23 abril, 2013

Material girl – A mulher interesseira, sexo e capital

Enviado em Corpo, Desejo, Gênero, LGBT, O pessoal é político tagged às 12:08 pm por Deborah Sá

Sexo (como entendido) é performático, genitalizado, heteronormativo, cis-sexual. As revistas femininas e o incentivo ao sexo da mulher é sempre nos moldes de “esse é o meu poder e dele faço uso pra conseguir o que quero”. Os sujeitos são estimulados a fazerem mais sexo, ao ponto de mentirem a freqüência nas pesquisas: “ dou duas sem tirar”, “eu tenho cinco orgasmos múltiplos”. Não pega bem dizer que gosta de sexo no escuro, aquela coisa ao som de Barry White. Ninguém gosta de ser considerado morno sexualmente porque morno não mela calcinha nem levanta pau. A coisa precisa pegar fogo.

E pode pegar de várias maneiras, depende do que você busca e com quem se relaciona. Não há sexo desinteressado se feito além de dois integrantes, veja bem, se quero sexo só comigo, me masturbo. Quando estimulo outro corpo além do meu (de forma consentida é óbvio), tocando, lambendo, chupando e beijando estou pensando no outro. Gosto de ver a cara contorcendo ao gozar, é uma massagem no ego, faz bem. Aí as relações de poder ficam complicadas de discernir, ou como alguns preferem, mais fluidas. No sexo oral, por exemplo, quando uma mulher chupa um homem a reação é “Ele está se dando bem, quem é chupado está no comando”, mas quando um homem chupa uma mulher dificilmente se diz: “Ela está no comando, ela está se dando bem”. Porventura não teria maior “controle” a boca que conduz movimentos ritmados? As mãos que deslizam e enrugam os dedos na umidade? Que estremecem pernas, arrepiam braços, produzem gemidos e a vontade de quase implorar para que aquilo não pare e dure por todo o sempre?

Essa dualidade (quem manda, quem obedece), é imprecisa. Se entregar abertamente demanda confiança plena, confiamos em quem está a nossa frente, confiamos em deixar o corpo soltar o que tiver de deixar sair no tempo que necessita. Ou seja, se gozo maravilhosamente é por permitir a mim e permitir-me ao outro. Se ele controla com a língua, eu controlo com os quadris e é de movimento que somos feitos. Somos corpo, dentro e fora do sexo, somos corpo e sentido. Sexo não é desinteressado também por outro motivo, nós buscamos capital. Sim, até os anarquistas. E que tipo de capital? Isso cada um dirá por si. Meu capital estético de interesse é um pouco fora do comum (eu digo um pouco, porque se Jennifer Lawrence quiser meu corpo nu é só ligar), mas claro que há uma série de características físicas que facilmente me fazem sucumbir. Também tenho interesse pelo tamanho do capital cultural aliado a sensibilidade, adora literatura? Musicais? É vegano e sabe cozinhar? Muitos pontinhos. Ainda por cima não bebe e não fuma? Por favor, mande currículo com foto. É, com foto. E quer saber? Mesmo com todos esses requisitos pode ser que não role a chamada química (menos com você, Jennifer, tenho certeza que daríamos certo).

“Não mostre o que tem na carteira,  mostre o que tem na cabeça”, “Cubra seus peitos e mostre sua personalidade, mulher”  é só um modo de dizer que não se faz tanta questão do que carregam na carteira, mas no coração, nas idéias, no tamanho do capital cultural. Na apropriação de uma cultura legítima e quem sabe até, ver o filme esloveno e a última animação da Pixar com o mesmo gosto e olhos embotados de lágrimas.

Fazer uma cirurgia plástica pra conseguir um homem rico que banque é se desvalorizar? É ser nada feminista? Bem, alguém que julgue esse tipo de capital importante precisa literalmente investir no corpo, com malhação, dieta balanceada, cirurgias e toda a parafernália possível, esse alguém, pode realmente julgar que estabilidade financeira é algo mais importante do que ser colunista da revista Piauí, Caros Amigos ou ganhar um Jabuti. E essas pessoas não são imbecis, elas não “sofrem de baixa auto estima”, elas não precisam ser ”iluminadas”. Uma patricinha, uma piriguete ou um rapaz gay que é bancado em troca de sexo não merecem desprezo. É muito fácil sentar a bunda e escrever usando vinte e dois teóricos sobre o assunto quando na vida isso não enche barriga. É totalmente diferente da prostituta que trabalha na rua com discriminação e o perigo da violência, mas mesmo assim, há uma aproximação: Não adianta oferecer curso de fazer bolsa em garrafa PET ou dar um livro teórico achando que isso afastará mulheres, travestis e transexuais desse mercado. É preciso ouvir, construir políticas públicas, lutar para que sejam respeitadas.

Os sujeitos tem o direito de ter acesso ao patrimônio intelectual da humanidade, mas julgar que trabalho ou o gosto por atividades ditas intelectuais são mais nobres que as do corpo, especialmente as que envolvem sexo como moeda de troca, é esquecer que sexo é interesse. Fazer sexo por interesse financeiro é apenas um dos vários tipos de capital (estético, cultural). Isso não nos transforma em um objeto, isso não é “contribuir para que não respeitem”, as pessoas tem o direito de buscar a forma que acharem mais conveniente de se sustentarem. “E quando essas mulheres começarem a ficar velhas? Não serão trocadas?”  pode ser que sim, pode ser que não. Igualmente, ser feminista ou ativista não impede que as pessoas pisem na bola, troquem parceiros, encontrem “alguém melhor”. Assim como o marido não tem poder sobre a esposa, a namorada não pode mandar na namorada, um cliente (ou um mantenedor) não pode bater em quem fez sexo com ele (ou quem dele depende economicamente). Não é porque há um contrato implícito e uma das partes tem um maior capital – ou prestígio – cultural, econômico, estético, que poderá ditar as regras sobre o corpo de quem está ao lado. Usar o sexo como moeda de troca não é se transformar em mercadoria e nem sempre é sintoma de vulnerabilidade econômica, muito embora, existam tais aproximações; além da evidente segregação de quem tem faz dessa a maior fonte de renda. Ao mesmo tempo em que é importante frisar que nada é neutro, é bom que saibamos que essa liberdade irrestrita e sem fronteiras simplesmente não existe.

Se o relacionamento é aberto ou fechado, se é papai e mamãe ou orgia, se é assim ou assado sempre há paredes de contenções, o mundo sempre nos supera, criam-se combinados, modos de entrar e sair, formas de convivência. Alguns tem muros maiores, outros menores. Não me cabe aqui gritar aos quatro ventos o quanto a minha água é mais limpa que a de meus vizinhos, o céu não tem cobertura e se chove me molho tanto quanto quem me lê.

22 fevereiro, 2012

Ativista, uma postura pedagógica.

Enviado em Educação, O pessoal é político tagged , , às 9:57 pm por Deborah Sá

A possibilidade de ação é tolhida por arestas que delimitam o alcance, para minar as contenções seguimos o famoso “trabalho de formiguinha”. A chance de organizar um levante popular se torna possível em conjunto e adesão maciça e para tanto é preciso conjuntura, condição, solo fértil. E quem prepara esse terreno senão os que fazem parte dele? É no fazer-se que está o descobrir-se, reinventar-se, permitir-se.

Reconhecer condicionamentos é de grande valia como auto-análise, mas quando isolado é dado fatalista que amargura ou ainda, age no separatismo entre “libertos” e “marionetes”, parâmetro aplicado pelos detentores do “conhecimento”.
O equívoco é presumir que os que não seguem determinado esquadro são inconscientes de suas coreografias orquestradas, alheios ao olhar de autônomos que os vêem como roedores de pesquisa científica, isso é subestimar a capacidade de aprendizado em uma pedagogia (paternalista, diga-se de passagem) de mera absorção e réplica, inevitavelmente gerando dogmas de respaldo em reverência exacerbada por fontes e bibliografias.

O que falta em certos ativistas e acadêmicos é admitir sua postura de educador, um ortodoxo, prepotente, ultrapassado e intransigente, mas ainda assim, um educador. Em nada se distanciando daquele professor de vocabulário rebuscado tomado pela cólera de um aluno que ousa questionar seus métodos. Um ativista ou educador que se acomoda entre seus pares repetindo velhos discursos e não se atualiza, não compartilha e abusa de discursos de autoridade “Vá estudar antes de falar comigo”, “Você sabe com quem está falando?”, “Você é alienado”, tem grandes chances de ter a hostilidade e desprezo voltado no estilo bumerangue. E ao contrário do que presumem isso não se deve ao fato de que “a verdade é para poucos”, mas de que o alto nível exigido é impraticável e sua postura mesquinha é de imenso desserviço.

As informações devem circular para que idéias originais não encerrem em si mesmas, mas criem outro ponto de partida na elaboração compartilhada. De que adianta um novo pensar se em nada dele é extraído? Se o toque é impróprio, a crítica é blasfêmia e a intervenção é vandalismo, deixem que os guardiões das tradições regozijem na sisudez.
Prefiro o saber quanto mais democrático, quanto mais popular, que inquieta, instiga, emociona e não é determinado pelas certezas. Da ciência da abertura permanente de ser incompleto, nem por isso triste e confuso, nem por isso acostumado. Pra que o expressar da dúvida não seja motivo de vergonha ou desconforto, mas uma amostra genuína da curiosidade que nos aproxima de quem acrescenta o entusiasmo diante do que é inédito.

Se a margem para gozar em liberdade é tão estreita, é por não se tratar de um direito, mas um privilégio restrito. Somos construídos pelo meio e circunstâncias combinados ao acaso aleatório, não nos cabe mensurar o livre-arbítrio.

3 agosto, 2011

O verdadeiro Babe, O Porquinho

Enviado em Animais, O pessoal é político tagged às 10:51 am por Deborah Sá


O curta Pig Me foi realizado por Rebecca Bang Sørensen, Ditte Gade, Marie Louise Højer Jensen, Israel Hernandez e Mette Tange, e ilustra os esforços de um jovem porco e suas tentativas de aproximação entre humanos.

Recomendado pela Luka, através do Smelly Cat.

27 julho, 2011

Expandindo sua percepção

Enviado em Animais, O pessoal é político às 11:47 am por Deborah Sá

O vídeo que compartilho é uma palestra com duração de uma hora de Gary Yourofsky, um ativista de Direito Animal que esclarece e se posiciona sobre várias questões inerentes ao consumo de origem animal.

Pontos de vista podem ser revistos e qualquer material que desperte nosso senso crítico deve ser divulgado ao maior número de pessoas para que criemos novas possibilidades de interpretação. A abordagem desse conteúdo se diferencia por interagir com diferentes vertentes ideológicas: Não importa se você é Cristão ou Ateu, Comunista, Anarquista ou Democrata, é possível compreender a Filosofia Vegana, pois sua “raiz” é ética e parte do princípio de igualdade; se você é contra a exploração, morte, tortura e sadismo que atingem inocentes, está muito perto de compreender as motivações Veganas.
É importante delimitar as diferenças culturais entre Vegans Estadunidenses e Vegans Brasileir@s, por lá há uma infinidade de produtos emuladores em sabor, textura e aparência, de mortadela a peru recheado, no Brasil nem sempre chegamos a réplicas fiéis mas sejamos criativos: A culinária Vegana nos dá muitos recursos, precisamos viver na sombra de antigos temperos, formas e cores?

No Brasil, Vegans são motivo de escárnio, inclusive entre os que se dizem de Esquerda, minha intenção não é falar de Direito Animal apenas para aqueles com maiores chances de assimilação a Libertação Animal (dedutivamente existem mais oportunidades para esse debate se compararmos a mesma situação com Reacionários), o Feminismo e seus discursos, por exemplo, não devem ser restritos aos espaços universitários, representado em sua maioria por mulheres brancas e de classe média. Não adianta nos unirmos pelo Gênero e nos apartarmos pela Raça, falarmos e debatermos entre “nós” como um grupo de amigos em uma espécie de “panelinha”, os discursos de igualdade devem ser conhecidos em maior número e o Veganismo não é exceção. Dedico esse vídeo a você, seja quem for.



Rompe con el miedo a saber,

Proporcional al miedo a actuar.
Abre la jaula
que habita en tu cabeza,
el orden y la ley
tienen a otros entre rejas.
Todos somos animales:
queremos libertad,
no cárceles más grandes

Veganismo es justicia - Eu Libre

Rompa com o medo de saber,
Proporcional ao medo de agir.
Abra a jaula
Que habita em sua cabeça ,
A lei e a ordem
Mantém outros atrás das grades.
Somos todos animais:
Queremos liberdade,
Não cárceres maiores

*Vídeo retirado do Vista-se

16 maio, 2011

Não agüenta? Bebe leite

Enviado em Animais, O pessoal é político tagged , , às 5:03 pm por Deborah Sá

Enganar-se vez ou outra sobre a composição de um alimento, é previsto. Consumimos determinado produto e sem qualquer aviso prévio o fabricante inclui ingredientes de origem animal. Quando questionei o acréscimo de gelatina no Açaí da De Marchi, obtive o seguinte e-mail:

Date: Thu, 10 Jul 2008 16:35:01 -0300
From: laboratorio@demarchi.com.br
To: aqueladeborah@gmail.com
CC: xxx@demarchi.com.br

Deborah,
Agradecemos  pelo seu contato e informamos que o setor de pesquisa e desenvolvimento está verificando a possibilidade de formular um produto sem conter a gelatina. Gostaríamos de esclarecer que os ingredientes usados têm a função de estabilizar e emulsificar o produto. Nesse caso, a gelatina é utilizada com o objetivo de melhorar a cristalização do gelo e a estabilidade do  produto. Informamos, ainda, que a quantidade adicionada é muito pequena.
Estamos pesquisando e procurando algum estabilizante que não contenha gelatina, e faremos uma nova formulação do produto.

Usei para ilustrar que somos suscetíveis aos enganos de qualquer indústria e que há uma margem de erro no que ingerimos mesmo com leitura de rótulos. Mas qual a diferença entre consumir “por engano” e deliberadamente “abrir exceções”?

A especulação padrão de Alfacistas (onívoros que debocham do ativismo vegetariano, acusando-nos de insensibilidade para com os vegetais), é de que Veganismo seria uma tentativa de reconhecimento dentre outros humanos e sucumbir aos desejos por um bife seria inevitável, o recurso disponível é o consumo “em segredo”, resguardando a reputação evitando “excomunhão”.

A imagem em inglês e original está aqui

O Veganismo visa o reconhecimento entre humanos?

Não. Se autenticamente a motivação for o Direito Animal, estamos muito longe de receber qualquer congratulação de Vacas, Porcos ou Atuns, em primeiro lugar porque um aparelho que traduzisse a súplica de um Frango seria destruído pela indústria que o abate, em segundo, a normalidade é onívora, então é evidente que é de interesse da maioria (desde as indústrias até o âmbito pessoal), que celebremos o Natal “comendo o Presépio”.

O que acontece com um Ex-Vegetarian@? É expuls@?

Não expulsaria do meu círculo de amizade alguém que optasse por isso, mesmo porque, muitos dos quais me relaciono não seguem a dieta Vegan. Portanto, não @ restringiria de meus espaços de convivência, embora considere um direito aliar-se com quem temos afinidade, sendo baixa a probabilidade de reacionários aliarem-se de bom grado a subversivos.

Será que não posso comer um queijinho ás vezes? Mesmo se eu não contar para ninguém?

Qual o propósito de comer queijo escondido? Sequer é crime, a venda de embutidos, defumados e laticínios é lícita, um traço cultural muito bem aceito e disseminado. Esconder-se de outros humanos para ingerir tais insumos demonstra maior temor a própria reputação, indissolúvel de caráter hipócrita.
“Pescatarianos” não são considerados Vegetarianos e tentar abrangê-los na nomenclatura porque um consumidor de Ostras diz-se Vegetariano, não faz sentido.  Ao escolher intencionalmente “abrir exceções” comendo laticínios ou ovos, não se é mais Vegan. Em alusão, sou contra o Racismo e não “abro exceções” contando piadas com esse viés, não importa o quanto seria uma ação benquista diante de Avós ou da juventude fã do CQC.

Se uma pessoa largar um bolo não Vegan pela metade, sabendo que o destino será o lixo, seria incoerente comê-lo?

A maioria d@s Vegetarian@s desenvolvem aversão a carne, não importa se intocável e recém oferecida do forno, a idéia de sentir no paladar a textura de músculos e sangue é de causar calafrios, os que tentam voltar ao consumo o fazem progressivamente já que a primeira reação do organismo é repelir o alimento “estranho”. Qual o porquê da maioria dos Vegans (iniciantes ou não) cogitarem essa possibilidade no caso de uma sobremesa? Graças à associação entre carne e morte ser visível: O sangue, os ossos, nervos, a figura do boi fragmentada e numerada no açougue, os pés da galinha…


“Reaproveitar” uma sobremesa parece inofensivo enquanto a empatia com Vacas e Galinhas é incerta, se o subterfúgio é o descarte inevitável o que impede de ingerirmos o que sobra no prato de companheiros onívoros? Nenhum@ vegetarian@ crê na ilusão de que individualmente extinguirá o Especismo, somos ínfimos em proporções quantitativas.
Se nos apartamos destes “produtos” é pela recusa em compactuar com práticas de cárcere e silenciamento aos não-humanos; essencialmente por consideração a esses e por quem deles se compadece, peço o mínimo: Coerência e respeito.

PS: Esse Açaí mudou a formulação, atualmente é Vegan

5 maio, 2011

Imposições de conduta

Enviado em Educação, O pessoal é político tagged , , às 10:42 am por Deborah Sá

A última estrutura que tive medo de questionar foi D-uz, sendo uma das imposições de vigilância mais duras que enfrentei; nessa circunstancia uma autoridade cristã é um canal direto entre os desígnios celestiais e a vida prática. Para além de ser aceita em um determinado grupo, isso pode implicar na morte e tormento eternos. Só quem realmente já “temeu a D-uz” sabe o quão pungente é sua relevância.

Adentrei aos poucos e abracei as ideologias Feminista, Atéia e Vegana. É claro que ao identificar-se com um grupo se espera mais sincronia com outras lutas pessoalmente valiosas, embora nunca esperasse a perfeição (isso não existe) de movimentos que visam desconstruções, foi inevitável não deparar-me com posturas equivalentes as experimentadas em bancos de madeira e solenidade cristã.

O discurso presunçoso de alguns ativistas é minoria, falar desses “líderes” ou “modelos” pode de fato afastar novas aspirações, o que muita gente parece não entender é que buscamos referências e nos sentimos agraciados quando surge alguém disposto a esclarecer dúvidas. O medo que muitas mulheres sentem em assumirem-se Feministas/Veganas/Atéias é que não são “fortes o bastante”, já que não raro encontram verdadeiros baluartes:

”Onívoros são comedores de cadáveres”, “Ovo-lactos são nojentos”, “Mulheres Bi são lésbicas com medo de sair do armário”, “Vocês dormem com o inimigo”

Não estou defendendo discurso “cheiroso” que contemple Especistas, Racistas, Lesbo-Trans-Homo-Fóbicos, Classistas… Mas sim, o mínimo de reconhecimento do peso que as palavras podem refletir sobre outr@s. Perdi as contas de quant@s sentiram-se ultrajad@s solicitando auxílio em um momento de fragilidade quando sujeitos “com moral” depreciaram suas vivências. Quem desmerece outrem, tem grandes chances de carregar um discurso hipócrita e demagogo, simulando uma moral transcendente realizando o que tanto critica as escondidas, ou encobrindo um passado/recente não tão louvável.

Sentia certa timidez quando iniciei meus ativismos, por não ser acadêmica, não ter lido todos os livros referenciados ou compreender os termos, essa hierarquia é similar a eleger uma figura de embasamento teórico para nos tirar da escuridão rumo ao inóspito desconhecido. Sentar-nos e ouvirmos em silêncio uma missa em latim.
Toda contracultura estabelece padrões e nenhum deles é completamente original, embora seus agentes sejam seres sociais em permanente transformação, as bases são retiradas do “senso-comum”. E é nesse empirismo que baseio a busca por autonomia e quebra do classista “Discurso Válido”.
Sendo primordial reconhecer que grande parte dos ativistas está nas Universidades e/ou pertencem a classes abastadas (costumam ser os maiores “cagadores de regra”), amiúde consideram os demais como acéfalos indignos de contato, ridicularizando suas práticas. Em debates com o meio Universitário costumam enxergar-se em uma bolha, ignorando a presença de “intrusos”:  “Acredito que todo mundo aqui tem uma empregada que…”, ”Estou falando isso, porque todos têm o mesmo ‘nível’”.

Soberba

Vangloriar-se de “boas ações” não faz sentido uma vez que se encara a justiça parte fundamental na construção de uma sociedade justa, torno-me proeminente por ser branca e apoiar as reivindicações do Movimento Negro? Não, tampouco sou superior por enxergar (dentro das limitações do meu tempo), não-humanos enquanto detentores de liberdades básicas: Respirar, interagir com outros de sua espécie e morrer em uma cadeia alimentar cuja função é integrada ao todo (sob perspectiva holística).

A meu ver, comunidades urbanas e seu conforto (compras no supermercado, acesso a internet) poderiam dispensar o consumo de derivados de animais. Isso não ocorre por questões sociais, históricas e em alguma medida negligência, seja do Estado “neutro” que sustém as relações de poder até onde lucram, seja dos que cientes do processo, estão pouco dispostos a lançar mão de privilégios. Isto não significa que essa é a única forma de conduzir, perceber e lutar por um mundo melhor, ou que ao usar algumas dessas ferramentas me converterei em árbitro universal.

Ninguém opera em totalidade, isentad@ de mínima incoerência. Embora usemos de inspiração vez por outra determinada figura, não devemos atribuir a terceiros a validação ou autorização para autonomia.

Altivez daqueles que respeitamos/admiramos

Relevar humilhações e injúrias é tarefa aflitiva, em especial se considerarmos quem nos direciona tamanhos insultos, é necessário quebrar o silêncio e expor o desconforto diante da afronta e dialogar honestamente. Porém, em determinadas circunstancias após sucessivas negociações percebe-se que nem sempre há disposição em respeitar particularidades, sendo não raro, indiferença e réplica escarnecedora.

Somos restringid@s intermitentemente por figuras de poder: Religiosos, Médicos e “Especialistas” de toda sorte, com quem firmaremos alianças? Teremos de nos submeter diante de familiares, amig@os, teóric@s e companheir@s alheios aos danos que nos causam? Permitir desdéns por possuir “elos” biológicos, materiais, metafísicos? Parcerias ideológicas e afetivas são benéficas tão somente se recíprocas, romper vínculos com quem nos coage descativa os cárceres que mantemos hábito.

14 abril, 2011

Pop x Rock

Enviado em Corpo, O pessoal é político às 4:52 pm por Deborah Sá

Minha mãe adorava Elvis, meu pai era um jovem da discoteca (que participava de concursos de dança) com pôster da Donna Summer dividindo o mesmo espaço que Led Zeppelin.

A identidade musical é formada na medida em que selecionamos o que nos é agradável, não me reconhecia com algo “soturno”, preferia fazer testes da Capricho, idealizar um namorado atencioso e “artístico” (que declamasse poesias), ou admirar borboletas.

A música Pop foi a trilha sonora onde conseguia extravasar uma série de expectativas produzindo alguma esperança. Passei pela fase “séria” (Joy Division, Radiohead, Cure) e “Indie” (Los Hermanos, Weezer, Belle & Sebastian), não interrompendo as audições de Backstreet Boys. Minha irmã, porém, ouvia System of a Down, Nirvana e Iron Maiden.

Com isso o primeiro grupo de garotos que me aproximei (na 8ª série, “os roqueiros”), converteu-se em amigos dela após a interrupção dos meus estudos. Não que forçassem algo, mas o ambiente “masculino” com cerveja e Metal deixar-me-ia deslocada.

Porque o bate-cabelo vale menos que o bate-cabeça?

Com o passar dos anos conheci outras pessoas, mas uma situação persistia: Ninguém parecia gostar de música Pop e se admitiam falavam com vergonha, deixando bem claro que agora “tinham bom gosto”. Isso também valeria para memórias infantis: Jaspion, Kamen Rider e Cavaleiros do Zodíaco, eram aceitáveis, mencionar Caça Talentos, Backstreet Boys e Spice Girls era certeza de ouvir “Ah não, o papo estava legal, isso era lixo”.

O que nos leva a rejeitar as produções de entretenimento feminino julgando seu oposto algo de maior valor? Ir a um show de vocal gutural é considerado um espetáculo de virilidade, em contrapartida, quem são os fãs de Kylie Minogue?

Os entusiastas de Sexo, Drogas e Rock’n roll e as Divas da música POP expressam de forma distinta como comportar-se diante da ascensão ao poder.

Curiosamente algumas vertentes do Rock buscam resgatar esse “espírito”.

Adendo: O Lesbofóbico, Raul

Embora cantoras Pop sejam em sua maioria brancas, jovens e magras as composições aludem a uma série de anseios femininos, permitindo que outras mulheres sintam-se minimamente confortáveis e divirtam-se com isso.

A indústria e o advento da MTV formularam uma nova maneira de consumir música; de Madonna a Lady Gaga é preciso adaptar-se as lógicas de mercado (salientando que bandas de rock, não estão imunes).

Aos que supostamente pularam do ventre recitando Dostoievski

A “Síndrome Underground” e/ou “Síndrome Tr00” preza por um refinamento do qual um seleto grupo imbuído de sapiência, pode apreciar “a boa música” acima de manifestações corporais, cabe a nós reles mortais entregar-se aos impulsos “primitivos” e dançarmos sob batuques eletrônicos.

11 março, 2011

F.A.Q Feminista

Enviado em Educação, Gênero, O pessoal é político às 2:44 pm por Deborah Sá

FAQ é um acrônimo da expressão inglesa Frequently Asked Questions, que significa Perguntas Frequentes

Você fala por quem? É uma porta-voz do feminismo?

Minhas opiniões são resultados das experiências que vivenciei, em dado momento optei por compartilhá-las através de um blog e fóruns da internet, quando essas declarações atingiram pessoas, elas reagiram: Algumas me contaram processos de superação similares aos que expus (abuso na infância e imagem deturpada por humilhações, por exemplo), outros “trollaram”.

Cada feminista possui convicções e exerce a individualidade de modo conveniente, há Feministas Onívoras, Fumantes, Espíritas, Atéias, Veganas, Católicas… Com essa pluralidade há de se esperar que ocorram divergências entre correntes de pensamento e suas associações com outras lutas, portanto, o que expresso aqui é uma interpretação pessoal.

“Os animais existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para humanos, assim como negros não foram feitos para brancos ou mulheres para os homens.” Alice Walker

Faz parte de algum coletivo? Acha que para ser feminista é preciso sair às ruas? Faz parte de algum partido?

Não possuo filiação em nenhum partido, há dois anos freqüento a União de Mulheres de SP . O contato com as mulheres desse coletivo mudou a minha vida, me tornei mais segura e confiante, tenho profundo orgulho por fazer parte disso.
As mulheres não são um número expressivo em manifestações sendo pouco estimuladas a participar da vida política (pública), a maior parte das tarefas “femininas” são reservadas ao “privado”. Logo, é indicado que mulheres ocupem os espaços (inclusive virtuais, as “web celebridades” são em sua maioria homens), mas isso é uma escolha que cabe a cada uma de nós (se expor ou não).

Acho que sou um pouco feminista, não sou radical. Gosto de homens.

Existem feministas hétero, qual seu conceito de “radical”?
Ser radical é ir na “raiz do problema”, no caso feminista é ir contra valores Patriarcais: A soberania do homem (e o que é associado) sob a mulher (e tudo o que ela representa).
São os homens que criam as categorias “de foder” e “de casar” gabam-se ao trepar com mais de seis mulheres em uma única noite, contando suas “performances” entre outros homens propiciando “a essas tais o que merecem”.

Os equívocos nesse método restringem tod@s em seus genitais, um homem que bate no peito para dizer “Gosto é de cu e buceta” expõe quão limitada é sua prática sexual.
É lastimável reduzir uma mulher disposta sexualmente em: “buceta-pau”.

Não sou feminista nem machista, sou humanista.

Feminismo é defender a independência das mulheres sobre seus corpos, a igualdade entre os gêneros também questiona as restrições emocionais que homens são submetidos: Não chorar nem demonstrar afeto entre tantas outras. No Feminismo “quem perde” são os homens que desejam controlar a vida das mulheres: Como se vestem e comportam, com quem devem fazer sexo…

Feminismo não tem muitos adeptos porque vocês não têm paciência de explicar! Grossas!

Nem todos que questionam o feminismo o fazem genuinamente, muitos iniciam interrogatórios simplesmente pelo prazer de irritar. Inúmeras vezes fornecemos dados, debatemos e nos dispomos a esclarecer as dúvidas para ouvir em resposta ofensas estéticas. Imagine advogar uma causa seriamente para aqueles que não estão dispostos a nada além de ridicularizar. Quer entender melhor o feminismo? Converse com uma feminista, se informe, use o Google, não culpe as feministas (que não são obrigadas a ter paciência infinita) pela sua preguiça.

Homens e mulheres são biologicamente diferentes!

Determinismo Biológico pode ser ultrapassado, embora faça sentido em algumas abordagens na mídia. É hora de superar isso, não?

Mulher gosta de cafajeste! Bonzinho só se fode!

Se um relacionamento não satisfaz é melhor encerrá-lo, mas já que os termos de análise são esses, há mais razões para mulheres abandonarem seus relacionamentos com o sexo masculino: São estatisticamente eles que roubam, matam, estupram, torturam, traem, seqüestram…

Mulheres educam crianças, a culpa do machismo é delas que ensinam isso.

A educação de uma criança e seu plano Pedagógico é configurada por todas as esferas sociais que interagir: Escola, entretenimento, amizades, brincadeiras, incluindo o relacionamento com seus tutores. Similarmente não dá pra culpar os gays pela homofobia, nem as negras pelo racismo. Há várias ramificações dos problemas da sociedade, não dá pra culpar um único foco, muito menos o alvo.

Feministas se vitimizam, tem até lei Maria da Penha!

Mulheres são vistas como passíveis de estupro, sair de casa tarde da noite é correr um risco além de ser assaltada, há quem culpe a roupa, a profissão, até os gestos para justificar um “corretivo peniano”, como se ao violar um corpo fosse suficiente para discipliná-lo socialmente. Estupro não é “punição”, é um crime de ódio. Qualquer mulher que já transitou sozinha em uma via pública temeu ataques dessa espécie, não é uma suposição paranóica. A violência contra a mulher está mais perto do que imaginamos, o difícil é quebrar o silêncio sabendo que nem todos acreditarão no que diremos.

Homens têm instintos, vocês não estupram porque não tem força.

Assumir que homens tenham impulsos incontroláveis de violência e atribuir caráter “estuprável” ás mulheres é conclusão abjeta. Mulheres não recebem qualquer estímulo ao desenvolvimento de massa e força física, no entanto, qualquer mulher sem treinamento encontra seres mais fracos os quais poderia golpear, todavia, são os homens que agridem em maior número crianças e animais.

Por que vocês escrevem com arrobas? Ou a letra X?

Em uma sala repleta de mulheres com um só aluno presente, faz-se necessário chamá-los de “alunos”, do contrário a masculinidade será ofendida. Nas escolas ouvimos “A História do Homem” por supormos que mulheres são contempladas. Em termos gerais as referências são masculinas e brancas, as arrobas e a letra x também são usadas em outros movimentos de inclusão como o Anarquismo.

Homens podem ser feministas?

Sim! E o mundo é “misto” .

Há muitos ambientes onde mulheres, negr@s, trans e cadeirantes podem debater, por isso defendo ações afirmativas (espaços exclusivos). Criar um espaço de fortalecimento da identidade não é sinônimo de segregação, as minorias necessitam de representatividade para que sejam atendidas, um morador de bairro nobre por mais bem intencionado, não conhece as especificidades de um bairro periférico.

A mulher moderna tem muitas tarefas, era bom o tempo que éramos Amélias, os casamentos duravam mais, havia menor número de divórcios

O feminismo defende a liberdade, se uma esposa está insatisfeita com uma relação encerrá-la será benéfico, qual o propósito de ser maltratada e permanecer em humilhação? Dependência econômica? Emocional? É nocivo para a auto-estima permanecer em um casamento infeliz, é fato que os casamentos duravam mais, as mulheres subjugavam-se em silêncio.

Integrar o mercado de trabalho foi uma das conseqüências da redução do salário dos homens, mas isso ocorreu sem a mudança da atribuição de tarefas domésticas: Mulheres de baixa renda além de limparem a própria casa, foram contratadas para limpar e cuidar das crianças de “patroas”. Atualmente famílias de classe-média encontram dificuldades em contratar Diaristas, enquanto não localizam quem ocupe o cargo essas tarefas são realizadas pelas moradoras: Mães e filhas cozinham, lavam, passam e tiram a mesa, deixando no máximo que os homens vez ou outra lavem a louça. Havendo distribuição, não há sobrecarga.

Donas-de-casa merecem respeito, se essa é sua escolha, siga-a e certifique-se que sua/seu companheira (o) não usará isso contra alegando que “te sustenta” ou que há obrigações “conjugais” em decorrência disso.

Aborto

Escrevi sobre aqui.

Feministas podem usar sutiã, salto-alto, maquiagem? Fazer Streap-Tease?

Sim, existem feministas que se sentem bem usando salto-alto, maquiagem e fazendo streap-tease. A crítica que feministas (inclusive eu) fazem sobre essas práticas referem-se a obrigatoriedade contida em padrões estéticos, restringindo as formas de sentir-se bela. Outro dado importante a ser considerado é que somos influenciadas pelo meio que fazemos parte, nossos desejos e concepções não vieram “do vácuo”, especular suas origens é um exercício de auto-análise que não restringe práticas.

Em tempo: A “queima de sutiãs” foi uma invenção midiática.

Se vocês odeiam tanto os homens, por que querem se parecer com eles?

Essa acusação é característica de quem faz uma idéia absolutamente caricata de um movimento que sequer pesquisou sobre, feministas são plurais. Ninguém “quer parecer homem”, há diferença entre gênero, orientação e prática sexual, não compreender essas categorias pode levar ao equivoco.

O que vocês têm contra pornografia? São frígidas?

O segmento feminista que é anti-pornografia argumenta contra uma indústria que sexualiza opressões (de classe, gênero e raça) e objetifica os sujeitos.

Alguns textos sobre

Devemos nos preocupar se a Pornografia seqüestrou nossa sexualidade?

Pornô

Sexo Abstrato

Considerações sobre o estupro

Pornografia Gay Masculina – Uma matéria de Sexismo

Sim, pornografia é racista

Tenho que ser lésbica?

Ninguém escolhe por quem sente tesão. Em tempo, nossa matriz é baseada em relacionamentos heterossexuais com divisão nos papéis de gênero, sendo assim, é possível encontrar lésbicas que exigem comportamentos “femininos” de suas parceiras. O relacionamento lesbiano geralmente é mais igualitário não só por tratar de uma união entre gênero, identidade e prática sexual, mas porque essa transgressão quebra uma série de protocolos das dicotomias de poder, entre elas o intercurso e suas simbologias.

Incomodo-me com os comentários machistas que ouço, mas não sei revidar, nem quero que me achem chata, sou covarde?

Não, não é covardia, é por motivação similar que tantas Trans, Lésbicas e Gays permanecem “no armário”, ninguém quer ser hostilizado, perder amigos, afastar quem se ama. O que ganhamos omitindo o que acreditamos? É preferível ser amada pelo o que simulamos?  Esclarecer seus posicionamentos entre as pessoas em que confia é uma prova de que pretende tê-las ao seu lado com honestidade e tolerância.

Um judeu não precisa explicar porque piadas com Holocausto o ofendem, mas as Feministas precisam justificar o porquê das piadas sobre o Goleiro Bruno serem uma afronta. Você é uma mulher e tem o direito de se ofender com o Sexismo.

Interesso-me pelo “Feminismo Teórico”, quais leituras recomenda?

Antes de recomendar leituras, considero importante esclarecer que ser feminista não implica leituras obrigatórias, não é um teste dissertativo nem de assinalar quais respostas são certas ou erradas, tampouco qualquer feminista tem o poder de vetar “sua entrada no Mundo Feminista (?!)”

- Memórias da Transgressão – Gloria Steinem
- O Mito da Beleza – Naomi Wolf
- As boas mulheres da China – Xinran
- O Segundo Sexo I e II – Simone de Beauvoir
- The Sexual Politics of Meat – Carol J. Adams: O livro não foi traduzido para o Português, mas o usei de base para esse post, onde resumi alguns conceitos

-  A Cor Púrpura – Alice Walker
- As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
- A voz do dono – Tama Starr
- As heroínas saem do armário – Lúcia Facco

Na barra lateral a direita há a Categoria “Feminismo não é palavrão”, são links de blogs Feministas.

Se não fosse pelos homens ainda viveríamos em cavernas, nomes de rua são masculinos.

A História é construída pelas ações dos que nela habitam (tod@s), estudos de Gênero e seu debate são incluídos na pauta de muitas Universidades. Se as “Ciências” tem seus “Pais” (Freud, Galileu, Descartes) é devido ao acesso restrito a informação aos considerados de “segunda classe”,  já reparou que quase todo “Grande Pensador” é/foi branco?

O problema é o Femismo! Femininazis!

Femismo não existe, é um termo usado para reforçar os estereótipos ameaçadores que alardeiam sobre o feminismo. Não há estrutura histórica que permita uma opressão as avessas: Seriam homens queimados por serem Bruxos, garotinhos sentando de perna fechada e garotas mijando na rua, casamentos forçados, estupros em massa, estigmatização médica (histeria e loucuras associadas ao gênero), Políticas, aparato Bélico e Estatal , grandes ídolos, Escritoras, ou seja, a base da nossa cultura seria de “Mulheres Viris” e “Homens Frágeis”

Post útil- Feminazi: ignorância a serviço do conservadorismo

Eu sou homem! E presto!

É fundamental reconhecer privilégios, não é motivo de soberba.
Colocar-se no lugar do outro (empatia) é o mínimo que se espera, sou branca e não sou “especial” por respeitar negr@s, tenho acesso a alimentação diversificada em uma cidade grande e posso ser Vegan. Bacana, estamos construindo um mundo melhor, quer uma medalha? Um troféu? Não espere mulheres aos seus pés por respeitá-las, buscamos igualdade, não subserviência.

Quem é aquela mulher mostrando os braços com lenço vermelho na cabeça?

Rosie, the Riveter entenda quem, clicando aqui

11 janeiro, 2011

Possibilidades e limitações do Cyberativismo

Enviado em Corpo, O pessoal é político tagged , às 2:42 pm por Deborah Sá

Redes sociais, compartilhar fotos e preferências: Isso constitui um espaço de interação que expande barreiras geográficas e permite maior alcance de idéias que sem o uso dessas ferramentas, limitariam o discurso ás mesas de bar, faculdade e amigos.

O ativismo ainda carece de participação “real e pública”, se esconder atrás de pseudônimos (por mais bem intencionados que sejam) não trás a visibilidade que os meios de comunicação em massa possuem, bem como seu impacto social. O desinteresse por “tomar as ruas” dos que tiveram origem similar a minha, vêm da necessidade de justiça social acrescida da ausência do envolvimento de familiares em Congressos, Palestras ou Filiações Partidárias. Meus pais eram jovens “comuns” na época da Ditadura, não possuindo boas recordações, tampouco se envolvendo em resistências.

O Movimento Estudantil e seu engajamento inevitavelmente são transpassados pelo recorte de Classe já que o ingresso em uma Universidade Pública é um benefício restrito de proposta excludente. Quem pode em plena quarta-feira ás 15:00 participar de uma manifestação, senão quem é sustentado pelos pais, funcionários públicos ou profissionais autônomos? Uma parcela ínfima, portanto. A revolução popular e abrangente ocorrerá no momento de crise, fome, ocupação e reorganização de estruturas, o que não sei se ocorrerá tão cedo:

- É dificílimo articular movimentos sociais, que em geral se desentendem em disputas internas / partidárias,
- Existe uma geração que foi engajada na juventude e aos poucos se acostumou: Pagando o seguro do carro, a aula de inglês das crianças…
- A aceitação das estruturas opressor/oprimido: “Sou rebaixado no emprego, todavia se for me dada à chance, humilho o garçom”
- Reder-se ao cansaço da rotina na opressão auto-sustentável.

A construção da mentalidade de uma época ou de um grupo é formada pelas vivências e resistências possíveis, sendo impraticável um número de adivinhação no desenvolvimento histórico que não possui qualquer elemento estagnador.

Subversões são louváveis, se podem protestar (mesmo que poucos) em horário comercial, assim o façam, se o Rap tem o poder de levantar a cabeça de jovens desestimulados, que o som se propague.

A liberdade da escrita, a divulgação autônoma

Se meus primeiros diários contavam o cotidiano de uma menina de 07 anos, os seguintes acompanharam as fases que sucederam: Colar embalagens de bombons até a redenção cristã desesperada de escrever “Adoro Deus” em cada rodapé.  O desdém aos relatos levou-me a rasgar todas aquelas folhas e atirá-las no lixo, anos mais tarde fiz o mesmo com recitativos, hinário, bíblia e véu.

Rabiscar o papel a esmo era um exercício que tinha por finalidade encher a lixeira mais próxima; impulsivamente decidi que era o momento de deixar fluir as inquietações e encarar-me genuinamente, um caderno era o objeto de expurgação. O que era estritamente particular (e virtual) ganhou visibilidade na medida em que respondiam e partilhavam vivências, em maior número, mulheres se identificaram com os percalços e corroboravam no amparo de outras.

Foi-me dada a oportunidade de publicação que seria absolutamente nula em outro tempo, não apenas pelo teor de meus posicionamentos, mas a implicação burocrática. Os estímulos culturais e sociais podem despertar reflexões, entretanto prezamos os que são imbuídos de nos categorizar com propriedade acadêmico-científica, esta orientação pode parecer desnecessária, contudo o Espantalho do Mágico de Oz só acreditou em sua capacidade após o diploma.  Por contrabalançar o valor da interlocução, o ativismo virtual permite a execução de transgressões individuais (um incentivo para a autonomia sobre o próprio corpo, por exemplo) que rompem paulatinamente com estruturas mais amplas.

13 maio, 2010

Carta aberta ao homem genérico

Enviado em Corpo, Desabafos, Gênero, O pessoal é político tagged às 3:47 pm por Deborah Sá

Homem genérico,

Aglutinação de conceitos representados em seu caminhar, bruto no chorar. Avaliando por direito forçar a cabeça da namorada, aproveitar a amiga bêbada com os companheiros, subjugar as putas. Gera incômodo mesclado ao ódio.

Tontura sinto ao te ver na Augusta com seus coleguinhas compartilhando a moça que nem parece ter 20 anos. Sinto-me perdida em seu egoísmo nojento, sorriso cúmplice.

Teu cedro é pinto-rei por excelência, a diadema que te coroa escorre em sangue na testa, teu manto é camisa de futebol, brinde é cevada, o aperitivo é espeto morto escorrendo mal passado aos lábios. E mais uma rodada, que o mundo foi feito pra você.

Ela ganha pelos drinks que te faz beber, assim pode colocar todas as frustrações desse perturbado que é. Seu chefe oprime, o trânsito cansa, você mora com a mãe, você é da bolsa de valores, é pastor e pai.

Com a estranha você xinga e bate, mete e fere. Pra você é isso, Reto, boca, ódio.
Ninguém vai ligar se ela sangrar, sendo mãe que cria um filho com esse dinheiro. Ela exime a culpa enquanto expurga teu suor, neste confessionário alivia sua bestialidade alcançando o perdão do seu ego. Lava sua alma no teu cuspe, suga uma fumaça pra sentir menos medíocre, usa teu dinheiro de plástico pra completar o álbum de figurinhas da copa. Haverá arrependimento dessa ferida que causa no corpo de mulheres que nunca vi? Das sem rosto e sem voz? Mulheres genéricas para as quais se despe de qualquer gesto empático, onde o monstro brota diante daqueles olhos que ninguém será testemunha?

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