28 abril, 2008

Cansada da Isabella

Posted in Só falam nisso tagged , , , às 5:14 pm por Deborah Sá

O choque nesta notícia não se dá apenas pelo fato de uma criança ser morta. Mas, pelo seu pai não cumprir com a obrigação social que é cuidar de sua filha. Crianças: Para a maioria das pessoas são seres puros e imaculados. Não as vejo assim. É certo que a maioria das crianças são bem bacanas . Mas não são estes anjos de candura, algumas crianças não sentem empatia e torturam animais e até quem sabe coleguinhas de escola. Mas para não fugir do foco…A menina Isabella é branca, de uma família de classe média, e convenhamos: A garota era fotogênica. Elemento perfeito para comover este “Brasil de meu deus”. Os rostos estupefatos diante do bárbaro assassinato da garota se indignaram. Não foi muito diferente com João Hélio, garoto branco, fotogênico e com um rostinho bonito estampava matérias sensacionalistas com dizeres como: “Até Quando?”. Crianças negras, moradoras de favelas, vítimas de bala perdida morrem aos montes…quais seus nomes, quais seus sonhos? Não fazemos questão de saber. Talvez até o choque que muitos demonstram não seja tão genuíno, aliás é uma obrigação nos sensibilizarmos com mortes de humanos. Muitos, até chamam de insensível quem não se comove com esta morte específica, da qual garanto que não me comovi. Os detalhes, desta história mais parecem uma novela barata onde buscam mais detalhes sórdidos. Não sei como até o momento não acusaram o pai de incesto. É um prazer mórbido que a mídia sente em destilar seu veneno e com mais prazer ainda, assistem os telespectadores, procurando detalhes que enriqueçam a tragédia. Onde quer que se vá lá está Isabella sorrindo em fotos. O pai e a madrasta, sempre acompanhados das frases “Foram eles”. E a população quer sangue, quer ver cabeças rolando. Como as pessoas do passado, que vibravam ao ver os transgressores dos seus dogmas morrerem enforcados. Se o enforcamento dos antigos tutores de Isabella fosse ao ar, com certeza a audiência seria enorme e muitas pessoas, sorririam ao ver a morte refletida em um corpo já paralisado.

 

1 Comentário

  1. Scherow said,

    Totalmente crítico e realista seu texto. É a mais pura verdade. Naõ sei quem é pior: se o pai e a madrasta, com aquelas caras de sonsos; se a mídia, com toda sua falta de ética e profissionalismo, motivada pelos cifrões; se as pessoas, com toda essa falsa solidariedade e toda essa curiosidade mórbida. Mas em meio a tudo isso, há o que se aprender. Há uma lição sendo dada. Pena serem poucos a validarem-na: o silêncio da mãe da menina, que incomoda a todos por estarem acostumados com escândalos e coisas do tipo.
    Um abraço.


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