10.19.09

Ame seu corpo

Enviado em Corpo, Questão de Gênero tagged , , às 11:14 am por Deborah Sá

Quando digo para algumas amigas que ás vezes me sinto feia elas não acreditam, outras dizem sofrer por ler sobre a indústria da moda, seus padrões e mesmo assim se culpam se engordam, as espinhas no período pré-menstrual e a frustração na imagem refletida no espelho.

Hoje no Metrô vi uma propaganda de uma espuma de barbear com o garoto propaganda Ronaldo-Fenômeno, se não fosse sua fama alguém que passa muito longe da imagem de galã representaria um modelo ideal?
Por que a maioria das mulheres demora tanto para se arrumar?

Nossa imagem corporal é de suma importância para nos relacionarmos com o mundo, cores de nossas vestes, simetria de nosso penteado, tudo isto tem de ser cuidadosamente planejado, é a primeira maneira de poder e aceitação social que conhecemos. Imagine que seu guarda roupa é responsável por julgamentos alheios do que você é.

Para uma mulher, todo dia é uma entrevista de emprego.

Por isto deixamos de sair “quando não temos roupa” mesmo com o guarda-roupa repleto, nos frustramos quando não reconhecem que mudamos o corte de cabelo ou notam que borramos/falhamos ao pintar nossas unhas (dormimos três horas mais tarde para fazê-las).
Um homem não precisa se preocupar com a própria imagem se sua relação com o mundo não está emaranhada com estes valores visuais, basta ser o que a genética lhe dá: Dentuço ou barrigudo, pode ser um modelo ideal em propaganda de loção pós-barba.

Desconstruir

* Olhe o próprio corpo nu no espelho, de frente, de lado, do modo que for, não tenha medo de odores, de gosto e suas formas. Qual é o formato da sua beleza?
Em nossa cultura mulheres são contemplativas em sua essência, por que não olhar isto de outra forma? Convidar nosso corpo a se olhar mais uma vez, de outro modo, deixar que ele dance, pule, se envolva nele mesmo, preste atenção em suas dobrinhas, no seu umbigo e cada história que ele conta de superação e resistência.

* Leia: Sobre a história das mulheres na China, no Brasil, no Nordeste ou no Afeganistão. Sobre Mitos e Ritos de Beleza, Ciências, Arte e Música.

* Compartilhe: Saia com suas amigas, comam algo muito saboroso juntas, brinquem de pega-pega, guerra de travesseiro e “lutinha”, ouçam suas dores para juntas superar obstáculos tão similares. Seja sincera, diga para elas o quanto são bonitas suas pernas, seu modo de andar ou qualquer outro traço que considere realmente bonito.

Este ano, em sua 12ª edição, o Love Your Body Day (Ame seu Corpo) será celebrado em 21 de outubro. Popular nos Estados Unidos, ele repercute principalmente entre a comunidade de blogueiras e ativistas pelos direitos da mulher.

Fonte
Informado pela Marina
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08.31.09

Matadores de Vampiras Lésbicas

Enviado em Filmes, Lésbicas para Hétero Ver, Questão de Gênero tagged , às 4:50 pm por Deborah Sá

Da Série Lésbicas para Hétero Ver

Primeira Parte (Vamos ver quantos posts isto rende?)

Ontem nos corredores do cinema vi um cartaz de um filme a estrear que me causou raiva: “Matadores de Vampiras Lésbicas”. Em primeiro plano estava a imagem de um adolescente homem gordo e branco, afinal, o jovem-americano-comum consegue representatividade nas telas.

É impressão minha ou há mais garotos gordos (brancos) nos filmes recentes? Superbad, UP…algo me diz que a “gordura” deles será motivo de piada e mesmo assim “se darão bem” terminando o filme com as meninas cobiçadas. Além dos filmes da Queen Latifah alguém conhece outra mulher protagonista negra, gorda e feliz que fique com bonitões? Caso pensem na Bridget Jones (que não é negra), embora ela dispute galãs sobram problemas com auto estima. E é óbvio que filmes de comédia com elenco negro e protagonistas femininos tem menos sucesso.

Heteronormativo

Dois amigos chegam a uma cidadezinha rural no País de Gales, e descobrem que todas as mulheres da cidade foram vítimas de uma maldição que as transformou em vampiras lésbicas e matou a maioria dos homens do vilarejo.”

Oh! Que horror! Só mesmo uma maldição para fazer às mulheres que veneram o pau sagrado, a família, a tradição e os bons costumes para escolherem…bucetas! Os odores inebriantes e texturas de suas células sensuais só existem para o desfrute dos homens! Cabe a nós adolescentes brancos-héteros resgatar “o elo perdido” e mostrarmos a todas essas lésbicas de uma vez por todas que a solução e elixir da vida é o suco de piroca!

Avante! Antes que elas tomem força e nos expulsem daqui!

Selo Ruffles Costelinha de qualidade ;)

07.29.09

Espaços Femininos

Enviado em Consumo, Corpo, Questão de Gênero tagged , , às 12:27 pm por Deborah Sá

Não ter referenciais de beleza que retratem a diversidade de corpos faz mal a auto-estima feminina e deturpa a expectativa estética masculina.

Seriam necessários “Espaços Femininos”, onde mulheres pudessem conversar entre si, sendo proporcionada uma “zona de conforto” onde trocassem experiências, nadassem, dançassem ou exercessem qualquer outra atividade corporal e intelectual desejada.

Há saunas, clubes, bares, estádios de futebol e outros locais onde homens convivem em “fraternidade” . Os “Espaços Femininos” disponíveis visam à manutenção da beleza e consumismo (clínicas estéticas e shoppings) ou celebração da maternidade (berçários e chás de bebê).

Não seria maravilhoso ter um espaço nosso? Uma cachoeira ou riacho onde pudéssemos nos banhar, a liberdade de estar com outras mulheres sem a preocupação de um intruso nos observar/filmar, julgando nossa capacidade atrativa?

Nisso também incluiria a possibilidade de ficarmos nuas em coletivo, de calcinha, de biquíni ou como bem quisermos.

Despir

Quase toda mulher vê suas familiares peladas (mães, tias, irmãs…) da mesma maneira que se vê no espelho de relance, reconhecendo alguns traços em si. Na contrapartida vemos corpos na mídia que parecem manequins surrealistas se comparados a estes referenciais.
Se olharmos para os corpos de nossas amigas em um gesto contemplativo, a beleza da diversidade não nos pressionaria a mudar nosso corpo “defeituoso”.

“O valor das indulgências está realmente na despesa causada ao penitente. Seu significado psicológico básico reside no cálculo do quanto o penitente está disposto a sacrificar para obter o perdão. Também os vendedores ameaçam amaldiçoar uma mulher se ela não pagar. Nem é mesmo o inferno da feiúra o que ela teme, mas um limbo de culpa. Se ela envelhecer sem os cremes, dir-lhe-ão que a culpada é ela mesma por não ter se disposto a fazer o sacrifício financeiro adequado. Se ela de fato comprar os cremes e envelhecer — o que iria acontecer de qualquer jeito — pelo menos saberá o quanto pagou para evitar o sentimento de culpa. Uma conta de cem dólares é prova concreta de seus esforços. Ela realmente tentou. A força propulsora é o medo da culpa, não o medo da velhice.”

O Mito da Beleza - Página 159

As nossas “imperfeições” são vistas como um crime gravíssimo e um atentado Ao Mito da Beleza. Por que nossas rugas, nossos cabelos grisalhos, nossos peitos, nossa flacidez é considerada “mortal”? Nenhum homem se preocupa com o formato da própria bunda, com a inclinação do pau, a pele enrugada das bolas. Se as mulheres tivessem testículos, fariam lifting.

07.23.09

E não sou prendada

Enviado em Cotidiano, Egotrip, Questão de Gênero tagged , , às 11:56 am por Deborah Sá

Nunca gostei de arrumar a casa. Odiava quando a minha mãe me pedia pra ajudá-la a tirar o pó, enxugar a louça ou coisas assim. Meu pai nunca fez muito do serviço doméstico além de lavar a louça, consertar e outras tarefas de marceneiro, construiu portões de madeira, mesas, prateleiras e outra infinidade de objetos que não consigo recordar. A melhor parte em arrumar a casa era colocar música alta. No caso, dependia da fase que eu estava: Hanson, Beatles, Backstreet Boys, Spice Girls…
Cozinhar sempre foi mais divertido, afinal você aproveita de alguma maneira. Qual o proveito de limpar a casa? Ninguém reconhece, só repara quando está sujo e absolutamente ninguém sabe o quanto foi estafante tirar aquela maldita sujeira incrustada do azulejo. Lembro de um dia meu pai bravo procurar por pares de meia e não encontrar para trabalhar. Foi um basta, não ia passar porcaria de roupa nenhuma. Só jogar na máquina. Cada um que fosse até o cesto e pegasse as próprias roupas.
Lembro da primeira vez que o Yuri foi na minha casa e se deparou com uma pilha de roupas colossal. Eu não passo as minhas roupas.
Somente as camisetas sociais e as outras peças que realmente precisam do ferro. Hoje moro com a minha mãe, é bem mais prático pra ir ao trabalho. Minha mãe é MIL vezes mais prendada que eu. Não é uma costureira que faz até terno como a minha vó, mas sabe ao menos pregar um botão e fazer uma barra de calça.

Ontem uma amiga da minha mãe (costureira) esteve aqui:
- Eu costuro muito mal, mas se for esperar isso das minhas filhas você morre.
- Ah é? Você não sabe não, Deborah?
- Não
- Nem um botão, costurar um furo de uma meia?
- Não
- Mas precisa!
- Não preciso não :)
- Mas sabe por quê? Quando você tiver um bebê…
- Eu não vou ter bebê :D
- Nem um?
- Não…
- Mas imagina que mistura bonita, você e seu namorado, ele moreno, você branquinha…um de cada cor!
- É, na verdade vai ser bonito, vão ter três cores
- Três?
- É, uma vai ser rajadinha laranja, outro preto com branco, outra toda preta…

07.20.09

Cinema Buraco de Fechadura

Enviado em Filmes, Questão de Gênero tagged , , às 1:58 pm por Deborah Sá

Algo que me incomoda em sua tentativa pueril é o que eu chamo de “Cinema Buraco de Fechadura”. Consiste em cenas de belas mulheres se despindo diante das câmeras enquanto observadas por um buraco de fechadura. O espectador compartilha a cena com o garotinho de trajes “italianos” de meias 3/4 brancas, boina, tons em marrom com bege sobreposto em suspensórios azuis.

Parece um esforço em resgatar o primeiro contato sexual masculino longe da pornografia impressa, embora em alguns filmes esta cena seja o compartilhamento de gravuras pornográficas.
O maior ícone que vêm à memória é Malèna – nunca vi na íntegra, apenas trechos – onde ninguém comenta nada do enredo além da beleza da Monica Bellucci e da fotografia “buraco da fechadura”. No Brasil lembro de “O ano em que meus pais saíram de férias”.
Interessante lembrar que nestes parâmetros quase sempre a jovem observada é “uma mulher de valor”: Tomando banho no riacho, trocando-se em um quarto ou colocando uma meia-calça. É uma invasão do espaço privado onde a nudez seria só dela, sua liberdade seria despida de conteúdo erótico. Mas claro, sempre há um menininho disposto a fazer “a arte” de lançar sobre ela um sentido sexual. Quando a moça nota, sorri e tampa o buraco ou cobre os seios e solta uma exclamação que faz os meninos rirem e saírem em disparada.

É sexo quase cômico, quase pueril, quase a mesma coisa…

Quando o observador é um homem adulto, ele se cala diante da mística feminina, de suas curvas, de seu silêncio desavisado em banhar o próprio corpo. Há muitas cenas assim na novela “Pantanal” e uma no filme “Brincando nos campos do Senhor”.

Quando um filme mostra uma garotinha olhando um rapaz pelo buraco da fechadura? Um torso masculino filmado lentamente? Quando a visão contemplativa é estendida ás mulheres lésbicas e héteros? Estas cenas não são mera contemplação, é um julgamento estético e uma reafirmação do homem hétero como juiz de nossa capacidade atrativa. Não importando se ele é um garotinho.

07.16.09

Quanto vale ou é por quilo?

Enviado em Corpo, Questão de Gênero tagged , às 1:24 pm por Deborah Sá

Estou pasma. O “Metrô News” distribuído diariamente aos passageiros de SP publicou uma vaga de emprego absurda:
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Sim, um homem busca por uma empregada-puta por R$ 1.395,00 trabalhando de segunda a sexta, que seja “liberal e faça massagens relaxantes” e com direito a carteira assinada!
Não dão condições a uma mulher concorrer ao mercado de trabalho com um salário igualitário, detonam a auto-estima dela através da mídia e oferecem empregos sexuais. É claro que surgirão muitas mulheres desesperadas para essa vaga de emprego.
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Assisti ao Roda Viva com a Gabriela Leite fundadora da Da Vida, uma ONG que luta pelos direitos trabalhistas das prostitutas. Ela era de classe média baixa e deixou a faculdade pois estudava e trabalhava não restando tempo pra se divertir. Ao olhar as putas “se divertindo” em boates ela achou o máximo. Beber, jogar conversa fora e ganhar o dinheiro assim parecia menos estafante do que sua dupla jornada de trabalho. Nunca trabalhou “na rua”, apenas em “casas noturnas”. Segundo ela, as putas não trabalham de terça-feira e não beijam na boca, atualmente são Workaholics e não tem mais tempo de se divertir, trabalham de “sol a sol” e procuram “fazer um pé de meia” pra comprar uma casa longe do local de trabalho. Defende a legalização da prostituição conquistando respeito e libertando-as das “mãos” dos cafetões que as agenciam inescrupulosamente.
É grande o número de prostitutas que sofrem violência, afirmou que os piores locais que visitou são o norte e nordeste do Brasil, onde as meninas são acorrentadas e presas para que não fujam do local.
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Os anúncios que li hoje (e a qualquer dia da semana neste mesmo jornal) oferecem uma hora de anal sem parar por R$ 20,00, beijo na boca e “tudo” inclusive drinks por R$ 30,00. O mercado da prostituição é direcionado ao público masculino, até os garotos de programa em sua maioria atendem homens.
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Se o maravilhoso mundo da prostituição é mesmo tão estupendo, por que os homens são minoria nele? Por que a última opção de um homem é virar mendigo, enquanto uma mulher não pode ser mendiga sem correr o grande risco de ser estuprada?
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Nós já nascemos putas. Não importa se somos largadas nas ruas aos 5 anos, se fugimos de estupros dentro de casa e acabamos na rua ganhando umas moedas pra isso, se temos diplomas acadêmicos e não conseguimos mais pagar as contas. Se colocarmos a roupa curta, o batom vermelho e as cores escandalosas, em cada esquina estarão homens dispostos a comprar nosso sexo.
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Se perguntassem para cada puta do Brasil: O que quer? Deixar de ser puta ou ter outro emprego que lhe dê melhores condições de moradia, segurança e autonomia?
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O que acham que responderiam? É muito hipócrita querer que as putas deixem de ser putas quando em um “emprego comum” elas ganhariam menos dinheiro. Eu por exemplo, sou secretária e ganho menos que “a puta-empregada” mencionada acima. Deixando claro que não estou defendendo “os bons costumes”. Se uma mulher QUER ser prostituta e se sente bem assim, deve ser respeitada e protegida por lei. Mas não é o que vejo em qualquer documentário/depoimento pessoal sobre prostituição.
A pornografia, o capitalismo, a heteronormatividade e a misoginia alimentam esta profissão.
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O que é mais difícil? Oferecer a estas mulheres cursos de defesa pessoal, faculdades e cursos técnicos, prepararem a polícia para atendê-las com respeito e dando credibilidade aos seus relatos, inseri-las no debate público, se assim desejarem inseri-las no mercado de trabalho (convencional)?
Ou conscientizar os homens do que “eles consomem”, da violência contra a mulher, da mercantilização dos corpos femininos, da exploração sexual infantil que gera prostitutas adultas?

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Sei que algumas delas se casam e formam uma “família” e que há homens que se apaixonam por putas e enfrentam todo o preconceito.
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Mas quando leio estes anúncios, a última coisa que imagino é um homem (cliente) perguntar a uma prostituta qual sua história, quais seus sonhos e o que ela realmente quer pra si.

07.10.09

Eternas mães

Enviado em Corpo, Questão de Gênero tagged , , , , às 4:37 pm por Deborah Sá

Mulheres preferem chocolate á fazer sexo

Não gosto destas generalizações de revistas femininas utilizadas em correntes de e-mail, usei este exemplo para tentar entender o motivo que talvez leve algumas mulheres a colocar o sexo em segundo plano.

Mulheres costumam assumir para si a responsabilidade pelo bem estar de todos que a cercam. Elas chegam em casa, fazem a comida, limpam a casa, cuidam dos filhos e prosseguem com sua tripla jornada. O que levam muitas delas á Síndrome de Amélie Poulain.: “Se ela cuida da bagunça dos outros, quem cuidará da sua bagunça?”

Centrando sua energia em outros, seu esforço não é reconhecido tornando até motivo de chacota “rá rá a mãe é mesmo paranóica com limpeza/saúde/estudos dos filhos”. Quem (geralmente) “corre” com os filhos para o hospital? Quem olha o caderno de lições? Quem se preocupa em convencer o filho a comer feijão senão o exame de sangue pode acusar anemia novamente? E em caso afirmativo, a culpa será toda dela, afinal, seu fracasso como mãe é refletido nos estudos/saúde do filho.
A estrutura familiar é posta em grande parte nos ombros das mães, estes seres que não são perfeitos nem maculados por parirem. Alguns defendem que uma mulher nunca será completa até gerar (ou no mínimo adotar) um bebê completando esta última etapa de sua vida, devotará sua energia para nutrir e guiar todo o desenvolvimento cronológico que a separa do cordão umbilical do feto. Um dia este filho parte e sobra apenas A Síndrome do Ninho Vazio.

Mulheres são neuróticas

Uma das características usadas em comédias é a mulher neurótica. Pintam nossos traços em caricaturas histéricas e voláteis que em um momento choram e no seguinte beijam, até mesmo comédias românticas mostram essa “faceta” feminina. Que mulher não se contradiz emocionalmente ao gritar com o namorado, se arrepender, correr para o chocolate e chorar? Essa “confusão mental” nos envergonha por fugir do padrão esperado da racionalidade e autocontrole. Sentimos-nos “loucas” e “paranóicas”.

O amor da mulher é suicida enquanto o do homem é homicida

Não nos ensinam a bater, gritar, xingar, falar palavrões. O que fazemos com a nossa raiva? Com nossa frustração? Desde pequenas aprendemos que não podemos “culpar ninguém além de nós mesmas”. E nestas condições resta o nosso já tão odiado corpo para extravasar.
Obviamente há homens que se matam por suas namoradas, mas estatisticamente a maior parte das pessoas que tentam suicídio são mulheres (proporção de 3 á 4 para 1), enquanto a taxa de homicídios mostra claramente que os autores são masculinos. É alto o índice das que flagelam o próprio corpo. Ao se desenvolver a criança precisa de estímulos que a encoraje e fortaleça a auto-estima. A criação sexista falha muito nesse aspecto.
Temos de provar o tempo todo que somos capazes, tanto (ou mais) quanto um homem. Uma mulher de tailleur tem de se esforçar mais que seu companheiro de trabalho que é visivelmente incompetente e nem precisa se preocupar com as olheiras ostentadas ás 8:00, ou ainda se o gel no cabelo o faz parecer garoto propaganda da Grecin 2000.
A maioria delas está insatisfeita com a própria aparência e dispostas a recorrer a processos cirúrgicos.

O que um homem não encontra em casa, busca fora.dela

Se antes as mulheres se sentiam culpadas por pensar em sexo, hoje somos obrigadas a cumprir metas sexuais. A “obrigação conjugal” é uma das muitas pressões exercidas como deveres de uma esposa/namorada/amante. Mais do que se perguntar por que as mulheres fingem orgasmos, seria justo perguntarmos por que tantas delas começam o ato sexual sem estarem molhadas e com tesão para isto.

Nossos passos são monitorados: Sejam os pneus que aparecem em uma roupa de trabalho, nossos filhos quando não tiram boas notas, nossa disposição física não se manifestando como nos comerciais de energéticos, nossa performance sexual, nossos pais envelhecendo precisando de dinheiro pra os remédios… Somos o tempo todo, as “mamães do mundo” com “crias” penduradas na barra de nossas saias.

Em meio a tantas frustrações podemos mascarar nossa carência afetiva com aqueles tabletinhos cheirosos de chocolate. E só por aquele instante você se entrega e “derrete” na boca todo o prazer que precisava naquele momento. Este prazer é rompido quando lembramos que nosso corpo não nos pertence e cogitamos não jantar para compensar tamanho deslize.

Queremos paz de espírito, para tanto é preciso fazer as pazes com o espelho. O desgaste de nossa energia no cotidiano de pressões, trás o abatimento que enfraquece nossa força. Quem consegue lutar quando se está exausta?

07.08.09

Vigiai e estai sempre atentos

Enviado em Corpo, Crenças, Questão de Gênero tagged , , , às 5:21 pm por Deborah Sá

É muito mais fácil influenciar pessoas cansadas, desprotegidas e com carência afetiva. Nisto, as mulheres tornam-se um público-alvo interessante.
Toda a estrutura social fragiliza a confiança das mulheres em si mesmas, reafirmando a idéia de sacrifício que é comumente veiculada com o mito do amor romântico. Deus, projeta a idéia máxima do apogeu masculino “o homem foi feito a semelhança de Deus”, a submissão e a eterna vigilância.

Que mulher não se “policia”? Não é o que nos dizem as revistas femininas? Para atentar para cada alimento ingerido, o número de mastigações, o intervalo entre refeições, as calorias vazias? Cada quilo ganho é um fardo “um pecado”. Cada jejum e quilo perdido  uma vitória, elevação.
Há dietas para “purificar o corpo” e é essa prova de resistência e “temor a Deus (beleza)” que nos faz envaidecer da “luta contra a carne”. E logo “pecamos” em um doce super calórico que nos faz sentir mal por este descontrole.

A energia utilizada nesta vigilância desgasta a mente e o corpo. Lembro que em minha dieta mais extrema, além de comer pouquíssimo tomava muitos copos d’água. Sentia muito frio, sono e cansaço. Uma candidata assim é perfeita para uma mídia que vende sonhos em cremes rejuvenescedores e de “funções terapêuticas”.
Negando o desejo oral (alimento), a mulher permite esfregar no próprio corpo produtos que aludem aos alimentos “proibidos”. São hidratantes de chocolate, perfumes de morango com chantilly, sabonetes de pêssego. Esses produtos também “acalmam” com fragrâncias de camomila e maracujá.
Em algumas religiões há autoflagelação em busca da plenitude no êxtase religioso. Muitas mulheres submetem-se a bisturis, próteses e outros métodos menos invasivos á estrutura corporal como salto alto e cintas modeladoras.

É rentável ao “mercado” que as mulheres permaneçam frustradas. Essa frustração no passado fez as vendas de máquinas de lavar e outros eletrodomésticos aumentarem. Hoje lucram a industria dietética, a de academias de ginástica, cosmética, revistas femininas, livros de auto-ajuda, esotérica e tantos outros nichos imagináveis.

Esse culto a beleza não é mera associação. Assim como na religião ele inclui a noção pecado/resignação, vigilância constante, penitência, jejum e desprendimento da antiga identidade “Agora sou de Jesus, joguei meus discos de rock no lixo” / “Agora serei magra, joguei minhas fotos “gordas” no lixo”. Evitando sempre os lugares onde existam “tentações”. Sendo estes sorveterias ou discotecas.

O que os difere é o número de adeptos e o nível de alcance da “pregação”. Todos são “vigilantes” de nossa aparência. Citam nossa forma física em conversas informais, estampa em toda a mídia o modelo “a seguir” implantando a culpa em condutas esperadas em manchetes “A atriz perdeu 7 quilos com a dieta do agrião, caminha 3 quilômetros por dia, cuida dos 3 filhos e do marido também ator”

Qual foi a última vez que você comeu algo realmente delicioso sem se culpar?

06.17.09

Homem usa site para contratar estuprador de sua mulher

Enviado em Questão de Gênero tagged , às 9:40 am por Deborah Sá

Os dois foram detidos nos EUA pelo crime cometido em 31 de maio. Mulher entregou faca para o marido, que não fez nada em sua defesa.

A polícia de Kannapolis (Carolina do Norte, EUA) deteve dois homens que responderão na Justiça pela acusação de estupro. Segundo divulgado pelas autoridades no sábado (13), os homens combinaram os detalhes da ação — o estupro da mulher de um deles — depois de se encontrarem no Craiglist, um site popular de classificados. Com ajuda do serviço on-line, policiais localizaram na sexta-feira (12) Rodney Liverman, de 39 anos. Ele foi acusado de estupro e outras três acusações sexuais. Sua primeira audiência está marcada para esta segunda (15), e as autoridades determinaram fiança de US$ 250 mil. O ataque foi realizado no dia 31 de maio, na casa da vítima, em Kannapolis. Segundo a polícia, Liverman entrou no quarto do casal com uma faca, pediu dinheiro e exigiu que a mulher tirasse a roupa, antes de estuprá-la. O marido, que também estava no quarto, assistiu ao ataque. A mulher conseguiu pegar a faca, que o estuprador havia deixado sobre a cama, e entregá-la ao marido. Ele, no entanto, não fez nada para impedir a agressão. Quando o estuprador deixou a casa, o marido falou para a vítima tomar banho e não ligar para a polícia. O marido, também detido, foi acusado de participação no estupro e sua fiança está em US$ 200 mil. O nome do casal não foi divulgado.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1194903-5602,00-HOMEM+USA+SITE+DE+CLASSIFICADOS+PARA+CONTRATAR+ESTUPRADOR+DE+SUA+MULHER.html

[Comentário: E ainda tem quem acredite que o patriarcado não existe...]

05.29.09

“Não ame ninguém, estupre.”

Enviado em Cotidiano, Questão de Gênero, Só falam nisso tagged , , às 10:45 am por Deborah Sá

Serão recolhidos livros didáticos distribuídos para a 3ª série. Motivo? Ele cita drogas e estupro.

A frase é: “Não ame ninguém, estupre.”

A linguagem “irônica da poesia é pra aproximar o aluno da leitura com algo despojado”.

Onde já se viu? As criancinhas da 3ª série não sabem entender ironia! Se fossem pra adolescentes, tudo bem! As drogas, todos sabem, faz parte do cotidiano dos jovens. E o estupro?

Há pessoas que preferem fingir que não existe este “probleminha”. Meus caros, visitem qualquer delegacia da mulher, quer saber? Não precisa ir tão longe, uma mulher vítima de abusos pode estar mais perto do que você imagina, talvez, até vive sobre o mesmo teto que você. Eu nunca visitei uma delegacia da mulher e conheço (pessoalmente) 8 mulheres que passaram por violência sexual. Se me incluir o número passa para 9.

Mulheres são silenciadas nas chacotas, em ter de justificar se não foram mesmo insinuantes no dia. Ser vista como estuprável não é piada. Aliás, do modo como fazem piada com isso me faz pensar no tamanho da merda do mundo que vivo.

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