07.29.09
Espaços Femininos
Não ter referenciais de beleza que retratem a diversidade de corpos faz mal a auto-estima feminina e deturpa a expectativa estética masculina.
Seriam necessários “Espaços Femininos”, onde mulheres pudessem conversar entre si, sendo proporcionada uma “zona de conforto” onde trocassem experiências, nadassem, dançassem ou exercessem qualquer outra atividade corporal e intelectual desejada.
Há saunas, clubes, bares, estádios de futebol e outros locais onde homens convivem em “fraternidade” . Os “Espaços Femininos” disponíveis visam à manutenção da beleza e consumismo (clínicas estéticas e shoppings) ou celebração da maternidade (berçários e chás de bebê).
Não seria maravilhoso ter um espaço nosso? Uma cachoeira ou riacho onde pudéssemos nos banhar, a liberdade de estar com outras mulheres sem a preocupação de um intruso nos observar/filmar, julgando nossa capacidade atrativa?
Nisso também incluiria a possibilidade de ficarmos nuas em coletivo, de calcinha, de biquíni ou como bem quisermos.
Despir
Quase toda mulher vê suas familiares peladas (mães, tias, irmãs…) da mesma maneira que se vê no espelho de relance, reconhecendo alguns traços em si. Na contrapartida vemos corpos na mídia que parecem manequins surrealistas se comparados a estes referenciais.
Se olharmos para os corpos de nossas amigas em um gesto contemplativo, a beleza da diversidade não nos pressionaria a mudar nosso corpo “defeituoso”.
“O valor das indulgências está realmente na despesa causada ao penitente. Seu significado psicológico básico reside no cálculo do quanto o penitente está disposto a sacrificar para obter o perdão. Também os vendedores ameaçam amaldiçoar uma mulher se ela não pagar. Nem é mesmo o inferno da feiúra o que ela teme, mas um limbo de culpa. Se ela envelhecer sem os cremes, dir-lhe-ão que a culpada é ela mesma por não ter se disposto a fazer o sacrifício financeiro adequado. Se ela de fato comprar os cremes e envelhecer — o que iria acontecer de qualquer jeito — pelo menos saberá o quanto pagou para evitar o sentimento de culpa. Uma conta de cem dólares é prova concreta de seus esforços. Ela realmente tentou. A força propulsora é o medo da culpa, não o medo da velhice.”
O Mito da Beleza - Página 159
As nossas “imperfeições” são vistas como um crime gravíssimo e um atentado Ao Mito da Beleza. Por que nossas rugas, nossos cabelos grisalhos, nossos peitos, nossa flacidez é considerada “mortal”? Nenhum homem se preocupa com o formato da própria bunda, com a inclinação do pau, a pele enrugada das bolas. Se as mulheres tivessem testículos, fariam lifting.
06.23.09
Vida de Madame
(1) O comercial fala do poder de dirigir o carro, mas quem dirige? O homem. Quando ela deseja poder é algo como uma “madame”, o dinheiro não vem dela, o poder de guiar também não. Acho que todos já passaram pela fase de ter de pedir dinheiro para os pais:
- Pai, me dá R$ 10,00?
- [Discurso de como a vida está difícil]…Mas pra que você quer?
Sempre achei um saco ter que pedir dinheiro pra comprar coisas básicas (absorvente por exemplo), ou maiores (como iniciar um curso). Imagina ter que pedir dinheiro pro marido pra comprar desinfetante?
(2) No desejo da mulher “estar por cima” em cadeia hierárquica “mandaria no chofer”. Algo como: “Um dia você limpará minha privada MUAHAHAHHAHA”.
Sério, nunca me senti melhor que uma empregada doméstica. Ao reconhecer os “privilégios” que temos diante dos outros, imediatamente nos damos conta o quanto a desigualdade social é discrepante.
(3) Juro que pensei que a mulher estaria no volante ao decorrer do vídeo.
(4) Ser madame
Pense na figura de “madame”.
Ela deve ser bonita e jovem certo? E se imaginar uma mulher cheia de botox na cara, certamente ela teve um passado “glorioso” de miss ou algo do tipo.
Qual é o poder da madame? É a beleza.
Essa “moeda de troca” entre homem-poderoso/mulher-troféu me assusta. Nós mulheres, não temos referencial de mulheres bem sucedidas, mais velhas e poderosas. Os homens por exemplo estão cheio de exemplos assim, eles podem ser calvos, barrigudos, terem olheiras, cabelos brancos…mas basta um terno e voilà! Temos uma imagem de “poder”. A maioria dos políticos e empresários de sucesso tem características físicas que em mulheres são consideradas dignas de asco.
A mulher só pode alcançar seu ápice, se investir energia física, mental e monetária para alimentar sua imagem construída de bela. Gastam-se muitos cifrões com cremes rejuvenescedores, roupas da moda, cirurgias invasivas e tantos outros procedimentos. Conforme o tempo passa, essa busca frenética pela manutenção da juventude só progride. Ninguém parece conseguir a proeza de segurar a língua nos dentes ao ver uma mulher com poucos frios brancos na cabeça.
Acredita-se que ao chamar uma mulher de Sra. é lembrá-la que sua chama de vida (e utilidade) se esvai em cada ruga. E chamar um homem de Sr. é sinal de respeito e autoridade, como se cada ruga da em sua mão de veias saltadas fosse batida contra a mesa bradando:
- Tô vivo porra! E tragam as gatinhas que meu pinto ainda sobe!
PS: Vi este comercial na TV, mas foi ao ler o post da Lola que me inspirei.
05.05.09
Alimentando o Capetalismo
É. Não resisti um impulso consumista.
Estava a procura de um sapato que não machucasse meu amado pé. Isto é muito raro. Não uso saltos, por menores que sejam, nem nada de bico fino ou que pegue no meu calcanhar, coisa muito comum em sapatos baixos com cara de sapato social.
Então olhei uns que eram uma graça e pedi para experimentar eram bonitos, mas apertaram atrás do meu pé só de colocá-los. Ao lado avistei uns bem confortáveis. E vesti.
*Ohhhhh* uma luz iluminou meus pés, os anjos tocaram trombetas. Lá estavam os sapatos perfeitos. Andei e gentem! ALOKA!
Queria um de cada cor. Mas só peguei um. E achei mega caro R$ 70,00!
É uma mistura de sapato com meia, o que reduz a durabilidade. Mas eles são lindos e inacreditavelmente macios.
Um loosho.

O meu é assim *_*