15 julho, 2008

O Tal “Mundamoda”

Posted in Gênero tagged , , , , às 10:08 am por Deborah Sá

Ouço muitas críticas ao famigerado mundamoda e culpam em grande parte os gays por isto. Todos conhecem o estereótipo gay/estilista, o mais estranho é que atribuem a misoginia das passarelas ao movimento gay. Como se ao ridicularizar as mulheres, os gays vingassem o fato de não pertencerem ao outro gênero. Já ouvi hétero dizendo que homem é que entende de mulher, e mulher bonita é a que tem carne. É a mulher gostosa mesmo. O que muitas vezes não percebem que pouco adianta cobrir uma ditadura com outra. Muitas garotas lindíssimas são chamadas de “sem sal” por não possuírem curvas.

Então fica nesta guerra velada entre gordas e magras, as magras vangloriam-se por suas barrigas chapadas, enquanto as gordas fazem o mesmo com seus seios avantajados. Nesta guerra na disputa pelo centro das atenções aos machos, elas trocam farpas. Só concordam em uma coisa: As gostosas são as putas. “Ellen Roche? Puta! Dançarinas de programas de TV? Putas!” E passam a defender a moral e os bons costumes ao se sentirem ameaçadas por sua rival na dança do acasalamento. As mulheres grandes são bonitas, as pequenas e magras também.E não é criticando uma a outra que “a beleza padronizada” se finda. Gays e lésbicas não são seres “mal amados”(odeio essa expressão), que visam destruir o outro pois desejam “tomar seu posto”.Não é afirmando a heterossexualidade com uma pitada de homofobia que se destrói a anorexia. Há casos de moças que aliás, emagrecem em demasia justamente por assédios morais/sexuais. A vulnerabilidade em ser assediada quando se é curvilínea é bem mais corriqueira. Nascer mulher já te torna mais “sexualmente acessível”. Quer seja gorda ou magra, teu sexo te condena a ser assediada e ainda ouvir “tem certeza de que não o provocou”? O próprio corpo se torna um apêndice que te lembra a todo instante: “É por isto que é agredida, é por isto que te violam, é por isto que te tratam assim”. E como negá-lo? Negando o próprio corpo, negando as próprias formas, tornar-se magra até que não mais se diferencie o corpo de um garoto de dez anos. Pressão psicológica que te faz querer sumir. O inferno são os outros.

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