8 julho, 2009
Você sem Deus não é nada
E se não acreditar mais nele, ele deixa de existir.
Nada acontece do dia pra noite. As idéias e as concepções de realidade se formam de maneira contínua e por uma série de acontecimentos com valores distintos para as pessoas.
Antes de descrever os motivos que me levaram ao ateísmo, é importante levar em consideração a minha história de vida relacionada à instituição religiosa que pertenci por muitos anos. A descrição mais detalhada está no Dossiê CCB parte I II e III.
Qual é o ateu que nunca questionou: Deus existe mesmo?
E qual cristão nunca pensou: É mesmo (só) imaginação?
Lembro de pedir auxílio em alguns momentos de minha infância e adolescência, ás vezes deu certo, em outros momentos não. Como qualquer desejo em probabilidade relativa.
Durante uma época concordei com a Reforma na CCB proposta por Ricardo Adam. Ele defende que mulheres deveriam tocar qualquer instrumento, sentar perto dos homens, pregarem, fazerem sexo (com prazer), usarem maquiagem e etc. Ele já sofreu ameaças de morte e perseguições.
Na CCB havia algo chamado “voto”, que é quando você promete pra Deus que ao atender seu pedido, dirá na frente da igreja “a graça alcançada”. Não é obrigatório descrever o que conseguiu, só se desejar. Na Reunião de Jovens era comum agradecerem por concluírem o ano letivo sem recuperação ou um novo emprego. Os cooperadores sempre frisavam a necessidade de se esforçar, se apenas pedíssemos para Deus pra “passarmos de ano” e não estudássemos as matérias, de nada adiantaria.
Achava justo. Até porque sempre pensei que Deus não tinha função de babá. E me fez pensar. Por que tudo que conseguia de “bom” era mérito de Deus? Por que tudo que não acontecia ou dava muito errado era erro humano? Quando humanos mal intencionados me humilharam ou me fizeram muito mal, o que Deus fez? Nada. Muitos me diziam/dizem: A culpa não é de Deus, a culpa é do humano.
Qual o critério de preces de Deus? Ele ajuda uma menina a passar na prova, mas não a protege de ser molestada? As guerras acontecendo, pessoas passando fome e ele preocupado se estamos ou não “puxando o saco” dele? Contando pra todo mundo o quanto ele foi maravilhoso em ajudar a passar em um vestibular que nos matamos de estudar na madrugada?
É o tal livre-arbítrio? Até a lei terrena sabe: Você tem liberdade de ir e vir, contanto que não mate ou cause um grande dano a outros seres vivos. Mas pela lógica de “Deus” o correto é relativizar ao ponto da liberdade absoluta. Quanto ás punições, deixe que se passem décadas, meses ou anos até que o agressor bata o carro e fique paraplégico, seu filho/filha passe a mesma humilhação*, ou se nada disso acontecer, o inferno com seu tempo infinito o aguardará.
Não seria melhor impedir que a violência chegasse a “esse ponto”? Ou ainda realmente punir os agressores? Erro do humano, que se apliquem as leis dos humanos… Ou seja, Deus lavou as mãos
* É pavorosa essa idéia cristã de justiça, o que tem a ver a pobre criança filha de um pai agressor com os erros dele?
Qual a função de Deus? E por que devo adorá-lo por isso?
Sempre pensei na analogia do Frankenstein. Ele me deu a vida e daí? Eu pedi pra nascer? Vamos imaginar um relacionamento familiar. É justo que os filhos reconheçam o esforço dos pais em mantê-los vivos, mas isso não significa desconsiderar as falhas cometidas conosco e elevá-los a um status de Deus. Deus é assim, deve ser adorado por representar uma divindade.
Qual é a função dele? Pra que precisamos o adorar? Por que só ele precisa ser adorado? Por que tantos protestantes dão risada da crença católica de rezar e pedir auxílio a uma imagem de um santo? Dizem que essas imagens são mudas e não respondem, tem boca mais não falam. Defendem que o Deus protestante dá resposta “no coração”. É exatamente a resposta do santo: “No coração”. A credibilidade para o ato é a mesma, já que ambos não são experimentados no campo da razão e da lógica. Não se pode ver ou constatar fisicamente, já que se trata de uma crença baseada no sentimento.
Qualquer Deus tem a mesma credibilidade. E coincidentemente os Deuses tem seus desejos sincronizados com os ideais dos seus fiéis. Antigamente diziam que Deus não aprovava divórcios. O discurso de algumas novas correntes de pensamento cristão é mais complacente neste aspecto. Notei que “acreditar em forças invisíveis” predispõe as pessoas a terem síndrome do pânico, apresentar paranóias e imagens destorcidas da realidade.
Assim, constatei que “Deus” era o reflexo da consciência coletiva.
Raiza disse,
13 julho, 2009 às 7:20 pm
Muito legal seu texto.Escrevi coisa parecida recentemente,tá lá no blog se te interessar.O nome do texto é “Deus está nas religiões?”
Miss Lou B. disse,
14 julho, 2009 às 4:55 pm
Oi! Vi que não aceitou meu comentário! Não quis fazer propaganda de blogs meu (nem quero e nem preciso disso), só quis enfatizar o quanto você realmente escreve bem, que dá gosto ler seus textos. Espero não ter lhe ofendido de alguma maneira. Qualquer coisa meu e-mail é: missloub@gmail.com
Miss Lou B. disse,
14 julho, 2009 às 5:24 pm
Ó céus! Então o comentário literalmente se perdeu no espaço cibernético virtual!! T.T
Bom, não será a mesma coisa, mas o que eu falei no coment que você nunca viu, foi que você escreve bem demais e por isso adotei teu blog entre meus prediletos.=D
Estudo Letras. sou escritora e pesquisadora e se muitos dos alunos de português escrevessem como você escreve e tivesse o seu senso crítico, com a idade que você tem, menina, o mundo das Letras seria mais colorido e levado mais a sério. Esse blog que você acessou (o miss lou b.) é um experimento informal de escrita. Tem outro blog meu no linkrroll caso queira ver, o Manufatura-Nova: esse já é pautado numa escrita mais formalzinha com textinhos bonitinhos.
Assim como você, tive experiências espirituais por meio da religião católica. Não deixei de crer em Deus-Jesus-Nossa Senhora-Espírito Santo, minha turma toda, mas não tenho mais falta de cérebro e paciência para fazer parte de grupos de oração. Mas isso é uma loooooooooonga história. Mereceria um livro!XD
Eu li toda a sequencia que você postou acerca de suas experiências na religião da qual fazia parte. Eu me senti menos só no mundo, em relação a isso. Não importa se as experiências que tivemos foram através de religiões diferentes: elas simplesmente aconteceram e são similares.
Obrigada pelo seu desabafo: para mim ele foi restaurador e me fez pensar em muitas coisas.
=]
Um grande abraço!!^.^
P.s: À propósito, estou escrevendo um livro e o nome da minha personagem é Déborah: coincidência, não? Mas a minha Déborah é bem mais underground! Talvez ela não seja tão gente boa quanto você!;)
Sérgio Henrique Ribeiro da Silva disse,
14 julho, 2009 às 10:24 pm
Calvino dizia isso, tanta bondade e perfeição vinda de um ser só não cria regras punitivas de convívio.
Aliás de tanta bondade onipresente a existência do mal se torna impossível, inviável, Deus ou deus nessa forma em que tem seus poderes concebidos simplesmente inviabilizam o contraditório, nem o livre arbítrio considerado por outros tantos como a gênese da maldade é capaz de pensar em existir.
Mas lá estão as escrotidões, maldades na potência máxima certo? Dessa crença do ser perfeito sim que surge a barbaridade de por exemplo se desumanizar um fracasso em um casamento. Daqui por diante, tendo em conta que o homem que institucionalizou essa figura divina e infalível se faz valer da ausência de erros dela. Os erros humanos são aceitáveis já que perfeito é quem tá lá em cima, termina concedendo pra quem não é perfeito em nome de honrar essa força, julgar a todos que não dividem dessa fé a condição de párias sujeitos a perderem a vida e se a coisa parasse ” só ” com a segregação dos não crentes… pra se unir a algo superior a raça humana é craque em forçar a barra com distinções étnicas em busca de uma raça com religião superior. Essa relação metafísica na hora de se fazer barbaridades encobre violências de censura no pensamento absurdas, acreditar em algo supremo e totalitário é perigoso.
A história recente ( a história toda, mas a recente… ) mostra as relações dos seres humanos que concederam a um só o direito de mandar e desmandar sobre si – Hitler -.
Por fim, a idéia de que algo, alguém, uma força tem capacidades que vão além do metafísico e essa mesma força ou super pessoa é alguém que não tem um pingo de contraditório em si… é doente, a idéia o conceito de Deus é doente, tudo que tenha um lado só e esse único lado é opulento, mandão, é digno de não se ter dignidade. A habilidade política dos líderes religiosos pra manter esse mito vivo por tanto tempo é um tema interessante mas não foi o proposto.
Um abraço.
De censuras e pretextos « Caixa de sabão do Sr Atoz disse,
3 agosto, 2009 às 12:11 am
[...] http://cynthiasemiramis.org/?p=70) http://aqueladeborah.wordpress.com/2008/11/14/depilar/ http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/07/08/voce-sem-deus-nao-e-nada/ (muito, muito parecido com o texto que estou há meses pensando em escrever. Mas ainda não é o [...]