04.29.08
Fat Power
Espanto-me com os comentários que leio em comunidades sobre gordos no Orkut.
Em especial ás comunidades dedicadas ás “fofinhas”.
Quem me conhece pessoalmente sabe que sou o que as pessoas chamam de “cheinha”. Ou como costumo falar: “A mais gorda das magras e a mais magra das gordas”.
Cultivo meu tecido adiposo na área abdominal, assim como nos braços e nos quadris (o famoso culote).
Já fui mais gordinha (aos 15 anos pesei 78 quilos), entrei em uma paranóia de ser “gostosa” e minha dieta passou a ser: água, caminhada e pouca comida. Em termos anoréxicos: Low Food. Eu nem sabia destes termos na época, internet mesmo só usava para e-mail. Perdi 10 quilos em quase um mês, perto de uma anemia voltei a comer engordando quase tudo o que perdi. Cortei o cabelo, mudei minhas roupas e passei a me analisar, em um caderno que usava para as minhas reflexões. Eu era a garota que sentava na frente e “os do fundão” adoravam tirar sarro e falar coisas como “você só vai ganhar um beijo no dia em que pagarem para o cara”.
Era gordinha, crentona e medrosa.
É, eu mudei para caramba, não entrarei em mais detalhes sobre minhas humilhações escolares /familiares/ “amigáveis” pois este não é o foco deste post.
O que noto em comunidade sobre gordinhas é que tudo o que elas querem é serem tão desejadas como a Flávia Alessandra ou a Juliana Paes. Mas não percebem que se reduzem apenas a pedaços de carne.
Há um grupo de “Pussycat Dolls” gordas, isto no meio das comunidades gordas é uma vitória! Cansei de ver tópicos exaltarem “esta vitória para a comunidade fat”.
As gordinhas então se sentiriam muito bem se em comercial de cerveja surgissem gordinhas sedutoras? Isto é reconhecimento?
Esta “cegueira” é tão grande que não notam que o que almejam é cumprir sua “função”, serem “femininas” ao ponto equivalente de bundas rebolativas (pois é a isto que são reduzidas as moças nas capas de revistas).
A beleza “esquartejada” não valoriza a criatura. Não sou só minha bunda, meu braço ou minhas estrias. A erotização vende isto: A boca da Jolie, a bunda da Mulher Melancia…
Somos vendidos em partes. E perpetuar a “beleza esquartejada” não significa uma mudança efetiva.
Paulo Albuquerque disse,
24 Janeiro, 2009 às 11:52 pm
Eu sempre admirei as gordinhas! Não gosto de mulher magra. Acho pouco feminina, de fato.
http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx