9 novembro, 2010
Tropa de Elite 2
No primeiro filme, telespectadores vibraram com o método antiético que Capitão Nascimento exercia sua função no estilo “os fins justificam os meios”. Sob a couraça incorruptível de bravura moral e prezando a manutenção da paz social (aos cidadãos de bem, que fique claro), saudavam este anti-herói que seria o “Presidente Ideal”. Parece que alguns espectadores alienariam sua privacidade para saudar câmeras e policiamento maciço nas ruas. V de Vingança?
[Atenção: Contém Spoilers]
O que difere Tropa de Elite de sua seqüência são os desmembramentos da mentalidade Libertária e Conservadora, sendo Lado A para a torcida de Direita e o Lado B para nós (pois me incluo), os vermelhinhos. O Professor de História Diogo Fraga (no início tratado como um vilão ingênuo) defende os Direitos Humanos diante de uma platéia de universitários ludibriados por um discurso utópico (lembrando que a narrativa é conduzida por Capitão Nascimento).
O personagem Fortunato me arrancou gargalhadas, fazendo rir também o Yuri (Vilão Aluno de História) e minha mãe (que faz faculdade de Serviço Social). O resto do cinema não achou tanta graça das “ibagens”.
Capitão Nascimento é “sujeito homem” da forma mais visível que poderia: Cumpre suas funções como dever cívico e busca a proximidade entre o filho quando lutam juntos, insinuando em descontração que o favor que o filho fez à amiga, deve ao fato de ser “Muito gostosa”.
Para os fãs que buscam referências ao primeiro encontrarão além do objeto-fetiche “Saco Plástico”, um aprendiz que segue a risca seu instrutor e por não ter a proteção que só mesmo os protagonistas possuem, vira mártir. Proteção esta que Nascimento parece esbanjar em uma cena digna dos anos oitenta onde um só homem enfrenta projéteis em profusão.
O discurso de Fraga ganha legitimidade na medida em que Nascimento constata que seus esforços não alteram a lógica da corrupção e o sistema opera de forma indireta, impessoal e auto-sustentável.
May May disse,
9 novembro, 2010 às 6:19 pm
Pow, curti o segundo filme… O Capitão Nascimento cai na real q toda a violência q ele gerou não serviu pra nada
Deborah Sá disse,
26 novembro, 2010 às 9:24 am
Entendo, mas a direita ainda não perdeu “seu herói” :P
Twilight Haters disse,
9 novembro, 2010 às 9:37 pm
Eu achei o filme bem interessante.
Infelizmente, pede alguma reflexão.
Infelizmente de novo, o público-alvo não é um público que reflete.
E no fim ele acaba sendo uma contradição por si só, ou uma esperança bem utópica de fazer com que o pessoal que riu de cenas de tortura no primeiro tenha um insight e entenda que não tá vendo uma ode à violência e aos métodos do Capitão Nascimento… hm.
Mas acho válida a tentativa. E acho que o 2 funciona melhor como filme do que o 1… não parece tão remendado e descontinuado como o primeiro, sabe.
Deborah Sá disse,
26 novembro, 2010 às 9:25 am
Concordo :)
Carla disse,
11 novembro, 2010 às 11:17 am
o que me surpreendeu positivamente no filme foi isso. esse novo olhar que se inseriu – mesmo não sabendo ao certo qual foi o impacto para a maioria das pessoas que assistiram. mas não sei, a quebra do “herói torturador” parece ter ocorrido.
Carla Jaia disse,
11 novembro, 2010 às 11:49 am
obs: eu morri de rir com as “ibagens” tb!
Deborah Sá disse,
26 novembro, 2010 às 9:25 am
:)