02.13.09

Ataque neonazista

Enviado em Questão de Gênero, Só falam nisso às 10:12 am por Deborah Sá

A polícia de Zurique fez um apelo a testemunhas, nesta quinta-feira, para esclarecer as circunstâncias nas quais a advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, teria sido vítima de um ataque neonazista em uma estação de metrô do subúrbio da cidade.

A jovem contou à polícia ter sido atacada na segunda-feira por “três homens desconhecidos”, que a agrediram, antes de retalhar seu corpo, informou a polícia, em uma nota, acrescentando que as letras SVP foram inscritas com faca no corpo da vítima. Essas são as iniciais, em alemão, do partido da direita populista, o Schweizerische Volkspartei, notoriamente xenófobo.

“Na segunda-feira à noite, em 9 de fevereiro de 2009, a polícia de Zurique foi chamada à estação de Stettbach, onde uma jovem foi encontrada com talhos de faca no corpo”, explicou a polícia.


Fonte

É…eu ainda estou chocada! Soube pelo excelente blog Escreva Lola Escreva. Imagina ter seu corpo marcado dessa forma?
Li também no blog da Lola algo que nunca tinha pensado sobre: Já notou que os ataques as mulheres quase sempre são em partes que representam o feminino? Seios, barriga, coxas?

Estou pasma…

02.12.09

A Culpa

Enviado em Desabafos às 10:52 am por Deborah Sá

(essa é uma reflexão depois do post que fiz ontem)

É de se pensar no que torna uma violação e como isto é relativo pra muitas pessoas. Eu condeno um homem que viola uma mulher não importa se é um distúrbio, uma “recaída da carne”, uma busca por provar que é macho ou qualquer outra “motivação”. Se ele não matou a moça, ela não se torna sortuda! “Ah, sorte sua que ele não te matou”. Duvidam muito que um homem bonito seja um estuprador já que há uma associação entre beleza e disponibilidade de pretendentes ávidas. Imagino o quão doloroso é para uma moça “feia” ser estuprada, há quem acredite que ela devia se envaidecer já que alguém demonstrou desejo por ela, ou simplesmente, não acreditam no relato (!).

É incrível como culpam a vítima, ao ponto de sentirem pena do agressor: “É coisa de amor”, “Ela que estava bêbada sabia do risco”, “A roupa era provocante”, “A ocasião faz o ladrão”.

Até que ponto somos inocentes? A culpa é nossa quando “cumprimos ordens”? De um superior? Dos nossos pais, chefes, líderes religiosos? É necessário quebrar certos elos hierárquicos em nome dos próprios princípios?

Em Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (filme lindo *-*), o personagem do Jim Carrey quando criança mata um passarinho graças a pressão de alguns colegas. Ele chora.

E eu já passei por algumas situações difíceis também, cedi à pressão e fui contra meus princípios algumas vezes no passado. Seja em um altruísmo martirizante onde me entreguei para “salvar” outros que eu julgava em perigo. Seja “cumprindo ordens”.

Hoje me sinto uma idiota por não ter revidado mais vezes, por ter tanto medo e covardia e não ter gritado, brigado, sido expulsa ou o que for. E o duro é que mesmo chorando, julgava ser destino, desígnio de Deus e assim me sujeitei aos desejos de outros.

Não me expressaram claramente ameaças, apenas o silêncio somado ao medo fazia com que eu imaginasse punições ainda mais graves a minha alma. As minhas grandes feridas nunca foram expostas, elas sempre estiveram na minha cabeça e talvez por isso há quem diga que são pequenas ou inexistentes. Não há marcas em meu corpo.

02.11.09

O Matador

Enviado em Filmes às 4:24 pm por Deborah Sá

Assisti ontem a noite o filme “O Matador” do Pedro Almodóvar.Achei alguns trechos com tiradas fantásticas e outros bem óbvios (o final é previsível demais, seria a intenção)?

Parece que o Almodóvar tem uma preocupação em incluir mulheres nas suas tramas, isso é ótimo, pois há aquela regra dos bons filmes:

* Ter mais de duas mulheres

* Que conversem entre si

* De um assunto que não sejam homens

Falo preocupação em “incluir” porque quase sempre os protagonistas ou vilões são homens, os papéis femininos quase sempre são reduzidos em honra a feminilidade, ou “Prêmio Consolação”.

Mas nota-se em “O Matador” o fetiche da morte. Eu, em minha mentalidade ocidental tenho nojo de tripas, sangues e esperma. Mas tem muita gente por aí que é fã desse gênero, também conhecido no hentai como “Guro” (espécie de snuff movie, mas com traços de anime) . Não estou falando que “taras estranhas” devem ser tabu, mas acredito que nossas preferências sexuais são o reflexo de como entendemos o nosso universo particular.

Sinto-me ofendida quando ouço alguém que se excita com a violência, levando ainda em consideração que a maioria das cenas de dominação envolve a mulher como o alvo.

Lembro de sair da VON (comunidade nerd que participei por um longo tempo), pois li entre outras barbaridades: “Não sou tão contra o estupro assim”, “A mulher que se mostra, mostra tanto para um cidadão de bem (medo O_O) quanto para um maluco”, “Tesão na cena da Bellucci (se referindo a cena de estupro de Irreversível)”. É eu fico ofendida mesmo, ao ponto de sair da comunidade que tinha meia dúzia de gente bacana, por uma esmagadora maioria de garotinhos que berram: “Ah, sou tão Tr00! Coloquei esperma na válvula que dá descarga do shopping!”. Tem gente que adora os argumentos “biológicos” (testosterona é o preferido destes).

Mas voltando ao filme…é interessante como o assédio e o estupro são retratados. O Antônio Bandeiras, tenta provar ao seu mestre toureiro que é macho, pra isso “tenta estuprar” a namorada do instrutor, ele a arrasta para um beco e ameaça com uma faca.

Ele vai até a polícia e denuncia o crime, mas a moça em questão resolve não prestar queixa:

Delegado:  Ele a estuprou?

Moça:  Não, tentou, gozou nas pernas.

Mãe da moça:  Isso não foi estupro, ela já teve outras tentativas de estupro outras vezes….três ou quatro?

Moça: Três.

E o interessante é que essa personagem é tão conformista que ela fala na maior naturalidade.

Há momentos em que ele deixa claro que mulheres podem ser tão impulsionadas pelo tesão quanto os homens.

[SPOILER PULEEEEE]

O Antônio Banderas absorve sensações e “solta elas” em uma angústia profunda. É como se absorvesse as “culpas” do mundo e não tivesse controle sobre seu corpo. É óbvio que eu condenaria os atos dele com a moça. Nada de “peninha dele ” tem moças que tem sorte-trecho do filme-”)

[FIM DO SPOILER PODE CONTINUAR]

Outro ponto positivo nos filmes do Almodóvar é que ele despe os homens, não só as mulheres. As mulheres que retrata parecem muito com as histórias de nossas mães, tias e também com nossas próprias vidas.

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