01.28.09
O PETA quer os machinhos!
“O PETA, ONG de defesa dos animais famosa por estampar famosas nuas em anúncios, elaborou um comercial bastante provocativo para passar na TV americana, mas foi vetado pelo canal NBC.
No comercial, mulheres nuas esfregam legumes pelo corpo enquanto mensagens como “estudos mostram que vegetarianos são melhores no sexo” aparecem na tela. A propaganda passaria no intervalo do SuperBowl, a final do campeonato de futebol americano, mas foi vetada pelo canal.”
Fonte: http://vista-se.com.br
Ou querem ridicularizar a causa vegetariana.
Ok, busco compreender que no PETA há gente realmente interessada em reforçar a conscientização da exploração animal. Ou reforçar a causa bem-estarista, anyway…
Vão agora dizer que vegetarianos tem tesão por cenouras, nabos ou qualquer legume fálico. E por que diabos não têm homem na propaganda? Deve ser porque ia ficar gay demais e não ia pegar bem (!). Tem que colocar umas gostosonas, assim todo machinho vai comer bifinho escondido, e a salada na frente da gostosa. Reforçando também o estereótipo de que vegetariano só come salada! Não é uma maravilha? A primeira coisa que me veio à mente foi: “Nossa, cagou no pau!”.
A cobrança por masculinidade é tão nociva quanto à cobrança pela feminilidade. Nos valores impostos na masculinidade está o uso da violência, a misoginia, a falta de empatia com outras formas de vida que não sejam de algum proveito, seja da cópula ou da servidão.
Ou seja: “Serei simpático/empático até conseguir meu objetivo”.
“Tudo o que faço é pra comer mulher, malho, trabalho…”
Cara, esta merda de propaganda é nociva para as mulheres e para os homens. É como um atestado de que um homem não é nada além do pinto que lateja, que não há nenhuma possibilidade genuína de empatia, apenas uma encenação com propósito sexual.
É vergonhoso.
01.27.09
O que, que a mulata tem?
Este fim de semana estive com algumas pessoas legais andando pela cidade. Comemos no Sabor Mate lá da Augusta, hambúrgueres e pizza de tofu defumado lá na Galeria do Rock e também um ótimo lanche no pão folha lá no Mercadão.
Era aniversário da cidade e o local estava cheio, especialmente na parte superior do mercadão freqüentada por quem tem mais dinheiro. Conseguimos uma mesa, já que dois dos presentes queriam um lanche de mortadela e pastel de bacalhau respectivamente. Para os três vegetarianos presentes a solução era descer as escadas e comprar o lanche no pão folha, o preço era acessível, ainda mais, levando em consideração os preços dos lanches por lá, são cinco ingredientes por R$ 6,00. Subimos a escada novamente e nos sentamos. A música ambiente era o clássico samba, mas algo muda e o “isquiriguidum” começa, uma banda formada majoritariamente por idosos e umas dez mulatas entram em cena. Com aqueles adereços aparentemente pesados na cabeça, trajes verde limão com brilhos e plumas, fio dental e busto com arames brilhantes. Muitos ficaram radiantes com esta explosão de brasilidade, algumas mulheres seguiam contentes atrás das mulatas, muitos tiravam fotos com elas, outros ficavam visivelmente excitados.
É óbvio que a “anormal” sou eu, que mesmo não sendo patriota, me envergonho da “cultura” do meu país. Que ouço “chupa que é de uva” tocando em um celular de um rapaz com a camiseta preta escrita: “Quando esta camiseta estiver preta, estou pensando em sexo -sexo, escrito em letras maiores e em vermelho-”. Que em uma tarde de domingo sou brindada com as músicas do vizinho: “A vaquejada é um esporte do nordeste brasileiro”. Não acredito na tal “dívida histórica”, se assim fosse, a humanidade ia ter que lamber a pata dos animais, mas nem assim os nossos erros seriam perdoados comparativamente.
A mulher não é um povo com língua, ela nem se quer é um povo. Não é vista como composta de indivíduos, mas de sombras que se esgueiram. Talvez alguém leia isto e como muitos, ache que julgo ter em um insight brilhante no qual trago o manual profético de uma sociedade perfeita. Não seremos nunca “perfeitos”, pois não há um único “mal”, há vários problemas e são vastas ramificações unidas umas as outras. A minha luta contra o patriarcado é muitas vezes motivo de piada, estou de certa forma me calejando em tudo isto.
Talvez só daqui um tempo, quando existirem mais pessoas com maior empatia em algumas gerações, seja mesmo discrepante que para se comemorar a história de um estado enfeitem “suas mulheres” e façam-nas se envaidecer de celebrar sua própria colonização.
01.15.09
Topless (ou os homens devem lembrar que tem mamilos)
“Se eles podem, por que não nós?”
Esta talvez seja a frase que vem na cabeça de muitos, e automaticamente respondemos: “Porque é diferente”.
Andar com os seios livres seria libertador, mas não onde vivemos, já que as mulheres mais velhas ou as que não se encaixassem nos padrões estéticos seriam mais humilhadas ainda. Aposto que os “machos de plantão” adorariam ver suas vizinhas com os mamilos ao vento e repreenderiam as “suas mulheres”, nisto se encaixam as filhas, amantes e qualquer outra mulher que ele visse como indivíduo “de respeito”.
Alguns podem alegar que andar com os peitos de fora mataria toda erotização deles, banalizando o esconder as diferenças de características sexuais secundárias. Quer mais exposição do que já sofremos? Crianças de sete, oito anos já tem contato com pornografia. Aliás, é uma coisa contraditória não? As pessoas se preocuparem tanto com a “vulgaridade” mas entendem a pornografia como algo privado. Por exemplo, são contra sexo explícito na rua, mas levam revistas com bocetas abertas na capa, vendida no topo de bancas de jornal (não precisa ser adulto para enxergar no alto).
E seria muito arriscado para uma moça fazer topless, ela correria o risco de muitos assédios mas a culpa não seria dela. Isto parece um pouco difícil de compreender para muitos, teríamos de reeducar os homens para que através de empatia e informação, não invadissem o corpo de quem quer que fosse, mesmo se esta/este andasse seminu. É como andar sem sutiã por exemplo, a mulher é incentivada a se destacar através de enchimentos e roupas justas, mas deve ao mesmo tempo ter um recato com suas próprias formas e não andar por aí sem calcinha.
Embora humanos possuam mamilos a construção dos gêneros faz com que esta seja uma característica “tipicamente feminina”, se um homem por exemplo comenta em uma conversa trivial sobre sexualidade, expondo o teor sexual de seus próprios mamilos será chamado de viado. Por que a sensibilidade das terminações nervosas em determinados pontos é vista assim? Cansei de ver homem de “farol aceso” e eles andavam de cabeça erguida, será que eles pensam que existem pessoas que se excitam com isto? Que seus mamilos são tão sensíveis quanto os de uma moça?. Isto é um tanto insano, ao mesmo tempo em que supervalorizam certas características “femininas” esquecem que as têm! Adoram cu, cílios grandes e mamilos, mas comicamente apagam em suas mentes a existência de tais pontos em seus próprios corpos!