5 outubro, 2012

Do que são feitas as pintas

Enviado em Egotrip às 3:27 pm por Deborah Sá


O diabo com a cabeça fervilhando cozinhava no caldeirão
Precisou de agridoce colocou açúcar e mexeu, mexeu até ficar bom
Deus pra não deixar barato colocou um quadradinho de tempero
Transparente e áspero, porque ele é um tantinho sádico e sem vergonha
O diabo que é competitivo e muito sagaz jogou pimenta
Pra mostrar como é que se faz
Com uma manga dessas perfumadas e inteiras
Polpa e caroço no borbulhar pulavam:
Frutas cítricas, cardamomo, raiz de gengibre
Deus, flambou com conhaque ás favas de baunilha
Pra encerrar, de mãos dadas
Enterraram com cuidado um botão de cravo
Bem acima da boca

4 outubro, 2012

Ser gauche na vida

Enviado em Egotrip às 4:39 pm por Deborah Sá

Estender os véus no varal, as mãos enrrugadas de lavar quintal, hinos tocando ao alisar a barriga que espera mais um, aguardar o marido enquanto pensa o que será o jantar. É onde estaria nessa quinta-feira se tivesse seguido o que o destino colocava como única saída. Não me satisfazia, mas também não sabia o que desejar, já que sonhos germinam em terra úmida e fizeram-me semi-árido do querer. Foi de escrita que fiz lágrima, foi de tinta que fiz raiz, foi de tempestade que fiz cais. Trabalhei em escritórios, desses pequenos e improvisados, desses no fundos das casas, desses de ar-condicionado e de prestigiosa avenida. Todos quantos tentei, não fui feliz.

Auxiliar Administrativa, Secretária, Telemarketing, é disso que é feito meu CV, e uma carteira de trabalho com o primeiro carimbo de quatro anos atrás: Seiscentos e sessenta e oito reais. Comprar um Gol pra lavar no fim de semana, ter orgulho de limpar pneus com escova de dente, era esse o referencial de vida ganha. Recusei o saber técnico de um cargo burocrático, feminino, mão-de-obra barata, substituível. O que me cativa está no pensamento, nas letras impressas e nas telas, nas conversas de bar, no diálogo com o recém-conhecido, nas cartas trocadas, no amor que não cessa, no silêncio que acompanha o reinventar, no som das palavras e da música, na excitação de uma conversa boa o suficiente pra terminar em sexo, no movimento dos corpos. Perder-se pra achar alguém diferente logo adiante, outro de mim. E hoje enquanto cobria os olhos para proteger do sol uma frase me soprou ao pé do ouvido “Vai! Ser gauche na vida”.

16 julho, 2012

Amores não consumados, entre livros e monitores

Enviado em Egotrip, Memórias às 4:48 pm por Deborah Sá

Não faz assim que eu posso até me apaixonar

Atípicos no bairro (além de sermos uma família “crente”), tínhamos um computador comprado com dinheiro suado, mas nenhum carro na garagem. Lembro a primeira vez que vi um scanner de mão funcionar, achei o ápice da tecnologia o gibi da Magali com balões na capa digitalizado em preto e branco para a tela do computador, parecia mágica. Ainda mais remota é a recordação das escadas da empresa do meu tio, era um corredor que dava para o computador do meu pai e eu pedia para colocar o jogo do “mata mushquito” (como eu chamava Space Invaders). A tela preta do DOS com letras verdes, os disquetes grandes, o barulho de impressoras matriciais, usar como papel de rascunho para desenho aquele monte de papel com rebarbas e furinhos nas laterais, são partes de minhas memórias de infância.

Por volta dos nove-dez anos fazia um “show” para minha irmã, era “Da pulguinha alegre e saltitante”, consistia em recortar uma pulga cor de rosa desenhada no Paint Brush e mexe-la para cima e para baixo, com voz e personagens que nem lembro. Um dia matei simbolicamente a tal pulguinha em um episódio Season Finale porque estava com raiva, o que fez a minha irmã chorar. Será que minha irmã (agora com vinte anos), lembra disso?  As crianças do bairro brincavam muito na rua, eu e minha irmã não éramos muito fãs de sair para brincar, na verdade, a gente evitava sempre que possível. Uma vez minha irmã levou um tombo tão feio…Caiu de ombros e foi ralando no chão. Tudo bem que ela se machucava em casa de todo modo, pois gostava de correr pela casa toda e não era raro cair da escada. Ela tentava escalar com uma perna em cada parede do corredor, fazendo dessas coisas que sempre me meteram medo, “adulta” e “destemida” . Enfim, voltando a tecnologia…Ao invés de brincar na rua, preferia brincar no Word e no Paint Brush.

Eu gostava de borboletas e golfinhos, bem na época que minha mãe comprou uma enciclopédia onde aprendi um pouco mais sobre eles, com isso palavras novas, por exemplo, “inócuo”, a enciclopédia dizia que borboletas eram seres inócuos, agora tinha mais que um dicionário para aprender (me divertia lendo o dicionário). Logo veio meu desejo por conhecer algum clássico e li Memórias Póstumas, foi quando me apaixonei por Machado de Assis, queria que um garoto me considerasse inspiradora o suficiente para dedicar um soneto, algo como até um anjo cala, quando ela fala . Ele era um zé ninguém, como eu, ele era alguém que parecia inadequado, eu desejava o Machado para mim. Como um namorado, um amante em outra época, eu tinha braços bonitos (talvez um pouco mais gorduchos do que minha época exigia), ele gostava de braços e possivelmente gostaria dos meus, sabia que ele já estava morto, mas a narrativa dele, o modo de falar com o leitor, era algo que eu não havia sentido antes. E claro que era embaraçosa essa admiração secreta por um cara morto. Ainda mais quando o outro cara que me fazia suspirar de amores, tempos depois, era o John Lennon. Lembro de um dia sentar nos degraus da quadra, na oitava série e desabafar com um grupo de rapazes : “Parece brincadeira, mas os homens que eu queria pra mim, já estão mortos antes mesmo de eu nascer”.

Outro amor platônico foi o Brian dos BSB, dediquei metade de um diário para ele, mas depois me senti culpada por não ter dedicado esse espaço para Deus, rasguei, joguei fora. Criei um para registrar minha santa ceia anual na igreja, nunca teve mais que duas folhas preenchidas.
Com o Word fazia protótipos de um blog com traduções de músicas do Radiohead, criei um blog virtual, deletei, criei um com a minha irmã, chamado “O NormalMente”.  Também deletei.  Criei o blog “É mais isso”, tive um namorado virtual (digamos que um amor não concretizado não tenha sido uma novidade), depois no Orkut tive outro “rolo virtual”, escrevíamos poesias um para o outro, como se nesse espaço das letras fosse o único para que nosso amor desaguasse, sabíamos que seria só isso, foi como uma espécie de sexo casual, mas romântico e cibernético.  Também tive um namoro virtual “sério”, desses que moram em outro estado, você conta para seus familiares (e é chamada de imbecil), trocam fotos de infância um com outro, promessas, e tem de terminar porque sabe que ele nunca virá para te ver, termina por amor próprio e vai curtir a dor de cotovelo ouvindo Maria Rita enquanto assiste slides de fotos dele.

Em um momento as coisas se misturaram, passei a encontrar “na vida real” os rostos e avatares de quem conversava comigo “virtualmente”, assim vieram amizades em abraços sinceros, ombros que amparam, meu companheiro há seis anos, minhas companheiras de luta, também ativistas.  Me sinto um pouquinho na Zona Sul, no Centro, até na Zona Leste, mas sem a cobrança de sentir um ponto fixo demarcado. Caminho por ainda mais livros, com um relógio que substituiu o tic-tac dos ponteiros, para marcar as horas em duplo clique.

8 fevereiro, 2012

Marcado, feito tatuagem

Enviado em Egotrip tagged , , às 10:34 am por Deborah Sá

Saudade, de despedida tão repentina, desolada de me ser tomado dos braços e ver a cabeça pendendo para trás. Saudade, de um corpo vívido e repleto de energia, da sagacidade de quem colocava as patas sobre meus ombros, saudade do abraço que nunca mais vou ganhar do baixote de alguns centímetros que me mudou irreparavelmente. O nome dele era Snoopy e já contei nossa história aqui.

Ele era bonito de uma forma que nem imagina, as coxas firmes com os músculos a vista, as orelhas finas de um pêlo curto e brilhoso, o focinho bem molhado e temperamento genioso, irresistivelmente genioso. Quando voltava do banho era com a cabeça molhada, pois esperneava tanto que não deixava ninguém passar com o secador por ali. Ele odiava coleira e em um dia específico foi necessário pendê-lo para que um moço entregasse as compras do supermercado, o cão gritava e rodopiava escandalosamente que por temor a enforcar-se corri para livrá-lo da corrente e o segurei para que o moço terminasse o serviço. Se o pano que dormia estava sujo o empurrava para debaixo da casinha (tal qual o personagem ele preferia dormir no telhado) e pulava no varal para pegar um novo. Uma má influência para outros do quintal,  ele quem entrava primeiro na casa e em dez minutos urinava em locais diferentes e ainda dava um jeito de roubar pão sem derrubar o saco de cima da fruteira (!), foi ele que ensinou aos outros como abrir o portão e se encurralado na porta depois de uma transgressão (eram muitas), deitava de barriga para cima com olhar de súplica, deixando à mostra a barriga rosada e repleta de pintinhas pretas. Se eu demorava em voltar para casa ele rodava ao redor formando uma “bolinha” e esperava em um cantinho até meu regresso, para fazer sorrir depois de um dia que era um fardo. Ele foi minha luz em tempos difíceis, quando nem a súplica aos céus me livrava das trevas, quando não tinha força sequer para articular um pedido de socorro. Ele ofereceu o abraço, o carinho, o amor, o cuidado que eu precisava.

Faz oito anos que recebi o vaso de violetas como condolências, que morte, vida, saudade, companheirismo, silêncio, amizade e igualdade (dessa que você fita nos olhos de quem não tem seus privilégios e sente vergonha pela conduta opressora que “os seus” praticam) construíram meu presente esperançoso, terno e nem por isso frouxo de direção. Queria marcar isso em minha pele de modo que ao mirar o reflexo de um espelho, encontrasse um signo que sintetizasse minha própria história.

Não sou hábil em traçar harmoniosamente cores, tons e forma, para tanto pedi que Caroline Jamhour (você pode conhecer o trabalho lindíssimo dela aqui) trouxesse vida a minha idéia e para prática chamei Ana Anami (aqui o site, contato e endereço do Estúdio).

Com elas, consegui resolver alguns entraves iniciais: Não encontrava imagens de tatuagem de violetas no Google para inspiração, nem queria tatuar em alguém que houvesse treinado em porcos ou qualquer outro não-humano sem consentimento. Esperei a cicatrização completa para escrever essa experiência e as dúvidas mais comuns:

Doeu?

Sim, consideravelmente. Mas não há como adivinhar como o seu corpo reagirá com a dor; já passei por tratamento de canal, tirei quatro dentes do siso, usei aparelho, fiz essa tatuagem no peito, mas não me depilo com cera nem uso salto porque dessas dores faço questão de abrir mão. Mas o propósito é bem parecido, sabemos que é incômodo, mas o “resultado final” valerá o esforço. Dizem que tatuagens no pé e na costela são as que mais doem e obviamente é um grau de sofrimento menor desenhar uma estrela pequena comparada com fechar as costas com a figura de um dragão.

Coçou?

Sim, muito, mas não coce. A primeira etapa depois de feita a tatuagem é escorrer bastante tinta enquanto envolta no PVC (não se assuste), e até cicatrizar é necessário proteger do sol. Soltará uma casquinha (que parece aquela pele fina que solta quando a cola escolar seca nas mãos) e não pode ser arrancada/cutucada, tem de soltar naturalmente.

Demorou?

Entrei no estúdio ás 13:00 e saí por volta de 17:30, em um só dia foi desenhada e colorida.

E se você se arrepender?

Quem faz tatuagem pensando em apagá-la é melhor nem começar ;)

E quando você ficar velha?

Terei uma tatuagem bonita, muita história pra contar e rugas. Provavelmente farei bolos, tortas e mousses ainda mais gostosos.

Qual a dica para manter uma tatuagem com cores fortes?

Essa dica é valiosa: Depois de feita a tatuagem precisa ser lavada com água morna e para preservar a cor use água gelada para finalizar, essa ducha fria fará um choque térmico que ajuda no processo de cicatrização. Incorporei isso na minha rotina diária pós-banho, o efeito é excelente.

Que produtos usar na cicatrização?

Limpei apenas com sabonete de glicerina (Phebo) e água (no processo descrito acima, com choque térmico), depois do banho usei guardanapos de papel para enxugar com cuidado (batidinhas suaves). Existem alguns produtos para cuidado pós-tatuagem que são Veganos, a lista completa aqui.

Quais os cuidados com a alimentação?

Se você é onívoro e bebe: Não beba, evite carnes em geral (especialmente de porco), frituras, chocolate, queijos, frutos do mar, pimenta, comidas muito condimentadas e alimentos gordurosos em geral.

Se você é Vegan: Não beba, não coma chocolate, pimenta, alimentos muito condimentados, ou frituras.

Existe tatuagem não Vegana?

O pigmento que dá cor a tinta é tipicamente derivada de plantas ou metais. A cor preta, no entanto, é oriunda de um processo de queima de osso de animais queimados. Esse pigmento é chamado de “black bones” (osso preto). As tintas também podem conter goma-laca. O liquido que faz a suspensão e carrega o pigmento, mantém a tinta uniformemente misturada, o que facilita a aplicação. Essa suspensão contém: água purificada, álcool etílico, propilenoglicerol e glicerina e também pode conter hamamélis.

A glicerina utilizada pode ser de origem vegetal ou produzida a partir da gordura animal. Há em torno de 10 marcas de tintas veganas.
Classic Colour SystemsDermagloElectric Ink (essa é a mais comum usada no Brasil),  Eternal Inks , Intenze , SilverBack Ink , Bloodline and Skin Candy ranges , Stable Colour

Fonte

Dia 28 de Janeiro, recém feita

Hoje, 11 dias após, completamente cicatrizada e com bastante protetor solar

26 outubro, 2011

Enem 2011

Enviado em Cotidiano, Egotrip às 8:29 pm por Deborah Sá

Retornei! Esse período de férias fez repensar uma série de coisas e através disso, pude priorizar o que julgava importante, estudar, ler e descansar na medida em que trouxesse o alívio esperado. Não é hábito escrever posts diariamente, as publicações seguirão o ritmo de sempre: Quando restar tempo, inspiração e disposição; voltarei com muito gosto desabafar por essas bandas. Fiz o ENEM da melhor forma que consegui, em meio às questões encontrei algo encantador:

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa á vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fita-la, mira-la por admirá-la,
Isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
Isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
Isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Machado. G In Moriconi (org). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de janeiro: Objetiva, 2001

Assim encaro meus escritos e o elo que criei com minhas leitor@s, pois houve um tempo em que minhas confidências e devaneios ocupavam as folhas de um caderno de capa fina, em que meus escritos eram mostrados para poucos por vergonha do desbravamento e os medos pareciam irrisórios ou estapafúrdios, esse tempo de falar com os olhos distraídos e a boca quase encoberta passaram. Passaram pela construção ON e Offline, por tanta coisa que sucedeu, mas hoje sou de um modo que não imagino sem registrar, sem esse prazer de ordenar através de letras ora de meu punho, ora ao barulho de teclas o equilibro das idéias inicialmente desconexas. E entre tantos caminhos a felicidade aparece quando alguém me diz que através do que escrevi fez-se um sorriso, a esperança em algo bom, a amar-se e redescobrir-se. Sou grata, de coração, pelas contribuições que aqui fazem.

Meus resultados no Enem:
Linguagens códigos e suas tecnologias: 44 Questões. Acertos: 39
Matemática e suas tecnologias: 44 Questões. Acertos: 11
Ciências humanas e suas tecnologias: 44 Questões. Acertos: 37
Ciências da natureza e suas tecnologias: 44 Questões. Acertos: 16

Total de questões: 176
Total de acertos: 103
Total de erros: 73

Espero que tenha acertado as que valem mais pontos e minha nota na redação seja alta, falando nela, eis aqui:

Não farei a ruindade de largá-los com minhas garatujas, a transcrição está abaixo:

Tema:
Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado

Para além de avatares, os perfis nas redes sociais são constituintes na construção das identidades de seus usuários, através da interação no âmbito virtual é possível expandir o raio de alcance na propagação das idéias cujo remetente, pode ser qualquer sujeito disposto a tornar pública sua consideração em rede, não importando seu teor. Com essa democratização é revisto o conceito de coletividade, ao passo que novos formadores de opinião são criados a autonomia e o senso crítico ganham outros contornos acompanhados da incerteza sobre os limites entre o público e o privado. Ao optar pela exposição o julgamento de uma legião de desconhecidos tornar-se-á inevitável e a reputação seja de pessoa física ou jurídica, pode estar fadada a ruína em questão de horas. As etiquetas morais e éticas não estão em suspensão no ciberespaço, contudo, o anonimato oferecido causa a falsa impressão de impunidade deixando toda sorte de caluniadores extasiada com a possibilidade de expor seu alvo ao escárnio, essa atitude pode ser premeditada quando agindo de má-fé, um indivíduo usa deliberadamente a imagem de terceiros sem a devida permissão. Assim o famoso trecho de “O Pequeno Príncipe”, faz mais sentido se adequado em até 140 caracteres: “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que publicas”.

9 novembro, 2010

Minha redação no Enem

Enviado em Egotrip às 2:53 pm por Deborah Sá

Tema: Trabalho na construção da dignidade humana

O conceito do trabalho como meio de realização pessoal, não parece aplicável a rotina dos usuários do transporte público a caminho de seus compromissos profissionais. As vagas de emprego que oferecem oportunidades de ascensão, salário justo e a garantia de direitos trabalhistas são reservados aos que possuem formação técnica e acadêmica, estes requisitos são preenchidos por uma pequena parcela da população que obteve auxilio de terceiros no período em que freqüentou instituições de ensino. A lacuna de mão de obra “não qualificada” é destinada a tarefas de pouco prestigio social e mesmo quando há conscientização sobre os acordos na contratação, exigir seu cumprimento em grande parte significa demissão.

A construção da dignidade humana através do trabalho só será completa quando democrática e o acesso ao “saber” não for propriedade de uma elite conservadora que privilegia seus descendentes, esses que sequer cogitam interromper seus estudos para o encargo da renda familiar.

OBS: Erros ortográficos -  No meu rascunho escrevi “Ascenção” /o\ e não coloquei “saber” entre aspas. Espero que tenha transcrito corretamente para o original. ARGH!

OBS²: O começo ficou confuso, mas depois da prova, questões de matemática e cansaço, esse foi o melhor que consegui fazer :(
Espero que no próximo ano, faça melhor >.<

27 outubro, 2010

Ca-re-ca

Enviado em Egotrip tagged , , às 12:32 pm por Deborah Sá

Era desejo antigo, mas assim como tantas outras convenções me convenci que não era apropriado aos meus traços e biotipo. Ontem, porém, veio a coragem e uma euforia própria das grandes descobertas: Seria careca naquela tarde, o amanhã não poderia esperar:

- Pois não? O que deseja?
- Raspar a cabeça!
- Como assim?
- Na zero (máquina)!
- Nossa, por quê? Seu cabelo está tão bonito!

- É desejo antigo.
- Fulano, venha aqui, esta moça quer… Raspar a cabeça…
- Está maluca? O que aconteceu? Brigou com o namorado? Está doente?
- Não, quero comemorar a ótima fase da minha vida, uma oportunidade de autoconhecimento.
- Sente ali, vou começar pela tesoura *tec* tec* *tec*
- Me empresta? *____*
- Quer cortar?
- Sim *____*

[Me divertindo puxando mechas aleatórias, fazendo “buracos”]

- Agora é sem volta! Maquininha *bzzzzz*

*Bzzzz*

- Pensando: (Metade da cabeça, bem punk, que demais! Pareço a Cindy Lauper…)
- Me empresta? *____*
- A maquininha? Quer participar né? Está se divertindo?
- Muito *________*

As mulheres do salão completamente abismadas

- Pronto! Feliz?
- Muito XD
- Agora vamos lavar a cabeça.
- Obrigada!

Na recepção

- Uma pena, era muito bonito seu cabelo, tenha cuidado com o frio e o sol.
- Trouxe uma touca na bolsa *coloca*
- Está mais charmoso assim.
- Mas não raspei pra sair de touca, né?

Plena, realizada, satisfeitíssima!

É incrível sentir vento na cabeça, que é bem sensível (o que dá vontade de esfregar a cabeça por aí para sentir o mundo de outra maneira). Um novo olhar sobre a forma que o corpo exerce seu espaço e a própria concepção estética, desprendimento, liberdade, valorização, celebração e alegria.

23 setembro, 2010

Over and over

Enviado em Desabafos, Egotrip às 5:31 pm por Deborah Sá

Não sei expressar desejo, submersa em rotina. Olhar o papel da parede intacto, a pilha de roupa pra lavar, os azulejos incrustados. É muito duro ter estes períodos de processamento, quero tudo agora. Às vezes só as guitarras e violinos falam. Pra isso que preciso do meu espaço, do meu tempo. Pra debruçar sobre o que há por aqui sem regrinhas, ás favas com as convenções. Ponto e vírgula quando querem. Todas as minhas expectativas são projeções, quero tanto ser legal pra todo mundo, começa com um favor, aí vira obrigação e me frustro porque não sinto retribuição. I don’t want the world, I only want what I deserve. Tenho medo e me canso de coisinhas medíocres, daí eu espero mesmo que as pessoas pensem “Poxa, o que custa eu tomar a iniciativa dessa vez?”. Eu gosto de cuidar dos outros, de verdade. Mas ás vezes me cansa, porque dou todo meu empenho, quatro tipos de salada, dois pratos quentes, um suco e uma sobremesa para quem nem liga pra avisar “Olha, não posso ir…” E eu fico olhando as bexigas da decoração murchar pensando se as pessoas gostam mesmo de mim. Porque eu chamo pra sair, corro atrás, me preocupo com horários de cada um que mora longe. É bom me entregar às pessoas (e faço muito isso), mas me sinto idiota quando o retorno é som de torneira pingando. Everyone is almost done with me. Fio vermelho ou azul? O tempo todo, o tempo todo. E é tão bobo colocar toda minha confiança a prova em coisas cotidianas. Querer morrer porque um bolo deu errado, vi um gato morto ou estou atrasada.

Drama Queen por excelência. Ninguém se leva mais a sério do que eu. Amo e me jogo em espirais e lá dentro só ando sob linhas retas. Ninguém é tão despido de moral quanto posso imaginar, sou acostumada com hostilidade em níveis absurdos. Naturalmente isso me leva a tentar ser dócil para evitar conflitos. Tem tanta coisa sendo processada na minha cabeça que me deixa confusa. E quando é que uma pessoa tão impulsiva quanto eu sabe de fato? Tangerine. Habituei-me jogar em frente do carro, do tiro, da dor. Deixe que eu assuma a culpa, não, não tem problema, eu não quero dar trabalho pra ninguém, eu não quero aborrecer com meu falatório. Talvez isso explique o fato de eu ser tão cara de pau: Espero a pior resposta do mundo, de um modo que quebraria qualquer coração em pedaços. E eu manjo de carão.

1 setembro, 2010

Dentro e fora dos saberes convencionais

Enviado em Desabafos, Egotrip às 11:58 am por Deborah Sá

É absurdo e ofensivo largar as carteiras de colégio, abrir mão de um diploma e reconhecer-se sujeito. Exigir satisfação e qualidade de vida através de um trabalho estafante? O tempo extra é aquele em ônibus cheio equilibrando livro em uma mão. Cabe ao sono aguardar uma vaga para repouso.

É-me ilógico o uso de entorpecentes, perder sentidos nos próprios pés.

Imersa na estrita razão e desespero da modernidade, guiada por impulsos retumbantes de afeto. O maior desafio sempre foi permanecer em sobriedade.

30 agosto, 2010

Saiba

Enviado em Egotrip às 9:19 pm por Deborah Sá

Todo mundo foi neném

Einstein, Freud e Platão também

Hitler, Bush e Sadam Hussein. Quem tem grana e quem não tem

Saiba: Todo mundo teve infância. Maomé já foi criança

Arquimedes, Buda, Galileu e também você e eu

Saiba, Todo mundo teve medo. Mesmo que seja segredo

Nietzsche e Simone de Beauvoir. Fernandinho Beira-Mar

Saiba, Todo mundo teve mãe, Índios, africanos e alemães. Nero, Che Guevara, Pinochet e também eu e você.

Eu, aos 0 anos e 11 meses

Mãe, Mãe,  Pai e Mexy. Amo vocês.

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