11.19.08

Cramunhão usa Jeans

Enviado em Cotidiano às 7:48 pm por Deborah Sá

Motorista: Isso é desde a época feudal, os caras tentavam fazer monopólio…

Amigo do Motorista: Até faz pacto…

Motorista: -Q?

Amigo do Motorista: Até faz pacto…(cara de caipira contando “causo”)

Eu (pensando): Não ri! Não ri!

Amigo do Motorista: Poizé! Sabe Jeans que todo mundo usa no mundo todo? O cara que criou fez…PACTO (tandããããn), ele matou 5 crianças pra que todo o mundo usasse…

Eu (pensando): Nãããããão ri! Nããããão ri!

Motorista: Eu respeito, mas não acredito nessas coisas…

Amigo do Motorista: Vi na internet, até a coca-cola, a música da Xuxa, ela foi pra outro estado e colocaram o disco ao contrário, coisas…coisas…SATÂNICAS….

Juro, eu não ri!

11.06.08

O que Jesus faria em meu lugar?

Enviado em Animais, Cotidiano, Crenças, Desabafos tagged , , às 7:59 pm por Deborah Sá

Essa é uma colocação que muitos adoram fazer. Acham horrenda a história da crucificação de Cristo. “Deus mandou seu único filho para o sacrifício de nossas almas”.

Hoje passei em frente a uma casa, tinha um lindo labrador marrom de olhos claros. Já havia o afagado outras vezes, fiz o mesmo. A alguns metros dali havia outro cão. Este, era preto, e seu pêlo era médio e embaraçado. A cada passante, o seu rabo balançava, na esperança de um pouco de atenção. Aproximei-me. Ele abanou o rabo (a pontinha era branca). Seu pêlo era um pouco duro, seus olhos castanhos e dóceis. Enquanto ganhava carinho, abria as perninhas deitado de lado. Como se mostrasse a pata traseira pra mim.

Quando me afastei olhei pra trás. A patinha traseira que ele levantava na verdade estava machucada. Ele mancava e saiu pulando. Perdido, sozinho. E ninguém se importava com ele.

Eu quis chorar, na verdade, choro agora.

O trânsito foi muito longo, e enquanto eu ouvia Belle & Sebastian (que combina magistralmente com a garoa e a cidade), pensei na frase que deu título a este post.

E o que Jesus faria em meu lugar?

Eu não sei…mas o que faria um cão no meu lugar?

Os animais são grandes mártires. Muito mais resistentes em vários aspectos. Quando eu me corto, reclamo de dor. E quantos cães machucados eu não vejo todos os dias? Quantos não mancam e irreversivelmente tem sua mobilidade reduzida?

Passando por um caminhão, vi homens fortes na janelinha, eles estavam espremidos. E quantos animais não estavam em situações muito piores que aquela?

Quantas vezes eu passo em frente a granjas, todos de crista caída, imóveis, vejo as donas de casa com suas saias até o joelho, estampas floridas e dinheiro amassado na mão. Quase sempre é um chinês. E há uma horrenda janelinha onde provavelmente se vê a morte.

Deus mandou seu filho? Pra morrer pelos nossos pecados? Poderia cessar então, já que milhares de animais morrem todos os dias para saciar nosso costume e paladar. Isso é bem menos nobre bem mais vergonhoso.

Jesus virou vitela? Não, ele já tinha 33 anos. Se fosse abatido teria antes de estar bem gordo. Sua mãe, de tetas doloridas sangrando, dando além de sua capacidade. Ao final de sua vida “produtiva”, ela viraria um ingrediente de uma lanchonete qualquer, com um brinde em caixinha colorida. Uma vaquinha sorridente no brinde do mês? Cairia bem…muitas caixinhas de leite o fazem. Entregando a um estranho mais um mártir.

Você adora o seu Deus? Você adora Maria? Vá em frente.

Eu prefiro admirar a vaca. Ela dá seu leite, não por escolha, mas pela falta dela. A cada término de gestação, se vai o filho. Diria ela: “Perdoai, eles não sabem o que fazem?”.

11.05.08

Hello Stranger?!

Enviado em Cotidiano tagged às 8:58 pm por Deborah Sá

-Hola, Olá, Oi (cutuca ombro)
- Oi
- Do you speak english? Hablas Español?
- (Faz gesto de “mais ou menos”) Por que?
- (Sotaque carregado) É que eu não sou brasileiro, saí pra “esfriar cabeça” quer me acompanhar?
- Ahhhn não (careta franzindo o nariz)
- Você mora perto?
- Ahnn no, no…I gotta go…
- Mora longe?
- Por que quer saber?
- Quero conhecer você
- Ahn, não não, obrigada
- Por que não? Não gosta de preto?
- Não…não é isso, meu namorado (mostra braço e esfrega mão), my boyfriend is not…
- É preto?
- É, é
- Tenho que ir
- Prazer meu nome é Mike (acho que era isso)
- Ah, eu sou Deborah, prazer (aperta mão)
- Tchau, boa sorte, good luck
- Boa sorte, god luck

OMG!!!!

Isso acabou de acontecer!
Andei um pouco e entrei no cabeleireiro (queria cortar mesmo, mas ajudaria a despistar).

- Oi
- Oi, tem como cortar hoje?
- Tem Júnior?
- Tem sim.
- Vamos lavar o cabelo? Ai menina! Que sobrancelhas maravilhosas que você tem. Acho bonito, grossas assim.
- Ah, obrigada, um monte de gente pede pra eu tirar, é um absurdo não? Não temos poder de decisão nem sobre nosso corpo…(blá,blá discorre sobre).
- Vamos pra cadeira? O que quer?
- Ah, bate na nuca, desfia, pode cortar um pouco mais.
- Ah sua nuca é linda, bláblá (inflando o ego da moça perseguida por um estranho)
- Nossa, to fugindo de um cara estranho que me seguiu.
- Ah, esses moleques de rua feio.
- Não, não era de rua, e até que era bonito o rapaz. Mas deu medo.
- Era queniano?
- Sei lá, o sotaque era estranho…
- Ixi! Pior que a maioria dos quenianos daqui é traficante…
- O_o

Mente paranóica em ação O_O

Imagina só se o cara me segue? Pensei até que fosse por causa do meu bottom da mochila “Pergunte-me por que sou vegan”, mas ele não mencionou nada sobre…Será que ele pensou que eu era puta? Brasileira tem fama de puta lá fora…mas eu estou de jeans, sandália rasteira e camiseta branca: “Liberdade Animal, Liberdade Humana”.

Tenho pancinha e cabelo curto, não tenho perfil estereotipado de puta. Uma puta exótica talvez? Cara, isso é muito estranho eu não recebo mais cantadas desde que cortei o cabelo. Daí um cara vem do nada e me aborda assim…

Claro cheguei, liguei em desespero pro Yuri (eu fico suada como uma porca quando estou com medo), contei tudo, e mais alguns detalhes.

1 – Hoje descobri que o cãozinho perto do meu serviço faleceu, a dona disse que o rim dele já não mais funcionava, ele tinha mais de 15 anos. Ela ainda tem a preta que me recebe todo dia na rua abanando o rabo, enquanto me esforço para que ela não se esfregue na minha roupa :p

2- Vi um beagle, que me lembra muito o Snoopy, o nome dele era Pepe, apertei as coxinhas, fiz carinho na orelha e ele nem olhou pra mim. Blasé.

09.22.08

Eu, radical.

Enviado em Animais, Cotidiano, Crenças, Desabafos, Questão de Gênero tagged , , às 1:45 pm por Deborah Sá

Em minha vida pessoal e virtual, sou taxada de adjetivos que são ofensivos para a maioria das pessoas. E a minha reflexão leva a crer que são grandes elogios, haja vista quem os diz.

 

Ser radical, é ser radicalmente contra determinada ação, postura ou hábito. O que parece de difícil compreensão a maioria das pessoas é que quando todos concordam, o argumento não se torna inquestionável. Muitas idéias hoje vistas como absurdas, eram perfeitamente aceitas no passado. “Como pode? Escravidão de negros, que absurdo…”

 

E os que pensam diferente o que ganham por aqui? A fama de loucos, tontos, fanáticos. Mas os outros em suas certezas nunca são fanáticos…

Eles são normais. Quando os fanatismos alheios têm muitos adeptos, estão corretos. “Como pode tanta gente estar “errada”"? A voz da massa é a voz de Deus?

Basta a maioria acreditar em Deus e ele existe? O senso comum é portador da verdade?

Imagine por um instante algo que você é radicalmente contra (aborto, estupro, infanticídio…). Como seria aceitar que a maioria das pessoas do mundo fosse a favor? Que em festas familiares, mídia, trabalho e etc as pessoas se divertissem ao contar o quanto é banal cometer tais atos. E quando você se manifestasse falassem:

-Credo que radical, é só uma fodinha (no caso do estupro), eu tenho muitos vídeos que comprovam que mulheres/crianças gostam disso mesmo que inconscientemente, tem a lei de tal parágrafo que permite isso…você acha que as leis aprovariam atos repressores?

 

 

Ao se manifestar você é taxado de opressor, sendo que coagido a manter silêncio, variavelmente não consegue se segurar depois de ouvir tantas “pérolas”, eles sim, eles podem falar o quanto querem, pois são protegidos e fortificados na certeza de que a maioria das pessoas está ao seu lado. Em seus argumentos ponderados e medianos são ovacionados.

 

Os tomates quase podres dão um bom molho.

09.08.08

Desafio

Enviado em Cotidiano às 2:38 pm por Deborah Sá

Hoje no meu emprego acabou a água do galão. Eu estava quase só, não tomaria da torneira já que não sei a quanto tempo não limpam a caixa d’água daqui…
Havia um cheio para ser reposto, mas a grande dúvida: Aguentaria eu 20 litros de água? E mais, não desperdiçar em demasia este recurso?
Restava a tentativa, a trilha sonora poderia ser um remix de Eye of the Tiger com a trilha de Odisséia do Espaço.
Tirei o cachecol levantei as mangas e…
Como tira aquela porcaria de lacre? O_o
Faca e colher resolveram. Restava agora o peso…ok, pesado, muito pesado, algumas tentativas e puf’s puf’s depois, eu consegui! Yeahhhhh! Eu consegui trocar um galão sem me machucar nem derrubar água (só umas gotas na hora de virar o galão).
Mas tudo correu bem. E eu me senti muito feliz :D
Nunca havia trocado um galão, e dado o meu condicionamento físico (trabalho em um escritório, com um super bronzeado de palmito). Fiquei bem satisfeita.

07.11.08

Dear Pamela…

Enviado em Cotidiano tagged , às 11:19 am por Deborah Sá

Entrei no ônibus
Passei a catraca
Sentei no último dos bancos altos
E na parte superior do painel do motorista
Eu vi uma foto de uma loira
Uma loira beiçuda
Era? Era sim! Era a Pamela Anderson!
Mas porque alguém coloca uma foto do rosto da Pamela Anderson? Seria porque um pôster ia ser estranho? Como em uma borracharia? Mas aquela foto parecia algo de querido por ele, sei lá, o local onde foi colado…parecia algo como um retrato de alguém que se ama…será que ele ama a Pamela Anderson? E mais! O rosto da Pamela Anderson? Está tão puxado…
Espremi os olhos para enxergar melhor, hummm…seria uma foto de Baywatch? Nuvens no fundo…hum…Ai Caramba! É Jesus!

06.19.08

Em uma caixa de morangos

Enviado em Cotidiano tagged , às 5:26 pm por Deborah Sá

Quinta-feira mais que comum, ônibus, vidraça, bananas logo cedo…
Ando e logo vejo as tais reluzindo em um brilho todo cinza que só essa cidade tem, é uma por dois. Vá lá…mão no bolso. Sobraram mais dez centavos.
Desembrulhar o PVC, pegar a folhinha na mão e comer um morango. Prazer tão simples, tão bonito, tão sereno. E todos nesse vuco-vuco de cidade, atravessando apressados, tapioca e cafézinho. E eu esperando o sinal abrir…

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