06.23.08

Paran paran paran, paran paran paran paran furunfururuuun (tema de Sex and the City)

Enviado em Filmes tagged , , às 5:06 pm de Deborah Sá

Este fim de semana assisti Sex and the City com minha irmã.

Acompanhei a série por umas temporadas, não tão assiduamente quanto minha irmã, mas o suficiente para conhecer as personagens.
Ao ir para o cinema (e ver aquele pôster com a Carrie e um letreiro rosa brilhante), pensei que veria um filme sobre sapatos.
Quem já viu a série sabe como a Carrie é doida por modas…e sapatos.
E francamente, não gosto do “aspecto salto alto” que o seriado (e o filme) transmitem. Mas resumir o filme ao quesito fashionista seria também um erro.

Carrie: Nunca entendi porquê ela continua com o Mr. Big (eu sempre soube que o nome dele era Jonh), na verdade embora não compreenda, conheço alguém bem próxima á mim que tem um relacionamento Big/Carrie. E não acho as roupas dela o máximo, acho até bem cafoninhas…

Charlote: O complexo de Cinderela usa pérolas…
O melhor relacionamento hétero daquele seriado é com o marido de Charlote, eles são um casal perfeito. Em grande parte eu sinto dó dela por suas lentes cor-de-rosa…

Samantha: A Samantha é sexual, isto é um ponto positivo da série, ela sente tesão, trepa e nem lembra o nome no dia seguinte. E vê nisto uma relação de amor próprio. É a mulher desbocada “e puta”.

Miranda: A personagem que mais me identifico, embora não aturaria o marido bananão de pijamas que ela tem.

A trama tem como foco central a amizade feminina. Amizade esta que as une mais do que irmãs, com o laço do feminino fraternal. Negativamente o filme ás vezes dá a entender que a pessoa só se torna completa quando há romance. Por outro lado mostraram um pinto! Explico: Sempre nos filmes aparecem peitinhos, bundinhas…tudo quando o corpo é feminino. Mas o diferencial de Sex and the City é que os homens são transformados em brinquedos sexuais (especialmente pela personagem Samantha) e são mostrados em câmera lenta, com direito a água escorrendo pelo corpo.
E há um beijo gay \o/
Claro que eu preferia ver um beijo bonito e demorado de língua. Mas mesmo assim foi um beijo, então ponto pro filme.
Mais um ponto (bem) negativo: Em uma cena Samantha sai com um casaco de pele de um desfile, então duas “protetoras dos animais” jogam tinta nela dizendo: “Pele é assassinato! Assassinato!”.
Detalhe: As protetoras dos animais eram “rancorosas e feias”. Dando a entender que protetores dos animais são “feios e mal comidos”. O cúmulo. Mais um cúmulo: Carrie usa um adereço na cabeça: Um pássaro azul morto(?!!).
Elas são fashion, muito fashion, tem de ser fabuloooosa mesmo que seja com bicho morto no corpo  ¬¬’

*E a música tema com a Fergie ficou péssimo também O_o
O filme é divertido, mas poderia melhorar…

Duas estrelas e meia pra ele :)

06.19.08

Em uma caixa de morangos

Enviado em Cotidiano tagged , às 5:26 pm de Deborah Sá

Quinta-feira mais que comum, ônibus, vidraça, bananas logo cedo…
Ando e logo vejo as tais reluzindo em um brilho todo cinza que só essa cidade tem, é uma por dois. Vá lá…mão no bolso. Sobraram mais dez centavos.
Desembrulhar o PVC, pegar a folhinha na mão e comer um morango. Prazer tão simples, tão bonito, tão sereno. E todos nesse vuco-vuco de cidade, atravessando apressados, tapioca e cafézinho. E eu esperando o sinal abrir…

05.29.08

Questão de escolha

Enviado em Questão de Gênero tagged , , , às 3:36 pm de Deborah Sá

Isto é uma coisa que foi muito difícil de entender. E ainda penso nisso com um pouco de ressalvas. No final todos escolhemos. Mesmo?

O que eu não entendo é: Como é que alguma mulher escolhe ser “rebolante na TV”??? Nós escolhemos? Ou nascemos em um sistema que nos impõe até não termos mais saída alguma? Somos marionetes ou temos vontade?

Como saber se a escolha foi genuína? Isto se quer existe?

 

Quase sempre vejo as outras pessoas como “vazias de vontade”, parece que elas têm uma grande preguiça de pensar, é uma despreocupação com “o lado sério da vida”, uma exaltação do “frívolo e feliz”. Filmes bons, músicas boas, livros bons…para estas pessoas só são aqueles divertidos. Divertidos por diversão (!).

 

Apologia eu quero uma pra viver…

 

GTA vende como água, quando a vida gangsta é celebrada como um ideal.

Garotos furam as orelhas com pedras brilhantes, usam correntes e roupas muito largas. “Nossa mais que jogo fudido”!

O protagonista anda “marrento” pelas ruas onde saí espancando prostitutas que lhe devem dinheiro. E em meio a risos, o jogador solta uma risada maliciosa com os amigos, e fala com a boca de canto: Toma sua vagabunda…

A erotização da violência é vista de forma “divertida e descontraída” (lúdica?).

As gostosas dos jogos despertam a libido dos garotos, eles buscam garotas com todas aquelas medidas descomunais, também aprendem (neste caso através dos jogos), que mulher é “mesmo tudo safada”.

Ou seja, tenha tesão por putas, pague por elas e as trate mal, já que “é tudo piranha”.

 

Espanto-me ao colocarem mulheres sensuais onde não há o mínimo nexo com a história do jogo; ao assistir uma partida de Metal Gear vi o personagem abrir um armário que tem um pôster de uma gostosa…

 

Quem é o mercado que (mais) consome pornografia, jogos, armas, carne?

Quem é que cultiva a violência e nisto vê por direito sujeitar “os mais fracos”? Quem “pinta” a mulher como bonequinha e putinha? Quem mata e caça por virilidade? O homem claro.

 

E eles têm escolha? Ou eles são apenas produto de um sistema que incentiva a “bestialidade viril”?

05.02.08

O fenômeno do fenômeno

Enviado em Só falam nisso tagged , , às 2:47 pm de Deborah Sá

Britney Spears e sua calcinha não chocam tanto quanto um famoso jogador de futebol pagar por…sexo com travestis.

 

Pagar por sexo não seria estranho, afinal, é institucionalizado como “normal-branco-hétero” pagar por sexo. A ofensa se dá quando sua heterossexualidade é posta em jogo. E do que importa mesmo? Um homem que ama mulheres sua vida toda, aos 40 anos sente-se envolvido por seu melhor amigo “virou” gay?

E uma mulher que ama uma crossdresser é lésbica?

A classificação de gênero não se resume a genitália, também carrega consigo toda aquela simbologia arraigada: Mulheres: frágeis, sensíveis, dóceis, manipuláveis. Homens: Inatingíveis, superiores, brutos e egoístas.

E fugir a esta regra é quebrar este dogma tão precioso: A heterossexualidade.

Mulheres e homens que amam Trans sofrem muito preconceito, a reprovação é imediata. Ser hétero me parece mais um costume do que “natural”, aliás a classificação “natural” quase sempre me soa como errônea.

Li, que talvez Ronaldinho perca seu patrocínio.

Isto pois ele feriu as expectativas que criaram com sua imagem: “Como pode um homem rico que podia “comer” qualquer uma, “comer” viado?”.

Agora surgirão charges (no charges.com) com uma paródia musical (com aquelas mulheres desenhadas com grandes mamilos), no Humortadela farão o mesmo e o Kibe Loco estampará aquelas montagens com frases “super engraçadas”. Todos parecerão o Nelson (Simpsons) e em um grande coro dirão: Ahãã ele é viado!

 

[Particularmente acho muito lindo quando vejo duas moças, ou dois moços de mãos dadas (como um casal). Eu e meu namorado concordamos neste aspecto: Isto é de fato lindo e desejaríamos ardentemente que todas as pessoas que se amam pudessem se beijar em meio à rua, fazer carinhos, cafunés. E por isto, quando vemos um casal que anda de mão dada sentimos um tremendo orgulho por estes.]

 

*Dedico este post a todas as pessoas que tiveram coragem o bastante para assumirem o que são, mesmo vivendo neste mundo tão estúpido e ignorante*

04.29.08

Fat Power

Enviado em Questão de Gênero tagged , , , às 10:09 pm de Deborah Sá

Espanto-me com os comentários que leio em comunidades sobre gordos no Orkut.

Em especial ás comunidades dedicadas ás “fofinhas”.

Quem me conhece pessoalmente sabe que sou o que as pessoas chamam de “cheinha”. Ou como costumo falar: “A mais gorda das magras e a mais magra das gordas”.

Cultivo meu tecido adiposo na área abdominal, assim como nos braços e nos quadris (o famoso culote).

Já fui mais gordinha (aos 15 anos pesei 78 quilos), entrei em uma paranóia de ser “gostosa” e minha dieta passou a ser: água, caminhada e pouca comida. Em termos anoréxicos: Low Food. Eu nem sabia destes termos na época, internet mesmo só usava para e-mail. Perdi 10 quilos em quase um mês,  perto de uma anemia voltei a comer engordando quase tudo o que perdi. Cortei o cabelo, mudei minhas roupas e passei a me analisar, em um caderno que usava para as minhas reflexões. Eu era a garota que sentava na frente e “os do fundão” adoravam tirar sarro e falar coisas como “você só vai ganhar um beijo no dia em que pagarem para o cara”.

Era gordinha, crentona e medrosa.

É, eu mudei para caramba, não entrarei em mais detalhes sobre minhas humilhações escolares /familiares/ “amigáveis” pois este não é o foco deste post.

 

O que noto em comunidade sobre gordinhas é que tudo o que elas querem é serem tão desejadas como a Flávia Alessandra ou a Juliana Paes. Mas não percebem que se reduzem apenas a pedaços de carne.

Há um grupo de “Pussycat Dolls” gordas, isto no meio das comunidades gordas é uma vitória! Cansei de ver tópicos exaltarem “esta vitória para a comunidade fat”.

As gordinhas então se sentiriam muito bem se em comercial de cerveja surgissem gordinhas sedutoras? Isto é reconhecimento?

Esta “cegueira” é tão grande que não notam que o que almejam é cumprir sua “função”, serem “femininas” ao ponto equivalente de bundas rebolativas (pois é a isto que são reduzidas as moças nas capas de revistas).

 

A beleza “esquartejada” não valoriza a criatura. Não sou só minha bunda, meu braço ou minhas estrias.  A erotização vende isto: A boca da Jolie, a bunda da Mulher Melancia…

Somos vendidos em partes. E perpetuar a “beleza esquartejada” não significa uma mudança efetiva.

04.28.08

Cansada da Isabella

Enviado em Só falam nisso tagged , , , às 5:14 pm de Deborah Sá

Baseando-me apenas em minha perspectiva, digo que o choque nesta notícia não se dá apenas pelo fato de uma criança ser morta. Mas, pelo seu pai não cumprir com sua obrigação social que é cuidar de sua filha.

Crianças: Para a maioria das pessoas são seres puros e imaculados.

Não as vejo assim. É certo que a maioria das crianças são bem bacanas . Mas não são estes anjos de candura, algumas crianças não sentem empatia e torturam animais e até quem sabe coleguinhas de escola. Mas para não fugir do foco…

A menina Isabella é branca, de uma família de classe média, e convenhamos: A garota era fotogênica. Elemento perfeito para comover este “Brasil de meu deus”.

Os rostos estupefatos diante do bárbaro assassinato da garota se indignaram.

Não foi muito diferente com João Hélio, garoto branco, fotogênico e com um rostinho bonito estampava matérias sensacionalistas com dizeres como: “Até Quando?”.

Crianças negras, moradoras de favelas, vítimas de bala perdida morrem aos montes…quais seus nomes, quais seus sonhos? Não fazemos questão de saber.

Talvez até o choque que muitos demonstram não seja tão genuíno, aliás é uma obrigação nos sensibilizarmos com mortes de humanos.

Muitos, até chamam de insensível não se comover com esta morte específica, da qual garanto que não me comovi.

Os detalhes desta história mais parecem uma novela barata onde buscam mais detalhes sórdidos. Não sei como até o momento não acusaram o pai de incesto.

É um prazer mórbido que a mídia sente em destilar seu veneno e com mais prazer ainda assistem os telespectadores, procurando detalhes que enriqueçam a tragédia.

Onde quer que se vá, lá está Isabella sorrindo em fotos. O pai e a madrasta sempre acompanhados das frases “Foram eles”.

E a população quer sangue, quer ver cabeças rolando. Como as pessoas do passado que vibravam ao ver os transgressores dos seus dogmas morrerem enforcados.

Se o enforcamento dos antigos tutores de Isabella fosse ao ar, com certeza a audiência seria enorme e muitas pessoas sorririam ao ver a morte refletida em um corpo já paralisado.

04.22.08

Geni?

Enviado em Animais tagged , , , às 2:53 pm de Deborah Sá

Semana passada trouxe consigo grandes tristezas. Em meu bairro surgiu um cão há pouco tempo atrás que estava muito debilitado, eu (juntamente com minha irmã) compramos a medicação necessária e com a colaboração de um bom vizinho que cuidou dele, ficou muito bem. Curou-se e vivia andando pelo bairro “todo imponente” de cabeça erguida e latia para quase todos.

Foi batizado de Shrek.

Não demorou muito para que outro cão surgisse, este foi batizado de Beethoven. Ambos brincavam o dia inteiro na rua e levavam sua pacata vida de cão. Corriam atrás de alguns carros, caçavam pombos e dormiam na calçada alheia.

 Shrek era o líder, latia e não aceitava carinhos a não ser da mulher e o senhor que cuidavam dele e o alimentavam. Não mordia, apenas latia e se afastava.

Já Beethoven era muito sociável e gostava “de fazer festa” com qualquer um que lhe dedicasse atenção, pulava alto e demonstrava muita alegria.

Quando Shrek notava o afago que seu companheiro ganhava, ia tentar separá-lo aos latidos.

Para afastá-los bastava falar mais áspero, bater o pé ou bater com um guarda-chuva no chão. Pronto, saiam de perto.

Na quinta-feira (dia 17), ao chegar em casa meu pai me conta:

- O Shrek e o Beethoven foram envenenados.

Pedindo mais detalhes ele me disse:

- Cheguei na rua e as crianças estavam querendo chutar o Shrek ao redor dele fazendo bagunça, quando cheguei perto pararam de rir e mudaram a postura “coitadinho do cachorrinho – disseram”

O Serralheiro com ironia e malícia dizia ”não adianta não…já morreu”.

Meu pai então viu, Shrek e Beethoven mortos, de coleira.

Disse que na Casa de Ração do bairro falaram que se fossem levados a tempo, provavelmente seriam salvos.

Não é a primeira vez que os animais na minha rua são brutalmente assassinados. O pior é que ninguém sabe exatamente quem é que comete estes atos. Há somente especulações e não provas concretas.

Alguns vizinhos os achavam “chatos” pois o Shrek gostava de latir e o Beethoven de pular.

Cães fazem coisas de cães, assim como crianças fazem coisas de crianças.

Algumas crianças da minha rua fazem coisas que me irritam profundamente, como gritar nos feriados (enquanto tento dormir) ou gritar de medo quando solto meus cachorros para um passeio. “Ahhhhh vão me morder!” “Eu tenho medo do cachorro de olho vermelho” ¬¬’

O cão de olho vermelho, nada mais é do que um Cocker babão, o Ted que é o cão mais bobo da face da terra e que apanha até que mosquito. Mas não, para eles é o Pit-Bull assassino.

É da natureza do cão latir, e por sua maneira de pedir carinho (pular) ele merece ser morto? Pois ele late ao invés de falar ele merece ser morto?

Meus vizinhos ouvem funk de madrugada enquanto tento descansar, nem por isto tenho o direito de ir matá-los.

Já perdi um cão nos meus braços morto por envenenamento, eu sei como é horrível para ele, a dor e o sufocamento, vê-lo tremer e perder a coordenação motora até definhar em um suspiro agonizante. Por este mesmo motivo sou contra o envenenamento de ratos…

 

Para os animais eles vivem em Dogville. Os humanos são nazistas impiedosos que testam em sua raça inferior e tortura-nos até a morte. Por sua cultura, por seu prazer, por seu paladar.

É frio, é monstruoso e asqueroso.

Não creio que a expressão “humanitária” se aplique a atitude humana.

04.10.08

Pornô

Enviado em Questão de Gênero tagged , , , , , , , às 2:56 pm de Deborah Sá

Busca-se pornografia pois este ato é visto como “normalmente masculino”.

 

Uma garotinha que tenta subir em árvores é vista como “menina-macho”.

Como se o ato de subir em árvores fosse parte do gene masculino exclusivamente, sendo assim, uma garota “normal” não teria este desejo genuíno (de subir em árvores). 

A pornografia (em geral) retrata a mulher como depósito de esperma e “ensina” ao homem o quanto é benéfico “cobrir a fêmea”.

O sexo pornográfico em geral é “brutal e explícito” e visto com muita normalidade pelos homens em geral, já que “este é o modo macho de ver o sexo”.

O homem é cobrado para ser fodedor e fincar sua lança fálica nos cus alheios com consentimento ou não, até porque pornograficamente falando aquela situação de “ela diz que não, mas no fundo está adorando” é bem comum.

 

Já a mulher tem de sujeitar-se e gostar destas situações já que é sua obrigação gostar de “ser tratada como sua espécie merece”. 

Sei que muitos vão discordar de mim, mas a “Revolução Sexual” a meu ver é na verdade uma “Imposição Sexual”. Na qual a mulher vê-se pressionada a viver lubrificada, fazer garganta profunda, dançando em um mastro e com os cabelos gigantescos dando muito prazer ao seu amo e senhor. Tudo isso sem sair do salto. 

E os homens sempre com a obrigação de “comerem tudo o que vêem pela frente (ou por trás também)”. 

Vejo na pornografia não só um problema para a imagem feminina, mas também uma influência negativa aos homens. Reduzem-se a rôlas descomunais e nada mais. Não pensam, não sentem, apenas metem. 

A atriz que protagonizou “Garganta Profunda” diz que era ameaçada com uma arma pelo então seu marido e produtor. Diz ainda “quem vê o vídeo, assiste meu estupro”. 

Basta uma rápida procura na internet e sites de notícia, para notar que não só ela, mas outras mulheres que “saíram do mundo do pornô”, também eram “estupradas”. 

Vídeos caseiros pipocam todos os dias na internet, muitos deles nem mostram o rosto “de suas mulheres”, quem garante que o vídeo que assiste não foi forçado?

A pornografia move muito dinheiro, e este dinheiro é investido em mais filmagens e propaganda pornográfica. É claro que é difícil um homem/garoto não gostar de pornografia. Afinal ele foi ensinado que é algo absolutamente normal para seu gênero.

 

 

Notícia no site da BBC sobre atriz do “Garganta Profunda”: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/020424_lindalovelacebg.shtml

04.03.08

Toda a masculinidade

Enviado em Questão de Gênero tagged , , , , às 3:23 pm de Deborah Sá

Ontem quando peguei o ônibus cheio para voltar para casa, havia três garotos que aparentavam a faixa etária média de 15 anos. Eles conversavam e riam demasiadamente alto depois de visivelmente retornarem do colégio. Eis trechos das conversas:

- Manooooo (gesticulava como um rapper) você ficou com a Natália? / “Qui ô” a Natália é “mó” feia. / Olha aqui a foto do meu celular! - Eeeeita (coro) mó gata! (1)

 - Meu conheci um fulano que foi obrigado a andar de cueca na rua /- Por quê? / A mãe dele o obrigou por que…-béééé buzinas e outros barulhos urbanos me impediram de ouvir- / Uhahahah ah mano o problema é se…(gesticula ereção com o braço) / Hehehehe (um pouco envergonhados) (2)

 - Mano, aquela lan house só tem computador porcaria. / Vixe, mas tem um monte de “jogo”… / Eu quebrei mesmo o teclado, daí falei: Mano eu quebro mesmo esse bagulho! /Os outros fazem cara de admiração- (3)

 - Meu, odeio matemática, aula de leitura também, odeio ler…ah, mas na aula de informática, vixe eu arregaço! / A professora de História é muito folgada, os moleques destruíram o carro dela! / Sério mano? / Sério destruíram! / Nossa, ela é muito feia, o cabelo assim todo pra cima “espiguento”! / É, ela é muito feia. (4)

- O que tem de música aí? / Ah, tem a Gaiola das Popozudas e Sem Calcinha (sic) - /(Começam a cantar) Abre, abre bem as pernas, ela senta em cima e mete, mete, mete. (5)

Cansada, com sono depois de um dia de trabalho é isto que eu ouço… Eu estudei em escola pública minha vida toda e sei que é assim mesmo que “a banda toca”.

Este tipo de garoto acha que “tudo é culpa do governo”, que acha Zorra Total e Casseta e Planeta muito engraçado, que o sonho é comer a gostosa da vez, mesmo que esta atenda pelo pseudônimo de Mulher Melancia. Não, eu não cresci ouvindo Chopin, aprendendo piano e lendo Nietsche.

Mas mesmo em meus tempos de “tentativa frustrada de inclusão social” nos quais: Dancei É o Tchan e Carrapicho (bate forte o tambor que eu quero é tique-tique-táááá), desejei ardentemente ser tão gostosa como a Geri das Spice Girls e “tinha temor de Deus no coração”.

Eu não era como eles! Eu gostava timidamente dos garotos quietos e “estranhos” que tinham fama de gays, gostava de ler algo (os livros da série vagalume) e “pensar na vida”. E nunca gostei de nenhum “popular”. E isso tudo é tão destrutivo! Quantas vezes chorei por não “ser gostosa”! Quantas vezes neguei “minha essência” por medo de não ser aceita?

E talvez no meio daqueles garotos que vi ontem exista um que esteja mentindo sobre suas opiniões (1), fingindo masculinidade (2), coragem (3), autoridade (4) e que são “muito machos mesmo”. Sobre o comentário ao cabelo da professora deles: Mas que merda é essa de que só as características “de branco” são bonitas?

Ao chegar em casa, meu namorado informa no telefone uma pérola proferida por um motorista de ônibus:  “A mulher que mostra o dedo do meio para um homem é pior que uma meretriz”

Glossário Tacape 2008

Mulher: Ser inferior, frágil, que tem de respeitar sua posição hierárquica. As que não se portam como a dama que são, são tão somente mulheres tentando igualar-se ao homem. Ex: Mulher falando palavrão, tentando escrever um livro ou falando sobre sexo.

Meretriz: Mulher que cumpre sua função social inata, que nós (homens) devemos condenar publicamente, mas das quais periodicamente devemos usufruir de sua labuta.

04.01.08

Casa nova =D

Enviado em Uncategorized tagged , , às 5:29 pm de Deborah Sá

Mudei de domínio, o velho blog não será deletado. Será guardado como um diário antigo e empoeirado, o qual só se recorre em momentos nostálgicos.

Para os que sentem saudade: www.deba0808.blogger.com.br