30 agosto, 2010
Saiba

Saiba, Todo mundo teve mãe, Índios, africanos e alemães. Nero, Che Guevara, Pinochet e também eu e você.
Eu, aos 0 anos e 11 meses
Mãe, Mãe, Pai e Mexy. Amo vocês.
25 agosto, 2010
Plano das idéias
A inquestionável elaboração de Políticas Públicas que reconhecem disparidades não leva imediatamente a execução (a famosa “letra morta”). Do mesmo modo, é importante distinguir o “Plano das Idéias” (onde qualquer tema pode (e deve – ser teorizado) da realidade.
O discurso acadêmico
A universidade é um espaço dedicado a argumentação teórica, no “Plano das Idéias” é possível ressignificar qualquer conceito e discutir realidades ainda distantes da maioria da população. Incomoda-me frequentar simpósios, conferências ou congregações que defendem exclusivamente essa como fonte genuína de conhecimento.
Exemplo:
“X Simpósio - A Mulher no Mercado de Trabalho’”
Alguém se apresenta:
Meu nome é “Tal”, sou Doutor em (insira curso em outro país) e a minha colocação é a seguinte (…). Posso falar isso, porque sei que somos todos universitários.
Depois do “Dr. Tal” ser respondido, uma mulher de aparência humilde levanta a mão e pergunta algo “menos teórico”. A resposta? :
“Olha minha querida. Isso foi ultrapassado pela academia, é um conceito [insira alemão/britânico/francês somado ao sufixo - ano. Ex: Foucaultiano]. Leia o “Beltrano” [outro teórico]. Próxima pergunta?”
Além de não responder, esta postura inibe novas manifestações e assume que tod@s @s presentes tiveram o mesmo acesso a informação. A primeira vez que entrei em uma Universidade¹, temi que me julgassem incapaz (baseando-me na chacota dos alunos de escolas particulares). Qual seria o tratamento dispensado a quem estudou em escolas públicas e concluiu o ensino médio com supletivo? Estaria em meu semblante algum indicativo das informações precárias que recebi? Para minha surpresa, fui bem recebida e me manifestei publicamente em uma sala com desconhecidos.
Poucas sensações são tão desagradáveis quanto sentir que te julgam desprovida de qualquer entendimento. Determinados procedimentos acadêmicos silenciam os indivíduos: Vêem uma amostra cinematográfica intitulada “Rap, Favela e Identidade”, mas não estão dispostos a dialogar com quem pega cinco conduções para voltar pra casa.
BDSM
O universo BDSM (entenda melhor aqui) tenta ressignificar na prática diversos conceitos considerados “ruins”, através de um novo olhar.
Dor
Transcender limites corporais, alcançar a elevação espiritual ou o prazer é a motivação do autoflagelo²:
No Brasil
Filipinas, Afeganistão, Malásia etc.
Consenso
Dos preceitos básicos “São, Seguro e Consensual”, a prática BDSM aprova qualquer ação que leve ao prazer (abrangido o universo hétero e LGBT).
Nenhum corpo é etéreo nem deve ser privado de descobrir a própria maneira de canalizar o desejo.
Mas o que são as representações de poder no sexo?
Procure qualquer informação (de literatura a MTV) sobre BDSM, as imagens serão em maior parte de mulheres em posições “submissas”. Estas reproduções mostram a humilhação de grupos minoritários (gordas, gays afeminados, negras), em menor ou maior escala. Porém, isso não significa que todas as práticas BDSM seguem essa lógica.
Qual o problema com a prática do Estupro Consentido?
Por que a maioria dos que procuram executar este ato são homens (em figura “ativa”)? Defender esta prática é encobrir a realidade d@s que sofreram com este abuso e buscam desvincular (dolorosamente), o prazer da dor (no sentido “comum” da palavra). A combinação das palavras “Estupro” e “Consentido” sequer faz sentido, você pode ter um desejo de dominação, o que for, mas o estupro nunca é de comum acordo, é um termo ilógico.
Você sabe o que é interromper um sexo maravilhoso por sentir medo?
Um judeu não precisa justificar um pornô nazista ser ofensivo, mas nós mulheres ainda somos tachadas de frígidas e temos de fundamentar o não excitamento com estupro ou a releitura desta prática.
Faz parte da natureza humana se excitar com cópulas e demonstrações de poder?
Sexo não é sinônimo de intercurso.
Há muitas representações de atos sexuais: Gravuras, textos, fotos… Mas a indústria pornográfica se consolidou de tal forma que ganhou o status de representação fidedigna. Assumir que biologicamente nos excitamos com violência é determinismo raso.
Nos anos 80
VHS
A grande disponibilidade de pornografia nesse formato impulsionou sua difusão, refletindo uma tradição que mostra que a pornografia é também um combustível para a consolidação de novos formatos (a Internet é um exemplo óbvio disso). Fonte
¹ Unifesp – Guarulhos – Onde o Yuri estuda
² Agradeço a @Mexy (minha querida irmã, pelas referências).
13 agosto, 2010
Até o percutir da porta
Resvale entre excessos,
Venha, tome entre suas mãos qualquer trecho
Tente, é maior do que pretende abarcar
Ouça, a música está alta e guitarras me excitam
Veja, a pouca distância de frontes unidas
Beijo. Coxas, costas e ventre
Lábios. Grandes, pequenos, concomitantes
11 agosto, 2010
Direito ao gozo feminino
Mulheres hétero não esperam muito dos homens seja no companheirismo ou no desempenho sexual, conformando-se com maridos infiéis e/ou egoístas sexuais dos quais afirmam: “homem é assim mesmo”.
Preliminares
Classificar sexo oral, masturbação e toda a gama de carícias como elementos secundários de excitação, exalta o intercurso ao status de sexo “real” ou ainda, como a conduta obrigatória após qualquer estímulo.
Se você procura tutoriais de como sentir prazer com penetração mesmo após tentativas frustradas, talvez não note que essa busca é a tentativa de afirmação a si mesma (e muito provavelmente para seu namorado) do que seria uma prática “normal”. Ninguém força o próprio paladar ingerindo alimentos considerados desagradáveis, não importando a quantidade de pessoas que adoram outros modos de preparo. Ao pesquisar formas de agradar seu parceiro ele não poderia fazer o mesmo?
Todo intercurso é violação?
O orgasmo feminino pode ser mais intenso e duradouro quando comparado ao masculino, mesmo com este fator biológico a nosso favor centralizamos os homens e seus prazeres como protagonistas através da linguagem. São eles que “arrombam”, “arreganham”, “fodem”. Não são as feministas que criaram o conceito do falo como “arma”, a própria cultura diz isso.
Problemas de ereção? Consulte-nos e surpreenda sua parceira
Publicidade sobre ereção (além de heteronormativa) cria a falsa impressão que basta um pau grande e duro para satisfazer, se assim fosse, um vibrador seria o suficiente. Não reduza sua identidade a um membro do corpo.
Mas meu namorado é ótimo e eu gozo com penetração, está me chamando de alienada?
Não. Homens são diferentes entre si, se ele te trata bem não muda o fato da maioria das mulheres não chegar ao orgasmo. Escolha implica consciência, se a mulher permanece em um relacionamento insatisfatório “por obrigação,” é porque não encara como possibilidade o próprio deleite.
Ser lésbica é a única saída?
A nossa matriz é baseada em relacionamentos heterossexuais com divisão nos papéis de gênero, sendo assim, é possível encontrar lésbicas que exigem comportamentos “femininos” de suas parceiras. O relacionamento lesbiano pode ser mais igualitário não só por tratar de uma união entre gênero, identidade e prática sexual, mas porque essa transgressão quebra uma série de protocolos das dicotomias de poder, entre elas o intercurso e suas simbologias.
Breve recado para homens hétero
Se você goza apenas com penetração não levando em consideração o prazer da sua parceira, isso não te faz “normal”. Faz-te um babaca.






