29 abril, 2008

Fat Power

Posted in Gênero tagged , , , às 10:09 pm por Deborah Sá

Já fui mais gordinha (aos 15 anos pesei 78 quilos), entrei em uma paranóia de ser “gostosa” e minha dieta passou a ser: água, caminhada e pouca comida. Em termos anoréxicos: Low Food.  Nem sabia destes termos na época, internet só usava para e-mail. Perdi 10 quilos em quase um mês,  perto de uma anemia voltei a comer engordando quase tudo o que perdi. Cortei o cabelo, mudei minhas roupas e passei a me analisar em um caderno que usava para as minhas reflexões. Era a garota que sentava na frente e “os do fundão” adoravam tirar sarro e falar coisas como “você só vai ganhar um beijo no dia em que pagarem para o cara”. Mudei para caramba, não entrarei em mais detalhes sobre minhas humilhações escolares /familiares/ “amigáveis” pois este não é o foco do post. Gordas querem ser tão desejadas quanto a Flávia Alessandra,  há um grupo de “Pussycat Dolls” GG declararando “esta vitória para a comunidade fat”. Comercial de cerveja com gordas sedutoras? Isto é reconhecimento? Não notam que o que almejam é cumprir sua “função”? Serem “femininas”?. A beleza “esquartejada” não valoriza a criatura. Não sou só minha bunda, meu braço ou minhas estrias.  A erotização vende isto: A boca da Jolie, a bunda da Mulher Melancia…Somos em pedaços. E isto não significa uma mudança efetiva.

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28 abril, 2008

Cansada da Isabella

Posted in Só falam nisso tagged , , , às 5:14 pm por Deborah Sá

O choque nesta notícia não se dá apenas pelo fato de uma criança ser morta. Mas, pelo seu pai não cumprir com a obrigação social que é cuidar de sua filha. Crianças: Para a maioria das pessoas são seres puros e imaculados. Não as vejo assim. É certo que a maioria das crianças são bem bacanas . Mas não são estes anjos de candura, algumas crianças não sentem empatia e torturam animais e até quem sabe coleguinhas de escola. Mas para não fugir do foco…A menina Isabella é branca, de uma família de classe média, e convenhamos: A garota era fotogênica. Elemento perfeito para comover este “Brasil de meu deus”. Os rostos estupefatos diante do bárbaro assassinato da garota se indignaram. Não foi muito diferente com João Hélio, garoto branco, fotogênico e com um rostinho bonito estampava matérias sensacionalistas com dizeres como: “Até Quando?”. Crianças negras, moradoras de favelas, vítimas de bala perdida morrem aos montes…quais seus nomes, quais seus sonhos? Não fazemos questão de saber. Talvez até o choque que muitos demonstram não seja tão genuíno, aliás é uma obrigação nos sensibilizarmos com mortes de humanos. Muitos, até chamam de insensível quem não se comove com esta morte específica, da qual garanto que não me comovi. Os detalhes, desta história mais parecem uma novela barata onde buscam mais detalhes sórdidos. Não sei como até o momento não acusaram o pai de incesto. É um prazer mórbido que a mídia sente em destilar seu veneno e com mais prazer ainda, assistem os telespectadores, procurando detalhes que enriqueçam a tragédia. Onde quer que se vá lá está Isabella sorrindo em fotos. O pai e a madrasta, sempre acompanhados das frases “Foram eles”. E a população quer sangue, quer ver cabeças rolando. Como as pessoas do passado, que vibravam ao ver os transgressores dos seus dogmas morrerem enforcados. Se o enforcamento dos antigos tutores de Isabella fosse ao ar, com certeza a audiência seria enorme e muitas pessoas, sorririam ao ver a morte refletida em um corpo já paralisado.

 

22 abril, 2008

Geni?

Posted in Animais tagged , , , às 2:53 pm por Deborah Sá

Semana passada trouxe consigo grandes tristezas. Em meu bairro, surgiu um cão há pouco tempo atrás que estava muito debilitado, eu (juntamente com minha irmã), compramos a medicação necessária e com a colaboração de um bom vizinho que cuidou dele, ficou muito bem. Curou-se e vivia andando pelo bairro “todo imponente” de cabeça erguida e latia para quase todos. Foi batizado de Shrek. Não demorou muito para que outro cão surgisse, este foi batizado de Beethoven. Ambos brincavam o dia inteiro na rua e levavam sua pacata vida de cão. Corriam atrás de alguns carros, caçavam pombos e dormiam na calçada alheia. Shrek era o líder, latia e não aceitava carinhos a não ser da mulher e o senhor que cuidavam dele e o alimentavam. Não mordia, apenas latia e se afastava. Já Beethoven era muito sociável e gostava “de fazer festa” com qualquer um que lhe dedicasse atenção, pulava alto e demonstrava muita alegria. Quando Shrek notava o afago que seu companheiro ganhava, ia tentar separá-lo aos latidos. Para afastá-los bastava falar mais áspero, bater o pé ou bater com um guarda-chuva no chão. Pronto, saiam de perto. Na quinta-feira (dia 17), ao chegar em casa meu pai me conta:

– O Shrek e o Beethoven foram envenenados.

Pedindo mais detalhes ele me disse:

– Cheguei na rua e as crianças estavam querendo chutar o Shrek ao redor dele fazendo bagunça, quando cheguei perto pararam de rir e mudaram a postura “coitadinho do cachorrinho – disseram”

O Serralheiro com ironia e malícia dizia ”não adianta não…já morreu”.


Meu pai então viu, Shrek e Beethoven mortos, de coleira. 
Disse que na Casa de Ração do bairro falaram que se fossem levados a tempo, provavelmente seriam salvos. Não é a primeira vez que os animais na minha rua são brutalmente assassinados. O pior é que ninguém sabe exatamente quem é que comete estes atos. Há somente especulações e não provas concretas. Alguns vizinhos os achavam “chatos” pois o Shrek gostava de latir e o Beethoven de pular. Cães fazem coisas de cães, assim como crianças fazem coisas de crianças. Algumas crianças da minha rua fazem coisas que me irritam profundamente, como gritar nos feriados (enquanto tento dormir) ou gritar de medo, quando solto meus cachorros para um passeio. “Ahhhhh vão me morder!” “Eu tenho medo do cachorro de olho vermelho” ¬¬’

O cão de olho vermelho, nada mais é do que um Cocker babão, o Ted que é o cão mais bobo da face da terra e que apanha até de mosquito. Mas não, para eles é o “Pit-Bull assassino“. É da natureza do cão latir e por sua maneira de pedir carinho (pular), ele merece ser morto? Pois ele late, ao invés de falar, merece ser morto? Meus vizinhos ouvem funk de madrugada enquanto tento descansar, nem por isto tenho o direito de ir matá-los. Já perdi um cão nos meus braços morto por envenenamento, eu sei como é horrível para ele, a dor e o sufocamento, vê-lo tremer e perder a coordenação motora até definhar em um suspiro agonizante. Por este mesmo motivo sou contra o envenenamento de ratos… Para os animais eles vivem em Dogville. Os humanos, são impiedosos que testam em sua raça inferior e tortura-nos até a morte. Por sua cultura, por seu prazer, por seu paladar. É frio, é monstruoso e asqueroso. Não creio que a expressão “humanitária” se aplique a atitude humana.

10 abril, 2008

Pornô

Posted in Gênero tagged , , , , , , , às 2:56 pm por Deborah Sá

Busca-se pornografia pois este ato é visto como “normalmente masculino”. Uma garotinha que tenta subir em árvores é vista como “menina-macho”. Como se o ato de subir em árvores fosse parte do gene masculino exclusivamente, sendo assim, uma garota “normal” não teria este desejo genuíno (de subir em árvores). A pornografia retrata a mulher como depósito de esperma e “ensina” ao homem o quanto é benéfico “cobrir a fêmea”.O sexo pornográfico é “brutal e explícito” e visto com muita normalidade pelos homens, já que “este é o modo macho de ver o sexo”. O homem é cobrado para ser fodedor e fincar sua lança fálica nos cus alheios com consentimento ou não, até porque, pornograficamente falando, aquela situação de “ela diz que não, mas no fundo está adorando” é bem comum.

 

Já a mulher tem de se sujeitar e gostar destas situações já que é sua obrigação gostar de “ser tratada como sua espécie merece”. Sei que muitos vão discordar de mim, mas a “Revolução Sexual” a meu ver é na verdade uma “Imposição Sexual”. Na qual a mulher se vê pressionada a viver lubrificada, fazer garganta profunda, dançando em um mastro e com os cabelos gigantescos dando muito prazer ao seu amo e senhor. Tudo isso sem sair do salto. E os homens sempre com a obrigação de “comerem tudo o que vêem pela frente (ou por trás também)”.

Vejo na pornografia não só um problema para a imagem feminina, mas também uma influência negativa aos homens. Reduzem-se a rôlas descomunais e nada mais. Não pensam, não sentem, apenas metem. A atriz que protagonizou “Garganta Profunda” diz que era ameaçada com uma arma pelo então seu marido e produtor. Diz ainda “quem vê o vídeo, assiste meu estupro”. Basta uma rápida procura na internet e sites de notícia, para notar que não só ela, mas outras mulheres que “saíram do mundo do pornô”, também eram “estupradas”.  Vídeos caseiros pipocam todos os dias na internet, muitos deles nem mostram o rosto “de suas mulheres”, quem garante que o vídeo que assiste não foi forçado?

A pornografia move muito dinheiro e este dinheiro é investido em mais filmagens e propaganda pornográfica. É claro que é difícil um homem/garoto não gostar de pornografia, afinal ele foi ensinado que é algo absolutamente normal para seu gênero. 


Notícia no site da BBC sobre atriz do “Garganta Profunda”:

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/020424_lindalovelacebg.shtml