09.28.09
Watchmen
Não li a HQ mas a adaptação para as telas é bastante convidativa em conhecer a obra original. O diferencial neste filme e os demais lançamentos blockbusters é a construção da personalidade “humana” dos personagens. Os primeiros minutos de introdução são fantásticos, nele podemos entender como os antigos heróis morrem, são coibidos de usar suas fantasias e máscaras e por fim, os que se “cansam”. Há uma heroína lésbica, quem mata o casal escreve “Vagabundas lésbicas” na parede deixando explícito a lesbofobia. Algo inegável, mas importante de ser esclarecido.
Rorschach – Este personagem sociopata tem o perfil comum de um Serial Killer: Apanhava da mãe prostituta, sofria humilhações escolares, quando adulto tem pensamento extremamente conservador/religioso, julgando ser um “enviado” capaz de realizar uma “limpeza” na sociedade matando prostitutas ou qualquer outro símbolo que ele eleja como “contaminado”. Jackie Earle Haley (o pedófilo de Pecados Íntimos *calafrios*) é extremamente convincente no papel.
Dr. Manhattan – O musculoso azul traduz muito bem a idéia que eu tenho de “Deus”*: A visão cartesiana dele beira a apatia. Seu pai era relojoeiro permitindo que ele conhecesse na infância o mecanismo desta máquina de engrenagens. Adulto, torna-se físico e tal qual o Hulk sofre um acidente nuclear, tornando-se azul ao invés de verde. Descobre uma gama *hein, hein, entenderam o trocadilho?* de poderes como ser onipotente, onipresente e em alguma medida onisciente. Tendo controle sobre a matéria, pode desintegrar, transformar, ficar gigante e destruir Vietnamitas que foi o propósito adequado segundo Nixon alistando-o para servir a pátria. De tão blasé faz sexo com a esposa enquanto um clone fica trabalhando. Crê que cada atitude humana sendo boa ou ruim não impede o mundo de girar, cabendo a ele contemplar o horizonte niilista em marte enquanto ergue da terra vermelha um conjunto de engrenagens similares a um relógio. Segundo ele: “Não posso mudar a natureza humana”. O que nos leva a um grande problema…
Comediante - Misógino, machão e adjetivos similares caem como uma luva. Luta no Vietnã ao lado do Dr. Manhattan, usa um charuto na boca, é sarcástico e tem pose de cafajeste. Quando volta a cidade tenta estuprar a heroína Sra. Sally Júpiter que é salva quando outro homem abre a porta. Essa cena me embrulhou o estômago, me senti incomodada em saber que em outra ocasião ela o procura. Este tipo de cena só reforça que mulheres violentadas não têm nenhum tipo de aversão ao agressor, no fundo elas até gostam. Nas palavras do comediante: “Você disse Não, que se soletra S-I-M”. Nisto o Dr. Manhattan torna-se omisso, deixa claro em diversas ocasiões que as formas de violência são inatas no comportamento humano, subentendendo aí o estupro. Estupro é uma construção social baseada em privilégios masculinos, transformar isto em entretenimento ou em um gesto inato, é asqueroso.
Srta. Júpiter – Não sei se a culpa é da atriz ou a personagem é insípida. O fato é que a personagem não tem carisma, protagoniza cenas desnecessárias de sexo (o que foi aquela bunda no luar?), não tem nenhuma profundidade e perto de outras atuações tão marcantes como do Rorschach ela simplesmente desaparece. Aquele discurso do Dr. Manhattan para ela em Marte me soou muito anti-aborto, argh.
Homem Coruja – Com sua nave em formato dos olhos do Wall-E (a primeira coisa que me veio à mente foi a voz dizendo “Waall-eee), torna o filme um pouco mais leve, faz o tipo paladino-bonzinho-semi-bundão bem carismático. E ele broxa, o que o torna mais humano. Gostei.
Ozymandias – O “vilão” foi meu personagem preferido (não é só por ser vegetariano, juro), pela pose, charme e boas intenções. Os vilões convencionais querem o mundo á seus pés, ser adorados, ele quer trazer a paz mundial de um modo nada ortodoxo. Fazendo-nos refletir se concordamos com ele, tentaríamos impedir ou aprovaríamos suas atitudes.
Mesmo com tantos deslizes o filme se sustenta e oferece muito mais do que efeitos especiais, mulheres gostosas e Linkin Park.
09.24.09
Anticristo
Anticristo é um filme misógino. Reitera as crenças do místico feminino como algo abominável, indomável, sádico e mortal. Dividido em capítulos, o prólogo em câmera lenta (em preto e branco) conta a morte do bebê do casal e o intercurso no chuveiro.
Esse foco “peniano” é incômodo, qual a relevância de mostrar um pênis entrando em uma vagina? Não há nada “chocante” nisso Von Trier. O mundo “real” já é heteronormativo: Publicidade, linguagem, anedotas…a gama de referências é abundante. Antes de me aprofundar na trama, posso adiantar que o filme é horrível.
*Spoiler daqui pra frente, se quiser pule tudo*
A mãe entra em profunda depressão, levada aos médicos se entorpece com remédios. O marido terapeuta preocupado (e salvador) leva a esposa novamente para casa e tenta tratá-la buscando a fonte de seus medos. Ela confessa ter medo da floresta (Eden).
Neste local há tempos atrás levou o bebê para esboçar páginas de sua tese sobre genocídio, mais especificamente sobre feminicídio. Em determinado dia, ela ouve um choro de bebê e ao segui-lo encontra o filho feliz, embora ainda ouça o choro. Era um chamado da “natureza”(!).
No trem a caminho do Éden, o marido pede que imagine andar nos arredores deitando na grama e fazendo parte do local. Este é o segundo contato com a “mãe natureza”. Ao chegarem, o terapeuta insiste em rituais que ligue ela a esse mito, como andar na grama por exemplo.
No Éden a mulher pede por intercurso, ele tenta recusar acreditando que atrapalhará o “tratamento”. Não resiste, são constantes os closes da bunda do William Defoe contraindo por cima dela. Esta cena se repete com freqüência.
Não espere preliminares ou sexo oral na mulher -por que o cinema é tão relutante em mostrar a mulher gozando na boca de homem? – deita por baixo e o coelhinho em pouco tempo goza.
O contato sexual entre eles torna-se misógino:
Ela: – Me bate.
Ele: – Não farei isso.
Ela: – Então não me ama de verdade.
Ele: – Talvez não te ame
Ela: Corre para uma grande árvore, deita-se e se masturba.
Ele: Corre até ela, dá uns tapas na cara e ocorre o intercurso que ilustra a capa do filme.
Ela chega a conclusão: Se a maldade do ser humano é inata, a mulher como ser humano também é. Sendo má, ela merece ser punida.
Ele diz que a tese dela era provar que as mulheres mortas queimadas não o mereciam só por ser mulheres, para seu espanto “inverteu o jogo”.
O marido tem sonhos estranhos da natureza o amedrontando, a cena mais emblemática é uma raposa dizendo com voz gutural “O Caos Reina”. *Me segurei pra não rir*
Descobre na autópsia que os pés do bebê eram ligeiramente tortos. Ao olhar as fotos do Éden consta que o sapato esquerdo está no direito e vice-versa. Percebe que a esposa é “uma bruxa”.
Ela entra no cenário gritando e o acerta na cabeça o deixando desacordado, ainda com raiva bate no pau dele com uma madeira, tornando-se ereto. Bate punheta nele voando sangue. *Algo me diz que Lars Von Trier é fã de Ero-Guro*
Não satisfeita, usa uma furadeira manual abrindo um buraco na perna dele e coloca um peso de malhar (sabe aqueles “anéis” com peso?). Ainda com muita raiva corta o clitóris com uma tesoura.
Sai correndo, o marido tenta fugir mas é em vão: A floresta é a favor dela. Quando se esconde na toca da raposa (a mesma do sonho) encontra um corvo. Este corvo faz tanto barulho que a esposa o encontra e o soterra empurrando terra na parte superior do buraco.
Cansada, o remove e auxilia a tirar o peso da perna. Ele bate nela, amarra em um tronco de árvore e taca fogo.
A árvore ganha brilho e pisca. A bruxa voltou de onde veio: Da natureza sombria, onde tem de ser domada pelo homem. Com seu sobrenatural poder enfeitiça e cega os pobres homens reféns de seus desejos de cópula, dispostos a arriscar sua preciosa vida se for necessário.
Por fim, ele está na floresta (em preto e branco) enquanto uma multidão de mulheres sai das árvores e andam em sua direção.
Um filme que justifica a inquisição deve mesmo ser considerado uma obra-prima? Esse conceito existe há séculos e críticos chamam esse filme de inovador? Provocativo? Leiam a bíblia, vão se espantar.
09.20.09
Roça?
O vídeo está com qualidade ruim, a Sparta me atrapalha (e quase faz meu celular cair no chão), há vacas, bezerros e até pintinhos. Um passeio com as crianças
PS: Tem receitas novas: Samossas e Arroz de forno no www.escolhavegan.wordpress.com
09.09.09
Chá das cinco
Transfiro qualquer sentimento
Em gotas de chá também há lamento
Confundo tédio com sono e vontade de comer
A preguiça de um post com a vontade de viver
Meio termo nunca sei se senti
Enquanto o mate aumenta a angústia
A camomila me faz dormir
PS: Era exatamente esse tipo de coisa que eu escrevia no meu caderno/diário. Esses desabafos tão pequenos sempre me aliviaram.
08.31.09
Matadores de Vampiras Lésbicas
Da Série Lésbicas para Hétero Ver
Primeira Parte (Vamos ver quantos posts isto rende?)
Ontem nos corredores do cinema vi um cartaz de um filme a estrear que me causou raiva: “Matadores de Vampiras Lésbicas”. Em primeiro plano estava a imagem de um adolescente homem gordo e branco, afinal, o jovem-americano-comum consegue representatividade nas telas.
É impressão minha ou há mais garotos gordos (brancos) nos filmes recentes? Superbad, UP…algo me diz que a “gordura” deles será motivo de piada e mesmo assim “se darão bem” terminando o filme com as meninas cobiçadas. Além dos filmes da Queen Latifah alguém conhece outra mulher protagonista negra, gorda e feliz que fique com bonitões? Caso pensem na Bridget Jones (que não é negra), embora ela dispute galãs sobram problemas com auto estima. E é óbvio que filmes de comédia com elenco negro e protagonistas femininos tem menos sucesso.
Heteronormativo
“Dois amigos chegam a uma cidadezinha rural no País de Gales, e descobrem que todas as mulheres da cidade foram vítimas de uma maldição que as transformou em vampiras lésbicas e matou a maioria dos homens do vilarejo.”
Oh! Que horror! Só mesmo uma maldição para fazer às mulheres que veneram o pau sagrado, a família, a tradição e os bons costumes para escolherem…bucetas! Os odores inebriantes e texturas de suas células sensuais só existem para o desfrute dos homens! Cabe a nós adolescentes brancos-héteros resgatar “o elo perdido” e mostrarmos a todas essas lésbicas de uma vez por todas que a solução e elixir da vida é o suco de piroca!
Avante! Antes que elas tomem força e nos expulsem daqui!
Selo Ruffles Costelinha de qualidade ![]()
08.25.09
Obrigação moral nos deveres do Estado
Ao caminhar no Centro de São Paulo é impossível não deparar-se com um mendigo. Dentre eles são poucas as mulheres que transitam. Creio que a primeira “saída” para elas é mesmo ser prostituta…
Há quem se incomode com a presença deles, afinal eles gritam, dançam, pedem um pedaço do salgado, estão lá descalços em dias de chuva ou de calor, enrolados em seus cobertores com uma bituca de cigarro na boca .
Semana passada em um dia de chuva, vi um senhor de aparentemente 60 anos enrolado em um saco de lixo abrindo uma embalagem de amendoim lambendo o interior metálico. E estava lá eu, com minhas roupas quentinhas, minha toquinha, um celular que tira foto na mochila e um livro do Focault buscando espaço com o guarda chuva nas costas. A pequena burguesa…
Peguei meus palitinhos salgados que estavam no bolso lateral, ao recebê-los o homem parecia perturbado e aéreo, não sei a qual realidade ele pertencia.
O que posso fazer? Essa obrigação é minha? Essa obrigação seria do Estado, obviamente os privilegiados economicamente têm larga vantagem nisto. Quem “protege” os mendigos?
Algumas cenas inusitadas que presenciei
- Uma mendiga urinando e um mendigo se aproximando com um jornal em mãos dizendo “Não vai secar não?” E ela respondeu: “Eu não! Passar jornal na minha perereca?!”
- Uma menina de aproximadamente treze anos dançando funk com uma mini-blusa e um micro-short, cabelo oxigenado e pele parda*. Ela rebolava muito ao som dos CDs piratas que tocavam “O Pancadão”. Os homens presentes riam e lançavam olhares maliciosos.
- Crianças que pareciam ter 5 anos fumando bitucas de cigarro.
- Um casal de mendigos dormindo “de conchinha” (fiquei com vontade de chorar).
* É raro ver uma criança ou adulto branco de olhos azuis nas ruas. Embora existam exceções.
Deviam ser disponibilizados banhos gratuitos, comida e educação (mesmo que muitos saibam ler). Mais importante: O Estado devia perguntar a eles o que ELES querem. Moradia, emprego, saúde, educação?
Antes que algum engraçadinho venha me dizer: “Troque o seu cachorro por uma criança pobre”
Não há incompatibilidade, dá perfeitamente para ter um cão e uma criança pobre. Não há como colocar a responsabilidade social (que supostamente seria do Estado) nas mãos das cidadãs-comuns. O ideal seria oferecer auxílio individual na medida do possível.
E os animais?
Até o presente momento não conheço nenhum açougue que venda carne humana (talvez no mercado clandestino). É injusto negar os direitos básicos a um indivíduo sem renda, assim como não é correto matar um não-humano por valores culturais.
Entendo perfeitamente que não é possível que um mendigo seja vegetariano, ele come o que está disponível. O mesmo vale para pessoas em situações extremas de precariedade. Creio não ser o caso de quem me lê neste instante.
…
Há quem queira morar nas ruas, viver naquele cotidiano. Muitos dos meninos querem o tênis anunciado nas vitrines, as garotas clareiam os cabelos e os carroceiros encostam seus carrinhos após o expediente para folhear atentamente as páginas de uma revista pornográfica.
08.17.09
Mutante
Compartilhei aqui no blog grande parte da minha trajetória, a origem evangélica e outros percalços mais tortuosos, mas nunca mencionei “meus primeiros passos” fora desta “formação”.
Quando eu parei de estudar (aos 15) comecei a trabalhar com meu pai ajudando-o no suporte aos clientes (ele é analista de sistemas autônomo). Fiz um curso básico de HTML e de Clipper sendo que neste último descobri maneiras de fazer animações em formato “quadradão”. Eu gostava de desenhar e ler tirinhas, o professor se surpreendeu porque nunca nenhum aluno dele teve essa idéia. Infelizmente (?) não fiz backup e perdi as “preciosas” animações.
Nessa mesma época entrei em uma paranóia com a minha aparência (minha barriga era o alvo principal) e ia caminhando para o curso em um sol escaldante com os cabelos muito compridos, a saia marrom com desenhos na barra e uma blusinha laranja. Sempre bebendo muita água. Perdi 10 quilos rapidamente e os ganhei quase por completo. Pesava 78 quilos aos 15 anos com 1,64 de altura. Embora tenha ganhado muitos elogios pela modificação da silhueta, continuava triste. Sentia que a gordura me impedia de ser bonita e atraente. Até porque cansei de ouvir que não era feia, só era gordinha e tinha o rosto bonito. Então a associação imediata foi que a única coisa que me impedia nesses anos todos de ser considerada bonita, inteligente e agradável eram mesmo os meus pneuzinhos.
Certo dia eu peguei o caderno com as matérias do meu curso de Clipper e joguei todas fora, restando apenas algumas páginas em branco. Foi aí que eu comecei a escrever e ler o que escrevia, me analisando a partir dali. Percebi que isso me fazia muito bem, era uma conversa franca com minha consciência.
Passei a arriscar cada vez um pouco mais. A primeira mudança foi cortar o meu cabelo.
Depois comecei a encurtar as minhas saias e passei a usar calças.
E não sentia tanto medo de Deus assim…Resolvi que daria uma chance para um moço que parecia legal. Ele foi o meu primeiro namorado.
No dia do meu primeiro beijo (aos 17) estava em um SESC ao ar livre e durante o beijo senti uma coisa cair no meu braço. Era cocô de passarinho. Ele não tinha papel na bolsa que usava sempre a tiracolo. Eu também não, então a saída foi limpar com o ticket do SESC.
No dia em que perdi a virgindade pensei que Deus ia me matar com um raio na cabeça. Só repetia: “A qualquer momento, a qualquer momento”. Ou que o ônibus ia bater e ficaria paraplégica. Dessas “pragas” que adoram rogar nas igrejas pra quem não “andava pelo caminho da justiça e da luz”.
Acabei relaxando e aproveitando aquele momento, mas ainda ia a igreja. No último dia que eu fui, o Cooperador disse na “Palavra”: “Se você não concorda com o que está aqui, vá embora! Deus não precisa de você!” E eu fui.
Com o tempo julguei que o melhor a fazer era romper com meu primeiro namorado. E assim o fiz. Nessa altura eu estava com mechas loiras no meu cabelo (nem tão) comprido.
Conheci mais alguns rapazes e entre eles estava o Yuri. [Que estou a 3 anos cheios de cumplicidade, risos, conchinhas e muito, muito diálogo. Ele não lê meu blog com muita freqüência mas se estiver lendo isso aqui, já sabe que te amo
]
Com o tempo fiz tudo o que sempre tive vontade de fazer: Cortei meu cabelo, pintei de vermelho, uso a roupa que quero na hora que quero, seja saia ou calça jeans, me tornei vegana e encontrei amigas maravilhosas que me aceitam como eu sou: Feminista, atéia, vegana, chorona e atrapalhada.
Agradeço ao apoio dos meus familiares, do meu namorado, minhas amigas, o Wen Do e a União de Mulheres. Amo vocês.
08.12.09
Diz o aviso que eu li
Gosto de sair à noite para conversar com os amigos em um lugar onde um diálogo é possível no tom de voz normal.
As casas noturnas têm muitos fatores desagradáveis:
Bebidas alcoólicas: Uma das coisas que mais me irritam (na vida) é copo plástico com cerveja. Seja em shows ou casas noturnas sempre tem um maldito que passa me espremendo e derrubando cerveja ao som “crock” “chock” do plástico.
Cigarro: A fumaça atrapalha a visão e voltar pra casa cheirando defumado não é bacana. Minha renite e sinusite também não.
“Pegação” forçada: Colocam a mão na nossa cintura para abordagem.
Dança não é sinônimo de exibicionismo: Basta dançar que alguém se aproxima e “te avalia” como se você não pudesse querer dançar para SI.
Falta de espaço: Não dá pra dançar a vontade assim.
Preços abusivos: Pagar R$ 7,00 em um suco de laranja.
Músicas: Esperar a noite toda pra tocar UMA música dos Smiths é desestimulador. Aliás, quando eu ia em alguma casa noturna por mais de uma vez o DJ dizia ao me aproximar “Já sei, Smiths”.
Alternativas
Prefiro comer em casa, em uma padaria de esquina ou em um restaurante vegetariano.
É perfeitamente possível falar besteiras e debater assuntos sem álcool, cerveja ou drogas.
Tenho um tio que teve câncer e fez traqueostomia graças ao tabaco. Não tenho raiva dos fumantes, um dos meus colegas de trabalho fuma e não o odeio por isso, tenho amigos e familiares que bebem e 99% deles são onívoros.
Não posso controlar a renite e irritação dos meus olhos causados pela fumaça, não sou obrigada a gostar de cheiro de bebidas alcólicas (me enjoa) e não me peça para tocar ou preparar uma carne. Vou sentir nojo. Aliás, no caso da carne (e do leite) implica uma questão de (exploração) vida e morte. Do cigarro e da bebida só a longo prazo.
Meu empenho é me manter sóbria
Vivemos em busca de sensações que nos entorpeçam, que nos tirem desta realidade, que nos “desliguem”. Também não acredito nesta negação de sentimentos carnais plena onde a apatia é o ápice.
Os “Anti Fumo” defendem a saúde pública
Não é meu caso, defendo o direito de fumar, beber ou o uso de qualquer outro tipo de entorpecente. O corpo é da pessoa e não cabe a mim julgar o que ela faz.
Quando desço uma escada e a pessoa na minha frente solta fumaça que o ar leva na minha cara, meu espaço é invadido. É como um pum, com o diferencial de que o pum não gruda na roupa e no cabelo. Se fumar ou peidar, por favor, faça em um lugar aberto pra que o ar circule.
Não acredito que o estado realmente aprovou esta lei por questões de saúde pública, o propósito é eleitoral. Os fumantes são minoria e “valores saudáveis” são propagados diariamente. Uniram o útil ao agradável.
É lamentável que tenham excluído a imagem do cigarro no cartaz do filme da Coco Chanel. Nossas manifestações artísticas são fruto de nosso tempo, se o filme é a biografia de uma mulher que vivia em 1920 e fumava, não há sentido em excluir essa particularidade.
PS: Não gosto do José Serra nem do Kassab.
Os fumantes defendem a boemia. A transgressão contra a “Geração Saúde”
A indústria do tabaco (hoje nem tanto), da bebida e das drogas associa a idéia de excitação e sociabilidade aos seus produtos. Quem não consome ganho o rótulo de careta, chato e anti-social.
Como se existisse apenas sociabilidade entre indivíduos que compram os tais itens indispensáveis para uma conversa agradável.
Fiz amigos bebendo leite…de soja.
07.29.09
Espaços Femininos
Não ter referenciais de beleza que retratem a diversidade de corpos faz mal a auto-estima feminina e deturpa a expectativa estética masculina.
Seriam necessários “Espaços Femininos”, onde mulheres pudessem conversar entre si, sendo proporcionada uma “zona de conforto” onde trocassem experiências, nadassem, dançassem ou exercessem qualquer outra atividade corporal e intelectual desejada.
Há saunas, clubes, bares, estádios de futebol e outros locais onde homens convivem em “fraternidade” . Os “Espaços Femininos” disponíveis visam à manutenção da beleza e consumismo (clínicas estéticas e shoppings) ou celebração da maternidade (berçários e chás de bebê).
Não seria maravilhoso ter um espaço nosso? Uma cachoeira ou riacho onde pudéssemos nos banhar, a liberdade de estar com outras mulheres sem a preocupação de um intruso nos observar/filmar, julgando nossa capacidade atrativa?
Nisso também incluiria a possibilidade de ficarmos nuas em coletivo, de calcinha, de biquíni ou como bem quisermos.
Despir
Quase toda mulher vê suas familiares peladas (mães, tias, irmãs…) da mesma maneira que se vê no espelho de relance, reconhecendo alguns traços em si. Na contrapartida vemos corpos na mídia que parecem manequins surrealistas se comparados a estes referenciais.
Se olharmos para os corpos de nossas amigas em um gesto contemplativo, a beleza da diversidade não nos pressionaria a mudar nosso corpo “defeituoso”.
“O valor das indulgências está realmente na despesa causada ao penitente. Seu significado psicológico básico reside no cálculo do quanto o penitente está disposto a sacrificar para obter o perdão. Também os vendedores ameaçam amaldiçoar uma mulher se ela não pagar. Nem é mesmo o inferno da feiúra o que ela teme, mas um limbo de culpa. Se ela envelhecer sem os cremes, dir-lhe-ão que a culpada é ela mesma por não ter se disposto a fazer o sacrifício financeiro adequado. Se ela de fato comprar os cremes e envelhecer — o que iria acontecer de qualquer jeito — pelo menos saberá o quanto pagou para evitar o sentimento de culpa. Uma conta de cem dólares é prova concreta de seus esforços. Ela realmente tentou. A força propulsora é o medo da culpa, não o medo da velhice.”
O Mito da Beleza - Página 159
As nossas “imperfeições” são vistas como um crime gravíssimo e um atentado Ao Mito da Beleza. Por que nossas rugas, nossos cabelos grisalhos, nossos peitos, nossa flacidez é considerada “mortal”? Nenhum homem se preocupa com o formato da própria bunda, com a inclinação do pau, a pele enrugada das bolas. Se as mulheres tivessem testículos, fariam lifting.
07.27.09
Lingerie Day
E o primeiro round começa.
Embora a arena seja tradicional o que a difere é uma mesa redonda localizada no centro. A platéia está cheia, do lado direito estão as moças que participaram do Lingerie Day, reivindicando sua posição libertária em sua sexualidade.
Do lado esquerdo estão as feministas que não criticam as moças em si, mas o fato de ignorarem o sistema que estão inseridas, do quão machista é esta campanha que serviu para satisfazer a paleta de exposições femininas com cores de corpos-comuns.
Quem assiste do lado esquerdo? A platéia só tem cinco moças.
Quando as moças entram no lado esquerdo são chamadas de barangas, mal-comidas, gordas e feias.
As que optam pelo lado esquerdo, são chamadas de modernas, gostosas, “bifão” e “Ê lá em casa”.
Do lado direito da platéia estão uma multidão de homens e garotos de todas as idades, o que eles têm em comum? A Ruffles costelinha e a cerveja que dividem fraternamente.
Deixando claro que não tenho nada contra AS moças. O corpo é delas. E quisera eu, que as mulheres tivessem de fato uma sexualidade liberta e poder para mostrar como bem entendessem seus corpos. Elas só foram “ouvidas” por serem “gostosas”, eles querem dar a liberdade corporal pra quem atenda suas expectativas. Lembrando que há prejuízos em ser bonita.
Tratando-se da minha perspectiva, assino embaixo aqui, aqui, aqui e aqui.






