29 maio, 2008

Questão de escolha

Posted in Gênero tagged , , , às 3:36 pm por Deborah Sá

Isto é uma coisa que é muito difícil de entender. E ainda penso com um pouco de ressalvas. No final todos escolhemos. Mesmo? Alguma mulher escolhe ser “rebolante na TV”??? Nós escolhemos?  Ela tem mais poder de escolha do que quem escolhe ser acadêmica? Ou nascemos em um sistema que nos impõe, até não termos mais saída alguma? Somos marionetes ou temos vontade? Como saber se a escolha foi genuína? Isto sequer existe?

Apologia eu quero uma pra viver…

GTA vende como água, quando a vida gangsta é celebrada como um ideal. O protagonista anda “marrento” pelas ruas onde saí espancando prostitutas que lhe devem dinheiro. E em meio a risos, o jogador solta uma risada maliciosa com os amigos e fala com a boca de canto: Toma sua vagabunda… A erotização da violência é vista de forma “divertida e descontraída” (lúdica?). As gostosas dos jogos despertam a libido dos garotos, eles buscam garotas com todas aquelas medidas descomunais, também aprendem (neste caso através dos jogos), que mulher é “mesmo tudo safada”. Ou seja, tenha tesão por putas, pague por elas e as trate mal, já que “é tudo piranha”. Espanto-me ao colocarem mulheres sensuais onde não há o mínimo nexo com a história do jogo; ao assistir uma partida de Metal Gear vi o personagem abrir um armário que tem um pôster de uma gostosa…

Quem é o mercado que (mais) consome pornografia, jogos, armas, carne? Quem é que cultiva a violência e nisto vê por direito sujeitar “os mais fracos”? Quem “pinta” a mulher como bonequinha e putinha? Quem mata e caça por virilidade? O homem claro. E eles têm escolha? Ou eles são apenas produto de um sistema que incentiva a “bestialidade viril”?

3 Comentários

  1. Roy Frenkiel said,

    Poxa, Deba (assim chamava minha ex cunhada, perdao pelo carinho), acho que voce esta sendo dura demais com “o mundo”. Camus estipulou que viver nesse mundo eh um absurdo, porque enquanto nos temos determinadas tendencias, o mundo tem outras e nos puxa para o reverso. Acredito que o mundo seja mesmo absurdo, mas sempre direi que nos temos a escolha, nao so em sentido do superfluo livre-arbitrio, mas pelo fato de que, se nao nos vai bem, podemos e devemos mudar. Sartre diria, “jamais finja que a escolha nao eh sua,” porque ela eh.

    Esta certo que existe a pressao do mundo externo, e que as vezes voce ja cresce aprendendo a se interessar (e nao se interessar) por certas coisas. Mas mesmo assim, se nao te cabe, se nao esta bem pra ti, se voce quer algo diferente, voce pode fazer diferente. Se as pessoas nao fazem, se voce nao fizer, qual eh o sentido de reclamar do “mundo”?

    Quanto ao GTA, discordo, Deh, radicalmente. Essa bizarrice sempre foi assim na humanidade e nao eh de hoje. Alem do mais, do mesmo modo que “uma maca ao dia faz evitar o dentista”, “um assassinato mental ao dia faz evitar o psiquiatra.” O GTA ajuda nesse sentido.

    bjx

    RF

  2. Roy Frenkiel said,

    Deborah, quero te fazer uma pergunta, mas responda por aqui mesmo, ok, ou por e-mail, no maximo.

    Seguinte:

    Como voce encara a questao da sexualidade? Nesses sentidos, ha certo? Qual eh? Ha errado? Qual eh? Como honrar nossos generos, como podemos aproveitar do sexo sem sermos machistas/feministas etc?

    Sua opiniao sera bacana conhecer.

    bjx

    RF

  3. Cássia said,

    O livre-arbítrio não existe. Fato.


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