10.06.09

Criticas a 4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Enviado em Filmes tagged às 10:05 am por Deborah Sá

Estive presente no Cinesesc ontem para prestigiar a 4ª Mostra de Cinema (gratuita), retirei meu ingresso e aguardei a abertura para a sala sem tumulto. As pessoas bebiam o champanhe distribuído gratuitamente e pareciam despreocupadas, com satisfação notei a presença de alguns cegos (teriam uma cabine com narração) e muitos idosos sendo bem atendidos. Ao entrar na sala e ocupar um assento aguardei os 40 minutos de atraso. Após este atraso foram chamados ao palco os organizadores e responsáveis pelo evento. Cada um deles exerceu o direito ao pronunciamento nos microfones.

A sessão começaria ás 20:30, com duração de uma hora e meia. Eram 21:55 e foi chamada ao palco mais uma equipe para se pronunciar. Tive de ir embora, o governo de SP apoiou a Mostra mas não mudou os horários do transporte público, o metrô funciona de segunda a sexta até ás 00:00. Quem não possui carro (meu caso) não pode prestigiar a Mostra, o que dizer dos cegos presentes na ocasião? E os idosos? Será que todos eles tinham condições de voltar para suas casas ao término da sessão?

Atenciosamente,
Deborah Sá

10.05.09

Deixa ela entrar

Enviado em Filmes tagged , às 11:24 am por Deborah Sá

Fãs de anime e suas narrativas (Elfen Lied em especial) gostarão desse filme. Simpatizei por identificação e algumas inovações, mesmo não sendo um filme espetacular.

Um garoto normal humilhado na escola é agredido e solitário. Certo dia, uma nova família com sua filha vampira chegam na vizinhança escondendo de todos este fato. O pai leva o “sustento” para a casa dopando um estranho, amarrando de ponta cabeça e sangrando com corte no pescoço. Essa cena é muito comum em abatedouros e chama-se sangria.

Os dois formam um par de namorados pré-púberes fofinhos nos moldes de amor “sem sexo” e muito afago. O que difere este filme de um anime convencional é a garota não ser “Nyyaaa”*. Odeio como a maioria das personagens femininas dos animes sejam frágeis e delicadas pegando pesado nos estereótipos ¬¬’

Ainda falando sobre a vampira do filme ela é corajosa, decidida, forte e incentiva o garoto indefeso a revidar oferecendo proteção e o “salvando”. O garoto diz que ela tem “um cheiro esquisito”, com receio ela pergunta diversas vezes se está cheirando mal, ele diz que não tem nojo dela.  Mesmo quando “suja” de sangue” eles se abraçam, tive vontade de chorar.

As mulheres são ensinadas que tudo que o corpo delas produz é feio, sujo e repleto de bactérias, nessa cena o que vemos é o amor. O suspense quando ocorre é convincente. Um filme para entretenimento com alguns diferenciais que fazem valer a pena, só não o veja com muitas pretensões.

* Interjeição de arrependimento/suspiro/tédio/felicidade de muitas personagens femininas nos animes.

09.28.09

Watchmen

Enviado em Filmes tagged às 10:46 am por Deborah Sá

Não li a HQ mas a adaptação para as telas é bastante convidativa em conhecer a obra original. O diferencial neste filme e os demais lançamentos blockbusters é a construção da personalidade “humana” dos personagens. Os primeiros minutos de introdução são fantásticos, nele podemos entender como os antigos heróis morrem, são coibidos de usar suas fantasias e máscaras e por fim, os que se “cansam”. Há uma heroína lésbica, quem mata o casal escreve “Vagabundas lésbicas” na parede deixando explícito a lesbofobia. Algo inegável, mas importante de ser esclarecido.

Rorschach – Este personagem sociopata tem o perfil comum de um Serial Killer: Apanhava da mãe prostituta, sofria humilhações escolares, quando adulto tem pensamento extremamente conservador/religioso, julgando ser um “enviado” capaz de realizar uma “limpeza” na sociedade matando prostitutas ou qualquer outro símbolo que ele eleja como “contaminado”. Jackie Earle Haley (o pedófilo de Pecados Íntimos *calafrios*) é extremamente convincente no papel.

Dr. Manhattan – O musculoso azul traduz muito bem a idéia que eu tenho de “Deus”*: A visão cartesiana dele beira a apatia. Seu pai era relojoeiro permitindo que ele conhecesse na infância o mecanismo desta máquina de engrenagens. Adulto, torna-se físico e tal qual o Hulk sofre um acidente nuclear, tornando-se azul ao invés de verde. Descobre uma gama *hein, hein, entenderam o trocadilho?* de poderes como ser onipotente, onipresente e em alguma medida onisciente. Tendo controle sobre a matéria, pode desintegrar, transformar, ficar gigante e destruir Vietnamitas que foi o propósito adequado segundo Nixon alistando-o para servir a pátria. De tão blasé faz sexo com a esposa enquanto um clone fica trabalhando. Crê que cada atitude humana sendo boa ou ruim não impede o mundo de girar, cabendo a ele contemplar o horizonte niilista em marte enquanto ergue da terra vermelha um conjunto de engrenagens similares a um relógio. Segundo ele: “Não posso mudar a natureza humana”. O que nos leva a um grande problema…

Comediante - Misógino, machão e adjetivos similares caem como uma luva. Luta no Vietnã ao lado do Dr. Manhattan, usa um charuto na boca, é sarcástico e tem pose de cafajeste. Quando volta a cidade tenta estuprar a heroína Sra. Sally Júpiter que é salva quando outro homem abre a porta. Essa cena me embrulhou o estômago, me senti incomodada em saber que em outra ocasião ela o procura. Este tipo de cena só reforça que mulheres violentadas não têm nenhum tipo de aversão ao agressor, no fundo elas até gostam. Nas palavras do comediante: “Você disse Não, que se soletra S-I-M”. Nisto o Dr. Manhattan torna-se omisso, deixa claro em diversas ocasiões que as formas de violência são inatas no comportamento humano, subentendendo aí o estupro. Estupro é uma construção social baseada em privilégios masculinos, transformar isto em entretenimento ou em um gesto inato, é asqueroso.

Srta. Júpiter – Não sei se a culpa é da atriz ou a personagem é insípida. O fato é que a personagem não tem carisma, protagoniza cenas desnecessárias de sexo (o que foi aquela bunda no luar?), não tem nenhuma profundidade e perto de outras atuações tão marcantes como do Rorschach ela simplesmente desaparece. Aquele discurso do Dr. Manhattan para ela em Marte me soou muito anti-aborto, argh.

Homem Coruja – Com sua nave em formato dos olhos do Wall-E (a primeira coisa que me veio à mente foi a voz dizendo “Waall-eee), torna o filme um pouco mais leve, faz o tipo paladino-bonzinho-semi-bundão bem carismático. E ele broxa, o que o torna mais humano. Gostei.

Ozymandias – O “vilão” foi meu personagem preferido (não é só por ser vegetariano, juro), pela pose, charme e boas intenções. Os vilões convencionais querem o mundo á seus pés, ser adorados, ele quer trazer a paz mundial de um modo nada ortodoxo. Fazendo-nos refletir se concordamos com ele, tentaríamos impedir ou aprovaríamos suas atitudes.

Mesmo com tantos deslizes o filme se sustenta e oferece muito mais do que efeitos especiais, mulheres gostosas e Linkin Park.

09.24.09

Anticristo

Enviado em Filmes tagged , , às 1:34 pm por Deborah Sá

cannesnticrist

Anticristo é um filme misógino. Reitera as crenças do místico feminino como algo abominável, indomável, sádico e mortal. Dividido em capítulos, o prólogo em câmera lenta (em preto e branco) conta a morte do bebê do casal e o intercurso no chuveiro.

Esse foco “peniano” é incômodo, qual a relevância de mostrar um pênis entrando em uma vagina? Não há nada “chocante” nisso Von Trier. O mundo “real” já é heteronormativo: Publicidade, linguagem, anedotas…a gama de referências é abundante. Antes de me aprofundar na trama, posso adiantar que o filme é horrível.

*Spoiler daqui pra frente, se quiser pule tudo*

A mãe entra em profunda depressão, levada aos médicos se entorpece com remédios. O marido terapeuta preocupado (e salvador) leva a esposa novamente para casa e tenta tratá-la buscando a fonte de seus medos. Ela confessa ter medo da floresta (Eden).

Neste local há tempos atrás levou o bebê para esboçar páginas de sua tese sobre genocídio, mais especificamente sobre feminicídio. Em determinado dia, ela ouve um choro de bebê e ao segui-lo encontra o filho feliz, embora ainda ouça o choro. Era um chamado da “natureza”(!).

No trem a caminho do Éden, o marido pede que imagine andar nos arredores deitando na grama e fazendo parte do local. Este é o segundo contato com a “mãe natureza”. Ao chegarem,  o terapeuta insiste em rituais que ligue ela a esse mito, como andar na grama por exemplo.

No Éden a mulher pede por intercurso, ele tenta recusar acreditando que atrapalhará o “tratamento”. Não resiste, são constantes os closes da bunda do William Defoe contraindo por cima dela. Esta cena se repete com freqüência.

Não espere preliminares ou sexo oral na mulher -por que o cinema é tão relutante em mostrar a mulher gozando na boca de homem? – deita por baixo e o coelhinho em pouco tempo goza.

O contato sexual entre eles torna-se misógino:

Ela: – Me bate.
Ele: – Não farei isso.
Ela: – Então não me ama de verdade.
Ele: – Talvez não te ame
Ela: Corre para uma grande árvore, deita-se e se masturba.
Ele: Corre até ela, dá uns tapas na cara e ocorre o intercurso que ilustra a capa do filme.

Ela chega a conclusão: Se a maldade do ser humano é inata, a mulher como ser humano também é. Sendo má, ela merece ser punida.
Ele diz que a tese dela era provar que as mulheres mortas queimadas não o mereciam só por ser mulheres, para seu espanto “inverteu o jogo”.
O marido tem sonhos estranhos da natureza o amedrontando, a cena mais emblemática é uma raposa dizendo com voz gutural “O Caos Reina”. *Me segurei pra não rir*

Descobre na autópsia que os pés do bebê eram ligeiramente tortos. Ao olhar as fotos do Éden consta que o sapato esquerdo está no direito e vice-versa. Percebe que a esposa é “uma bruxa”.
Ela entra no cenário gritando e o acerta na cabeça o deixando desacordado, ainda com raiva bate no pau dele com uma madeira, tornando-se ereto. Bate punheta nele voando sangue. *Algo me diz que Lars Von Trier é fã de Ero-Guro*

Não satisfeita, usa uma furadeira manual abrindo um buraco na perna dele e coloca um peso de malhar (sabe aqueles “anéis” com peso?). Ainda com muita raiva corta o clitóris com uma tesoura.

Sai correndo, o marido tenta fugir mas é em vão: A floresta é a favor dela. Quando se esconde na toca da raposa (a mesma do sonho) encontra um corvo. Este corvo faz tanto barulho que a esposa o encontra e o soterra empurrando terra na parte superior do buraco.
Cansada, o remove e auxilia a tirar o peso da perna. Ele bate nela, amarra em um tronco de árvore e taca fogo.
A árvore ganha brilho e pisca. A bruxa voltou de onde veio: Da natureza sombria, onde tem de ser domada pelo homem. Com seu sobrenatural poder enfeitiça e cega os pobres homens reféns de seus desejos de cópula, dispostos a arriscar sua preciosa vida se for necessário.
Por fim, ele está na floresta (em preto e branco) enquanto uma multidão de mulheres sai das árvores e andam em sua direção.

Um filme que justifica a inquisição deve mesmo ser considerado uma obra-prima? Esse conceito existe há séculos e críticos chamam esse filme de inovador? Provocativo? Leiam a bíblia, vão se espantar.

08.31.09

Matadores de Vampiras Lésbicas

Enviado em Filmes, Lésbicas para Hétero Ver, Questão de Gênero tagged , às 4:50 pm por Deborah Sá

Da Série Lésbicas para Hétero Ver

Primeira Parte (Vamos ver quantos posts isto rende?)

Ontem nos corredores do cinema vi um cartaz de um filme a estrear que me causou raiva: “Matadores de Vampiras Lésbicas”. Em primeiro plano estava a imagem de um adolescente homem gordo e branco, afinal, o jovem-americano-comum consegue representatividade nas telas.

É impressão minha ou há mais garotos gordos (brancos) nos filmes recentes? Superbad, UP…algo me diz que a “gordura” deles será motivo de piada e mesmo assim “se darão bem” terminando o filme com as meninas cobiçadas. Além dos filmes da Queen Latifah alguém conhece outra mulher protagonista negra, gorda e feliz que fique com bonitões? Caso pensem na Bridget Jones (que não é negra), embora ela dispute galãs sobram problemas com auto estima. E é óbvio que filmes de comédia com elenco negro e protagonistas femininos tem menos sucesso.

Heteronormativo

Dois amigos chegam a uma cidadezinha rural no País de Gales, e descobrem que todas as mulheres da cidade foram vítimas de uma maldição que as transformou em vampiras lésbicas e matou a maioria dos homens do vilarejo.”

Oh! Que horror! Só mesmo uma maldição para fazer às mulheres que veneram o pau sagrado, a família, a tradição e os bons costumes para escolherem…bucetas! Os odores inebriantes e texturas de suas células sensuais só existem para o desfrute dos homens! Cabe a nós adolescentes brancos-héteros resgatar “o elo perdido” e mostrarmos a todas essas lésbicas de uma vez por todas que a solução e elixir da vida é o suco de piroca!

Avante! Antes que elas tomem força e nos expulsem daqui!

Selo Ruffles Costelinha de qualidade ;)

07.20.09

Cinema Buraco de Fechadura

Enviado em Filmes, Questão de Gênero tagged , , às 1:58 pm por Deborah Sá

Algo que me incomoda em sua tentativa pueril é o que eu chamo de “Cinema Buraco de Fechadura”. Consiste em cenas de belas mulheres se despindo diante das câmeras enquanto observadas por um buraco de fechadura. O espectador compartilha a cena com o garotinho de trajes “italianos” de meias 3/4 brancas, boina, tons em marrom com bege sobreposto em suspensórios azuis.

Parece um esforço em resgatar o primeiro contato sexual masculino longe da pornografia impressa, embora em alguns filmes esta cena seja o compartilhamento de gravuras pornográficas.
O maior ícone que vêm à memória é Malèna – nunca vi na íntegra, apenas trechos – onde ninguém comenta nada do enredo além da beleza da Monica Bellucci e da fotografia “buraco da fechadura”. No Brasil lembro de “O ano em que meus pais saíram de férias”.
Interessante lembrar que nestes parâmetros quase sempre a jovem observada é “uma mulher de valor”: Tomando banho no riacho, trocando-se em um quarto ou colocando uma meia-calça. É uma invasão do espaço privado onde a nudez seria só dela, sua liberdade seria despida de conteúdo erótico. Mas claro, sempre há um menininho disposto a fazer “a arte” de lançar sobre ela um sentido sexual. Quando a moça nota, sorri e tampa o buraco ou cobre os seios e solta uma exclamação que faz os meninos rirem e saírem em disparada.

É sexo quase cômico, quase pueril, quase a mesma coisa…

Quando o observador é um homem adulto, ele se cala diante da mística feminina, de suas curvas, de seu silêncio desavisado em banhar o próprio corpo. Há muitas cenas assim na novela “Pantanal” e uma no filme “Brincando nos campos do Senhor”.

Quando um filme mostra uma garotinha olhando um rapaz pelo buraco da fechadura? Um torso masculino filmado lentamente? Quando a visão contemplativa é estendida ás mulheres lésbicas e héteros? Estas cenas não são mera contemplação, é um julgamento estético e uma reafirmação do homem hétero como juiz de nossa capacidade atrativa. Não importando se ele é um garotinho.

06.08.09

Alex DeLarge, Tony Maneiro e Capitão Nascimento

Enviado em Filmes tagged , , , às 11:52 am por Deborah Sá

Quando vi o filme há uns anos atrás gostei do debate sobre a violência e como “castrar” o indivíduo pode ser (talvez) a única saída para estes jovens ultra-violentos. Violência contra violência.

Hoje basta andar pela rua e ver como as pessoas adoram o Alex DeLarge. Vestem-se em sua memória e brincam de tomar Moloko como algo mega descolado. Ele é violento, misógino e adoram.

O Tony maneiro que já falei mais profundamente aqui, também virou ícone, suas roupas e sua dança são “símbolos de uma geração”. Era referência de homem bonito pra época. Ele é violento, misógino e adoram.

O Capitão Nascimento, vi no cinema. Gostei de criticarem a passeata para crianças/jovens classe média com camisetas escritas “Paz”. Escrevi sobre a Menina Isabela aqui

Mas e o endeusamento do Capitão Nascimento? Ele apóia a tortura e é estúpido com sua esposa. Muitos adoram a cena que ele briga com a mulher “frescurenta” porque ele, tadinho, tá na flor da pele!
Fala firme e grosso o “cidadão-de-bem”, defende os valores das famílias “de bem”. Porque pra ele, favelado pode ser queimado e ter cabo de vassoura enfiado no cu, mulher pode ser torturada e asfixiada se for esposa de traficante. Ele é violento, misógino e adoram.

Três gerações, três protagonistas machos e os mesmos preconceitos.

Os Embalos de Sábado a Noite

Enviado em Filmes tagged , , , às 11:47 am por Deborah Sá

Ninguém havia me preparado psicologicamente pra assistir este clássico. O que tem de errado em um filme sobre discoteca?
Se você, jovem leitor nem era nascido na época (como eu) não espere apenas ver o John Travolta dançando loucamente.

Tony Manero (John Travolta) é um rapaz muito comum, trabalha em um emprego medíocre ganhando um salário de merda em uma loja de tintas.
Seu irmão é padre, ele a ovelha negra. A mãe é aquela frustrada e consumida pela família que chora desesperadamente para manter as aparências. O pai é a figura autoritária e machista. Uma cena que marca bem a relação entre a família:

Tony feliz por seu aumento salarial tomado de boa-vontade começa a tirar os pratos da mesa.

Pai: Porque está fazendo isso?
Tony: Estou feliz, querendo ajudar
Pai: Deixa que elas fazem – enquanto beija a testa da irmã mais nova de Tony que tira os pratos da mesa.
Tony: Ganhei um aumento
Pai: De quanto?
Tony: Quatro dólares
Pai: Mas que merda!
Tony: Eu só ouvi duas vezes que sou bom em algo na vida! Uma com o reconhecimento do aumento, outra quando falam que sou bom em dançar!

Ao fundo, acima da lareira há uma foto do irmão padre.

Os amigos de Tony são preconceituosos. Não gostam de gays, nem de latinos. Vai pra “2001″ dançar todo sábado à noite, e neste ambiente, Tony larga sua vida medíocre e torna-se o pop star, o rei da pista de dança. As moças vão até a mesa dele depois de sua “dança do pavão”. Elas pedem pra trepar com ele. Ele é “o cara”.

Do grupo de amigos, só o “bundão” tem carro. O carro é compartilhado no esquema “10 minutos para cada um com uma garota dentro”. O Tony tem uma moça completamente apaixonada por ele. Anette.

[Se não quiser o final do filme, não leia daqui pra baixo]

Anette é um capítulo a parte. Seguindo a risca o mito do amor romântico ela se rasteja por Tony e ele a ignora. Ainda mais depois que conhece Stephane e a escolhe como nova parceira de dança. Anette implora pra fazerem sexo e pra provocar ciúme diz que transará com todos seus amigos, bebe muito e os amigos comemoram “A Anette vai dar pra todo mundo!”. Um a um entram no carro e trepam com ela, Anette começa a chorar e eles continuam um a um. O Tony fica dirigindo no banco da frente enquanto ela é estuprada por seus amigos. Eles rindo e se divertindo, ela dizendo não e chorando.
Depois que o último sai de dentro dela o Tony vira a cabeça para trás e dirigindo-se a ela, diz algo como:
- Viu? Teve o que mereceu! Você se tornou vulgar.

É aquela velha história que “as putas” podem ser violadas como punição por má conduta. A cena foi tão horrível que me deixou de queixo caído.

A Stephane é a moça “com valor” e ríspida, por isto mesmo, se apaixona por ela. Ele tenta estuprá-la no carro. Ela chuta o saco dele e consegue fugir. Ao contrário de Tony ela tem contato com intelectuais e bebe chá “porque é mais chique”. Ele come cheese burguer e bebe café e mastiga de boca aberta.
No final ele vai até a casa dela. Ela diz “não falarei com um estuprador”. Eu respiro aliviada por ela não ceder.

Stephane termina por beijá-lo.

Foda-se Tony Manero e suas correntinhas douradas no seu peito cabeludo, mostrado o tempo todo de baixo para cima para que reforce sua imagem viril. Foda-se o close desnecessário dos peitos da loira do pôster da parede do seu quarto.

Filme nojento dos infernos!  Tony tem explosões de ciúmes, se envolve com brigas de gangues, vive em um bando de estupradores e todo mundo acha lindo.

05.20.09

Star Trek

Enviado em Filmes, Papo Nerd tagged , , às 12:13 pm por Deborah Sá

Geralmente os filmes de ficção científica despertam em mim uma leve e/ou profunda sonolência, os de ação também. As grandes seqüências de ação me fazem pensar: “Estão tentando me impressionar com estas explosões pra compensar o roteiro fraco que vem por aí”.

As cenas de batalha de naves e seus “ziun ziun ziuuum” com músicas épicas empolgam a maioria das pessoas. Mas não me surpreende. Quase sempre parece “Yeah! Vamos despertar o sentimento de brincar de espadinha!!”.

O Kirk será o personagem queridinho da maioria teen. Ele é loiro e tem olhos azuis, é garanhão e daquele tipo “pernalonga” que engana os outros e sempre se dá bem. Mas que no fundo tem princípios como honrar o nome da família. A trama dele é muito centrada nestas questões de honra familiar. A cena inicial do filme é o pai dele salvando a mulher e o filho da morte, isso bem na hora que esposa estava em trabalho de parto (com direito a trilha sonora de violino).

As mulheres são reservadas a esfera privada da nave. Elas não lutam, não são bravas, apóiam e aconselham ao longe, usando mini-saia (menos as mães). As únicas mulheres na trama são:

* A negra (par do Spock) que o apóia e demonstra personalidade forte, mas não entra em conflitos com ninguém. Usa chapinha e colocaram-na de calcinha e sutiã em uma cena absolutamente desnecessária.

* Uma moça verde que aparece de calcinha e sutiã dando uns amassos no Kirk

* A mãe do Kirk em uma aparição relâmpago no início do filme e a mãe do Spock que o apóia serenamente.

Mesmo Star Trek utilizando os artifícios clichês da ficção científica, me cativou. E qual o diferencial? O Spock. Ele é mega charmoso e o melhor personagem do filme. Filho de um Vulcano com uma humana e visto como impuro, precisa se esforçar em dobro pra ser reconhecido. Os Vulcanos sentem as emoções de forma mais intensa que humanos, são lógicos e extremamente racionais, evitando dar vazão aos sentimentos.

Outro ponto positivo é o lado humano de Spock e Kirk. Spock mesmo racional, perde a cabeça, e Kirk mesmo impulsivo e egoísta mantêm a cabeça fria em alguns momentos que exigem isto.

Nota 6,5 se analisar ele como filme, independente do gênero.

Nota 9 se analisar ele como filme de ficção-científica.

05.12.09

A Borracharia Hutt

Enviado em Filmes, Papo Nerd, Questão de Gênero tagged , às 10:55 am por Deborah Sá

Eu gosto de Star Wars. Não me considero fã, mas vejo um potencial interessante no universo expandido.
É primordial ter em mente que Star Wars não tem um viés revolucionário e libertador. É entretenimento, money, money…
Ao contrário de muitas pessoas o que eu gosto não são as lutas, os efeitos especiais ou as trilhas sonoras épicas das batalhas. Gosto da filosofia e dos poderes da força.
É um retrato do tempo em que foi escrito. Portanto 99% dos personagens importantes são homens. Aí você diz: E a Leia? E a Padme? E a Aayla? E a convivência entre as raças?

Eu respondo:
1 – Se colocar em uma balança, há muito mais homens.
2 – Sim, as personagens femininas lutam, matam, mas nunca tem o mesmo peso na história que os personagens masculinos.

Abaixo, continuação da trilogia de posts sobre Star Wars :D

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