16 novembro, 2011

Feminismo biológico (ou uterino) e Transfobia

Enviado em Corpo, Gênero, LGBT tagged , às 4:34 pm por Deborah Sá


Homem pode ser Feminista? Sim. A confusão se dá porque no caso do Feminismo o vocábulo é diferente de quem simpatiza com o Movimento Negro, não existe termo para “branca-que-defende-as-bandeiras-do-movimento-negro-mesmo-não-sendo-diretamente-afetada-por-ele”, já no caso do Feminismo é uma expressão usada por quem trás consigo a certeza de que mulheres são indivíduos, algumas Feministas defendem que o máximo que um homem pode ser é pró-Feminista. “Feminista de verdade”, é quem tem corpo de mulher, vivência de mulher etcetera, etcetera. Reduzindo muito a empatia de terceiros, por que a palavra de um homem ou um@ trans que são feministas tem menor valia se comparada a uma mulher não feminista? Isso é biologizante.

Por ventura uma transexual deve ser silenciada em seus posicionamentos feministas porque concluiu sua transformação corporal após os 20 anos, alinhando seu gênero aos contornos de corpo? Se uma mulher nasceu biologicamente do gênero feminino, mas pede que o tratamento seja por nome social masculino, altera suas roupas, modifica/muda seu corpo (usando faixas nos seios, tomando hormônios), não o chame por ela e sim ele. Isso não é misoginia, não é ódio ao próprio corpo. A defesa do feminismo é que o nosso corpo é nossa escolha está mais do que na hora de entender que nosso gênero também. Se você tem um amigo ou amiga que passa por essa dolorosa situação culpá-l@ e forçar algo (que é quase em totalidade o já realizado pela sociedade), não auxilia em nada além do desamparo. Oferecer apoio e compreensão é o mínimo esperado se amamos quem enfrenta esse embaraço, qual o intento de adicionar mais pensamentos tacanhos de um misticismo biológico?

O que me faz mulher não é o que tenho entre as pernas, as cólicas ou menstruação, não sou sagrada e alterar o corpo não é profano. O Feminismo que me representa não é esse que policia outras ativistas e enxerga companheiras de luta como “marionetes do patriarcado” ou “inimigas”, que corta laços e manda mensagens quilométricas para quem não segue a risca os mandamentos que brotam em alguma pedra medieval (a La Avalon), talhada por imaginação, menosprezando bissexuais as encarando como indecisas e temerosas em assumir a própria sexualidade, reduzindo ser Feminista a viver em uma bolha virtual (um Lesbos cibernético e impraticável). Aprecio e apoio elos e fortalecimentos entre mulheres, mas não é apenas a elas que chamo de irmãs.

Deborah Sá é Feminista autônoma, Vegana sem ser vaca e defende negr@s e suas ações afirmativas sendo branca, não importando se picotam sua carteirinha de feminista em pedacinhos.

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