11.04.09
Moça da Uniban
No último dia 22 uma moça estudante de turismo foi com um vestido curto para a faculdade.
Estes alunos não pertenciam a uma seita religiosa onde moças que usam roupas inadequadas merecem pedradas, coerção e ameaças de estupro. Estas alunas e alunos são pessoas “normais”. Estão ao nosso redor no shopping, ambiente de trabalho ou até dentro de nossas casas, provavelmente com formação cristã, comemoração natalina, carro na garagem e cachorro no quintal.
O motim se deu em um lampejo de revolta e reivindicação da ordem (moral), dando a idéia de “unidade”, pertencimento a um grupo com os mesmos propósitos. Quem era o “inimigo”? Uma moça sozinha com um vestido curto. A multidão precisaria se unir para combater esse “mal”? A transgressão da “moral e bons costumes” embora incentivada (quem não usa roupas curtas é considerada menos atraente e pouco “feminina”), quando cumprida sofre represálias.
Muitos dos comentários que ouço sobre o fato dizem:
“Está certo que a culpa é dos alunos, mas ela sabia que correria este risco”
Não há lugar seguro para uma mulher, horário, local ou idade para serem vistas como “estupráveis”. Este discurso tem uma linha tênue entre “Mas o que ela queria? De madrugada voltando pra casa depois de beber com roupa curta”?
“Se eles mexessem, falassem gracinhas era normal, o que não pode é chegar ao ponto de ameaça de estupro” / “Não tem como abrir queixa, nem encostaram nela, só falaram palavras obscenas”
Da mesma forma um homem que mostra o seu pau em público, se esfrega nos ombros das moças no ônibus, ou passa uma cantada ele está cumprindo seu papel de lembrar as moças que elas podem andar com decotes e roupas justas: Contanto que paguem “pedágio”. Se ele as julga pouco atraentes talvez reúna outros colegas (as cantadas costumam ser mais agressivas quando os homens andam em grupo) para ofende-la.
Absurdo o Fantástico chamar a consultora de moda Glória Kallil para falar que “A roupa é um instrumento que diz ao mundo o que somos, certamente essa moça não atentou para a mensagem corporal que a vestimenta dela seria interpretada – o que não justifica a ação destas pessoas”.
Se uma casa fosse roubada eles chamariam um engenheiro para analisar o quanto a casa não foi projetada de forma segura? Em algumas cidades do interior e alguns bairros de periferia, os moradores dormem com suas janelas completamente abertas ao contrário de um condomínio de classe média com suas câmeras de segurança.
Não culpam um homem branco, bem vestido dentro de um carro importado pela tentativa de seqüestro no seu bairro nobre.
Se uma mulher branca usa roupas decotadas e for estuprada, dirão que será por falta de senso estético e decoro, se a mulher for gorda, negra ou fora de algum padrão estético, não acreditarão que alguém tenha desejo por ela, nessa última percepção grotesca cometer um estupro não é uma relação de poder e sim o tesão elevado a máxima potência.
Neste raciocínio, uma mulher usando uma roupa justa é incoerente ao reclamar de uma cantada, a postura esperada seria a condescendência com quem invadiu seu espaço físico, levando em consideração sua natureza racional que compreende a produção involuntária de pulsões sexuais em homens escravos da sua própria testosterona.
10.02.09
Considerações sobre o Estupro
O POVO DO ESTADO DA CALIFÓRNIA CONTRA ROMAN RAYMOND POLANSKI. QUINTA-FEIRA, 24 DE MARÇO DE 1977.
P. Samantha, quantos anos você tem?
R. 13.
P. Você mora com sua mãe e irmã em Woodland Hills?
R. É.
P. Por favor responda sim ou não.
R. Sim.
P. Em 13 de fevereiro de 1977, você encontrou Roman Polanski na residência dele?
R. Sim.
P. O sr. Polanski indicou que queria fotografá-la?
R. Sim. Ele me mostrou a Vogue que ele tinha feito e me perguntou se eu queria ser fotografada.
P. Você já tinha o encontrado na residência dele antes?
R. Sim.
P. O que você fez?
R. Eu tirei a minha camisa.
P. Você falou para a sua mãe que vocês tiraram fotografias de topless?
R. Não.
P. Na casa de Jack Nicholson, em algum momento, o sr. Polanski ofereceu bebidas?
R. Sim, eu disse que estava com sede. Fomos para a cozinha e abrimos a geladeira, tinha suco, cocas, vinho. Ele pegou uma garrafa de champanhe. E perguntou se deveria abrir. Eu disse que tudo bem.
P. O que aconteceu depois que ele abriu?
R. Ele encheu as taças.
P. Você bebeu?
R. Sim.
P. Quanto?
R. Não tenho ideia.
P. O sr. Polanski tirou fotos?
R. Sim.
P. Quando você estava com a taça na mão?
R. Não.
P. Você tirou a sua camisa ou foi o sr. Polanski?
R. Eu tirei.
P. Por que ele requisitou ou foi por vontade própria?
R. Porque ele pediu.
P. Você posou?
R. Sim.
P. Ele dirigiu as suas poses?
R. Sim.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele foi me mostrar a jacuzzi do Jack Nicholson.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele disse que queria tirar umas fotos minhas dentro.
P. A que horas você tirou a sua roupa?
R. Eu tirei pouco antes de entrar na jacuzzi.
P. Por que você tirou?
R. Porque eu não queria entrar na jacuzzi com ela.
P. O que aconteceu quando você entrou na jacuzzi?
R. Ele tirou fotos.
P. Em algum momento ele parou de tirar fotos?
R. Sim.
P. O que ele fez depois?
R. Disse que iria entrar nela.
P. Ele estava vestindo alguma coisa?
R. Não.
P. O que ele fez quando entrou?
R. Ele ficou na parte mais funda.
P. E você?
R. Fui para o outro lado.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele ficou me chamando. Eu dizia, não, quero sair. Ele dizia, vem cá só um segundo. Então eu fui. Então ele perguntou se eu não me sentia melhor. Então eu saí.
P. O que você fez depois?
R. Me enrolei numa toalha.
P. O que você fez quando ele disse para irem para o quarto?
R. Eu estava pensando que era melhor eu ir embora, porque eu estava com medo. Então, fui lá e me sentei no colchão.
P. Do que você tinha medo?
R. Dele.
P. Mesmo assim você foi lá e se sentou no colchão.
R. Sim.
P. O que aconteceu quando você se sentou?
R. Ele se sentou atrás de mim perguntou se estava tudo bem.
P. O que você respondeu?
R. Que não.
P. E o que ele disse?
R. Que eu ia ficar melhor. Mas eu disse que queria ir embora. Então ele me abraçou e me beijou. Eu dizia, não, fique longe. Mas eu tinha medo dele, porque só estávamos nós dois lá.
P. O que ele fez depois?
R. Ele colocou a boca na minha vagina. Ficou lambendo, e eu estava prestes a chorar, eu estava tipo, “não, pare”, mas eu estava com medo.
P. E o que ele dizia?
R. Não me lembro, ele dizia coisas, mas eu não escutava.
P. Quanto tempo ele ficou com a boca na sua vagina?
R. Poucos minutos.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele começou a me penetrar.
P. O que você quer dizer com “penetrar”?
R. Ele colocou o seu pênis na minha vagina.
P. O que você disse para ele?
R. Eu apenas murmurava “não, pare”, mas eu não estava lutando contra, porque não tinha para aonde ir.
P. O que ele disse?
R. Ele não me respondeu quando eu disse “não.” Depois, ele perguntou se eu estava fértil. Eu disse que sim. Ele perguntou se eu usava pílulas. Eu disse que não. Então ele me perguntou se queria que ele penetrasse por trás. Eu disse não.
P. Você já tinha se relacionado com outros homens, antes.
R. Sim, duas vezes. Então ele levantou as minhas pernas bem alto e penetrou no meu ânus.
P. O que você quer dizer com “penetrou no meu ânus”?
R. Ele colocou o seu pênis no meu…
P.Você disse alguma coisa pra ele?
R. Não.
P. Você resistiu?
R. Um pouco. Mas não muito.
P. Por quê?
R. Eu estava com medo. Então ele parou.
P. Você acha que ele atingiu o clímax?
R. Sim.
P. Quando você diz isso, é porque acredita que ele chegou ao clímax no seu ânus?
R. Sim. Seu sêmen saiu.
P. Você viu ou sentiu o sêmen?
R. Senti.
Fonte: http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/?title=o_povo_da_california_contra_polanski&more=1&c=1&tb=1&pb=1
Castração
Muito se diz sobre a necessidade de matar um estuprador ou castrá-lo quimicamente.Um estupro pode ocorrer de várias formas no caso acima (segundo a nova legislação), sexo oral, penetração vaginal e por fim sexo anal. Deveríamos cortar a língua fora, os dedos para que não masturbasse, arrancar os olhos para que não visse mulheres com lascívia? Deveríamos tal qual em Laranja Mecânica incutir ânsia de vômito ao olhar uma mulher?
Se mostrar meu dedo a pessoa entenderá a mensagem, se mostrar o símbolo de buceta, o que pensarão? <>
Castrar um homem é reforçar o poder do pau que por si só é algo inofensivo: Uma coisinha mole de poucos centímetros que mesmo dura é bem sensível e incapaz de machucar alguém.
“É provável que as mulheres possam ser treinadas com facilidade para ver os homens em primeiro lugar como objetos sexuais. Se as meninas nunca passassem pela violência sexual, se a única abertura que uma menina tivesse para a sexualidade masculina fosse uma série de imagens baratas, bem iluminadas e fáceis de se encontrar de rapazes pouco mais velhos do que ela, no final da adolescência, dando um sorriso encorajador e exibindo simpáticos pênis eretos da cor das rosas ou de moca, ela bem poderia olhar essas imagens, masturbar-se com elas e, quando adulta, “precisar” da pornografia da beleza baseada nos corpos de homens. E se um desses pênis iniciadores fosse apresentado para a menina como tendo uma ereção pneumática, sem inclinação nem para a direita nem para a esquerda, como tendo o gosto de canela ou de frutinhas do mato, sem a presença de pêlos ocasionais e com uma disponibilidade constante; se eles fossem apresentados tendo ao lado suas medidas de comprimento e circunferência em centímetros; se eles parecessem estar à disposição dela sem nenhuma personalidade problemática vinculada a eles; se o prazer dela parecesse ser a única razão para eles existirem; nesse caso, um rapaz de verdade provavelmente se aproximaria da cama de uma jovem com, no mínimo, muito medo de fracassar.”
O Mito da Beleza – Páginas 203 e 204
Virar “mulherzinha”
A segunda “punição” desejada para maioria das pessoas é a “surra de pica”, “virar mulherzinha na cadeia”, mais uma vez o pau é atribuído de valor corretivo e coercivo. O cu masculino por sua vez, ganha o duro fardo de ser sua honra, “seu selo hétero de qualidade”.
A Culpa é da Vítima
Por não ser virgem quando o estupro ocorreu, muitos acreditam que Samantha era suficientemente “maliciosa” para não tirar foto nua na companhia de um homem mais velho, não levando em consideração que algumas profissões exigem nudez, se estamos com uma autoridade no assunto, confiamos nela. Vamos supor que você adora um pintor muito famoso que te chama para posar, lisonjeada você aceita com certa timidez, diante de um modelo de autoridade que você respeita. Vocês bebem, as coisas tomam um rumo inesperado e ele te estupra. A culpa é sua? Qualquer mulher e criança estariam sujeitas a esta situação, seja um padre que vai ensinar piano, um pastor que convida para conversar ou um avô que te chama para deitar-se com ele em um dia comum.
Qual a idade ideal para começar a vida sexual?
Cabe ao indivíduo decidir sobre isso, conheço moças que começaram a vida sexual aos 12 enquanto eu comecei aos 17. Com quem elas devem fazer sexo? Com quem bem entenderem.
Independentemente da idade sabe-se como e com quem fazer sexo. Usar roupas “indecentes” e trepar no primeiro encontro não é aval pra ser estuprada.
Não dá pra culpar os gays pela homofobia. Nem as negras pelo racismo.
Há várias ramificações dos problemas da sociedade, não dá pra culpar um único foco, muito menos o alvo.
Pornografia do Estupro
O que você faria se ao abrir a porta do quarto seu filho estivesse batendo punheta para um vídeo de estupro? E para pornografia infantil? E se fosse “só” um Hentai? E especificamente Hentais com bebês (Toddlercon)?
Por que é considerado asqueroso sexo forçado com crianças e bebês enquanto o tesão em cenas de estupro de mulheres adultas é “compreensível”? Se um homem branco diz ter desejo erótico de bater com um chicote em um negro ele será acusado (com toda razão) de racismo, se fossem produzidos vídeos em larga escala onde negros apanham, são humilhados dizendo “não” sorrindo e “no fundo gostando” não seria repulsivo?
Normatizar este tesão é assumir que o estupro faz parte da natureza masculina.
Analisando o contexto
Discordo totalmente do posicionamento da Lola
Polanski tem de ser preso, não pagou pelo crime como devia fugindo do país na época. Alegou que não sabia que nos EUA era ilegal fazer sexo com menores. Ele não fez sexo, estuprou.
Dane-se que psicólogos dizem que ele merece passe livre para a sociedade, que ninguém mais o acusou. Um homem que estupra somente uma mulher merece ser solto? Um homem pobre teria as mesmas regalias do renomado diretor?
Sei que o sistema carcerário não “reabilita”, põe de “castigo”, o Estado tem de buscar outras maneiras de auxílio ás pessoas, isso não é desculpa para liberar Polanski.
08.12.09
Diz o aviso que eu li
Gosto de sair à noite para conversar com os amigos em um lugar onde um diálogo é possível no tom de voz normal.
As casas noturnas têm muitos fatores desagradáveis:
Bebidas alcoólicas: Uma das coisas que mais me irritam (na vida) é copo plástico com cerveja. Seja em shows ou casas noturnas sempre tem um maldito que passa me espremendo e derrubando cerveja ao som “crock” “chock” do plástico.
Cigarro: A fumaça atrapalha a visão e voltar pra casa cheirando defumado não é bacana. Minha renite e sinusite também não.
“Pegação” forçada: Colocam a mão na nossa cintura para abordagem.
Dança não é sinônimo de exibicionismo: Basta dançar que alguém se aproxima e “te avalia” como se você não pudesse querer dançar para SI.
Falta de espaço: Não dá pra dançar a vontade assim.
Preços abusivos: Pagar R$ 7,00 em um suco de laranja.
Músicas: Esperar a noite toda pra tocar UMA música dos Smiths é desestimulador. Aliás, quando eu ia em alguma casa noturna por mais de uma vez o DJ dizia ao me aproximar “Já sei, Smiths”.
Alternativas
Prefiro comer em casa, em uma padaria de esquina ou em um restaurante vegetariano.
É perfeitamente possível falar besteiras e debater assuntos sem álcool, cerveja ou drogas.
Tenho um tio que teve câncer e fez traqueostomia graças ao tabaco. Não tenho raiva dos fumantes, um dos meus colegas de trabalho fuma e não o odeio por isso, tenho amigos e familiares que bebem e 99% deles são onívoros.
Não posso controlar a renite e irritação dos meus olhos causados pela fumaça, não sou obrigada a gostar de cheiro de bebidas alcólicas (me enjoa) e não me peça para tocar ou preparar uma carne. Vou sentir nojo. Aliás, no caso da carne (e do leite) implica uma questão de (exploração) vida e morte. Do cigarro e da bebida só a longo prazo.
Meu empenho é me manter sóbria
Vivemos em busca de sensações que nos entorpeçam, que nos tirem desta realidade, que nos “desliguem”. Também não acredito nesta negação de sentimentos carnais plena onde a apatia é o ápice.
Os “Anti Fumo” defendem a saúde pública
Não é meu caso, defendo o direito de fumar, beber ou o uso de qualquer outro tipo de entorpecente. O corpo é da pessoa e não cabe a mim julgar o que ela faz.
Quando desço uma escada e a pessoa na minha frente solta fumaça que o ar leva na minha cara, meu espaço é invadido. É como um pum, com o diferencial de que o pum não gruda na roupa e no cabelo. Se fumar ou peidar, por favor, faça em um lugar aberto pra que o ar circule.
Não acredito que o estado realmente aprovou esta lei por questões de saúde pública, o propósito é eleitoral. Os fumantes são minoria e “valores saudáveis” são propagados diariamente. Uniram o útil ao agradável.
É lamentável que tenham excluído a imagem do cigarro no cartaz do filme da Coco Chanel. Nossas manifestações artísticas são fruto de nosso tempo, se o filme é a biografia de uma mulher que vivia em 1920 e fumava, não há sentido em excluir essa particularidade.
PS: Não gosto do José Serra nem do Kassab.
Os fumantes defendem a boemia. A transgressão contra a “Geração Saúde”
A indústria do tabaco (hoje nem tanto), da bebida e das drogas associa a idéia de excitação e sociabilidade aos seus produtos. Quem não consome ganho o rótulo de careta, chato e anti-social.
Como se existisse apenas sociabilidade entre indivíduos que compram os tais itens indispensáveis para uma conversa agradável.
Fiz amigos bebendo leite…de soja.
07.27.09
Lingerie Day
E o primeiro round começa.
Embora a arena seja tradicional o que a difere é uma mesa redonda localizada no centro. A platéia está cheia, do lado direito estão as moças que participaram do Lingerie Day, reivindicando sua posição libertária em sua sexualidade.
Do lado esquerdo estão as feministas que não criticam as moças em si, mas o fato de ignorarem o sistema que estão inseridas, do quão machista é esta campanha que serviu para satisfazer a paleta de exposições femininas com cores de corpos-comuns.
Quem assiste do lado esquerdo? A platéia só tem cinco moças.
Quando as moças entram no lado esquerdo são chamadas de barangas, mal-comidas, gordas e feias.
As que optam pelo lado esquerdo, são chamadas de modernas, gostosas, “bifão” e “Ê lá em casa”.
Do lado direito da platéia estão uma multidão de homens e garotos de todas as idades, o que eles têm em comum? A Ruffles costelinha e a cerveja que dividem fraternamente.
Deixando claro que não tenho nada contra AS moças. O corpo é delas. E quisera eu, que as mulheres tivessem de fato uma sexualidade liberta e poder para mostrar como bem entendessem seus corpos. Elas só foram “ouvidas” por serem “gostosas”, eles querem dar a liberdade corporal pra quem atenda suas expectativas. Lembrando que há prejuízos em ser bonita.
Tratando-se da minha perspectiva, assino embaixo aqui, aqui, aqui e aqui.
06.26.09
Who’s Bad?
Ontem foi um dia absurdamente comum. Acordei, tomei banho peguei minha marmita e fui para o Terminal. O tempo estava chuvoso e pra variar meu ônibus atrasou, o que fez com que eu me atrasasse no serviço. Bastam uns pingos d’água e a cidade pára.
Fiz relatórios, cobrei uns fornecedores, almocei, voltei para os relatórios até que notei o horário: 17:10. Já estava mais do que na hora do meu café. Comi umas bolachas maisena e tomei meu chazinho diário. Preparei-me pra sair e fui.
Ao atravessar olhei para os lados e andava calmamente quando SURGE um Fiat Idea, veio em baixa velocidade e parou perto de mim, só virei pro lado e coloquei as duas mãos pra frente em sinal de “Pare”. Quem eu pensava que era? O Superman? O carro parou e eu disse:
- Desculpa
Motorista: -Não, eu que me desculpo eu que estava errado.
Olhei frenética para os lados para continuar andando (fiquei com medo de vir uma moto e morrer de vez).Saí andando com as pernas moles, meio fora de mim, em uma experiência estranha de realidade profunda, como se eu estivesse naquele momento imersa na realidade e vivesse desde então, caminhando “desligada” do mundo. Sim, eu sou uma pessoa aérea e bem desligada. Mas fui inocente nesse episódio, olhei para os lados antes de atravessar, andei em um passo normal, mas o motorista entrou na rua sem dar seta e com farol muito baixo (nem lembro se estava mesmo ligado).Só sei que quase encostei as mãos no capô quando estiquei os braços.
Eu podia ter morrido no mesmo dia do Michael Jackson.
Passou todo aquele filminho “Amélie” na cabeça: Meu funeral, os amigos virtuais se lamentando, os cachorros que eu não ia mais ver, nunca mais ia ter a experiência transcendental de gozar, ainda nem paguei a primeira parcela do meu celular… Ou ainda, perder uma mão (eu não pensei em virar cadeirante, imaginei perdendo a mão) e ter um coto. E como as pessoas ficariam com nojo de olharem pra mim e se esforçariam em uma mesa de domingo, em comer e desviar o olhar. Em eu ter de readaptar a minha vida toda, cozinhar, digitar, escrever…
Na rua comprei morangos e fiz um suco ao chegar em casa. Enquanto lavo a louça a minha mãe diz:
-Michael Jackson morreu
- O que? O_O
Seco a mão e corro para a TV.
TV: Ainda não temos certeza da morte, ele foi levado ao hospital…espere temos notícia da CNN não é? Jornalista correspondente de NY?
Correspondente: Sim, temos a notícia confirmada agora. Michael Jackson morreu.
Levei um choque. Há lendas que não imaginamos mortas e o Michael Jackson é uma delas.
Minha tia emprestou ao meu pai um VHS com uma coletânea de videoclipes do Michael Jackson. Na época minha irmã tinha uns 4 anos, ficou vidrada *____*
Assistia sem parar, teve até uma época em que dizia: “Eu sou o Máicôn Jékízon” Ela também teve a fase “Eu sou o Dinho Mamonas”
<irmã boba coruja mode on>
Então falar dele me faz lembrar da época que ela tinha cabelinhos cacheados e era um capeta, roubando meu corretivo e riscando a casa toda, assistindo Cine Trash com meu pai…e o inesquecível dia que eu juntei minha mesada pra comprar um Pega-Peixe e um cubinho transparente de chicletes que rolavam pelas divisões da caixa. Ela adorou e foi um dos dias mais simples e bonitos da minha vida. Sim, eu sou completamente apaixonada pela minha irmanzéénha *__*
</irmã boba coruja mode off>
Cof, cof, então né? O Michael Jackson (foco Deborah, tenha foco…) nunca foi meu ídolo, mas ele era inegavelmente bom nas danças (tudo bem que eu prefiro o Prabhu Deva) e nas músicas. Da vida pessoal dele tenho pena, pelo que sei o pai dele era autoritário e ganhava dinheiro à custa dos filhos, teve uns escândalos de pedofilia mas não dá pra saber se era verdade. E pra ajudar era perseguido pela mídia como uma aberração. Eu tenho medo dessa perseguição da mídia quando vejo casos como o do Michael e da Britney.
Como “A Necrofilia da Arte”* fará sua parte, será um porre todo mundo dizendo o quando ele era bom. Que descanse em paz, e continue seguindo a luz do fim do túnel fazendo o Moonwalk.
*Música do Pato Fu
05.29.09
“Não ame ninguém, estupre.”
Serão recolhidos livros didáticos distribuídos para a 3ª série. Motivo? Ele cita drogas e estupro.
A frase é: “Não ame ninguém, estupre.”
A linguagem “irônica da poesia é pra aproximar o aluno da leitura com algo despojado”.
Onde já se viu? As criancinhas da 3ª série não sabem entender ironia! Se fossem pra adolescentes, tudo bem! As drogas, todos sabem, faz parte do cotidiano dos jovens. E o estupro?
Há pessoas que preferem fingir que não existe este “probleminha”. Meus caros, visitem qualquer delegacia da mulher, quer saber? Não precisa ir tão longe, uma mulher vítima de abusos pode estar mais perto do que você imagina, talvez, até vive sobre o mesmo teto que você. Eu nunca visitei uma delegacia da mulher e conheço (pessoalmente) 8 mulheres que passaram por violência sexual. Se me incluir o número passa para 9.
Mulheres são silenciadas nas chacotas, em ter de justificar se não foram mesmo insinuantes no dia. Ser vista como estuprável não é piada. Aliás, do modo como fazem piada com isso me faz pensar no tamanho da merda do mundo que vivo.
05.11.09
Confissões de Mãe
Alguns blogs têm citado as declarações de Maria Mariana.
Decepcionei-me ao lembrar que gostava de assistir Confissões de Adolescente e se não me engano, foi um dos primeiros livros “adultos” que li. E hoje as declarações mostram uma mulher que acredita em argumentos biológicos de superioridade masculina e das funções maternais. Triste.
Defendo o direito de escolha, isto inclui o de uma mulher ser dona de casa e gostar disso. Mas afirmar que “mulher que é mulher de verdade considera lavar cueca aprendizado, não faz cesárea, tem muitos filhos e não tem depressão pós parto” é de lascar.
Fico pensando na educação que ela dará para suas filhas meninas: Roupinhas cor-de-rosa, panelinhas pra ser dona de casa e bonecas pra treinar a função biológica suprema: Parir.
02.16.09
Rihanna
É, eu nunca gostei da postura do Chris Brown, muito “machinho” pra mim. E é estranho como tem cara que bate, pinta e borda e ainda tem fãs por aí. Penso muito no caso do Tedy Bundy aquele serial killer que tinha um monte de fãs ardorosas e dispostas a casar com ele. Não estou comparando o cantor ao serial killer, mas só dizendo que caras violentos atraem fãs. Não, mulher que gosta de apanhar é generalizar e legitimar a violência contra a mulher, é engraçado que por não ter um tabu histórico, a reação seria bem diferente se escritores, romancistas, roteiristas e etc passassem a erotizar e justificar a violência contra negros ou judeus…
Canibalismo
Eu não me choco com notícias que ouço de antropofagia pro aí. Não na maioria deles. O complicado do caso noticiado é que não há como saber se houve acordo, aparentemente não houve, então deve ser punido.
Que mal faz comer outro humano se ele concorda? Se ele vê nisso um ritual religioso? Se os envolvidos concordam?
Pior é pegar um bicho que provavelmente quer viver solto, matar e comer ou pagar pra isso (?).
A Garota Fantástica (?!)
Tá eu acho modelos bizarras. Não, não é despeito. Reconheço a beleza de muitas delas, no American Next Top Model lembro de ver uma negra careca lindíssima. Nem tenho nada contra moças magrinhas tem umas que acho lindas demais, vejo muitas pela rua andando, não são magrinhas que a maioria consideraria bonita, a maioria na verdade costuma ter defeitos que muita gente odeia, um nariz grande por exemplo pode ser tão charmoso…. A Nicole Kidman mesmo, ficou linda caracterizada de Virgínia Wolf. A Meryl Streep e a Juliane Moore também são incrivelmente belas. Como podem notar meu “gosto” por beleza é eclético =P
E justamente por este motivo talvez seja tão raro eu não sentir vontade de bocejar quando vejo uma beleza “clássica” igual às de loir@s de olhos azuis…
A tal “Garota Fantástica” do concurso vi intercalando o controle com o Yuri, graças ás declarações nauseantes de propagandas medonhas e me controlando para não mudar de canal. Reforçam tudo que eu saberia que veria, mesmo assim não consigo não me espantar:
* Uma moça absolutamente dentro dos padrões: Caucasiana, de olhos claros, alta e magra sendo chamada de gorda.
* Todas as moças escovarem os cabelos e eles serem bem compridos
* Ver rostos apáticos e ossos saltando dos ombros
* A visão passada de glamour, champanhe e dinheiro
* Todas as caras e bocas e até o modo de andar ser controlado e feito de modo caricaturado
* Uma menina (aparentemente 10 anos) dizendo “que quando crescer quer ser uma garota fantástica”
* Outra menina (aparentemente 5 anos) sendo incentivada em um vídeo caseiro a dançar, rebolar e sambar x___x
* Uma propaganda que incentiva o parto normal e diz: “Toda mulher sabe, é natural” e toda aquela celebração estranhíssima sobre maternidade+feminilidade = função social feita com sorrizão.
