23 julho, 2009

Eu não gosto de colorir

Enviado em Egotrip tagged , às 12:04 pm por Deborah Sá

Um dia pensei em ti
Mas não queria
Penso em ti noite e dia
Luto contra isto
Mas és tu que eu preciso
Não vás embora um dia
Pois se tu não estás comigo
Minha vida é sem sentido
Minha primeira poesia – Na quinta série

Lembro de desenhar uma abelha na capa do trabalho. Não sei qual era o tema, nem que raios a abelha tinha relação com o meu poema, mas recordo que as meninas do meu grupo (como sempre, eu só colocava o nome nos trabalhos e deixava elas colorirem) acharam ótimo.

Eu nunca tive (grandes) problemas com notas nas matérias, sempre fui uma aluna disciplinada, embora algumas professoras (e minha mãe) me achassem um pouco “relaxada” com a minha caligrafia e a falta de dedicação em colorir.
Nunca levei “bilhetinhos pra casa”, mas meu caderno sempre trazia observações como “Por que você não colore os seus desenhos? Desenho sem cor é sem vida!”, “Tenha mais capricho”, “Melhore a caligrafia”, “Mais dedicação!”. Em sua maioria os professores me adoravam, em especial os de português, ciências, história e artes (com exceção dos que exigiam desenhos coloridos).
Lembro de uma situação muito engraçada: A professora distribuiu uma imagem de mimeografo com um Chico Bento montado em uma espiga (!), naquele dia eu pensei que seria o meu melhor desenho colorido ever! Dediquei-me, fiz devagar, não fiz nada fora do traço e levei na mesa da professora. C
- Mas por que professora? ._.
- Você não coloca força no lápis, pode refazer e eu te dou outra nota.

Eu fiquei muito brava! Levei pra mesa e caguei estraguei meu desenho, sério, ficou horrível, colori com força, tudo fora das linhas, misturei as cores. Ou seja ficou um lixo. As meninas todas ficaram abismadas:
- Não acredito que vai entregar assim!
- Não faz isso!
- Ai meu Deus!
- Vai tirar D!
- Dane-se, eu fiz o desenho bom e ela não gostou, agora vai ficar com esse mesmo.
- Mas vai tirar D!
- Eu tenho notas boas em outras matérias mesmo (dando de ombros)…

Sempre achei um porre colorir. Não se pode colorir em direções opostas, fazer rápido, borrar a linha…
Achava uma bobagem as meninas perderem tanto tempo em fazer letras redondas e bonitas pra serem as últimas a copiar a matéria da lousa. Tantas canetas de glitter, cheirosinhas e escambau e tiravam notas tão medíocres quanto o resto da sala.

Nunca fui a garota mais inteligente da sala (ok, só no supletivo), não me matava de estudar, embora meu caderno fosse um dos mais completos da sala (era aquela que todo mundo pedia caderno emprestado), sempre gostei de escrever e os professores adoravam minhas redações. A minha única “rebeldia” era não gostar que ninguém fosse humilhado*, colorir e não ser “caprichosa”. Meus cadernos quando pequena quase sempre, tinha orelhas nas pontas.
Minha desorganização nunca foi um problema, e é verdade que onde estou, sempre tem bagunça. Especialmente quando saio pra trabalhar deixando tênis no meio do caminho, alguma coisa muito nonsense pra trás.
Esses dias, minha mãe me disse:

“Ô Deborah, só não perde a cabeça, deixou a geléia em cima do sofá! Sorte que deixou fechada”. Também já derrubei um livro do Yuri na privada, me queimei no forninho do trabalho na hora de comer torrada, quebrei a pulseira que o Yuri me deu, dois celulares e inúmeros brincos. Também perdi o Fiforó, meu sapinho que ficava na mochila.

* No supletivo tinha auto-estima suficiente para defender alunos que eram humilhados na minha escola, como no dia em que um rapaz fez chacota de outro por ele ir ao psicólogo.

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