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	<title>Aquela Deborah</title>
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		<title>Lógicas socializadoras e expectativas de aprendizagem nas classes populares</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 02:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Produzidos para faculdade]]></category>
		<category><![CDATA[O que os pais esperam da escola?]]></category>

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		<description><![CDATA[O que pais e tutores esperam ao deixarem seus filhos e tutelados na escola? Que tipos de características desejam ressaltar, modificar, aperfeiçoar ou ainda, erradicar em comportamentos de crianças e jovens? Seriam essas as mesmas expectativas de professores? E o modo pelo qual docentes exercem sua autoridade vai de encontro com o modelo parental, ou, [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2316&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O que pais e tutores esperam ao deixarem seus filhos e tutelados na escola? Que tipos de características desejam ressaltar, modificar, aperfeiçoar ou ainda, erradicar em comportamentos de crianças e jovens? Seriam essas as mesmas expectativas de professores? E o modo pelo qual docentes exercem sua autoridade vai de encontro com o modelo parental, ou, sobretudo, o tenciona? Verifica-se que quanto mais se têm acúmulo de capital cultural (isso é, maior familiaridade e apropriação da cultura legítima<a title="" href="/Users/Yuri/Downloads/L%C3%93GICAS%20SOCIALIZADORAS%20E%20EXPECTATIVAS%20DE%20APRENDIZAGEM%20NAS%20CLASSES%20POPULARES%20.docx#_ftn1">[1]</a>) em uma família, maiores são as chances de seus membros corresponderem a expectativas de aprendizagem e atenderem a <i>hexis</i> corporal (corporificação do <i>habitus </i><a title="" href="/Users/Yuri/Downloads/L%C3%93GICAS%20SOCIALIZADORAS%20E%20EXPECTATIVAS%20DE%20APRENDIZAGEM%20NAS%20CLASSES%20POPULARES%20.docx#_ftn2">[2]</a>) exigida pela escola. Sobre isso, Thin (2006), ressalta:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><i>[...] Não é, portanto, somente o capital cultural ou o capital escolar que estão em jogo; é o conjunto das práticas socializadoras das famílias que estão implicadas nas relações entre os pais e os professores, e essas práticas devem ser compreendidas por sua distância do modo escolar de socialização, mais do que pelo capital escolar dos pais. Nossas pesquisas sobre as relações entre famílias populares e escola [...] nos levaram a entender essas relações naquilo em que elas são urdidas por dissonâncias e tensões entre lógicas socializadoras divergentes, até mesmo contraditórias, e, finalmente, como o lugar de uma confrontação desigual entre dois modos de socialização: um escolar e dominante; o outro, popular e dominado.</i></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Portanto, na medida em que educadores constatam indisciplina em seus alunos, julgam que exista uma suposta falta de comprometimento dos pais em acompanhar esse desenvolvimento, há uma associação de causa e efeito onde a culpa pela indisciplina recai sobre os pais <i>“que pouco se importam”</i>. Em verdade, o educar de pais das camadas populares não é vazio de sentido nem contraditório, tal divergência só existe quando comparada com a cultura escolar, suas práticas e seu modo específico de gestionar o tempo. Em geral, pais das camadas populares esperam que seus filhos adentrem o universo letrado e tenham acesso a saberes que muitas vezes não tiveram na própria trajetória escolar. Porém, isso significa admitir em alguma medida seu insucesso enquanto aluno, a inabilidade para esse exercício intelectual e até mesmo, envergonhar-se do modo brutalizado de exercer a autoridade ao agredir fisicamente os filhos. Conforme Thin:<i>                                                                              </i></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><i>Além do fato de que a ação física corresponde mais à intenção de interromper rapidamente o ato repreensível, seria preciso levar em conta tudo aquilo que os castigos corporais implicam em relação ao corpo das classes populares, que devem sua existência no plano econômico à sua força física de trabalho.</i></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Assim, o modo escolar de socialização (baseado em sujeitos auto-regulados – sem a necessidade de intervenção constante), colide diretamente com os modos de socialização no âmbito familiar (baseado em sujeitos repreendidos pela vigia e intervenção constante). Para a classe trabalhadora, o tempo do lazer não é associado a práticas educativas, mas, ao descanso do tempo do trabalho. Dessa forma, as atividades lúdicas ou interpretadas como demasiadamente abstratas, parecem de pouca aplicação na vida cotidiana (como aulas de Artes, Filosofia e História); e vistas com menor relevância se comparadas a Português e Matemática, ferramentas para o mercado de trabalho (ler, escrever, contar). A importância de exercer um ofício é fundamental para a valorização de toda identidade de classe. Embora esse grupo específico tenha ciência de sua posição desfavorável socialmente, reafirmar-se como um trabalhador é motivo de orgulho, conforme Sarti (1996) <i>“é através do trabalho, então, que demonstram não serem apenas pobres. Ao lado da negatividade contida a noção de ser pobre, a noção de ser trabalhador dá ao pobre uma dimensão positiva” </i>(p.66-67).</p>
<p style="text-align:justify;">Em 2005, Paixão pesquisou o significado da escolarização para um grupo de catadoras de um lixão no RJ, apontando além dos embates econômicos, entraves simbólicos. Em geral, essas mulheres são a principal fonte de renda da família e aprendem o ofício acompanhando familiares que exerciam essa ocupação, sua renda é variável e com o benefício de um horário de trabalho mais flexível quando comparado aos empregos formais nos quais já atuaram (domésticas, babás e faxineiras), com rendimento mensal igual ou superior. Queixam-se da representação negativa na mídia e reclamavam para si o reconhecimento de sua função como labor digno, valor esse, de extrema importância na afirmação da identidade. As que aprenderam a escrever o próprio nome sentem-se aliviadas de escapar da violência simbólica que é assinar documentos com a marca do polegar, sentiam-se limitadas no ambiente escolar e não raro, apanhavam por não atender expectativas disciplinares e de aprendizagem. Esperam que seus filhos aprendam na escola um comportamento polido e ocupem cargos de maior prestigio social, tal desejo de ascensão para a prole é realista: Se desejariam filhos doutores, médicos, advogados? Certamente, mas sabem que esse anseio dificilmente se concretizará. Precipitadamente, a falta de ambição escolar pode ser vista como desinteresse,  no entanto, essas mães mobilizam-se dentro do possível para que seu destino social e o sentimento de inferioridade não atravessem as gerações seguintes, como é explicitado na palavra de uma entrevistada <i>“não quer os filhos burros como a mãe”</i> (Paixão p. 162).</p>
<p style="text-align:justify;">Muitas constituíram família precocemente e valorizam a maternidade como símbolo de estatuto de maioridade. Seu lazer é reservado aos domingos e entre os programas preferidos está assistir TV, receber visitas e ir à igreja, visto como um lugar alegre e evidentemente, repleto de exortações: <i>“Ensinam como lidar com a família, para quem tem esposo, como lidar com o marido; são umas coisas, assim&#8230; legal! Às vezes, engraçadas também” (41 anos, dois filhos, 4ª série do ensino fundamental). </i>Segundo Giddens, a alta modernidade conta com sistemas especializados, trata-se de um conjunto de especialistas que dizem como devemos nos comportar e agir em diferentes espaços da vida: Psicólogos, Nutricionistas e livros de auto-ajuda, por exemplo. Entrementes, a igreja e seus líderes cumprem o papel de orientar e instruir seus fiéis no campo afetivo, civil, moral e espiritual, além de reforçarem a importância do trabalho para uma vida mais próspera.</p>
<p style="text-align:justify;">A dificuldade em vislumbrar um futuro que transcenda tais condições materiais, sociais e econômicas não é estreiteza de raciocínio, antes disso, é o pragmatismo da sobrevivência no cotidiano.</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div style="text-align:justify;">
<p><a title="" href="/Users/Yuri/Downloads/L%C3%93GICAS%20SOCIALIZADORAS%20E%20EXPECTATIVAS%20DE%20APRENDIZAGEM%20NAS%20CLASSES%20POPULARES%20.docx#_ftnref1">[1]</a>Para Cuche (2002), a cultura é histórica e se dá na relação dos grupos sociais entre si. <i>“As culturas de diferentes grupos se encontram em maior ou menor posição de força”</i>. Lembrando que nem o mais fraco está totalmente submetido, a dominância cultural nunca é total e definitivamente garantida.</p>
</div>
<div>
<p style="text-align:justify;"><a title="" href="/Users/Yuri/Downloads/L%C3%93GICAS%20SOCIALIZADORAS%20E%20EXPECTATIVAS%20DE%20APRENDIZAGEM%20NAS%20CLASSES%20POPULARES%20.docx#_ftnref2">[2]</a> Ato de um estrutura social ser incorporada pelos seus integrantes e naturalizada no modo de viver, sentir, agir. Nesse caso, um bom aluno é aquele que sabe “se portar” de forma disciplinada.</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">CUCHE, D. CAP. 5 – Hierarquias sociais e hierarquias culturais; CAP 6. – Cultura e identidade. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru, EDUSC, 2002.</p>
<p style="text-align:justify;">GIDDENS, A. Apresentação; Os contornos da Alta modernidade. Modernidade e identidade, Rio de Janeiro, Jorge Zahar. Ed, 2002</p>
<p style="text-align:justify;">PAIXÃO, L.P.<b>Socialização na escola</b><i> IN:</i> PAIXÃO, L.P. &amp; ZAGO, N (org.) Sociologia da Educação: Pesquisa e realidade brasileira. Petrópolis. Editora Vozes, 2007.<i></i></p>
<p style="text-align:justify;">SARTI, C.A. <i>A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres. </i>Campinas: Autores Associados, 1996.</p>
<p style="text-align:justify;">PAIXÃO, L.P.<b>Significado da escolarização para um grupo de catadoras de um lixão.</b><i> </i><i>Cad. Pesquisa.</i> [online]. 2005, vol.35, n.124, pp. 141-170.  <a href="http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n124/a0835124.pdf">http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n124/a0835124.pdf</a>Acessado em 31 de Março de 2013</p>
<p style="text-align:justify;">THIN, D. Para uma análise das relações entre famílias populares e escola: Confrontação entre lógicas socializadoras. In: Revista Brasileira de Educação, vol. 11, n. 32, maio-ago. 2006</p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2316/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2316/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2316&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Produzindo para faculdade</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 02:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Produzidos para faculdade]]></category>
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		<description><![CDATA[É latente que minha relação com a academia mudou, fiz uma série de suposições, mas tudo muda uma vez que se está inserido nesse ambiente. De modo geral adoro estar lá, me preparar antes de aula, ler os textos, escrever, debater ideias. Claro que ás vezes é sofrido, por exemplo, se é necessário que eu [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2311&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É latente que minha relação com a academia mudou, fiz uma série de suposições, mas tudo muda uma vez que se está inserido nesse ambiente. De modo geral adoro estar lá, me preparar antes de aula, ler os textos, escrever, debater ideias. Claro que ás vezes é sofrido, por exemplo, se é necessário que eu leia cinco vezes o mesmo capítulo pra começar a entender o que o autor diz por trás de palavras e configurações do pensamento inéditas. Mas no fundo isso me estimula. Gosto das devolutivas; por elas percebo se sou objetiva, se corto os assuntos abruptamente (sem costurar as ideias muito bem), se meus títulos estão muito óbvios e assim em diante. Um novo olhar sobre meus escritos que como podem deduzir é meu hobby predileto.</p>
<p style="text-align:justify;">Criei uma nova categoria de posts para organizar e compartilhar alguns dos textos que produzi para faculdade, (<a href="http://aqueladeborah.wordpress.com/category/produzidos-para-faculdade/" target="_blank">“Produzidos para faculdade”</a>), isso incluirá artigos e demais produções que virão. Comecei a iniciação científica o que toma um tempo considerável, mas como sempre, arrumarei um jeitinho de comparecer aqui e dividir algumas coisas com vocês. Por isso, se demorar em responder e-mails, mensagens ou aprovar comentários não estranhem. Estou na reta final do segundo semestre e com certeza, serei outra pessoa ao terminar minha graduação, será interessante arquivar esse processo do mesmo modo que fiz com outras etapas da minha vida. Quando o arquivo escrito ultrapassar três páginas (de Word) em ABNT, compartilharei em links, uma vez que a dinâmica de um blog é diferente e textos grandes raramente são lidos. Dessa forma, sintam-se livres para divulgarem esses textos se assim desejarem, só peço que reconheçam minha autoria ;)</p>
<p>O texto compartilhado de hoje é sobre Nietzsche: <a href="http://aqueladeborah.files.wordpress.com/2013/05/vontade-e-dogma.pdf">Vontade e Dogma</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2311/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2311/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2311&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Misandria não serve nem pra piada</title>
		<link>http://aqueladeborah.wordpress.com/2013/05/10/misandria-nao-serve-nem-pra-piada/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 05:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gênero]]></category>

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		<description><![CDATA[O feminismo e outros movimentos fazem isso há muito tempo, pegam um termo e dão um novo significado. Falar em “feminazi” e “misandria” por brincadeira é o mesmo que dizer que é um soldado da ditadura gay, mostrar o absurdo de não ter conjuntura política, histórica ou social quando se é acusado de promover um [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2287&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><a href="http://aqueladeborah.files.wordpress.com/2013/05/desenho.jpg" target="_blank"><img class=" wp-image " id="i-2286" alt="" src="http://aqueladeborah.files.wordpress.com/2013/05/desenho.jpg?w=430&#038;h=386" width="430" height="386" /></a><p class="wp-caption-text">Eu, de pijama. Desenhada pela minha irmã</p></div>
<p style="text-align:justify;">O feminismo e outros movimentos fazem isso há muito tempo, pegam um termo e dão um novo significado. Falar em “feminazi” e “misandria” por brincadeira é o mesmo que dizer que é um soldado da ditadura gay, mostrar o absurdo de não ter conjuntura política, histórica ou social quando se é acusado de promover um regime ditatorial. Simples. Faz alguns anos que não entendo essa brincadeira de “feminazi”, “sou misândrica”, imagens de ~odeio homens~. Quando li  SCUM Manifesto pela primeira vez, ri (conheço alguns homens feministas que também se divertiram), foi o momento de revolta da Solanas. Ela estava “pelas tampas” e resolveu dar um touché no discurso patriarcal mascarado de ciência. Como entretenimento, ótimo, pra levar á sério? Nunca. Compreendo a ironia e o propósito de se dizer misândrica na internet enquanto namora homens, gosta de intercurso, ama o filho, o pai, o irmão, o avô, faz parte da graça da piada, mostrar o disparate. Entre um caminhão de palavras pra ressignificar por que diabos vamos atrelar nossa identidade á esses parâmetros de interpretação obtusa do feminismo? Empoderamento, igualdade, empatia, pluralidade, união são termos que não dão mais conta? <em>“Le Freak, C&#8217;est Chic?”</em></p>
<p style="text-align:justify;">Não sei se é tendência, mas semana passada rolou um texto na internet sobre se assumir feia, parece um movimento similar a apropriação do discurso misândrico “de mentirinha” : <em>Vestirei a carapuça.</em> Percebo a ação mas não acho graça nem vejo o objetivo político. Por exemplo, se a feminista conseguir de fato se apropriar desse discurso e não ter preocupação com a aparência, ótimo. Porém, tenho a intuição de que apenas uma parcela ínfima ficaria satisfeita nesse esquema, se é que alguém realmente ficaria. Detesto ser repetitiva <a href="http://aqueladeborah.wordpress.com/2013/05/06/a-ultima-dieta/" target="_blank">(digo isso há algumas postagens)</a>, todavia vejo necessidade de reiterar: Isso é separar mente e corpo. Ademais, saber do Mito da Beleza não implica na obrigação de jogar maquiagens fora, a própria <a href="http://i276.photobucket.com/albums/kk34/feministing/naomi-wolf-2.jpg" target="_blank">Naomi Wolf</a> usa brincos dourados e batom vermelho, a bunda da Simone de Beauvoir e seus pés em salto alto são de muito bom gosto no sentido mais comum da palavra. Não entendo esse “faz de conta” de “não me importo com beleza”, “odeio homens” e similares porque a maioria das mulheres que conheço que faz esse discurso tem problemas sérios de insegurança e de auto-estima. Não porque são fracas, mas porque são humanas e todo mundo se sente assim ás vezes. Então por que mentir pra si mesma assim? Pra quê passar essa imagem que foge tanto do amorzinho que vocês são na vida real? Qual o alívio de dizer <em>“Ufa, não preciso me sentir linda”</em>, esse não é um dos discursos mais fortes desde a segunda onda do feminismo? Que cada uma tem o direito de se reinventar? De mandar á merda os padrões e descobrir sua forma de ser feliz? Gente, cadê a historicidade?</p>
<p style="text-align:justify;">Outra coisa, se não querem ser chamadas de lindas, deixem isso claro, as pessoas tem de respeitar, mas não é porque alguém te acha linda que está te reduzindo a um pedaço de corpo. Aproveitando a postagem, deixa eu falar uma coisa que mudei e muito de opinião sobre uma interpretação feminista corrente:<b><span style="text-decoration:underline;"> Ninguém se objetifica</span></b>. Uma postura corporal, uma roupa, uma dança, nada, nem ninguém, se objetifica, porque acreditar nessa possibilidade é dizer que a culpa do alvo de preconceito é ele mesmo, igual fazem com gay que dá pinta. Quem quer ser fabuloso e se jogar no vestidinho flúor ótimo, quem quer se jogar no xadrez e deixar a perna peluda, idem. Mas voltando ao papo anterior, se “misândricas” usam maquiagem, a maioria se relacionou (ou se relaciona) com homens e obtém prazer disso, qual a finalidade desse discurso? Aproximar uma panelinha como em uma piada interna? É um código interno de uma festa que não me convidaram (vai que&#8230;)?.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2287&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Á última dieta</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 15:27:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Como perder peso]]></category>
		<category><![CDATA[Dieta definitiva]]></category>
		<category><![CDATA[Emagrecer rápido]]></category>
		<category><![CDATA[Quero emagrecer]]></category>

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		<description><![CDATA[Dieta é um plano emergencial que consiste em quebrar o lacre, retirar o martelo, estourar o vidro e pular do ônibus em movimento, um incidente com escoriações. Mas por que atitude tão abrupta? A dieta é movimento desesperado por controle que escapa dos dedos e pula direto na balança. Ah, a temida balança! Nela medimos [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2279&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Dieta é um plano emergencial que consiste em quebrar o lacre, retirar o martelo, estourar o vidro e pular do ônibus em movimento, um incidente com escoriações. Mas por que atitude tão abrupta? A dieta é movimento desesperado por controle que escapa dos dedos e pula direto na balança. Ah, a temida balança! Nela medimos o tempo, calculamos medidas perfeitas, calorias exatas. É métrica de antever passos, se tornar senhor das próprias pulsões e paixões, refrear. Por meio dela há o pressuposto de uma meta, um plano de ação que controle o futuro e como reagiremos a todas as “tentações” que o horizonte reserva, mas ao fim, é punição de curto prazo. Um rigoroso e quase exclusivo grupo de alimentos nada saboroso é calvário, uma cruz para carregar que quanto mais pesada, maior será a credibilidade, visto que quanto maior o pecado maior a penitência. A dieta serve como uma luva quando se trata de culpa. Por ser meta de curta duração é realizada com pouco prazer, traz no íntimo a sensação de que os resultados não serão duradouros e uma vez que as abstinências desse processo sejam abandonadas, recuperarão todos os quilos perdidos. Logo, a dieta é feita para o fracasso e quando esse término de privações chega ao fim e nos atiramos á forra, o ciclo está completo: Você entrou no projeto que pedia o máximo de comprometimento e “celibato”, depois do resultado alcançado (isso se não houver desistência antes), é hora de voltar com a vida social e sentir prazer novamente. O relógio volta com velhos hábitos e costumes; é dado o momento de procurar a nova dieta, entrar em um novo ciclo de penitência, vigia constante, rigidez.</p>
<p style="text-align:justify;">A punição acontece por nos privar do prazer, tornando possíveis os paralelos com o deleite sexual. Somos todo corpo e em especial, somos estômago. Uma comida realmente fantástica é aquela que nos faz gemer. Guerrear contra a gula não é muito diferente de se opor á luxúria, o corpo nos trai, pede coisas não exatamente apropriadas ao momento ou situação, o núcleo desse raciocínio ocorre quando separamos as urgências da mente e do corpo. Não parece nada nobre se entregar ao prazer fugaz de uma colherada no brigadeiro, ou quem sabe, o sexo casual com o semi-desconhecido, mas o corpo pede e ás vezes, a gente cede. O que proponho é um exercício um pouco mais aprofundado e por essa razão, muito distante da necessidade de seguir uma dieta. Trata-se de ouvir a demanda do corpo ponderando pra depois agir, ir à contramão do plano impulsivo para respostas impulsivas. Combater compulsão alimentar com dieta é colocar fogo contra fogo e nesse embate, sairemos chamuscados seja pela escassez ou pelo excesso.</p>
<p style="text-align:justify;">É possível se alimentar de solidão, mágoa, rancor, desamparo, quem nunca afogou suas mágoas em quantidades extras de açúcar? Se ninguém nos ama o bastante, o tablete de chocolate é carinho quase imediato. Podemos nos alimentar de raiva quando rapidamente e com violência ingerimos uma porção após outra sequer sentindo o sabor, pra sufocar, pra causar mal, de propósito.  Dá pra comer vingança, mostrar á nós e ao mundo que eles têm razão em nos taxar de “um caso perdido”, <i>“Já que sou gorda, vou me entupir”.</i> Conheço e já degluti sentimentos de ódio, piedade, rejeição, medo. Também já os experimentei no outro extremo, privando de comer o que tenho vontade.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o corpo marca o tempo, ele também conta as experiências vividas por meio das rugas, sinais, pintas, nas pequenas ou grandes manchas, cicatrizes, na postura, no modo de sorrir, no sotaque. O que somos é denunciado pelos movimentos espontâneos como o tom de voz e a desenvoltura de falar em público. Mas, se nós aprendemos a ser, isso é, se nós nos construímos ao longo dos anos, não significa que esse processo tem data limite para intervenção. Se me construí como uma pessoa gorda pela minha interação social e minha experiência com o mundo até determinada idade, nada impede que mude de direção e busque outra forma de interagir com meu corpo e com quem me cerca. Note que isso demanda extrema franqueza sobre si, conhecer o próprio ritmo, respeito e zelo pela própria história, o corpo como unidade criadora e em permanente movimento. Nesses parâmetros, uma dieta restritiva, impulsiva, pouco reflexiva, que transforma seu organismo em inimigo é uma grande sabotagem. A honestidade com o corpo (e a consciência faz parte dele) permite uma ação bem direcionada e não imediatista. Se seu corpo foi construído (e ele sempre é, mesmo quando tratado de forma displicente) no decorrer das décadas, não é em um dia que recuperará o <i>“tempo perdido”</i>. Aliás, a dieta só considera <i>tempo ganho</i> aquele que acontece sob suas rédeas curtas, é dependência.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem se torna refém de uma dieta não trabalha o amor próprio no presente, é apenas no futuro que talvez, seus seguidores arrisquem abandonar inseguranças, só quando suas pernas forem bonitas <i>o bastante</i>, sua barriga estiver seca <i>o bastante</i>. Mas esse futuro nunca chegará, porque a ilusão da dieta é prometer que em algum momento se for realmente determinada alcançará ao corpo ideal. Se isso fosse verdade, modelos, atrizes e cantoras com corpos no padrão não seguiriam dietas restritivas para perder mais dez quilos, a mídia diz o contrário. Em dieta, não há permissão para se divertir ou comer algo realmente saboroso, <i>a ração está suspensa por mau comportamento. </i>A dieta nos transforma em carrascos, para burlar quebram-se as regras trazendo mais culpa e uma vez cansadas, envergonhadas e ansiosas, sairemos em busca por uma solução rápida que sane o aborrecimento e o investimento anterior. Estamos prontas à submissão voluntária de uma dieta mais rígida que a antecessora, a dieta do presente financiará a seguinte em uma hipoteca que consome emoções, esperança e amor-próprio. Nesse dia sem dieta proponho um projeto mais ambicioso que ficar 24 horas sem regimes, a intenção é que nunca mais você precise recorrer a esse sistema auto-punitivo. Parece loucura, eu sei, mas ainda mais ilógico é o fato de que tantos indivíduos vivam correndo atrás da própria cauda, inseguros ao ponto de não sair de casa, de pensarem (e até mesmo tentarem) suicídio, de sentirem vergonha por supostamente não merecer uma vida social, investir em um novo romance, trocar de emprego, terminar um relacionamento abusivo, experimentar novas roupas.</p>
<p style="text-align:justify;">Para tanto, é mais benéfico trocar a dieta por movimento, o que será mais prazeroso cabe a cada um descobrir: Caminhada, natação, esporte, musculação, capoeira, yoga&#8230; Se encontrar uma atividade prazerosa e fizer disso uma rotina de amor próprio, a endorfina e o sangue circulando serão bem mais motivadores que um jejum e o sabor de sopa aguada.  E a melhor parte: Não é necessário sentir culpa em comer o que se tem vontade, entrementes, é possível se permitir experimentar coisas diferentes: Legumes, frutas, vegetais e sucos naturais são realmente deliciosos e ajudam no humor. Isso não significa que você só vai comer arroz integral com linhaça até o fim da vida, trata-se de expandir a cartela de cores do seu prato, fazer uma refeição variada oferecerá maior prazer e saciedade. Isso trará emagrecimento? Talvez. Mas a questão é: Você quer emagrecer? Se a resposta for afirmativa, é bom que pondere os modos que conseguirá isso. Se for com dietas, cápsulas e outras fórmulas de resultados bruscos as chances de falha são muito altas, não por culpa sua e falta de determinação, mas porque o corpo busca estímulo e prazer e uma dieta não corresponde a nenhuma dessas especificações básicas. Se você quer emagrecer precisa repensar a forma que lida com a comida, mudar hábitos, fazer exercícios físicos. Se mesmo assim, optar por seguir uma, não esqueça que junto do dinheiro que vai pelo ralo irá mais um pedaço da sua auto-estima <i>que já não anda lá essas coisas</i>. Não há qualquer garantia de que se finalmente vestir um manequim menor será efetivamente mais feliz.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem não tem aquela amiga magra com o corpo exatamente como sempre sonhou e que aperta “banhas imaginárias” reclamando que precisa perder medidas? Quantas ex-gordas não ficam em frangalhos se alguém as chama pelos antigos apelidos? A trajetória esperada tem sido se privar e sofrer primeiro para (talvez) se amar depois, porque não descartar a primeira parte? Porque é mais lucrativo para uma indústria bilionária de alimentos, revistas, cosméticos, cintas-redutoras, cápsulas e livros manter consumidores ávidos por soluções mágicas, se há culpa nas pessoas a dieta corrobora para que se expanda. Metaforicamente, é como se convencionasse que um tratamento adequado para um depressivo são terapias depressoras, com evidente falha, a solução seria encontrar outra ainda mais intensa. Ou seja, a dieta não contribui para que seu <i>“quadro clínico”</i> melhore, ela agrava os sintomas e ainda te culpa por isso. Se você quer emagrecer, o faz para que(m)? É o medo do que acontece depois da curva dos oitenta quilos?  Dos três dígitos? Emagrecer para que seja tratado com respeito é comprar o discurso de que gordos merecem o ódio que os atinge. <i>“O gordo é um estorvo para o sistema único de saúde”</i> e todas as outras estatísticas que surgem quando ligamos a TV com matérias mostrando a barriga de pedestres anônimos. Dizem que os gordos são imprestáveis, preguiçosos, nojentos e diante da coação esses se convencem, tentam pedir desculpas pela própria condição emagrecendo para serem dignos de afeto, respeito, desejo. Meu convite é para que os gordos (e os que se sentem assim) saiam das sombras e se movam, disseram que nosso corpo era peso morto e acreditamos, não arriscamos atividades físicas, desconhecemos o tamanho da nossa força, nossa elasticidade, se somos ágeis ou se podemos surpreender com a leveza no requebrar de grandes quadris. Se observarmos atentamente, no verso de cada fita métrica se esconde uma faixa criminal.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2279/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2279&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Material girl – A mulher interesseira, sexo e capital</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Apr 2013 15:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Desejo]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[O pessoal é político]]></category>
		<category><![CDATA[mulher interesseira]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexo (como entendido) é performático, genitalizado, heteronormativo, cis-sexual. As revistas femininas e o incentivo ao sexo da mulher é sempre nos moldes de &#8220;esse é o meu poder e dele faço uso pra conseguir o que quero”. Os sujeitos são estimulados a fazerem mais sexo, ao ponto de mentirem a freqüência nas pesquisas: “ dou [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2209&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sexo (como entendido) é performático, genitalizado, heteronormativo, cis-sexual. As revistas femininas e o incentivo ao sexo da mulher é sempre nos moldes de <i>&#8220;esse é o meu poder e dele faço uso pra conseguir o que quero”</i>. Os sujeitos são estimulados a fazerem mais sexo, ao ponto de mentirem a freqüência nas pesquisas: <i>“ dou duas sem tirar”</i>, <i>“eu tenho cinco orgasmos múltiplos”</i>. Não <i>pega bem</i> dizer que gosta de sexo no escuro, aquela coisa ao som de Barry White. Ninguém gosta de ser considerado morno sexualmente porque morno não mela calcinha nem levanta pau. A coisa precisa pegar fogo.</p>
<p style="text-align:justify;">E pode pegar de várias maneiras, depende do que você busca e com quem se relaciona. Não há sexo desinteressado se feito além de dois integrantes, veja bem, se quero sexo só comigo, me masturbo. Quando estimulo outro corpo além do meu (de forma consentida é óbvio), tocando, lambendo, chupando e beijando estou pensando no outro. Gosto de ver a cara contorcendo ao gozar, é uma massagem no ego, faz bem. Aí as relações de poder ficam complicadas de discernir, ou como alguns preferem, mais fluidas. No sexo oral, por exemplo, quando uma mulher chupa um homem a reação é <i>“Ele está se dando bem, quem é chupado está no comando”</i>, mas quando um homem chupa uma mulher dificilmente se diz: <i>“Ela está no comando, ela está se dando bem”. </i>Porventura não teria maior <i>“controle” </i>a boca que conduz movimentos ritmados? As mãos que deslizam e enrugam os dedos na umidade? Que estremecem pernas, arrepiam braços, produzem gemidos e a vontade de quase implorar para que aquilo não pare e dure por todo o sempre?</p>
<p style="text-align:justify;">Essa dualidade (quem manda, quem obedece), é imprecisa. Se entregar abertamente demanda confiança plena, confiamos em quem está a nossa frente, confiamos em deixar o corpo soltar o que tiver de deixar sair no tempo que necessita. Ou seja, se gozo maravilhosamente é por permitir a mim e permitir-me ao outro. Se ele controla com a língua, eu controlo com os quadris e é de movimento que somos feitos. Somos corpo, dentro e fora do sexo, somos corpo e sentido. Sexo não é desinteressado também por outro motivo, nós buscamos capital. Sim, até os anarquistas. E que tipo de capital? Isso cada um dirá por si. Meu capital estético de interesse é um pouco fora do comum (eu digo um pouco, porque se Jennifer Lawrence quiser meu corpo nu é só ligar), mas claro que há uma série de características físicas que facilmente me fazem sucumbir. Também tenho interesse pelo tamanho do capital cultural aliado a sensibilidade, adora literatura? Musicais? É vegano e sabe cozinhar? Muitos pontinhos. Ainda por cima não bebe e não fuma? Por favor, mande currículo com foto. É, com foto. E quer saber? Mesmo com todos esses requisitos pode ser que não role a chamada química (menos com você, Jennifer, tenho certeza que daríamos certo).</p>
<p style="text-align:justify;"><i>“Não mostre o que tem na carteira,  mostre o que tem na cabeça”, “Cubra seus peitos e mostre sua personalidade, mulher” </i> é só um modo de dizer que não se faz tanta questão do que carregam na carteira, mas no coração, nas idéias, no tamanho do capital cultural. Na apropriação de uma cultura legítima e quem sabe até, ver o filme esloveno e a última animação da Pixar com o mesmo gosto e olhos embotados de lágrimas.</p>
<p style="text-align:justify;">Fazer uma cirurgia plástica pra conseguir um homem rico que banque é se desvalorizar? É ser <span style="text-decoration:underline;">nada</span> feminista? Bem, alguém que julgue esse tipo de capital importante precisa literalmente investir no corpo, com malhação, dieta balanceada, cirurgias e toda a parafernália possível, esse alguém, pode realmente julgar que estabilidade financeira é algo mais importante do que ser colunista da revista Piauí, Caros Amigos ou ganhar um Jabuti. E essas pessoas não são imbecis, elas não <i>“sofrem de baixa auto estima”</i>, elas não precisam ser <i>”iluminadas”</i>. Uma patricinha, uma piriguete ou um rapaz gay que é bancado em troca de sexo não merecem desprezo. É muito fácil sentar a bunda e escrever usando vinte e dois teóricos sobre o assunto quando na vida <i>isso não enche barriga</i>. É totalmente diferente da prostituta que trabalha na rua com discriminação e o perigo da violência, mas mesmo assim, há uma aproximação: Não adianta oferecer curso de fazer bolsa em garrafa PET ou dar um livro teórico achando que isso afastará mulheres, travestis e transexuais desse mercado. É preciso ouvir, construir políticas públicas, lutar para que sejam respeitadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Os sujeitos tem o direito de ter acesso ao patrimônio intelectual da humanidade, mas julgar que trabalho ou o gosto por atividades ditas intelectuais são mais nobres que as do corpo, especialmente as que envolvem sexo como moeda de troca, é esquecer que sexo<i> é interesse</i>. Fazer sexo por interesse <i>financeiro</i> é apenas um dos vários tipos de capital <i>(estético, cultural). </i>Isso não nos transforma em um objeto, isso não é <i>“contribuir para que não respeitem”</i>, as pessoas tem o direito de buscar a forma que acharem mais conveniente de se sustentarem<i>. “E quando essas mulheres começarem a ficar velhas? Não serão trocadas?”</i>  pode ser que sim, pode ser que não. Igualmente, ser feminista ou ativista não impede que as pessoas pisem na bola, troquem parceiros, encontrem <i>“alguém melhor”. </i>Assim como o marido não tem poder sobre a esposa, a namorada não pode mandar na namorada, um cliente (ou um mantenedor) não pode bater em quem fez sexo com ele (ou quem dele depende economicamente). Não é porque há um contrato implícito e uma das partes tem um maior capital – ou prestígio &#8211; cultural, econômico, estético, que poderá ditar as regras sobre o corpo de quem está ao lado. Usar o sexo como moeda de troca não é se transformar em mercadoria e nem sempre é sintoma de vulnerabilidade econômica, muito embora, existam tais aproximações; além da evidente segregação de quem tem faz dessa a maior fonte de renda. Ao mesmo tempo em que é importante frisar que nada é neutro, é bom que saibamos que essa liberdade irrestrita e sem fronteiras simplesmente não existe.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o relacionamento é aberto ou fechado, se é papai e mamãe ou orgia, se é assim ou assado sempre há paredes de contenções, o mundo sempre nos supera, criam-se combinados, modos de entrar e sair, formas de convivência. Alguns tem muros maiores, outros menores. Não me cabe aqui gritar aos quatro ventos o quanto a minha água é mais limpa que a de meus vizinhos, o céu não tem cobertura e se chove me molho tanto quanto quem me lê.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2209/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2209/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2209&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quando digo, você não acredita</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Apr 2013 22:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>

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		<description><![CDATA[É uma grandessíssima merda que todo o mundo goste de dizer que você não presta, que nós não prestamos. Supostamente, não merecemos sorrir, não temos porquê viver, acreditam ainda, que nosso habitat é chafurdar na angústia. Juro que te entendo, de todo meu coração. Por vezes também não sei o que fazer comigo, por vezes [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2198&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É uma grandessíssima merda que todo o mundo goste de dizer que você não presta, que nós não prestamos. Supostamente, não merecemos sorrir, não temos porquê viver, acreditam ainda, que nosso <em>habitat</em> é chafurdar na angústia. Juro que te entendo, de todo meu coração. Por vezes também não sei o que fazer comigo, por vezes nem consigo comemorar as conquistas, vibrar com elas. Coloco a lupa em todos os erros, os êxitos ficam pequenininhos vistos com olhos de formiga. Me acabo de chorar no box do banheiro quando estou assim, mas logo passa, conto até dez. É só ansiedade, desespero, coisa de momento. Porém, sua tristeza é mais forte que a minha, mais latente, custa mais passar. Sei que estou em desvantagem porque posso escrever quilômetros e até chorar para que acredite: Te acho uma das coisas mais belas, fortes e admiráveis que encontrei em toda vida. Entretanto, em outras vias e ao fim, você ouve mais <em>“não”</em> que <em>“sim”</em>. Sei que a descrença não é por pensar que minto, mas por ouvir ataques de longa data (décadas), como aquela <em>vozinha</em> que remói advertindo que não merece, que ninguém vai querer te ouvir, que suas dores são frescuras, que só quer chamar atenção, que tudo em você é medíocre e desprezível, que é melhor sofrer calada. Eu me importo com você. Eu me importo pra caralho. O pesar aumenta quando lembro que você e tanta gente que admiro se sente um lixo por sistemas meritocráticos, reguladores, limitados. Se tanta gente incrível se percebe como detrito, esses mecanismos de contenção estão funcionando como um relógio, ou melhor ainda, estão quase que acoplados ao peito, uma segunda pele. Sabe por que você não <em>“se encaixa”</em>?  Porque você foge do escopo, amor, e por essas e outras, morro de orgulho de você.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2198/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2198&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O aluno não sabe fazer “O” com o copo?</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 16:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Aluno burro?]]></category>
		<category><![CDATA[Escrever errado]]></category>

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		<description><![CDATA[A escola que já era vazia de sentido para alunos e um trabalho pesadíssimo para professores estende seu expediente. Imagine um emprego estafante onde você se sente apenas um número e as tarefas propostas (em sua grande maioria) são completamente monótonas, uma cantilena sem fim e então, é aumentada a carga horária. Você que me [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2178&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A escola que já era vazia de sentido para alunos e um trabalho pesadíssimo para professores estende seu expediente. Imagine um emprego estafante onde você se sente apenas um número e as tarefas propostas (em sua grande maioria) são completamente monótonas, uma cantilena sem fim e então, é aumentada a carga horária. Você que me lê, certamente passou décadas dentro dessa instituição então diga com sinceridade: Você não se sentia um lixo nos bancos escolares? E você, educador comprometido, também não se sente um lixo pela péssima infra-estrutura, pela pressão em fazer mágica em 12 meses com a tarefa hercúlea de &#8220;melhorar&#8221; a &#8220;bagagem do aluno&#8221; (ou seja, o acúmulo até aquele momento específico da vida), ao mesmo tempo em que prepara ele para os anos seguintes?</p>
<p style="text-align:justify;">As escolas de tempo integral se forem apenas uma extensão do que a escola já é, pioram o quadro geral. É preciso investir na formação de professores, tornar esse trabalho mais valorizado, fazer o professor se sentir menos vulnerável. Sim, porque o professor em muitos momentos se sente extremamente vulnerável. Ele “tem que” responder as recomendações da Diretora, da Coordenadora Pedagógica, do Plano Nacional de Educação, dos alunos com cara de bunda (quando sacrificou o fim de semana planejando aula e corrigindo provas), dos pais dos alunos que acham que fariam o trabalho melhor que ele (mesmo que <em>malemá</em> aguentem dois filhos em casa por algumas horinhas, quem dirá prender atenção de dezenas de crianças).</p>
<p style="text-align:justify;">Explicando melhor o tamanho da bucha: Os alunos chegam e é necessário traçar um perfil para saber “em que pé está” essa formação. Nada garante que o que você ensinou será “reaproveitado” pelos professores que receberão esses alunos nos anos seguintes. Há evasão, eles mudam de estado, de escola, enfim, muitos são os motivos para que talvez você não veja boa parte deles nos anos que seguem. Recentemente, <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/governo-alckmin-acaba-com-aulas-de-geografia-historia-e-ciencias.html" target="_blank">Alckimin acabou com aulas de Geografia, História e Ciências</a> no Ensino Fundamental. O que isso significa? Que os índices de desempenho estão baixíssimos. A escola cada vez mais explicitamente é feita para o escrever-ler-contar. Esse déficit é culpa de quem? Certamente não é só do professor, nem dos alunos, nem só dos pais. É da forma escolar como um todo. Mas uma coisa é certa, professores e tutores não são idiotas, mais ainda, sei que isso pode chocar alguns mais sensíveis por isso peço licença para ir mais fundo: Sequer os alunos são estúpidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem aquele aluno que escreve <em>“alfasse”</em>? Pois é, nem o aluno que escreve<em> “derrepente”</em>. Digo mais, os erros ortográficos dizem muito sobre como estruturamos nossa língua, sobre sua fluidez e uso, prosódia, fonética e fonologia. Um erro de grafia ou uma série deles, não é um ato de preguiça, antes disso, é reflexão que busca dentro de todas as variantes possíveis uma resposta mais adequada para a escrita de um enunciado. Isso significa que temos de abolir o ensino da “forma culta”? Não. Mas tratar o aluno como alguém que precisa ser medicado, que vê espelhado, que não sabe processar informações, não ouve corretamente, enfim, que é um sujeito torto e que o problema é de uma suposta estreiteza de raciocínio categoriza como patologia, além de ser uma inverdade. As pessoas têm que perder o medo das palavras, elas não mordem. Se você não sabe escrever tão bem quanto gostaria não importa. Coloque no papel, na tela do computador, na máquina de escrever, no papel de pão, no guardanapo.</p>
<p style="text-align:justify;">As palavras estão aí para ser usadas e corremos atrás delas todas as vezes que tentamos dizer o que sentimos, seja em uma conversa de bar, seja na sala de aula. Ou seja, não tenha medo porque você já faz uso das palavras e de uma maneira refinada o suficiente para que ao receber sua mensagem, terceiros sejam capazes de te entender. A escrita e a leitura devem ser instrumentos para a autonomia e desenvolvimento, inclusive para o mercado de trabalho, mas não só para ele.</p>
<p style="text-align:justify;">O perigo do discurso de uma educação voltada principalmente para o mercado de trabalho; é de que tudo que importa é ser produtivo. A produtividade em sua maioria quando para filhos da classe trabalhadora, é sinônimo de um trabalho mecânico, manual ou braçal, mau remunerado e de fácil substituição. O aluno da classe trabalhadora tem o direito de ter acesso a bens culturais diversos, música, leitura, escrita, arte, atividade física que vá além de “futebol para os meninos, vôlei para as meninas”. <span style="text-decoration:underline;">Ele precisa</span> ter acesso a Filosofia, História, Ciências, Geografia, Biologia, Literatura, porque talvez esse seja o único momento que ele tenha acesso aos livros e a esse tipo de discussão. É patrimônio intelectual que deve ser oferecido não só a quem tem dinheiro a pagar por ele. A educação não deve bastar quando “ao menos um” presta atenção na aula, a educação de qualidade é um direito para todos, sem exceção (e um entre quarenta e cinco é “A” exceção).</p>
<p style="text-align:justify;"><i>Você também pode se interessar por <a href="http://aqueladeborah.wordpress.com/2013/03/25/erro-ortografico-irreflexao-do-emissor-ou-do-leitor/" target="_blank">“Erro ortográfico, irreflexão do emissor ou do leitor?”</a></i><i></i></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2178/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2178&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Erro ortográfico, irreflexão do emissor ou do leitor?</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 15:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Produzidos para faculdade]]></category>
		<category><![CDATA[Erros de português]]></category>
		<category><![CDATA[Escrever errado]]></category>

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		<description><![CDATA[Invariavelmente somos expostos a erros ortográficos, quer seja em letreiros, livros ou até mesmo em mídias impressas. Toda manifestação da escrita é passível de conter tais “deslizes”. Usualmente, a primeira reação diante desses “atos falhos” é um misto de perplexidade e curiosidade. Quem será o emissor da mensagem? Por que troca, omite, inventa, inverte as [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2153&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Invariavelmente somos expostos a erros ortográficos, quer seja em letreiros, livros ou até mesmo em mídias impressas. Toda manifestação da escrita é passível de conter tais “deslizes”. Usualmente, a primeira reação diante desses “atos falhos” é um misto de perplexidade e curiosidade. Quem será o emissor da mensagem? Por que troca, omite, inventa, inverte as letras? Será que transcreve apenas o modo de falar? Por que insere ou suprime espaços em branco na construção de frases? É mais fácil se precipitar na suposição dessas respostas quando, antes de atentar para a mensagem escrita, se faz juízo de valor de quem a escreve. Dessa maneira, infelizmente, muitos professores subestimam e taxam alfabetizandos de um suposto “déficit” ou de uma “incapacidade generalizada” de estar, sentir e perceber o mundo. Debruçar-se sobre um texto e analisar esses “porquês” demanda o empenho de despir-se de tais pré concepções. Segundo Cagliari (1999, p. 121):</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"> “[...] Uma outra maneira de “ver” tais “erros” é considerá-los não uma mera transcrição dos sons da fala, mas o resultado de uma reflexão produtiva (e construtiva) a respeito de fatos do próprio sistema de escrita com o qual se está começando a lidar”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ainda de acordo com Cagliari, o princípio acrofônico (no qual cada letra corresponde tão somente a um som) é insuficiente para analisar um texto produzido por alfabetizandos, isso porque, outro fator é detectado: A busca pela forma congelada das palavras. Trata-se do acúmulo ortográfico que cada um desenvolve ao longo da vida e uma vez munidos dessa “gramática internalizada”, o processo de alfabetização e da linguagem como um todo, estará em constante atualização. Ou seja, ao escrever temos uma intuição (resultado do acúmulo da gramática internalizada) de como determinadas palavras devem ser escritas independentemente do seu som. A palavra “carrossel”, por exemplo, poderia ser escrita como “carrocéu”, “carrosel” (nem sempre a tonicidade é grafada com acentuação, em exemplo, a palavra “mel”). Contudo, a escrita é uma representação da fala, logo, muitas dúvidas podem surgir na combinação desses dois fatores (o que ouvimos e como registramos a escrita).</p>
<p style="text-align:justify;">Certa vez, notei em um anúncio de almoço a seguinte expressão “Macarrão alho e olheo”, ambas as palavras são similares na sonoridade, porém, com distintas formas congeladas de escrita. “Alho” não possui acento no “a”, mas “Óleo” possui em “o”. Com base no som poderia se escrever igualmente “Áleo e Óleo”, “Alho e Olho” ou ainda “Alhio e Olhio”. Essa pluralidade de opções é disponibilizada toda vez que vamos escrever, como uma paleta de cores que se expande em dezenas de combinações quando solicitada, levando em consideração, inclusive, a ortografia como neutralizadora das variações linguísticas. Portanto, isso não significa que quem escreveu na lousa do restaurante não soubesse diferenciar um macarrão de condimentos e demais ingredientes. O que fez foi escolher uma única combinação dentre tantas outras, se aproximando do que acreditava representar mais assertivamente a escrita do prato do dia. Nosso sistema de escrita demanda a separação entre uma frase e outra pelo uso do espaço em branco. Isso nem sempre é fácil perceber, dado o modo que falamos devido à prosódia. Segundo Tenani (2011, p. 94):</p>
<blockquote>
<p style="display:inline!important;text-align:justify;">A segmentação não-convencional de palavra gráfica é definida quer a partir da ausência, quer a partir da presença do espaço em branco que delimita a palavra em local não previsto pelas convenções ortográficas. Quando há ausência do espaço em branco, trata-se de hiposegmentação, como em “ajudime”, “porfavor”. Quando há presença do espaço em branco, trata-se de hipersegmentação, como em “na quela”, “cava lo”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">É preciso cautela para analisar hiposegmentações, hipersegmentações e a mescla dessas categorias (híbridos), quando o texto é manuscrito. A caligrafia, por exemplo, mesmo quando realizada sem esse propósito, pode separar letras, uma das outras. A segmentação não-convencional ocorre com recursos gráficos como espaçamentos e hifens. Divergindo do que ocorre na translineação sem hífen (a passagem de uma palavra entre uma linha e outra), uma vez que a ausência nesse caso, não se trata de segmentação não-convencional das palavras. Assim, cada palavra do texto deve ser interpretada como um signo que existe em relação com as demais partes da estrutura. Para tanto, cabe analisar como a grafia dessas mesmas letras bem como seus espaçamentos se desenvolvem ao longo do texto.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma hipótese levantada por Tenani, é que tais registros gráficos são motivados por possíveis estruturas prosódicas da língua, como a palavra prosódica, o grupo clítico e o pé métrico. Sendo que: <em>“[...] Nas hipersegmentações, há evidência do pé troqueu dissílabo e, nas hipossegmentações, do grupo clítico (com predomínio de próclise)” . </em>São, portanto, indícios de uma prática dialética entre fala e escrita onde um elemento não se sobrepõe a outro, mas em verdade, se constituem enquanto peças imbricadas e suplementares. Superficialmente, essas segmentações não-convencionais podem levar a crer que seu emissor possui uma espécie de “iletramento”, o que é uma inverdade, pois, ao construir esses enunciados, quem escreve demonstra repertório fonológico e como esse se manifesta e desenvolve.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir da amostra realizada por Chacon (2005, p. 86), com hipersegmentações extraídas de 451 textos produzidos por alunos da primeira série de uma escola municipal de ensino fundamental do interior de São Paulo, constatou-se que dos 136 trissílabos hipersegmentados ocorreram: <em>”[...] ou em limites de sílabas (e só nesses limites) ou em limites de sílabas e pés [...] a ruptura promoveu uma curiosa e bastante recorrente combinação entre uma sílaba e um pé, ou entre um pé e uma sílaba”.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Esse exercício demanda uma reflexão sobre a correspondência entre grafema e fonema. Constatou-se em algumas amostras que esses espaços em branco delimitavam pedaços de palavras ou mesmo palavras inteiras, além de expor, sobretudo, as demarcações de limites prosódicos. Assim sendo, durante a elaboração de um enunciado não há aleatoriedade ou leviandade. Seu arcabouço é construído com os parâmetros que sustêm uma língua viva, cuja movimentação se dá entre práticas orais e letradas. É verbo que se faz carne e carne que se faz verbo.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><b>Referências Bibliográficas:</b></em></p>
<p style="text-align:justify;">CAGLIARI, L. C. <i>O que é preciso para saber ler.</i> In. MASSINI-CAGLIARI, G &amp; CAGLIARI, L. C. <b>Diante das letras: a escrita na alfabetização.</b> Campinas-SP: Mercado das Letras, 1999, 131-159.</p>
<p style="text-align:justify;">CHACON, L. <i>“Hipersegmentações na escrita infantil: entrelaçamentos de práticas de oralidade e de letramento”.</i><b>Estudos Lingüísticos</b> XXXIV, p. 77-86, 2005. [ 77 / 86 ]</p>
<p style="text-align:justify;">MASSINI-CAGLIARI, G. <i>“Erros” de ortografia na alfabetização: escrita fonética ou reflexões sobre o próprio sistema de escrita?</i> In. MASSINI-CAGLIARI, G &amp; CAGLIARI, L. C. <b>Diante das letras: a escrita na alfabetização.</b> Campinas-SP: Mercado das Letras, 1999, p.121-129.</p>
<p style="text-align:justify;">TENANI, L<i>. “A segmentação não-convencional de palavras em textos do ciclo II do Ensino Fundamental”</i>. <b>Revista da ABRALIN</b>, v.10, n.2, p. 91-119, jul./dez. 2011.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2153&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>- Inteligente &#8211; Quem? Eu?</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2013 13:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma vida ordinária numa história que poderia ser a de qualquer um. Os fatos que me abateram são aqueles que as estatísticas produzem aos milhões. Por me sentir parte de uma verdadeira massa que se vê em nada excepcional, não conseguia me aceitar como “inteligente”. Em tempo algum me percebi como exemplo pra alguém, já [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2121&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://aqueladeborah.files.wordpress.com/2013/03/foto1785.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2122" alt="Foto1785" src="http://aqueladeborah.files.wordpress.com/2013/03/foto1785.jpg?w=225&#038;h=300" width="225" height="300" /></a><br />
Uma vida ordinária numa história que poderia ser a de qualquer um. Os fatos que me abateram são aqueles que as estatísticas produzem aos milhões. Por me sentir parte de uma verdadeira massa que se vê em nada excepcional, não conseguia me aceitar como <i>“inteligente”</i>. Em tempo algum me percebi como exemplo pra alguém, já que aquelas pessoas que gostamos de nos inspirar são as que mais se aproximam de uma não-humanidade. Aí está, sou humana até o talo, tropeço demais, admito demais. Guardo segredos dos outros aos montes, mas os meus? Esqueça! Morro pela boca! Não consigo segurar uma tristeza, um rancor, uma admiração por mais tola que seja. Distribuo elogios e abraços quase gratuitamente, quase, porque há dias que acordo azeda (humana que sou). Isso até ver um gato na janela, uma criança acenar, um abraço quentinho me surpreender. Sou fácil até demais.</p>
<p style="text-align:justify;">A crença de que a inteligência é só para as pessoas sólidas e isentas de erros, me deixa confusa. Se me chamam de inteligente, oras, então não é a esse tipo que classificam: A enciclopédia sem sangue nas ventas.  Já desejei não levantar da cama para não expor a fraude que sou, pois, durante décadas, me disseram que gente torta <i>feitassim</i> só quebra a cara e não dá certo. Se <i>“toda a rosa é rosa porque, assim ela é chamada”</i>, que faz a rosa após ser chamada por outro nome, senão olhar para os lados e procurar por quem invocam? É a sensação de que aquele aceno do outro lado da rua pode ser pra qualquer um, menos pra você. E eis que o quadro se inverte. Desse modo, não é que não saibam como me chamar, eu que ainda não aprendi a ouvir em outro adjetivo. Onde charmosos desarranjos de formas estão, é onde também faço morada, isso não faz de mim uma fraude, sou antes, um ensaio permanente com a franqueza de suas rasuras.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2121&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Perdeu, Playboy!</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 14:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Deborah Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Bicha poc poc]]></category>
		<category><![CDATA[Lelek]]></category>
		<category><![CDATA[Piriguete]]></category>

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		<description><![CDATA[O Lelek, a Piriguete e a Bicha Poc Poc, são versões não aceitas do mauricinho, da patricinha e do viado culto. Todos brancos e instruídos, claro. Daí nasce aquele horror nem sempre dito: &#8220;Não que não goste de viado, mas tem que ser culto, parecer hétero, falar o português muito bem&#8221;. As maquiagens desejadas, são [&#8230;]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2069&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O Lelek, a Piriguete e a Bicha Poc Poc, são versões não aceitas do mauricinho, da patricinha e do viado culto. Todos brancos e instruídos, claro. Daí nasce aquele horror nem sempre dito: <em>&#8220;Não que não goste de viado, mas tem que ser culto, parecer hétero, falar o português muito bem&#8221;</em>. As maquiagens desejadas, são aquelas ensinadas pelas meninas de cabelos castanhos no You Tube, definitivamente, a sombra azul da caixa de supermercado e o batom da Vult da mulher do Hot Dog, não são um exemplo a seguir. As roupas da adolescente na Oscar Freire e até seu sapato sem salto, são uma inspiração, ao contrário da moça de igual idade que passeia no Largo Treze, de piercing no umbigo. O mesmo vale pro Lelek, todos seus cortes de cabelo são considerados esdrúxulos e essa vertente metrosexual não é reconhecida. E a Bicha Poc Poc, que usa Avon e fragrância genérica de Carolina Herrera? Ca-fo-na. Não que seja revolucionário cantar de ostentação, carros de luxo, ser “patrão”, mas isso está em quase todo gênero musical, o desejo de uvas na boca. Porém, a crítica que se faz a essa juventude cabeça oca (aparentemente não importa a época, são sinônimos), não é tanto o vazio das letras, mas o divertimento em rir do <em>“primo pobre”</em>. Quando a mocidade branca e de classe-média celebra o consumismo é chamada de fútil, mas ao menos “serve de exemplo” nem que seja pelos sapatos.<em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">A intuição é que por não ter pais endinheirados, Leleks praticam furtos enquanto Piriguetes e Bichas Poc Poc saem a caça por homens que os banquem, como se não existissem jovens de outros extratos sociais que fazem exatamente o mesmo. Talvez, essas piadinhas sirvam pra disfarçar o medo de perder a marca que adora, a exclusividade daquela estampa, as bugigangas tecnológicas, as visualizações do Vlog para um vídeo de Funk e até a fila no Starbucks, conservando a esperança que sejam modas passageiras e que com o passar dos anos, não tenham de ouvir em ritmo de funk <em>“Jorge Maravilha”</em> da boca do futuro genro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aqueladeborah.wordpress.com/2069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aqueladeborah.wordpress.com/2069/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aqueladeborah.wordpress.com&#038;blog=3346141&#038;post=2069&#038;subd=aqueladeborah&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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