29 outubro, 2010
Rodeio de gordas
Não importa onde uma gorda esteja alguém lembrará o quanto é inadequada ao convívio, nos negam o direito de viver, o amor próprio, a dignidade. A presença de uma mulher gorda incomoda e o simples caminhar leva ao murmúrio e dedos em riste. Castra-se o desejo e percepção da própria existência.
Dizem que o caso na universidade é isolado. Quão cruel é falar a uma criança de sete anos que não pode dançar se gorda? Qualquer músculo pouco exercitado pode atrofiar e é isto que nos fazem crer em capacidade motora. Se ao sorrir todos te humilhassem deixando evidente o fato de ser “torto”, seria capaz de fazê-lo sem levar a mão à boca?
Assim gordas vivem, vendedor@s nos “medem” “Aqui não tem nada pra você”, ou prestativ@s alertam “Tenho um creminho ótimo para tirar essas estrias horrorosas da sua barriga”, “Esse aqui é perfeito para esconder os pneus” . Em uma cultura que odeia o corpo feminino podemos assistir em qualquer horário as únicas mulheres que se assemelham a nós repreendidas por um homem com caneta e bisturi: “Gorrrrdurrrrinhas horrrrríveis”.
Quando tinha por volta de doze anos, um garoto da minha rua constantemente me denegria em público e na primeira oportunidade tentou me agarrar à força. São muitos os homens que negam publicamente a atração que sentem por mulheres gordas, ou que julgam “mais fácil” trepar em segredo com alguém de baixa auto-estima para encobrir o grande incompetente que é.
Mulher gorda
Descubra o prazer de celebrar suas dobrinhas, seja na língua por entre estrias e curvas, seja no balanço do quadril. Deleite-se, permita ao corpo qualquer movimento, não tenha medo do espelho, deslumbre-se nele. Busque sua força, aprenda alguma defesa pessoal, faça Yoga, fortaleça sua confiança. Não sejamos tolerantes e compreensivas quando nos depreciam e se necessário for, usemos os punhos.