:

– Só um cachorro

– É de madame não sabe andar.

– Se fosse pequeno ia voar…uahahha

– Tadinho…

E eu fiquei com a maior cara de tacho. Sabe aquela grande sensação de impotência? Merda de mundo…se fosse um humano, o motorista pararia, por obrigação…e os passageiros desceriam do ônibus. Mas um cão? Oras! Iam ficar completamente ultrajados de ter o percurso de sua viagem interrompido por um reles cão.

Para os animais, todos os humanos são nazistas.

Um pouco adiante, passei em frente ao memorial que construíram para as vítimas do acidente da TAM. Havia a seguinte faixa: “Queremos respeito com a vida humana”. Para continuarmos vivos só podemos ser duas coisas: Ou sádicos ou masoquistas. Mas creio que ambos. Dói-me o peito ver estas situações e me sinto frustrada por não mudá-las. Não tenho nome famoso, fama, dinheiro…o que me aproxima de fato da grande maioria das pessoas. Me sinto em plena era da escravidão, como se andasse por uma cidade em ruínas mas que maquia e vende sonhos para desesperados compradores.

Pés descalços e manchados, somados a miséria nos rostos debochados, na terra que não é minha, mas é território dos que calejados tentam me assaltar. Eu não quero carregar o mundo nas costas, queria livrar o mundo da dor. Mas talvez sejamos apenas animais carniceiros e cínicos. Todo mundo adora ver nos filmes aqueles que lutavam contra o nazismo, os que cospem na cara de seus algozes, ou ainda quando um legítimo filho de nazista, luta frente a frente com seus familiares. Todo mundo acha a coisa mais maravilhosa. E hoje é exagerado tacar farinha na madame que anda de casaco, quem sabe no futuro serão os heróis? Buzinas, confetes, megafones e amplificadores em minhas orelhas, claro que não posso me manifestar, sou autoritária se o faço. As minhas lutas são silenciosas, pois não me é dado o direito de gritar. Às vezes me revolta, e às vezes esta revolta me deixa sem ação, até quando agüentaremos a castração em massa, de quem vai contra a massa?