07.10.09
Eternas mães
Mulheres preferem chocolate á fazer sexo
Não gosto destas generalizações de revistas femininas utilizadas em correntes de e-mail, usei este exemplo para tentar entender o motivo que talvez leve algumas mulheres a colocar o sexo em segundo plano.
Mulheres costumam assumir para si a responsabilidade pelo bem estar de todos que a cercam. Elas chegam em casa, fazem a comida, limpam a casa, cuidam dos filhos e prosseguem com sua tripla jornada. O que levam muitas delas á Síndrome de Amélie Poulain.: “Se ela cuida da bagunça dos outros, quem cuidará da sua bagunça?”
Centrando sua energia em outros, seu esforço não é reconhecido tornando até motivo de chacota “rá rá a mãe é mesmo paranóica com limpeza/saúde/estudos dos filhos”. Quem (geralmente) “corre” com os filhos para o hospital? Quem olha o caderno de lições? Quem se preocupa em convencer o filho a comer feijão senão o exame de sangue pode acusar anemia novamente? E em caso afirmativo, a culpa será toda dela, afinal, seu fracasso como mãe é refletido nos estudos/saúde do filho.
A estrutura familiar é posta em grande parte nos ombros das mães, estes seres que não são perfeitos nem maculados por parirem. Alguns defendem que uma mulher nunca será completa até gerar (ou no mínimo adotar) um bebê completando esta última etapa de sua vida, devotará sua energia para nutrir e guiar todo o desenvolvimento cronológico que a separa do cordão umbilical do feto. Um dia este filho parte e sobra apenas A Síndrome do Ninho Vazio.
Mulheres são neuróticas
Uma das características usadas em comédias é a mulher neurótica. Pintam nossos traços em caricaturas histéricas e voláteis que em um momento choram e no seguinte beijam, até mesmo comédias românticas mostram essa “faceta” feminina. Que mulher não se contradiz emocionalmente ao gritar com o namorado, se arrepender, correr para o chocolate e chorar? Essa “confusão mental” nos envergonha por fugir do padrão esperado da racionalidade e autocontrole. Sentimos-nos “loucas” e “paranóicas”.
O amor da mulher é suicida enquanto o do homem é homicida
Não nos ensinam a bater, gritar, xingar, falar palavrões. O que fazemos com a nossa raiva? Com nossa frustração? Desde pequenas aprendemos que não podemos “culpar ninguém além de nós mesmas”. E nestas condições resta o nosso já tão odiado corpo para extravasar.
Obviamente há homens que se matam por suas namoradas, mas estatisticamente a maior parte das pessoas que tentam suicídio são mulheres (proporção de 3 á 4 para 1), enquanto a taxa de homicídios mostra claramente que os autores são masculinos. É alto o índice das que flagelam o próprio corpo. Ao se desenvolver a criança precisa de estímulos que a encoraje e fortaleça a auto-estima. A criação sexista falha muito nesse aspecto.
Temos de provar o tempo todo que somos capazes, tanto (ou mais) quanto um homem. Uma mulher de tailleur tem de se esforçar mais que seu companheiro de trabalho que é visivelmente incompetente e nem precisa se preocupar com as olheiras ostentadas ás 8:00, ou ainda se o gel no cabelo o faz parecer garoto propaganda da Grecin 2000.
A maioria delas está insatisfeita com a própria aparência e dispostas a recorrer a processos cirúrgicos.
O que um homem não encontra em casa, busca fora.dela
Se antes as mulheres se sentiam culpadas por pensar em sexo, hoje somos obrigadas a cumprir metas sexuais. A “obrigação conjugal” é uma das muitas pressões exercidas como deveres de uma esposa/namorada/amante. Mais do que se perguntar por que as mulheres fingem orgasmos, seria justo perguntarmos por que tantas delas começam o ato sexual sem estarem molhadas e com tesão para isto.
Nossos passos são monitorados: Sejam os pneus que aparecem em uma roupa de trabalho, nossos filhos quando não tiram boas notas, nossa disposição física não se manifestando como nos comerciais de energéticos, nossa performance sexual, nossos pais envelhecendo precisando de dinheiro pra os remédios… Somos o tempo todo, as “mamães do mundo” com “crias” penduradas na barra de nossas saias.
Em meio a tantas frustrações podemos mascarar nossa carência afetiva com aqueles tabletinhos cheirosos de chocolate. E só por aquele instante você se entrega e “derrete” na boca todo o prazer que precisava naquele momento. Este prazer é rompido quando lembramos que nosso corpo não nos pertence e cogitamos não jantar para compensar tamanho deslize.
Queremos paz de espírito, para tanto é preciso fazer as pazes com o espelho. O desgaste de nossa energia no cotidiano de pressões, trás o abatimento que enfraquece nossa força. Quem consegue lutar quando se está exausta?
07.08.09
Você sem Deus não é nada
E se não acreditar mais nele, ele deixa de existir.
Nada acontece do dia pra noite. As idéias e as concepções de realidade se formam de maneira contínua e por uma série de acontecimentos com valores distintos para as pessoas.
Antes de descrever os motivos que me levaram ao ateísmo, é importante levar em consideração a minha história de vida relacionada à instituição religiosa que pertenci por muitos anos. A descrição mais detalhada está no Dossiê CCB parte I II e III.
Qual é o ateu que nunca questionou: Deus existe mesmo?
E qual cristão nunca pensou: É mesmo (só) imaginação?
Lembro de pedir auxílio em alguns momentos de minha infância e adolescência, ás vezes deu certo, em outros momentos não.
Como qualquer desejo em probabilidade relativa.
Durante uma época concordei com a Reforma na CCB proposta por Ricardo Adam. Ele defende que mulheres deveriam tocar qualquer instrumento, sentar perto dos homens, pregarem, fazerem sexo (com prazer), usarem maquiagem e etc. Ele já sofreu ameaças de morte e perseguições.
Na CCB havia algo chamado “voto”, que é quando você promete pra Deus que ao atender seu pedido, dirá na frente da igreja “a graça alcançada”. Não é obrigatório descrever o que conseguiu, só se desejar.
Na Reunião de Jovens era comum agradecerem por concluírem o ano letivo sem recuperação ou um novo emprego. Os cooperadores sempre frisavam a necessidade de se esforçar, se apenas pedíssemos para Deus pra “passarmos de ano” e não estudássemos as matérias, de nada adiantaria.
Achava justo. Até porque sempre pensei que Deus não tinha função de babá. E me fez pensar. Por que tudo que conseguia de “bom” era mérito de Deus? Por que tudo que não acontecia ou dava muito errado era erro humano?
Quando humanos mal intencionados me humilharam ou me fizeram muito mal, o que Deus fez? Nada. Muitos me diziam/dizem: A culpa não é de Deus, a culpa é do humano.
Qual o critério de preces de Deus? Ele ajuda uma menina a passar na prova, mas não a protege de ser molestada? As guerras acontecendo, pessoas passando fome e ele preocupado se estamos ou não “puxando o saco” dele? Contando pra todo mundo o quanto ele foi maravilhoso em ajudar a passar em um vestibular que nos matamos de estudar na madrugada?
É o tal livre-arbítrio? Até a lei terrena sabe: Você tem liberdade de ir e vir, contanto que não mate ou cause um grande dano a outros seres vivos. Mas pela lógica de “Deus” o correto é relativizar ao ponto da liberdade absoluta. Quanto ás punições, deixe que se passem décadas, meses ou anos até que o agressor bata o carro e fique paraplégico, seu filho/filha passe a mesma humilhação*, ou se nada disso acontecer, o inferno com seu tempo infinito o aguardará.
Não seria melhor impedir que a violência chegasse a “esse ponto”? Ou ainda realmente punir os agressores?
Erro do humano, que se apliquem as leis dos humanos…
Ou seja, Deus lavou as mãos
* É pavorosa essa idéia cristã de justiça, o que tem a ver a pobre criança filha de um pai agressor com os erros dele?
Qual a função de Deus? E por que devo adorá-lo por isso?
Sempre pensei na analogia do Frankenstein. Ele me deu a vida e daí? Eu pedi pra nascer?
Vamos imaginar um relacionamento familiar. É justo que os filhos reconheçam o esforço dos pais em mantê-los vivos, mas isso não significa desconsiderar as falhas cometidas conosco e elevá-los a um status de Deus. Deus é assim, deve ser adorado por representar uma divindade.
Qual é a função dele? Pra que precisamos o adorar? Por que só ele precisa ser adorado? Por que tantos protestantes dão risada da crença católica de rezar e pedir auxílio a uma imagem de um santo? Dizem que essas imagens são mudas e não respondem, tem boca mais não falam. Defendem que o Deus protestante dá resposta “no coração”. É exatamente a resposta do santo: “No coração”. A credibilidade para o ato é a mesma, já que ambos não são experimentados no campo da razão e da lógica. Não se pode ver ou constatar fisicamente, já que se trata de uma crença baseada no sentimento.
Qualquer Deus tem a mesma credibilidade. E coincidentemente os Deuses tem seus desejos sincronizados com os ideais dos seus fiéis.
Antigamente diziam que Deus não aprovava divórcios. O discurso de algumas novas correntes de pensamento cristão é mais complacente neste aspecto. Notei que “acreditar em forças invisíveis” predispõe as pessoas a terem síndrome do pânico, apresentar paranóias e imagens destorcidas da realidade.
Assim, constatei que “Deus” era o reflexo da consciência coletiva.
Vigiai e estai sempre atentos
É muito mais fácil influenciar pessoas cansadas, desprotegidas e com carência afetiva. Nisto, as mulheres tornam-se um público-alvo interessante.
Toda a estrutura social fragiliza a confiança das mulheres em si mesmas, reafirmando a idéia de sacrifício que é comumente veiculada com o mito do amor romântico. Deus, projeta a idéia máxima do apogeu masculino “o homem foi feito a semelhança de Deus”, a submissão e a eterna vigilância.
Que mulher não se “policia”? Não é o que nos dizem as revistas femininas? Para atentar para cada alimento ingerido, o número de mastigações, o intervalo entre refeições, as calorias vazias? Cada quilo ganho é um fardo “um pecado”. Cada jejum e quilo perdido uma vitória, elevação.
Há dietas para “purificar o corpo” e é essa prova de resistência e “temor a Deus (beleza)” que nos faz envaidecer da “luta contra a carne”. E logo “pecamos” em um doce super calórico que nos faz sentir mal por este descontrole.
A energia utilizada nesta vigilância desgasta a mente e o corpo. Lembro que em minha dieta mais extrema, além de comer pouquíssimo tomava muitos copos d’água. Sentia muito frio, sono e cansaço. Uma candidata assim é perfeita para uma mídia que vende sonhos em cremes rejuvenescedores e de “funções terapêuticas”.
Negando o desejo oral (alimento), a mulher permite esfregar no próprio corpo produtos que aludem aos alimentos “proibidos”. São hidratantes de chocolate, perfumes de morango com chantilly, sabonetes de pêssego. Esses produtos também “acalmam” com fragrâncias de camomila e maracujá.
Em algumas religiões há autoflagelação em busca da plenitude no êxtase religioso. Muitas mulheres submetem-se a bisturis, próteses e outros métodos menos invasivos á estrutura corporal como salto alto e cintas modeladoras.
É rentável ao “mercado” que as mulheres permaneçam frustradas. Essa frustração no passado fez as vendas de máquinas de lavar e outros eletrodomésticos aumentarem. Hoje lucram a industria dietética, a de academias de ginástica, cosmética, revistas femininas, livros de auto-ajuda, esotérica e tantos outros nichos imagináveis.
Esse culto a beleza não é mera associação. Assim como na religião ele inclui a noção pecado/resignação, vigilância constante, penitência, jejum e desprendimento da antiga identidade “Agora sou de Jesus, joguei meus discos de rock no lixo” / “Agora serei magra, joguei minhas fotos “gordas” no lixo”. Evitando sempre os lugares onde existam “tentações”. Sendo estes sorveterias ou discotecas.
O que os difere é o número de adeptos e o nível de alcance da “pregação”. Todos são “vigilantes” de nossa aparência. Citam nossa forma física em conversas informais, estampa em toda a mídia o modelo “a seguir” implantando a culpa em condutas esperadas em manchetes “A atriz perdeu 7 quilos com a dieta do agrião, caminha 3 quilômetros por dia, cuida dos 3 filhos e do marido também ator”
Qual foi a última vez que você comeu algo realmente delicioso sem se culpar?
07.07.09
Dossiê CCB – Primeira Parte
Antes de começar este post é necessário frisar que eu não tenho nada contra quem acredita em Deus. Tenho consciência plena de que ter fé em algo não faz da pessoa um ser alienado e que há sim, os que seguem a vida de forma honesta e atentando para a máxima de “Amai o próximo como a ti mesmo”. Ou ainda se preferem “All you need is love”.
Minha mãe tinha apenas 19 anos quando nasci (conheceu meu pai na igreja). Sou a primogênita e cresci em um lar com bastante afeto, até os 5 anos morei em uma casa “nos fundos” de um quintal.
Nesta época fui introduzida na escolinha (pré) e gostava bastante, surpreendi a minha mãe em acenar adeus sorridente no primeiro dia de aula, ao contrário das crianças “comuns” que choram nesta data.
Gostava muito de desenhar e conversar (mais com as professoras/inspetoras do que com os alunos).
Na verdade sempre fui esta metralhadora de palavras, minha mãe conta que aprendi primeiro a falar e depois do primeiro tombo “fiquei com medo/preguiça e demorei pra tentar de novo”. Inclusive o dia que andei foi dentro da igreja (literalmente meus primeiros passos).
Quando meus pais passaram a viver com a recém nascida filha-girino deles (nasci de 7 meses e só tinha os olhões expressivos), meu pai foi “ordenado cooperador de jovens”. Eu gostava de ir a igreja (ao contrário da minha irmã), principalmente por gostar de cantar e “sentir a presença de Deus”.
Esse “sentir a presença de Deus” pode ser comparado a assistir um show de uma banda que você adora. Sabe quando vem uma banda estrangeira para o Brasil e você finalmente vê ao vivo? E eles tocam a sua música preferida? É algo assim.
Nesta igreja os homens têm muitos cargos no ministério da igreja (como toda igreja, há hierarquias) e para as mulheres só sobram três com pouco destaque “no poder efetivo”.
Mais detalhes no Post Dossiê CCB – Segunda Parte
Me “agarrei” na religião porque meu histórico é complexo. Eu não achava paz. Seja em casa, na escola ou como era de se esperar na igreja também.
A praga dos piolhos
Por volta dos 14 anos, peguei piolho. Mas não eram piolhos simples, eram piolhos MUTANTES. Depois de gastar muito dinheiro com Scabim, Kllew e tantos outros me convenci que era uma praga de Deus.
Minha cabeça ficou cheia de feridas de tanto pente fino, vinagre, água quente…e eu podia jurar que era uma espécie de penitência. Eu estava pagando por algo errado, algo que nem imaginava o que era. Mas que de alguma forma devia aceitar essa “provação”.
Ao ir em uma médica ela me receitou um remédio via oral, pois meus piolhos (segundo ela), ganharam resistência com os remédios que tomava. Só mesmo com meu sangue “contaminado” eles morreriam. E ao tomar o remédio e acordar, meu travesseiro estava cheio de pontos pretos.
My body is a cage
Como qualquer garota comum, eu pensava muito em sexo. E como qualquer garota religiosa comum, eu me culpava por isso. Como podia não ter vergonha do meu corpo? Se eu era a “bola de sebo”, “a bola sete”, “a rolha de poço”? Ah tá, claro. Meu rosto era lindo, do resto uma bela bosta. Meu tesão por pescoços me matava. De que adiantava os moços de terno e gravata com o pescoço descoberto? Era uma provocação do diabo, só podia…
Cada lugar uma pregação
A CCB tem uma sede, de lá os anciões se reúnem e decidem os “Ensinamentos” que o povo precisa. Por exemplo: Lançaram o Twitter? Deve ter um monte de gente com dúvidas se Deus “se agrada disso”, então no Brás oram em conjunto e chegam a um consenso.
Socializando com “irmãos”
Certa vez me voluntariei para ajudar na limpeza. Sempre que o culto acaba, algumas pessoas resolvem pegar umas vassouras e dar uma limpada na igreja. É um bom motivo para socializar entre “irmãos”. Nesta época (uns 15 anos), conheci algumas pessoas que foram simpáticas. Mas fui descobrindo que viviam de aparências (conheci uma moça que fazia sexo anal pra permanecer virgem) e eram tão estúpidos quanto os garotos comuns. E pior, não dava nem pra conversar de música ou seriados já que não dava pra saber de imediato se a pessoa que você conversava achava a TV uma maldição no lar. Música secular era no máximo Família Lima.
Claro que tinham uns “moderninhos”, eles costumavam gostar de filmes como Velozes e Furiosos 1, Capital Inicial e tudo que tocava na MIX FM. As “moderninhas” usavam cabelo na altura dos ombros, saias na altura do joelho, esmalte de cores claras e em regiões mais nobres da cidade vi moças de batom vermelho. Já na periferia era comum ver moças com o corpo “mais coberto” o cabelo cheio de creme e perfumes fortes. Conheço uma moça que não pôde tocar o órgão no dia em que usava base nas unhas (base é aquele esmalte transparente).
Dentro de casa meus pais sempre foram liberais, mas eu fiquei tão alienada na igreja que me “entreguei de corpo e alma” e fui afundando em tristeza. Na verdade da minha casa, eu fui a última a “largar” a igreja.
Minha mãe foi/é mega mal vista pela maioria das pessoas que se diziam suas amigas. Cortou o cabelo, tingiu, encurtou as saias e usa maquiagem.
Meu pai “perdeu a liberdade” por uma série de mal entendidos e conchavos mal intencionados.
Minha irmã nunca gostou mesmo…
Perder a liberdade nesta igreja significa só ter o direito de assistir ao culto. Não podendo chamar hinos, orar, nem exercer nenhum tipo de ação ativa.
É claro que há pessoas que ainda me cumprimentam na rua, que ao verem meu pai perguntam de mim e etc. Mas a maioria virou a cara mesmo.
Por ter uma vivência de longa data nesta instituição – dos 0 aos 16 anos-, não conseguirei resumir em apenas um post.
Confira Dossiê CCB – Segunda Parte e Dossiê CCB – Terceira Parte
Dossiê CCB – Segunda Parte
Hierarquia na Congregação Cristã no Brasil
Cargos Masculinos
Anciões: O nome já é auto-explicativo, são em geral homens mais velhos que estão a um bom tempo em outro cargo “de púlpito”, eles são os correspondentes á chefes de cada filial (também chamada de “comum”). Presidem a “Reunião da Mocidade” que acontece quinzenalmente para os jovens não casados.
Cooperados oficiais: São os que presidem os cultos noturnos, destinados aos casados e adultos. Este culto é chamado “Culto Oficial”
Cooperadores de Jovens: São os que presidem os cultos para crianças e jovens não casados (todos os domingos). Este culto é chamado “Reunião de Jovens e Menores”
Encarregados de orquestra: São os que regem as orquestras durante os ensaios.
Músicos: Só há instrumentos clássicos, nada de bateria ou guitarra, o negócio lá é órgão, violino, flauta transversal, fagote…
Porteiros: Ficam na porta, recolhem “coleta” (dízimo) do lado masculino.
Auxiliar de Jovens: Leia a descrição da função em “Recitativo”
Obreiros: Recolhem roupas e outros objetos para distribuírem gratuitamente aos mais pobres. Fazem missões de evangelização e etc.
Cargos Femininos
Organista: O órgão é o único instrumento que uma mulher pode tocar. Só há um órgão por igreja.
Porteiras: Ficam na porta, recolhem “coleta” (dízimo) do lado feminino.
Obreiras: Equivalente ao masculino
Etapas do culto
Hinos: Não há música secular, o hinário é composto por 450 hinos, cada um para cultos específicos que vão desde batismos á funerais. As melodias são baseadas em músicas clássicas, por isso conheço muitas melodias de música erudita sem saber quem é o autor.
Despedida: Ato em que um casal vai na frente da igreja na Reunião da Mocidade e anuncia que vai casar e que por isso, não mais freqüentará a Reunião de Jovens e Menores, nem as Reuniões da Mocidade.
Oração: Todos ajoelham e fecham os olhos, quem “sentir Deus” abre a boca e fala o que vêm “no coração”.
Palavra: Momento onde quem está no púlpito faz uma conexão direta com Deus e através dele fala para os fiéis sua vontade.
Coleta: Um dízimo voluntário. Os cooperadores não recebem um centavo por pregar. Ao doar a pessoa escolhe para onde vai este dinheiro: Para pessoas mais pobres, para a manutenção daquela igreja, para missões de evangelização…
Testemunho: O indivíduo vai lá na frente no microfone e conta algum “livramento”, “milagre” ou coisas engraçadas. Em especial os velhinhos sempre contam coisas engraçadas. Duvida? Tem até uma comunidade no Orkut chamada “Testemunhos engraçados CCB”. Nunca esqueço quando um senhor foi ao microfone e disse “Quando eu vi uma mulher pelada, eu morri de alegria”. Eu tinha uns 5 anos e achei tão, mas tão engraçado e sem sentido que passei a imitá-lo em casa. E como criança inconveniente que era, queria fazer isso em todos os lugares e matar meus pais de vergonha. Mais situações engraçadas em Dossiê CCB – Terceira Parte – Pérolas na CCB
Batismo: Só acontece em cultos para este fim, veste-se um roupão cinza, entra-se no tanque e “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” TCHIBUM. Sim, sou batizada. Foi aos 14. Podem-se batizar a partir dos 12 anos, não é obrigatório mas há pressão em uma série de testemunhos de “jovens que não obedeceram ao senhor, bateram o carro e morreram antes de batizar e daí né….”
Santa Ceia: Acontece uma vez ao ano. Um pedacinho de pão, um pouquinho de vinho, uns hinos e etc. Tem que tomar todo ano senão…Tomei duas santas ceias na vida, na verdade criei um diarinho O_O
“ Querido Deus, meu primeiro batismo foi dia tal, presidido pelo ancião tal…”.
Recitativos: Em dado momento do culto de jovens há o que chamam de “Recitativo”. Os grupos de crianças e jovens são separados por tamanho e faixa etária, o “Auxiliar” escolhe um trecho da bíblia e distribui um versículo para cada jovem. Então todos vão em fila na frente da igreja e cada um lê o pedaço de papel que lhe foi entregue, sendo assim:
Primeiro da fila: Deus seja louvado
Todos: Aaaaamém
Primeiro da fila: Com a ajuda de Deus, iremos recitar Salmo 23 do versículo 1 ao 18 – O Senhor é o meu pastor e nada me faltará
Segundo da fila: Deitar-me faz em verdes pastos….
E assim até que termine a fila e entre a próxima com outro trecho da bíblia.
Expressões idiomáticas
Comum: Ou comum congregação, é como chamam as “filiais”.
Um diálogo típico de fim de culto:
- Ei irmãozinho, qual sua comum? (Risos)
- A paz de Deus irmãnzinha, a minha comum é Interlagos e a sua?
- Vila Ré. Tá só prova na minha vida, cada atribulação!
- Mas fica firme irmã, são provas como de Jó.
Caiu na graça: Saiu da igreja. Pecou de alguma forma.
Falar em línguas: A “língua dos anjos”. Cada um se manifesta de um modo, lembro quando criança segurar o riso nestas manifestações religiosas. Tinha até a “Irmã Pombinha” que era uma idosa que ao “manifestar” parecia uma pomba fazendo “Prrrrr prrrr prrrr”.
Calamanáia: Modo jocoso de se referir a quem “fala em línguas” por qualquer bobagem.
Pecado de morte: Há níveis de pecado, pecado de morte costuma ser fornicação (sexo fora do casamento), blasfêmia e outras coisas “pesadas”.
Criatura: Todos os que não são da CCB
Carnal: Pouco consagrado. Exemplo: “Fulano é muito carnal”
Excursão: Fazer “Caravana” pra ir em uma igreja distante.
E para concluir: Homens sentam separados de mulheres. Dentro da igreja todas usam véu branco na cabeça. Se uma mulher visita a CCB logo as porteiras correm pra emprestar um véu e um hinário.
Por ter uma vivência de longa data nesta instituição – dos 0 aos 16 anos-, não conseguirei resumir em apenas um post.
Confira Dossiê CCB – Primeira Parte e Dossiê CCB – Terceira Parte
Dossiê CCB – Terceira Parte
Pérolas que ouvi na CCB ditas por anciões, cooperadores e outros homens com “ministério”:
* Ancião aponta para lado dos moços:
-Moço! Deus exorta! Será um grande médico, um grande engenheiro!
Em seguida aponta para as moças:
-Moça! Deus te diz! Será uma grande esposa, um grande apoio para teu marido! Uma ótima mãe e dona-de-casa!
* Algumas pessoas querem saber por que as mulheres não podem pregar na CCB. E quem disse que elas não pregam? Pregam no dia-a-dia na conduta, nos bons modos, no bom testemunho da palavra de Deus. Não precisam pregar aqui em cima pra exercer o ministério.
* Os animais tem alma, mas a alma morre com eles, quando eles morrem
* O homem deve ser submisso a Deus assim como a mulher tem de ser submissa ao homem.
* O menino deu uma facada na mãe porque ela não comprou a figurinha do Yugi Oh
* Acho mesmo tão bobo, esses crentes que choram na frente da televisão com filme e com novela, chorando em frente á uma caixa de isopor, mas tem vergonha de chorar na presença de Deus.
* Bichinho de pelúcia é do diabo, Deus não se agrada de criança empinando pipa, nem de quadros ou bonecas.
* Irmãozinho, moço! DEEEEEUS *gritando* SABE AS REVISTAS QUE VOCÊ GUARDA NA GAVETA, PERTO DA BÍBLIA! TEM MISERICÓRDIA UAULÁSSÁBIS SIRIQUEANDALÁNAPRAIA (”falando em línguas”)!!!!
*Eu sei que vendo todo mundo testemunhando alguns se empolgam, mas irmãos… Vamos agir com sabedoria…vir aqui na frente e contar “Estava andando perto de uma construção, daí caiu um saco de cimento na minha cabeça e GLÓRIA A DEUS, o saco estava vazio”, não é um testemunho…
*Se você discorda disso, vai embora. Deus não precisa de você
E é…eu fui.
Por ter uma vivência de longa data nesta instituição – dos 0 aos 16 anos-, não conseguirei resumir em apenas um post.
Confira Dossiê CCB – Primeira Parte e Dossiê CCB – Segunda Parte
07.02.09
Ruffles é para punheteiros
Como se não bastassem os comerciais de cerveja, as Batatas Ruflles também investem em propagandas ofensivas.
Voz masculina:Vamos ver como funciona a cabeça dos rapazes
Consciência diz: Mulhermulhermulhermulhermulher
Várias imagens de mulheres seminuas aparecem no vídeo.
Voz masculina: A mulher veio da costela então ahããããã nova Ruflles sabor costelinha!
Algumas considerações:
* Garotos punheteiros costumam ter referenciais de “Mulheres Gostosas”, não de moças magras. E no comercial só tem mulheres muito magras. O que reforça também a mensagem transmitida para as garotas: Quer chamar atenção de um garoto da sua idade? Veja a forma que ele pensa, ele busca estas mulheres. Isto é mulher, não o que você é.
* Só há mulheres brancas.
* Como na pornografia, são vendidas em pedaços. Exibem imagens frenéticas de “animação feminina”. Sim, aquele ambiente que habita o imaginário (comum) masculino, nele a mulher se move em câmera lenta com conotação sexual em atitudes cotidianas. Segundo esta lógica, qualquer movimento efetuado por uma mulher é cuidadosamente calculado para seduzir. Abrir um estojo, fritar um ovo, tirar uma meia…
* É uma generalização ofensiva da forma de pensar dos homens.
* Faz associação entre comer carne e virilidade.
PS: Obrigada pelo link no youtube Manu ^^
PS2: Veja aqui a embagem do produto. Obrigada Marina
06.26.09
Who’s Bad?
Ontem foi um dia absurdamente comum. Acordei, tomei banho peguei minha marmita e fui para o Terminal. O tempo estava chuvoso e pra variar meu ônibus atrasou, o que fez com que eu me atrasasse no serviço. Bastam uns pingos d’água e a cidade pára.
Fiz relatórios, cobrei uns fornecedores, almocei, voltei para os relatórios até que notei o horário: 17:10. Já estava mais do que na hora do meu café. Comi umas bolachas maisena e tomei meu chazinho diário. Preparei-me pra sair e fui.
Ao atravessar olhei para os lados e andava calmamente quando SURGE um Fiat Idea, veio em baixa velocidade e parou perto de mim, só virei pro lado e coloquei as duas mãos pra frente em sinal de “Pare”. Quem eu pensava que era? O Superman? O carro parou e eu disse:
- Desculpa
Motorista: -Não, eu que me desculpo eu que estava errado.
Olhei frenética para os lados para continuar andando (fiquei com medo de vir uma moto e morrer de vez).Saí andando com as pernas moles, meio fora de mim, em uma experiência estranha de realidade profunda, como se eu estivesse naquele momento imersa na realidade e vivesse desde então, caminhando “desligada” do mundo. Sim, eu sou uma pessoa aérea e bem desligada. Mas fui inocente nesse episódio, olhei para os lados antes de atravessar, andei em um passo normal, mas o motorista entrou na rua sem dar seta e com farol muito baixo (nem lembro se estava mesmo ligado).Só sei que quase encostei as mãos no capô quando estiquei os braços.
Eu podia ter morrido no mesmo dia do Michael Jackson.
Passou todo aquele filminho “Amélie” na cabeça: Meu funeral, os amigos virtuais se lamentando, os cachorros que eu não ia mais ver, nunca mais ia ter a experiência transcendental de gozar, ainda nem paguei a primeira parcela do meu celular… Ou ainda, perder uma mão (eu não pensei em virar cadeirante, imaginei perdendo a mão) e ter um coto. E como as pessoas ficariam com nojo de olharem pra mim e se esforçariam em uma mesa de domingo, em comer e desviar o olhar. Em eu ter de readaptar a minha vida toda, cozinhar, digitar, escrever…
Na rua comprei morangos e fiz um suco ao chegar em casa. Enquanto lavo a louça a minha mãe diz:
-Michael Jackson morreu
- O que? O_O
Seco a mão e corro para a TV.
TV: Ainda não temos certeza da morte, ele foi levado ao hospital…espere temos notícia da CNN não é? Jornalista correspondente de NY?
Correspondente: Sim, temos a notícia confirmada agora. Michael Jackson morreu.
Levei um choque. Há lendas que não imaginamos mortas e o Michael Jackson é uma delas.
Minha tia emprestou ao meu pai um VHS com uma coletânea de videoclipes do Michael Jackson. Na época minha irmã tinha uns 4 anos, ficou vidrada *____*
Assistia sem parar, teve até uma época em que dizia: “Eu sou o Máicôn Jékízon” Ela também teve a fase “Eu sou o Dinho Mamonas”
<irmã boba coruja mode on>
Então falar dele me faz lembrar da época que ela tinha cabelinhos cacheados e era um capeta, roubando meu corretivo e riscando a casa toda, assistindo Cine Trash com meu pai…e o inesquecível dia que eu juntei minha mesada pra comprar um Pega-Peixe e um cubinho transparente de chicletes que rolavam pelas divisões da caixa. Ela adorou e foi um dos dias mais simples e bonitos da minha vida. Sim, eu sou completamente apaixonada pela minha irmanzéénha *__*
</irmã boba coruja mode off>
Cof, cof, então né? O Michael Jackson (foco Deborah, tenha foco…) nunca foi meu ídolo, mas ele era inegavelmente bom nas danças (tudo bem que eu prefiro o Prabhu Deva) e nas músicas. Da vida pessoal dele tenho pena, pelo que sei o pai dele era autoritário e ganhava dinheiro à custa dos filhos, teve uns escândalos de pedofilia mas não dá pra saber se era verdade. E pra ajudar era perseguido pela mídia como uma aberração. Eu tenho medo dessa perseguição da mídia quando vejo casos como o do Michael e da Britney.
Como “A Necrofilia da Arte”* fará sua parte, será um porre todo mundo dizendo o quando ele era bom. Que descanse em paz, e continue seguindo a luz do fim do túnel fazendo o Moonwalk.
*Música do Pato Fu
A minha história de horror
Já dizia a sábia Lola que toda mulher tem uma história de horror pra contar. E comigo não foi diferente.
A primeira vez que publiquei a minha história -na internet- foi em uma comunidade feminista dia 11/03/2009
“Talvez me arrependa de contar de maneira tão pública, mas sinto que enquanto todas as mulheres não sairem do armário e mostrarem o quanto o círculo de violência está perto, as notícias de abuso serão tão distantes que o alerta de quem sentiu parecerá uma banal paranóia.
Eu tinha 10 anos quando o padrasto (meu “vô”) assistia futebol com meu pai e um tio. Ele me chamou para deitar com ele, levantando o cobertor, meu pai pediu que eu fosse, eu fui porque não tinha malícia “e sempre fui retardada para essas coisas”.
Ao acordar ele passava a mão em mim, em pânico não abri os olhos e meu corpo duro de medo sem reação, dormi novamente. A situação se repetiu em outros dias, ele nunca fez ameaças verbais, mas o que eu faria? Diria: Ah não, não quero deitar! E se alguém desconfiasse?
Eu ia, até porque alguém dizia “Vá lá, deitar com o vô”. Ele chamava, os outros pediam e tudo se repetia.
Os minutos eram eternos e ninguém via quando acontecia, não sei se ele esperava alguém sair da sala pra fazer, até porque eu nunca abria os olhos até ele terminar. Mexer o corpo era pior, ele mudava “o foco”. Nunca ouve pênis, só mão.
Eu temia que meu pai o matasse, eu temia que ele fizesse algo com minha irmã, eu temia que a minha família acabasse.
Mas contei pra minha mãe. Ela falou que nem eu nem minha irmã deveríamos voltar pra lá. Ele e minha vó moravam no quintal de casa.
Depois de pouco tempo (uma semana acho), ele morreu.
Eu me culpei pois usava shorts na época, tinha as pernas grossas e tal. Mas vejo que isso era besteira. Tudo foi feito em silêncio o que a minha imaginação fez concreto em um grande temor. A religião me fez ter nojo do meu corpo “pecaminoso” e o círculo escolar social fez eu me envergonhar dele. Era gorda, triste, com o sexo vergonhoso e o destino traçado por penitências de pecados imaginários.
Ao escrever em um caderno me analisei e fui me libertando. Com a ajuda do Yuri (namorado), consegui tornar isso mais público. Só contei pro meu pai ano passado (tenho 22 anos agora).
Às vezes ainda sinto medo do nada, ás vezes me sinto impotente e perseguida, ás vezes sinto que meu corpo é morto, que minha apatia é reflexo da minha inutilidade no mundo. Ás vezes me sinto um lixo e a culpa não é só do meu vô. É do modo que cresci, do modo que esmagaram a minha auto-estima e do modo que o terror psicológico me segue, como se eu nunca fosse só, como se a todo minuto alguém fosse me “pegar”. Sentir medo de algo que só você “vê”, parece patético, mas é frustrante.”
Update: Do modo que escrevi parece que “tudo” durou uma semana, demorou mais de um mês pra que eu contasse pra minha mãe, “isso” acontecia umas duas vezes por semana. Ele morreu uma semana depois que eu contei.
06.23.09
Vida de Madame
(1) O comercial fala do poder de dirigir o carro, mas quem dirige? O homem. Quando ela deseja poder é algo como uma “madame”, o dinheiro não vem dela, o poder de guiar também não. Acho que todos já passaram pela fase de ter de pedir dinheiro para os pais:
- Pai, me dá R$ 10,00?
- [Discurso de como a vida está difícil]…Mas pra que você quer?
Sempre achei um saco ter que pedir dinheiro pra comprar coisas básicas (absorvente por exemplo), ou maiores (como iniciar um curso). Imagina ter que pedir dinheiro pro marido pra comprar desinfetante?
(2) No desejo da mulher “estar por cima” em cadeia hierárquica “mandaria no chofer”. Algo como: “Um dia você limpará minha privada MUAHAHAHHAHA”.
Sério, nunca me senti melhor que uma empregada doméstica. Ao reconhecer os “privilégios” que temos diante dos outros, imediatamente nos damos conta o quanto a desigualdade social é discrepante.
(3) Juro que pensei que a mulher estaria no volante ao decorrer do vídeo.
(4) Ser madame
Pense na figura de “madame”.
Ela deve ser bonita e jovem certo? E se imaginar uma mulher cheia de botox na cara, certamente ela teve um passado “glorioso” de miss ou algo do tipo.
Qual é o poder da madame? É a beleza.
Essa “moeda de troca” entre homem-poderoso/mulher-troféu me assusta. Nós mulheres, não temos referencial de mulheres bem sucedidas, mais velhas e poderosas. Os homens por exemplo estão cheio de exemplos assim, eles podem ser calvos, barrigudos, terem olheiras, cabelos brancos…mas basta um terno e voilà! Temos uma imagem de “poder”. A maioria dos políticos e empresários de sucesso tem características físicas que em mulheres são consideradas dignas de asco.
A mulher só pode alcançar seu ápice, se investir energia física, mental e monetária para alimentar sua imagem construída de bela. Gastam-se muitos cifrões com cremes rejuvenescedores, roupas da moda, cirurgias invasivas e tantos outros procedimentos. Conforme o tempo passa, essa busca frenética pela manutenção da juventude só progride. Ninguém parece conseguir a proeza de segurar a língua nos dentes ao ver uma mulher com poucos frios brancos na cabeça.
Acredita-se que ao chamar uma mulher de Sra. é lembrá-la que sua chama de vida (e utilidade) se esvai em cada ruga. E chamar um homem de Sr. é sinal de respeito e autoridade, como se cada ruga da em sua mão de veias saltadas fosse batida contra a mesa bradando:
- Tô vivo porra! E tragam as gatinhas que meu pinto ainda sobe!
PS: Vi este comercial na TV, mas foi ao ler o post da Lola que me inspirei.