09.28.09
Watchmen
Não li a HQ mas a adaptação para as telas é bastante convidativa em conhecer a obra original. O diferencial neste filme e os demais lançamentos blockbusters é a construção da personalidade “humana” dos personagens. Os primeiros minutos de introdução são fantásticos, nele podemos entender como os antigos heróis morrem, são coibidos de usar suas fantasias e máscaras e por fim, os que se “cansam”. Há uma heroína lésbica, quem mata o casal escreve “Vagabundas lésbicas” na parede deixando explícito a lesbofobia. Algo inegável, mas importante de ser esclarecido.
Rorschach – Este personagem sociopata tem o perfil comum de um Serial Killer: Apanhava da mãe prostituta, sofria humilhações escolares, quando adulto tem pensamento extremamente conservador/religioso, julgando ser um “enviado” capaz de realizar uma “limpeza” na sociedade matando prostitutas ou qualquer outro símbolo que ele eleja como “contaminado”. Jackie Earle Haley (o pedófilo de Pecados Íntimos *calafrios*) é extremamente convincente no papel.
Dr. Manhattan – O musculoso azul traduz muito bem a idéia que eu tenho de “Deus”*: A visão cartesiana dele beira a apatia. Seu pai era relojoeiro permitindo que ele conhecesse na infância o mecanismo desta máquina de engrenagens. Adulto, torna-se físico e tal qual o Hulk sofre um acidente nuclear, tornando-se azul ao invés de verde. Descobre uma gama *hein, hein, entenderam o trocadilho?* de poderes como ser onipotente, onipresente e em alguma medida onisciente. Tendo controle sobre a matéria, pode desintegrar, transformar, ficar gigante e destruir Vietnamitas que foi o propósito adequado segundo Nixon alistando-o para servir a pátria. De tão blasé faz sexo com a esposa enquanto um clone fica trabalhando. Crê que cada atitude humana sendo boa ou ruim não impede o mundo de girar, cabendo a ele contemplar o horizonte niilista em marte enquanto ergue da terra vermelha um conjunto de engrenagens similares a um relógio. Segundo ele: “Não posso mudar a natureza humana”. O que nos leva a um grande problema…
Comediante - Misógino, machão e adjetivos similares caem como uma luva. Luta no Vietnã ao lado do Dr. Manhattan, usa um charuto na boca, é sarcástico e tem pose de cafajeste. Quando volta a cidade tenta estuprar a heroína Sra. Sally Júpiter que é salva quando outro homem abre a porta. Essa cena me embrulhou o estômago, me senti incomodada em saber que em outra ocasião ela o procura. Este tipo de cena só reforça que mulheres violentadas não têm nenhum tipo de aversão ao agressor, no fundo elas até gostam. Nas palavras do comediante: “Você disse Não, que se soletra S-I-M”. Nisto o Dr. Manhattan torna-se omisso, deixa claro em diversas ocasiões que as formas de violência são inatas no comportamento humano, subentendendo aí o estupro. Estupro é uma construção social baseada em privilégios masculinos, transformar isto em entretenimento ou em um gesto inato, é asqueroso.
Srta. Júpiter – Não sei se a culpa é da atriz ou a personagem é insípida. O fato é que a personagem não tem carisma, protagoniza cenas desnecessárias de sexo (o que foi aquela bunda no luar?), não tem nenhuma profundidade e perto de outras atuações tão marcantes como do Rorschach ela simplesmente desaparece. Aquele discurso do Dr. Manhattan para ela em Marte me soou muito anti-aborto, argh.
Homem Coruja – Com sua nave em formato dos olhos do Wall-E (a primeira coisa que me veio à mente foi a voz dizendo “Waall-eee), torna o filme um pouco mais leve, faz o tipo paladino-bonzinho-semi-bundão bem carismático. E ele broxa, o que o torna mais humano. Gostei.
Ozymandias – O “vilão” foi meu personagem preferido (não é só por ser vegetariano, juro), pela pose, charme e boas intenções. Os vilões convencionais querem o mundo á seus pés, ser adorados, ele quer trazer a paz mundial de um modo nada ortodoxo. Fazendo-nos refletir se concordamos com ele, tentaríamos impedir ou aprovaríamos suas atitudes.
Mesmo com tantos deslizes o filme se sustenta e oferece muito mais do que efeitos especiais, mulheres gostosas e Linkin Park.
09.24.09
Anticristo
Anticristo é um filme misógino. Reitera as crenças do místico feminino como algo abominável, indomável, sádico e mortal. Dividido em capítulos, o prólogo em câmera lenta (em preto e branco) conta a morte do bebê do casal e o intercurso no chuveiro.
Esse foco “peniano” é incômodo, qual a relevância de mostrar um pênis entrando em uma vagina? Não há nada “chocante” nisso Von Trier. O mundo “real” já é heteronormativo: Publicidade, linguagem, anedotas…a gama de referências é abundante. Antes de me aprofundar na trama, posso adiantar que o filme é horrível.
*Spoiler daqui pra frente, se quiser pule tudo*
A mãe entra em profunda depressão, levada aos médicos se entorpece com remédios. O marido terapeuta preocupado (e salvador) leva a esposa novamente para casa e tenta tratá-la buscando a fonte de seus medos. Ela confessa ter medo da floresta (Eden).
Neste local há tempos atrás levou o bebê para esboçar páginas de sua tese sobre genocídio, mais especificamente sobre feminicídio. Em determinado dia, ela ouve um choro de bebê e ao segui-lo encontra o filho feliz, embora ainda ouça o choro. Era um chamado da “natureza”(!).
No trem a caminho do Éden, o marido pede que imagine andar nos arredores deitando na grama e fazendo parte do local. Este é o segundo contato com a “mãe natureza”. Ao chegarem, o terapeuta insiste em rituais que ligue ela a esse mito, como andar na grama por exemplo.
No Éden a mulher pede por intercurso, ele tenta recusar acreditando que atrapalhará o “tratamento”. Não resiste, são constantes os closes da bunda do William Defoe contraindo por cima dela. Esta cena se repete com freqüência.
Não espere preliminares ou sexo oral na mulher -por que o cinema é tão relutante em mostrar a mulher gozando na boca de homem? – deita por baixo e o coelhinho em pouco tempo goza.
O contato sexual entre eles torna-se misógino:
Ela: – Me bate.
Ele: – Não farei isso.
Ela: – Então não me ama de verdade.
Ele: – Talvez não te ame
Ela: Corre para uma grande árvore, deita-se e se masturba.
Ele: Corre até ela, dá uns tapas na cara e ocorre o intercurso que ilustra a capa do filme.
Ela chega a conclusão: Se a maldade do ser humano é inata, a mulher como ser humano também é. Sendo má, ela merece ser punida.
Ele diz que a tese dela era provar que as mulheres mortas queimadas não o mereciam só por ser mulheres, para seu espanto “inverteu o jogo”.
O marido tem sonhos estranhos da natureza o amedrontando, a cena mais emblemática é uma raposa dizendo com voz gutural “O Caos Reina”. *Me segurei pra não rir*
Descobre na autópsia que os pés do bebê eram ligeiramente tortos. Ao olhar as fotos do Éden consta que o sapato esquerdo está no direito e vice-versa. Percebe que a esposa é “uma bruxa”.
Ela entra no cenário gritando e o acerta na cabeça o deixando desacordado, ainda com raiva bate no pau dele com uma madeira, tornando-se ereto. Bate punheta nele voando sangue. *Algo me diz que Lars Von Trier é fã de Ero-Guro*
Não satisfeita, usa uma furadeira manual abrindo um buraco na perna dele e coloca um peso de malhar (sabe aqueles “anéis” com peso?). Ainda com muita raiva corta o clitóris com uma tesoura.
Sai correndo, o marido tenta fugir mas é em vão: A floresta é a favor dela. Quando se esconde na toca da raposa (a mesma do sonho) encontra um corvo. Este corvo faz tanto barulho que a esposa o encontra e o soterra empurrando terra na parte superior do buraco.
Cansada, o remove e auxilia a tirar o peso da perna. Ele bate nela, amarra em um tronco de árvore e taca fogo.
A árvore ganha brilho e pisca. A bruxa voltou de onde veio: Da natureza sombria, onde tem de ser domada pelo homem. Com seu sobrenatural poder enfeitiça e cega os pobres homens reféns de seus desejos de cópula, dispostos a arriscar sua preciosa vida se for necessário.
Por fim, ele está na floresta (em preto e branco) enquanto uma multidão de mulheres sai das árvores e andam em sua direção.
Um filme que justifica a inquisição deve mesmo ser considerado uma obra-prima? Esse conceito existe há séculos e críticos chamam esse filme de inovador? Provocativo? Leiam a bíblia, vão se espantar.
09.20.09
Roça?
O vídeo está com qualidade ruim, a Sparta me atrapalha (e quase faz meu celular cair no chão), há vacas, bezerros e até pintinhos. Um passeio com as crianças
PS: Tem receitas novas: Samossas e Arroz de forno no www.escolhavegan.wordpress.com
09.09.09
Chá das cinco
Transfiro qualquer sentimento
Em gotas de chá também há lamento
Confundo tédio com sono e vontade de comer
A preguiça de um post com a vontade de viver
Meio termo nunca sei se senti
Enquanto o mate aumenta a angústia
A camomila me faz dormir
PS: Era exatamente esse tipo de coisa que eu escrevia no meu caderno/diário. Esses desabafos tão pequenos sempre me aliviaram.
