27 agosto, 2008

Concursos de Beleza (Não importando se for em comunidade Nerd)

Posted in Gênero tagged , , , às 1:39 pm por Deborah Sá

Qual o problema em ser reconhecidamente belo? Nenhum… Mas se você pensar bem, sempre que há um concurso de beleza, as mulheres são as primeiras candidatas. E por que você acha que isso acontece? Há vários valores pressupostos quando se julga uma mulher:

Mulheres estão “a todo minuto se oferecendo”, sendo assim, é notório que muitas delas ao serem assediadas ou violadas automaticamente são questionadas sobre seus trajes e/ou modos. Isto é semeado de maneira tão sistemática que muitas meninas (crianças) ao sofrerem abusos inocentam seu agressor, assumindo a culpa em seu corpo “pecaminosamente sedutor”. É claro que não ordenam desta maneira lógica seus pensamentos, mas é fácil assumir este tipo de “culpa”. Note Adão e Eva, por exemplo, ou mesmo Lilith (muito melhor que Eva =P). O pecado está estampado no corpo feminino, a “eterna culpa” é fermentada até o ápice. A eterna juventude é forjada freneticamente a todo instante, cremes, maquiagens, depilação…É uma aniquilação do corpo, do que lhe é espontâneo. Já aos homens estes direitos são reservados. Eu te desafio: Diga-me o nome de uma mulher famosa considerada atraente/sexy etc, que tenha mais de 40 anos e que pareça ter sua real idade. Não pode parecer ter 30 ok? Agora o contrário é bem fácil: Richard Gere por exemplo.

Se pensar, a maioria das propagandas são vinculadas á sexo. Assustei-me essa semana com a propaganda das pastilhas Tic Tac, onde um rapaz olha duas moças de biquíni enquanto narra: “Com Tic Tac estou sempre preparado para qualquer uma”. Isto sem contar, nas horripilantes propagandas do Boticário com o slogan “Acredite na beleza”. Sou veemente contra pornografia (já deixei claro inclusive aqui no blog), não é criando um paliativo como a alt-porn que a pornografia torna-se libertária. Simplesmente porque pornografia libertária não existe. Não é transformando velhas ou gordas em “fetiche bizarro” que padrões são quebrados. Apenas as aprisionam dando um falso status de poder. Poder este, de sexualmente submeter um homem através da propulsão dos testículos alcançando o máximo de “seu valor comercial”.  Grande coisa! A cobrança em ser comercialmente sexual é muito intensa e concursos de beleza são uma clara menção a isto.

5 Comentários

  1. Aa said,

    Aí eu te achei meio exagerada :P

    Eu pessoalmente acho que mulher e homem são diferentes, naturalmente e culturalmente; as diferenças são cultivadas e não são necessariamente marcas de dominação ‘-‘

    E o último concurso de beleza em comunidade nerd que eu vi o número de candidatos do sexo masculino era o dobro do feminino. . .

    Vou colocar teu blog na lista do meu, tá? Continue escrevendo :)

  2. O problema é que a beleza é obrigatória para as mulheres. Todos esperam que a gente “se cuide”, e aí entram depilação, maquiagem, roupas desconfortáveis, cremes, cirurgias… enfim, toda uma grana e um tempo que poderiam ser gastos em outras coisas são revertidos para o corpo, e a gente vai fortalecendo a indústria do ódio ao corpo da mulher.

    E, discordando do último comentário, concurso de beleza é algo tipicamente “feminino”. Tanto que qual é a primeira coisa que falam dos homens modelos? Que eles são “viados”, “afeminados”.

    • Deborah Sá said,

      Concordo com você Águeda.

  3. Carla said,

    Ah, Deborah, concordo que concursos de beleza são tristes… mesmo que seja “a gordinha mais sexy”. Ter que se afirmar bela E ter que competir com as outras – “a outra tem que ser menos bela do que eu” – é muito opressor.

    Quanto à pornografia, fico pensando se não haveria forma de fazê-la de forma menos “mercadológica” – não sei se com o nome de “pornografia”. O corpo, principalmente o feminino, é posto, sim, como objeto vendável – não há dúvidas. Mas o sexo e a nudez, em si, não precisam ser vendáveis. O que se deve pensar é na forma de abordagem: só é mostrado como perversão, safadeza, coisa “deliciosamente estranha” aquilo que é proibido. Por que uma mulher nua deve estar sempre “se oferecendo” como algum tipo de objeto? Não seria possível subverter algo que, a princípio, é mercadológico e aborda o sexo como “safadeza”? Não seria possível subverter a própria pornografia?

    • Deborah Sá said,

      Olá Carla :)

      Acho que uma nova maneira de ver o nu seria nos despirmos em grupo, falei disso aqui.


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