10.27.09

Windowsill

Enviado em Cotidiano, Egotrip às 8:41 pm por Deborah Sá

Juro que se eu bebesse algo alcoólico, esse seria meu recurso esta noite. Como não o faço fui até uma lanchonete vegana e pedi um suco de maracujá. Talvez um dos mais amargos que já tomei, não por falta de açúcar, mas da raiva guardada e da impotência.

Queria mesmo é abrir meu coração para aquele atendente que nem sei o nome e dizer o quanto eu ando triste, o quanto a dor no peito vem rasgando nesses dias.
Semana passada minha irmã me disse que uma professora quando lecionava para crianças de 8/9 anos um grupo de garotos forçou uma menina da mesma faixa etária a praticar sexo oral neles. Ela tem deficiência mental. Os garotos não. A mãe da garota e a direção da escola não quiseram denunciar, alguns dos meninos eram “filhos de bandido”.

O Yuri sabe o quanto essa notícia acabou com meu dia, passei minha noite de sexta definhando chorando.

Não há lugar no mundo seguro para uma mulher

Crianças de 8 anos tem ereção? Tem porra já? Mas tem supremacia masculina, isso sim. São “imitações” inconscientes de uma estrutura familiar conturbada? Oras, se não vamos culpar crianças por estupro, podemos inocentar um serial killer de passado problemático?

Hoje ao sair do trabalho com minha irmã um grupo de garotos jogava pedra no mato, eu sabia que por ali existia um gato preto e me aproximei esperando o pior.

Eu: Ei, o que vocês estão fazendo? Não tem vergonha não?
Garoto: Ninguém te chamou, não é da sua conta.
Minha irmã: Não pode fazer isso, tacar pedra no gato, porque você está fazendo isso?
Outro garoto: Tem que tacar mesmo, ele estava matando um passarinho!
Eu: E você não come carne?
Garoto: Como…(cortado pelo “Líder”)
“Líder”: Escuta aqui, segue “seus caminho”
Garotos: (Jogam mais pedra)
Eu me aproximo e cruzo os braços de frente para um deles, ele fecha a cara e me imita.
“Líder”: Você quer bater na gente é?
Eu: Não, porque eu não sou covarde
Grupo: Viiiixeee olha só quanto nós somos
“Líder”: Segue “seus caminho”, segue “seus caminho”…
Outro garoto: Agora que eu vou matar esse gato, tem que matar mesmo, ele é preto!

TODOS os garotos eram negros.
Isso me deixou sem palavras por um instante.

Eu: Por isso mesmo, não podemos ter preconceitos.
“Líder”: Segue “seus caminho”, segue “seus caminho”…
Minha irmã: Isso é covardia

Os garotos saíram andando, perto uma senhora com seu Golden Retriever perguntou para minha irmã:

- O que aconteceu?
- Estavam tacando pedra no gato.
- Isso não pode! É crime! E começou a falar com os garotos que permaneciam. O líder disse algo como “Depois chamamos uns trutas pra dar um jeito nessas duas”.

E eu fui para a lanchonete.
Meu pai ligou preocupado, soube do ocorrido.
Uma coisa eu digo, não vou encostar a mão naquelas crianças, mas se vierem pra cima de mim vou revidar. E se eu morrer ser presa todo mundo já sabe o motivo.

Agora dá licença que vou preparar janta pra usar de marmita amanhã e pegar ônibus cheio.

Sempre vivi na periferia, estudei nas suas escolas, sofri a humilhação de gente que tinha tanto dinheiro quanto eu. Mas eles têm o “gueto” masculino, sua força, seus comparsas, eu só tenho vontade de chorar e lutar. Lutar sempre.

Fico pensando se quero mesmo ser professora de História, pra ter que agüentar gente que não tem metade da minha estatura querendo botar o dedo na minha cara. Seja porque tem o papai rico com mil advogados ou os mil manos em uma terra sem lei.

Este post foi escrito ao som de Windowsill do Arcade Fire

08.25.09

Obrigação moral nos deveres do Estado

Enviado em Cotidiano tagged , às 4:09 pm por Deborah Sá

Ao caminhar no Centro de São Paulo é impossível não deparar-se com um mendigo. Dentre eles são poucas as mulheres que transitam. Creio que a primeira “saída” para elas é mesmo ser prostituta…

Há quem se incomode com a presença deles, afinal eles gritam, dançam, pedem um pedaço do salgado, estão lá descalços em dias de chuva ou de calor, enrolados em seus cobertores com uma bituca de cigarro na boca .

Semana passada em um dia de chuva, vi um senhor de aparentemente 60 anos enrolado em um saco de lixo abrindo uma embalagem de amendoim lambendo o interior metálico. E estava lá eu, com minhas roupas quentinhas, minha toquinha, um celular que tira foto na mochila e um livro do Focault buscando espaço com o guarda chuva nas costas. A pequena burguesa…
Peguei meus palitinhos salgados que estavam no bolso lateral, ao recebê-los o homem parecia perturbado e aéreo, não sei a qual realidade ele pertencia.
O que posso fazer? Essa obrigação é minha? Essa obrigação seria do Estado, obviamente os privilegiados economicamente têm larga vantagem nisto. Quem “protege” os mendigos?

Algumas cenas inusitadas que presenciei
- Uma mendiga urinando e um mendigo se aproximando com um jornal em mãos dizendo “Não vai secar não?” E ela respondeu: “Eu não! Passar jornal na minha perereca?!”
- Uma menina de aproximadamente treze anos dançando funk com uma mini-blusa e um micro-short, cabelo oxigenado e pele parda*. Ela rebolava muito ao som dos CDs piratas que tocavam “O Pancadão”. Os homens presentes riam e lançavam olhares maliciosos.
- Crianças que pareciam ter 5 anos fumando bitucas de cigarro.
- Um casal de mendigos dormindo “de conchinha” (fiquei com vontade de chorar).

* É raro ver uma criança ou adulto branco de olhos azuis nas ruas. Embora existam exceções.

Deviam ser disponibilizados banhos gratuitos, comida e educação (mesmo que muitos saibam ler). Mais importante: O Estado devia perguntar a eles o que ELES querem. Moradia, emprego, saúde, educação?

Antes que algum engraçadinho venha me dizer: “Troque o seu cachorro por uma criança pobre”

Não há incompatibilidade, dá perfeitamente para ter um cão e uma criança pobre. Não há como colocar a responsabilidade social (que supostamente seria do Estado) nas mãos das cidadãs-comuns. O ideal seria oferecer auxílio individual na medida do possível.

E os animais?

Até o presente momento não conheço nenhum açougue que venda carne humana (talvez no mercado clandestino). É injusto negar os direitos básicos a um indivíduo sem renda, assim como não é correto matar um não-humano por valores culturais.
Entendo perfeitamente que não é possível que um mendigo seja vegetariano, ele come o que está disponível. O mesmo vale para pessoas em situações extremas de precariedade. Creio não ser o caso de quem me lê neste instante.

Há quem queira morar nas ruas, viver naquele cotidiano. Muitos dos meninos querem o tênis anunciado nas vitrines, as garotas clareiam os cabelos e os carroceiros encostam seus carrinhos após o expediente para folhear atentamente as páginas de uma revista pornográfica.

07.23.09

E não sou prendada

Enviado em Cotidiano, Egotrip, Questão de Gênero tagged , , às 11:56 am por Deborah Sá

Nunca gostei de arrumar a casa. Odiava quando a minha mãe me pedia pra ajudá-la a tirar o pó, enxugar a louça ou coisas assim. Meu pai nunca fez muito do serviço doméstico além de lavar a louça, consertar e outras tarefas de marceneiro, construiu portões de madeira, mesas, prateleiras e outra infinidade de objetos que não consigo recordar. A melhor parte em arrumar a casa era colocar música alta. No caso, dependia da fase que eu estava: Hanson, Beatles, Backstreet Boys, Spice Girls…
Cozinhar sempre foi mais divertido, afinal você aproveita de alguma maneira. Qual o proveito de limpar a casa? Ninguém reconhece, só repara quando está sujo e absolutamente ninguém sabe o quanto foi estafante tirar aquela maldita sujeira incrustada do azulejo. Lembro de um dia meu pai bravo procurar por pares de meia e não encontrar para trabalhar. Foi um basta, não ia passar porcaria de roupa nenhuma. Só jogar na máquina. Cada um que fosse até o cesto e pegasse as próprias roupas.
Lembro da primeira vez que o Yuri foi na minha casa e se deparou com uma pilha de roupas colossal. Eu não passo as minhas roupas.
Somente as camisetas sociais e as outras peças que realmente precisam do ferro. Hoje moro com a minha mãe, é bem mais prático pra ir ao trabalho. Minha mãe é MIL vezes mais prendada que eu. Não é uma costureira que faz até terno como a minha vó, mas sabe ao menos pregar um botão e fazer uma barra de calça.

Ontem uma amiga da minha mãe (costureira) esteve aqui:
- Eu costuro muito mal, mas se for esperar isso das minhas filhas você morre.
- Ah é? Você não sabe não, Deborah?
- Não
- Nem um botão, costurar um furo de uma meia?
- Não
- Mas precisa!
- Não preciso não :)
- Mas sabe por quê? Quando você tiver um bebê…
- Eu não vou ter bebê :D
- Nem um?
- Não…
- Mas imagina que mistura bonita, você e seu namorado, ele moreno, você branquinha…um de cada cor!
- É, na verdade vai ser bonito, vão ter três cores
- Três?
- É, uma vai ser rajadinha laranja, outro preto com branco, outra toda preta…

05.29.09

“Não ame ninguém, estupre.”

Enviado em Cotidiano, Questão de Gênero, Só falam nisso tagged , , às 10:45 am por Deborah Sá

Serão recolhidos livros didáticos distribuídos para a 3ª série. Motivo? Ele cita drogas e estupro.

A frase é: “Não ame ninguém, estupre.”

A linguagem “irônica da poesia é pra aproximar o aluno da leitura com algo despojado”.

Onde já se viu? As criancinhas da 3ª série não sabem entender ironia! Se fossem pra adolescentes, tudo bem! As drogas, todos sabem, faz parte do cotidiano dos jovens. E o estupro?

Há pessoas que preferem fingir que não existe este “probleminha”. Meus caros, visitem qualquer delegacia da mulher, quer saber? Não precisa ir tão longe, uma mulher vítima de abusos pode estar mais perto do que você imagina, talvez, até vive sobre o mesmo teto que você. Eu nunca visitei uma delegacia da mulher e conheço (pessoalmente) 8 mulheres que passaram por violência sexual. Se me incluir o número passa para 9.

Mulheres são silenciadas nas chacotas, em ter de justificar se não foram mesmo insinuantes no dia. Ser vista como estuprável não é piada. Aliás, do modo como fazem piada com isso me faz pensar no tamanho da merda do mundo que vivo.

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03.23.09

There there

Enviado em Cotidiano, Eventos tagged , às 12:11 pm por Deborah Sá

Bendito seja o 13º!

Graças a ele vi Radiohead ontem =D

Como sou muito sortuda, dias antes o tempo mudou e eu descobri o sorvete de maracujá da Soroko (sorveteria com opções veganas de sorvete de massa). Então eu estava muito mal da renite/sinusite \o\

Saí aflita pro show, porque sou muito ansiosa e acordei já estressada porque ainda não tinha preparado os lanches nem feito o almoço. Sempre sofro por antecipação e no final as coisas dão certo :P

O tempo combinava com Radiohead: Chuvoso e cinza com o sol tímido.

O Yuri bem mais tranquilo que eu, preparou uns lanches com tofu e milho que estavam ótimos (pelo pouco que senti do sabor, afinal meu nariz é uma merda).

Fiquei pensando se seria mesmo correto assistir um show na “Chácara do Jockey” já que sou contra Jockeys, só pensei isso nos últimos momentos antes de sair.

O chão era gramado o espaço bem amplo, encontrei a Carol e ela é super simpática =D

Depois de um tempo entrou Los Hermanos e foi muito bom. O ruim foi ver apenas uns pedacinhos do palco porque não sou lá muito alta, já o Yuri tinha uma vista privilegiada do palco (ás vezes me levantava pra que eu visse).

E o tal Kraftwerck é monotono (não me xinguem). Uma hora de pé em um show sonífero com garoa fina não é muito animador.

E entrou o Radiohead…

Gentem, que show mais lindo *___*

Nunca vi coisa tão linda antes, a iluminação, tudo mesmo!

Cheguei a conclusão que as sereias devem ter a voz do Thom Yorke, que coisa hipnotizante G-zuiz!

Aí quando tocou Karma Police eu fudi minha garganta de vez “I lost myself”. Morri *_*

Saí quando tocaram Paranoid Android, não aguentei ficar até o final. Estava com a cabeça doendo.

O efeito canguru

Sou daquelas pessoas que pulam freneticamente no show sabe? Só que com renite isso vira dor de cabeça. Então eu tentava me controlar, aí pulava novamente e ficava meio enjoada, me desanimei um pouco por isso.

Sou uma idosa (aos 22 anos)

Alguns fatores que me aborrecem em shows:

- Cigarros fedem mais do que maconha e é inevitável não levar baforadas na cara.

- Copinho plástico de cerveja na multidão é uó. Derrubam na gente ficam com um hálito nauseante e “felizes” e/ou “valentes”.

- Arranjar treta em show é ridículo.

- Fazer mosh também é, porque ninguém é obrigado a ser arrastado pras celebrações “felizes” de brutalidade.

- Um copinho de água R$ 5,00 !!!!

- Grupos de machinhos: Rindo, falando das moças, falando qualquer coisa daquele modo imbecil.

Eu juro que queria um chá de camomila.

03.12.09

Traí o movimento vegano mano(?)

Enviado em Cotidiano tagged , às 11:27 am por Deborah Sá

Brinks. Uhahahahhaha

Estou me sentindo livre, conseguindo e sinto coragem, que a força esteja comigo ^^ (toca A Marcha Imperial).

Ontem estava cansada, sabia que ia chegar tarde pois vi ao longe dois ônibus passando. Lamentar? Deixar abater aquela fraqueza toda? Não, eu ia jantar sozinha.

Em cima do Habib’s tem um rodízio de carne, eu amo Hommus mas é caro pra chuchu. Estava decidido, jantaria em uma churrascaria!

Ao subir fui recepcionada por um senhor muito simpático:

- Temos tantos tipos de saladas, tantos tipos de pratos quentes, tantos tipos de carne…

- Obrigada, mas só vou olhar o Buffet, sou vegetariana.

- Eu também.

- Sério?

- E você vê! Trabalho em uma churrascaria…

- Mas você consome leite e ovos?

- Só leite, sou devoto de Krishina.

- Ah, eu sou vegana… (explico brevemente)

- Por compaixão? Então você é muito iluminada espiritualmente. Já fui monge, fui pra Índia, esse é a medalha que eu ando (mostrou medalha)…

Então me servi e sentei. Até que tinha variedade…

Mesmo com o indicador de carne em vermelho, alguns me ofereciam e juro: Aqueles pedações de carne me pareciam madeira, era tão sem sentido ver os homens passando pra lá e pra cá com tocos de madeira que fui bem indiferente.

Ao menos na hora que estava lá, notei o público: Dois casais de namorados, o restante eram homens com mais de 35 anos, grisalhos ou quase lá, todos com barriguinha.

Ei, eu tenho barriguinha viu?

Engraçado que a maioria nos restaurantes vegetarianos/vegans tem um público diferente também: Famílias, ou gente de todas as idades, tatuadas, maioria magra, mas tem gordinhos também, muitos usam dreds. É interessante observar.

Logo o senhor voltou e disse:

- Lá fora tem uma amiga também vegetariana, que também viajou pra Índia, mandou entregar pra você.

Me deu três balas.

Não resisti e fui pessoalmente agradecer. Ela me perguntou onde conseguia proteína. Ao que entendi é ovo-lacto há 17 anos. Passei o endereço do meu blog de receitas veganas. O www.escolhavegan.wordpress.com

Voltei, terminei de jantar. Desci peguei um suco do Habib’s (suco em churrascaria é uma facada). Peguei o ônibus.

E no final, não tinha uma gota de sangue no meu prato.

Sei que alguns vegans podem me recriminar pois alimentei o local que vende morte. Mas gente, imagina que lindo seria se umas dezenas de veganas/veganos entrassem na churrascaria e comessem. Sem carne, sem leite sem ovos. Seria um prejuízo e um alerta. Lindo. *_*

01.27.09

O que, que a mulata tem?

Enviado em Cotidiano, Questão de Gênero às 4:24 pm por Deborah Sá

Este fim de semana estive com algumas pessoas legais andando pela cidade. Comemos no Sabor Mate lá da Augusta, hambúrgueres e pizza de tofu defumado lá na Galeria do Rock e também um ótimo lanche no pão folha lá no Mercadão.

Era aniversário da cidade e o local estava cheio, especialmente na parte superior do mercadão freqüentada por quem tem mais dinheiro. Conseguimos uma mesa, já que dois dos presentes queriam um lanche de mortadela e pastel de bacalhau respectivamente. Para os três vegetarianos presentes a solução era descer as escadas e comprar o lanche no pão folha, o preço era acessível, ainda mais, levando em consideração os preços dos lanches por lá, são cinco ingredientes por R$ 6,00. Subimos a escada novamente e nos sentamos. A música ambiente era o clássico samba, mas algo muda e o “isquiriguidum” começa, uma banda formada majoritariamente por idosos e umas dez mulatas entram em cena. Com aqueles adereços aparentemente pesados na cabeça, trajes verde limão com brilhos e plumas, fio dental e busto com arames brilhantes. Muitos ficaram radiantes com esta explosão de brasilidade, algumas mulheres seguiam contentes atrás das mulatas, muitos tiravam fotos com elas, outros ficavam visivelmente excitados.

É óbvio que a “anormal” sou eu, que mesmo não sendo patriota, me envergonho da “cultura” do meu país. Que ouço “chupa que é de uva” tocando em um celular de um rapaz com a camiseta preta escrita: “Quando esta camiseta estiver preta, estou pensando em sexo -sexo, escrito em letras maiores e em vermelho-”. Que em uma tarde de domingo sou brindada com as músicas do vizinho: “A vaquejada é um esporte do nordeste brasileiro”. Não acredito na tal “dívida histórica”, se assim fosse, a humanidade ia ter que lamber a pata dos animais, mas nem assim os nossos erros seriam perdoados comparativamente.

A mulher não é um povo com língua, ela nem se quer é um povo. Não é vista como composta de indivíduos, mas de sombras que se esgueiram. Talvez alguém leia isto e como muitos, ache que julgo ter em um insight brilhante no qual trago o manual profético de uma sociedade perfeita. Não seremos nunca “perfeitos”, pois não há um único “mal”, há vários problemas e são vastas ramificações unidas umas as outras. A minha luta contra o patriarcado é muitas vezes motivo de piada, estou de certa forma me calejando em tudo isto.

Talvez só daqui um tempo, quando existirem mais pessoas com maior empatia em algumas gerações, seja mesmo discrepante que para se comemorar a história de um estado enfeitem “suas mulheres” e façam-nas se envaidecer de celebrar sua própria colonização.

12.29.08

Estrada

Enviado em Animais, Cotidiano às 8:55 am por Deborah Sá

Viajei neste natal, fui para uma cidade no litoral norte do Rio de Janeiro. Foi muito relaxante, embora os dois primeiros dias fez-se sol e os outros se fez chuva =P

Houve momentos nos quais me senti deslocada, graças á minha ideologia vegana.

* Me recusei a andar de charrete, por duvidar do tratamento dos cavalos, não estavam visivelmente machucados. Mas não pareciam “felizes” e quem ficaria? Levando sete, oito pessoas, pra cima e pra baixo? Eram dois cavalos por charrete e ás vezes usavam chicotinhos neles. Adiantava eu brigar?

* Charretes são comuns por lá.

* Passei por alguns açougues com o simpático nome de “abatedouro”.

* Mesmo avisando antecipadamente minha estadia para a ceia de natal, minha ceia foi: Arroz, batata palha, alface e frutas.
Todas as outras saladas colocaram maionese e/ou carne. Desculparam-se quando expliquei minha situação na cozinha.
Vi um leitãozinho sem maçã na boca, olhos fechados e o meio do corpo vazio, só com ossos da costela, porque tinham comido a carne. A cabeça, as patas traseiras, o rosto e a bunda continuavam lá intactos. Pra mim foi triste e apavorante.

* Nos primeiros dias comi praticamente arroz e salada de almoço e janta. No café da manhã tinha pão francês e mamão. Para onívoros, muitas opções.

* Me recusei a ir pescar, e assim como na charrete não achavam que havia maltrato. Até porque depois de ter as bocas perfuradas os peixes eram jogados de volta na água.

Houveram coisas muito positivas também ^^

* Quase todo dia eu tomei açaí.

* O Yuri também não foi pescar e me apoiou. No fim ninguém andou de charrete o/

* Uma garçonete fez amizade comigo e foi até a minha mesa perguntar se eu estava “encontrando o que comer”, e perguntando por que não comia nada de nenhum bicho.

* Nos últimos dias eu tinha uma grande variedade de verduras e legumes, teve até um dia que teve batata smile *__*

* Nos últimos dias teve feijão marrom sem carne *___*²

* Comi um pé de moleque com amendoins gigantes.

* Na volta fizemos uma marmitex gigante com um tabule delicioso que serviam por lá. Comemos tudo no ônibus com bolachas =)

* Vi galos soltos.

* Os passarinhos entravam voando dentro do restaurante “numa boa” e ninguém se incomodava, era diário vê-los passando pertinho da gente.

* Um gatinho vaquinha de olhos verdes muitos carinhoso, que virava a barriga só de chegar perto.

* Eu vi um gambá lindo de morrer passando pela janela e fiquei descontrolada chamando o Yuri acenando freneticamente o/ \o/ /o

* Salvei um sapinho muito pequeno que entrou no quarto, colocamos ele em um copinho e levamos para fora, era tão pequeno! Coração batendo e mexendo o pescoço, uma graça.

* Fiz carinho em alguns cavalos de charrete, e eles eram muito mansos, embora só olhassem para frente quase sempre.

* Joguei fliperama com o Yuri e também aqueles discos de mesa o/

* Fui semi-crudívora =B

* O lugar era muito bonito.

* Ganhei mais livros!

* A família do Yuri foi muito legal comigo.

* Ninguém me deteve em lugar algum pelas minhas axilas. Temia que me expulsassem da piscina ou algo do tipo.

* Tomei um pouquinho de sol, passei fator 50 e não estou ardida.

Momentos memoráveis:

- O pai do Yuri falando BBG: Big Brother Gugu, porque uma dessas lojas de conveniência da estrada pertencia ao Gugu.

- Eu perguntando onde era o sanitário e o cara me falando: “Segue a praquinha meu amô”.

- Eu e o Yuri discutindo com o vendedor de picolé na praia, porque a embalagem estava escrita leite em pó e o vendedor teimava que não:
“Essa embalagem aí não tá com nada, confia em mim”. Acabamos pelo óbvio de limão.

- Cada um ganhou uma alcunha pra ser usada no walk talk do meu cunhado de 9 anos. Inclusive eu: A mulher tofu.

12.01.08

Such a silly girl

Enviado em Animais, Cotidiano, Desabafos tagged às 9:23 am por Deborah Sá

Hoje enquanto eu ouvia “Te First of the gang to die” o ônibus brecou bruscamente. Parei a música, muitos ficaram apreensivos dentro do ônibus, mas a grande maioria mostrou impaciência pois ao que tudo indicava, ocorrera um atropelamento.

Eu fiquei apenas curiosa, já que não era a primeira vez que o ônibus que eu estava, batia em alguém…

O ônibus acelerou lentamente, e eu que estava em um dos últimos bancos vi passar devagar um senhor que arrastava um Schnauzer preto pela coleira peitoral. Fiquei sem ação.

O cão mexia a cabeça ainda, parecia bem assustado e suas patas dianteiras não mexiam.

Os comentários que ouvi foram os mais variados possíveis:

- Só um cachorro

- É de madame não sabe andar.

- Se fosse pequeno ia voar…uahahha

- Tadinho…

 

E eu fiquei com a maior cara de tacho. Sabe aquela grande sensação de impotência? Merda de mundo…se fosse um humano, o motorista pararia, por obrigação…e os passageiros desceriam do ônibus. Mas um cão? Oras! Iam ficar completamente ultrajados de ter o percurso de sua viagem interrompido por um reles cão.

 

Para os animais, todos os humanos são nazistas.

 

Um pouco adiante, passei em frente ao memorial que construíram para as vítimas do acidente da TAM. Havia a seguinte faixa: “Queremos respeito com a vida humana”.

Para continuarmos vivos só podemos ser duas coisas: Ou sádicos ou masoquistas. Mas creio que ambos.

 

Dói-me o peito ver estas situações e me sinto frustrada por não mudá-las. Não tenho nome famoso, fama, dinheiro…o que me aproxima de fato da grande maioria das pessoas. Me sinto em plena era da escravidão, como se andasse por uma cidade em ruínas, mas que maquia e vende sonhos para desesperados compradores.

Pés descalços e manchados,somados a miséria nos rostos debochados, na terra que não é minha, mas é território dos que calejados tentam me assaltar. Eu não quero carregar o mundo nas costas, queria livrar o mundo da dor. Mas talvez sejamos apenas animais carniceiros e cínicos.

Todo mundo adora ver nos filmes, aqueles que lutavam contra o nazismo, os que cospem na cara de seus algozes, ou ainda quando um legítimo filho de nazista, luta frente a frente com seus familiares. Todo mundo acha a coisa mais maravilhosa. E hoje é exagerado tacar farinha na madame que anda de casaco, quem sabe no futuro serão os heróis?

Buzinas, confetes, megafones e amplificadores em minhas orelhas, claro que não posso me manifestar, sou autoritária se o faço.

As minhas lutas são silenciosas, pois não me é dado o direito de gritar. Às vezes me revolta, e às vezes esta revolta me deixa sem ação, até quando agüentaremos a castração em massa, de quem vai contra a massa?

11.19.08

Cramunhão usa Jeans

Enviado em Cotidiano às 7:48 pm por Deborah Sá

Motorista: Isso é desde a época feudal, os caras tentavam fazer monopólio…

Amigo do Motorista: Até faz pacto…

Motorista: -Q?

Amigo do Motorista: Até faz pacto…(cara de caipira contando “causo”)

Eu (pensando): Não ri! Não ri!

Amigo do Motorista: Poizé! Sabe Jeans que todo mundo usa no mundo todo? O cara que criou fez…PACTO (tandããããn), ele matou 5 crianças pra que todo o mundo usasse…

Eu (pensando): Nãããããão ri! Nããããão ri!

Motorista: Eu respeito, mas não acredito nessas coisas…

Amigo do Motorista: Vi na internet, até a coca-cola, a música da Xuxa, ela foi pra outro estado e colocaram o disco ao contrário, coisas…coisas…SATÂNICAS….

Juro, eu não ri!

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