22 fevereiro, 2012
Ativista, uma postura pedagógica.
A possibilidade de ação é tolhida por arestas que delimitam o alcance, para minar as contenções seguimos o famoso “trabalho de formiguinha”. A chance de organizar um levante popular se torna possível em conjunto e adesão maciça e para tanto é preciso conjuntura, condição, solo fértil. E quem prepara esse terreno senão os que fazem parte dele? É no fazer-se que está o descobrir-se, reinventar-se, permitir-se.
Reconhecer condicionamentos é de grande valia como auto-análise, mas quando isolado é dado fatalista que amargura ou ainda, age no separatismo entre “libertos” e “marionetes”, parâmetro aplicado pelos detentores do “conhecimento”.
O equívoco é presumir que os que não seguem determinado esquadro são inconscientes de suas coreografias orquestradas, alheios ao olhar de autônomos que os vêem como roedores de pesquisa científica, isso é subestimar a capacidade de aprendizado em uma pedagogia (paternalista, diga-se de passagem) de mera absorção e réplica, inevitavelmente gerando dogmas de respaldo em reverência exacerbada por fontes e bibliografias.
O que falta em certos ativistas e acadêmicos é admitir sua postura de educador, um ortodoxo, prepotente, ultrapassado e intransigente, mas ainda assim, um educador. Em nada se distanciando daquele professor de vocabulário rebuscado tomado pela cólera de um aluno que ousa questionar seus métodos. Um ativista ou educador que se acomoda entre seus pares repetindo velhos discursos e não se atualiza, não compartilha e abusa de discursos de autoridade “Vá estudar antes de falar comigo”, “Você sabe com quem está falando?”, “Você é alienado”, tem grandes chances de ter a hostilidade e desprezo voltado no estilo bumerangue. E ao contrário do que presumem isso não se deve ao fato de que “a verdade é para poucos”, mas de que o alto nível exigido é impraticável e sua postura mesquinha é de imenso desserviço.
As informações devem circular para que idéias originais não encerrem em si mesmas, mas criem outro ponto de partida na elaboração compartilhada. De que adianta um novo pensar se em nada dele é extraído? Se o toque é impróprio, a crítica é blasfêmia e a intervenção é vandalismo, deixem que os guardiões das tradições regozijem na sisudez.
Prefiro o saber quanto mais democrático, quanto mais popular, que inquieta, instiga, emociona e não é determinado pelas certezas. Da ciência da abertura permanente de ser incompleto, nem por isso triste e confuso, nem por isso acostumado. Pra que o expressar da dúvida não seja motivo de vergonha ou desconforto, mas uma amostra genuína da curiosidade que nos aproxima de quem acrescenta o entusiasmo diante do que é inédito.
Se a margem para gozar em liberdade é tão estreita, é por não se tratar de um direito, mas um privilégio restrito. Somos construídos pelo meio e circunstâncias combinados ao acaso aleatório, não nos cabe mensurar o livre-arbítrio.